PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ
CENTRO DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO DE FILOSOFIA
Tópicos
Especiais sobre Teoria do conhecimento (Epistemologia)
CURITIBA
novembro de 03
Benedito
Maurílio FAGUNDES – nº 04
Revolução copernicana em FILOSOFIA
Trabalho apresentado para obtenção de nota parcial na disciplina
de Tópicos Especiais sobre
Teoria do conhecimento (Epistemologia) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Professor: Jair Barboza
novembro de 03
revolução copernicana em FILOSOFIA
Vamos nos deter no que Kant chama de a "revolução copernicana em Filosofia" , que seria, a exemplo da
"revolução copernicana", onde Copérnico
troca o sistema geocêntrico anteriormente aceito, desde Aristóteles e Ptolomeu,
onde a Terra seria o centro do Universo e tudo o mais giraria em seu redor,
inclusive o sol. Pelo heliocêntrico, de forma, a ser agora, o sol o centro do
Universo, estando o planeta Terra, bem como outros astros, girando ao seu
redor, uma troca de referencial, onde, a partir de Kant, os objetos deixam de
ser o centro de nossa potencialidade de conhecimento, saindo a ênfase dos
objetos para o humano que os conhece, estando os objetos sujeitos à capacidade
de conhecer deste humano e não o contrário. Ao conhecer algo, nunca conhecemos
a pura essência deste algo, este algo em plenitude, pois já o captamos nos utilizando de elementos nossos, oriundos de nossa capacidade
de conhecer, como a exemplo o tempo e o espaço, os quais não pertencem ao mundo
físico e sim à nossa intuição pura sensível.
Kant entendeu que sua teoria de como
conhecemos as coisas representava uma revolução análoga à que, na astronomia,
tinha representado a revolução de Copérnico. Para Ptolomeu, as estrelas giravam
em torno da Terra. Copérnico, ao contrário, parte da hipótese de que é o
movimento do espectador na Terra que produz a aparência do movimento nas
estrelas. Enquanto a atividade em Ptolomeu está nos astros, em Copérnico está
no próprio espectador. Do mesmo modo, a maneira como devemos entender a relação
cognitiva entre sujeito e objeto, diz Kant, deve ser invertida: não é o sujeito
que, imóvel, no centro do universo, vê passivamente os movimentos das estrelas.
Não; é a atividade perceptiva e conceitual no sujeito que determina como as
coisas sejam vistas e pensadas. Sobre esta sua revolução copernicana
na teoria do conhecimento Kant fala no Prefácio à Segunda Edição da Crítica da
Razão Pura.
Vejamos como o próprio Kant descreve
a relação entre sua teoria do conhecimento e a teoria copernicana:
"Até agora se supôs que todo o nosso conhecimento deveria regular-se pelos
objetos..." Ele propõe que se faça o contrário, que se admita "que os
objetos devam regular-se pelo nosso conhecimento". Assim, se nossa
percepção se regulasse pelos objetos, não veríamos um cubo nesta página e sim
um objeto bidimensional. Mas como são os objetos que se regulam pela nossa
percepção, o desenho nesta página é transformado, pela nossa própria atividade
sensorial, num cubo, isto é, num objeto tridimensional. Agora vejamos o que
Kant diz sobre Copérnico imediatamente depois do trecho citado: "O mesmo
aconteceu com os primeiros pensamentos de Copérnico, que, depois de não ter conseguido
ir adiante com a explicação dos movimentos celestes ao admitir que todo corpo
de astros girava em torno do espectador, tentou ver se não seria melhor deixar
que o espectador se movesse em torno dos astros imóveis. Na Metafísica,
pode-se, então tentar o mesmo no que diz respeito à intuição dos objetos”.
Então, não pode caber a menor dúvida: para Kant é o sujeito que conhece que
devemos pôr a girar em torno dos objetos imóveis, assim como Copérnico pôs o
espectador a girar em torno dos astros imóveis.
A
solução kantiana é conhecida como "revolução copernicana"
em Filosofia. Para Kant, os filósofos se enganaram quando, em vez de estudar o
que é a própria razão e indagar o que ela pode e o que ela não pode conhecer,
ou o que é a experiência e o que ela pode ou não conhecer, em vez de procurar
saber o que é a verdade, preferiam começar dizendo o que a realidade é,
afirmando que ela é racional e que, por isso, pode ser inteiramente conhecida
pelas idéias da razão. Colocaram a realidade exterior ou os objetos do
conhecimento no centro e fizeram a razão, ou o sujeito do conhecimento, girar
em torno deles.
A
revolução copernicana de Kant consistiu em colocar no
centro a própria razão, em vez de colocar lá a realidade objetiva ou os objetos
do conhecimento, dizendo que são racionais e que podem ser conhecidos tais como
são em si mesmos.
Quando examinamos os
conceitos de razão e verdade , vimos que Kant realizou
uma "revolução copernicana" em filosofia,
isto é, exigiu que, antes de qualquer afirmação sobre as idéias, houvesse o
estudo da própria capacidade de conhecer, isto é, da razão. Vimos também que
ele distinguira duas grandes modalidades de conhecimento: os conhecimentos
empíricos, isto é, baseados nos dados da experiência psicológica de cada um de
nós, e os conhecimentos apriorísticos, isto é,
baseados exclusivamente na estrutura interna da própria razão,
independentemente da experiência individual de cada um. Vimos, além disso, que
ele distinguira as duas maneiras pelas quais esses dois tipos de conhecimentos
se exprimem: os juízos sintéticos e os juízos analíticos. Finalmente, vimos que
a questão do conhecimento estava resumida numa pergunta fundamental: São
possíveis juízos sintéticos apriorísticos?