Que dia é hoje ? Domingo, 27 de maio de 2001.
Olá ! Está é a edição número 6 do nosso fanzine eletrônico. Espero que você
goste (ou não). Olha o que temos no menu de hoje:
1. Editorial (Daniel Wildt)
2. Sozinha na Europa: Meus Primeiros Dias (Ariadne Amantino - CARPE DIEM)
3. Um dia qualquer em um diário de uma Pessoa qualquer - Saudade (Daniel
Wildt - BORN TO BE WILDT)
4. E a Moral, onde fica? (Eduardo Seganfredo - DE NOVO, PÔ!)
5. Análise de sensibilidade (Vincent Kellers - LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO
& PARALELO)
6. Devaneios (César Henrique Costa - O PLUS A MAIS DE HOJE)
7. CRÉDITOS FINAIS
===========================================================================
======================== EDITORIAL (Daniel Wildt) =========================
===========================================================================
Todos têm soluções para as vidas alheias, falar é fácil. Isto está escrito
no Tresler de hoje. Isto é uma das maiores verdades do mundo. E também uma
das coisas mais inúteis do mundo. Pessoas tomam partido sobre coisas que
não possuem nenhuma relação. Acham simplesmente que tem o direito de mandar
nas nossas decisões. Vivi isso um bom tempo. No more lies. Você tem um
nariz, certo? Tá, aquela menina que ameaçou terminar o namoro está
procurando o dela ainda, mas tudo bem. Boa sorte para ela. Se não existirem
peixes no rio quem sabe ela acha. Senão teremos peixes comendo meleca de
nariz por aí. Vamos mudar o contexto. Você tem bolas, certo? Pode ser no
sentido figurado! O.K., este também não é um bom exemplo, temos o
estuprador que foi pedir para sua vítima fazer sexo oral com ele... ela não
estava muito "afins" (dor de cabeça derivada da TPM), mas resolveu bater um
bolão com o cara (e não foi no sentido figurado infelizmente)... ô vida.
Homens, tomem cuidado ao pedir uma "mordidinha". Bom, esse não é o ponto.
FOCO. Você tem nariz para dar direção para sua vida? Você tem bolas para
tomar suas próprias decisões? Então viva sua vida sem medo de se ferrar.
Mudando o assunto, você sabia que o gaúcho Aldyr Garcia Schlee, escritor de
contos como "Anão de Circo" e "Braulina", em 1953 venceu o concurso de
desenho para a escolha do uniforme da seleção brasileira de futebol? É, a
camisa "canarinho" é invenção dele.
Alguém explica? Eu ia fazer uma seção "falando sério" hoje, mas isso está
virando uma seção "é brincadeira", só pode ser. Se eu sair na rua e matar
alguém devo pegar uns 8 anos de cadeia, considerando desde já meu bom
comportamento. Como tenho curso de graduação vou ficar bem feliz em alguma
prisão especial. Depois que eu sair, escrevo um livro, vou no Jô Soares,
participo do Domingo Legal, Quarta Total, programa do Ratinho e como estou
ficando saradão, G Magazine pode ser uma, ou aquela revista nova que diz
ser sensual e não "sexual", depende do cachê. Enfim, o ponto é... e se eu
matar 8 pessoas e desabrigar umas tantas outras, por ter construído um
prédio com areia de praia? Eu fico livre leve e solto, e a pessoa
responsável por projetar o prédio para aguentar 280 toneladas (DEVIA
AGUENTAR 500!!) pega 2 anos e 8 meses. De prisão? Que nada, trabalho
comunitário! E uma hora por dia para evitar a fadiga. Isto acontece no
Brasil, país com a maior "produção de madeira" da América Latina, e quem
sabe do Mundo!
Mudando o assunto novamente... e o apagão hein? Eu só posso dizer o
seguinte: junto com o inverno iminente, doses moderadas de vinho, serenatas
a luz de velas e noites geladas esquentadas pelo amor é o que eu espero.
Viu menina que odeia domingos solitários, isto é um convite!
No mais eu não estou a fim de escrever muito sobre minha vida ou sobre
coisas do meu cotidiano. Estou comprando um carro, nesta semana vou
apresentar um artigo sobre meu Mestrado na semana acadêmica da faculdade e
não vi minha namorada hoje (fiquei estudando para a semana acadêmica). Ouvi
The Byrds o dia todo e agora estou ouvindo Modest Mouse (Broke, Heart Cooks
Brain, Convenient Parking e Trailer Trash). Parei de acreditar no Brasil
(farei uma reanálise da minha posição de seis em seis meses) e estou com
pena do Faustão (vão puxar o tapete dele, escreve aí).
Ah, no Tresler de hoje temos experiências fora do nosso país MARAVILHOSO,
cheio de falsas riquezas. Temos contos, ou um projeto de conto. Temos
devaneios, reflexões sobre a moral, ou a falta dela, e temos humilhações.
Ou será que é uma terapia para a elevação da alma, para edulcorar a vida
por assim dizer?
Ah2, aproveitando o ensejo, hoje temos "o plus a mais de hoje", tendo como
autor uma pessoa que com certeza não sabe que foi uma das causas para eu
começar a escrever. Com seus super emails relatório conheci sua forma de
escrever narrativas inesquecíveis. Pronto, falei.
Daniel Wildt, que espera que "foderoso" tenha sido um jogo de palavras. Eu
não corrigi. Eu achei legal. Não entendeu? Leia o Tresler.
===========================================================================
====================== CARPE DIEM (Ariadne Amantino) ======================
===========================================================================
SOZINHA NA EUROPA: MEUS PRIMEIROS DIAS
Durante o período em que morei na Europa, escrevi muito. Como agora, o fato
de eu estar voltando para lá está presente o tempo todo na minha cabeça e
na minha vida, estou adaptando para mostrar para vocês algumas das coisas
que senti e vivi quando estive sozinha do outro lado do oceano.
Quando cheguei na Bélgica, passei uma semana morando em Diepenbeek.
Diepenbeek é uma cidade universitária de mais ou menos 7000 habitantes. O
lugar onde eu estava morando ficava a mais ou menos 4km do centro de
Diepenbeek. Se é que se pode dizer que uma cidade de 7000 habitantes tem
centro... Mas Diepenbeek tinha! E eu, estando a "apenas" 4km deste, estava
morando praticamente no campo! Ou seja, um lugar calmo.
Depois de uma semana morando no campo, eu me mudei para Hasselt. Hasselt
tem quase 100.000 habitantes e é a capital de Limburg, uma das províncias
belgas. Em Hasselt, eu fui morar na Kuringersteenweg, um avenida por onde
passam para a maioria dos carros que estão chegando ou saindo de Hasselt.
Ou seja, um lugar nada calmo! Mas era super bem localizado, perto do centro
e da estação. Meu quarto era no segundo andar, e a entrada era pela padaria
que tem no térreo. Achei ótimo!
No dia em que me mudei para Hasselt, achei que ia ficar super bem no meu
novo quarto. A verdade é que eu já estava começando a gostar de Diepenbeek,
apesar de meio longe.
Assim que cheguei, comecei a arrumar minhas coisas. Mas eu estava muito
perturbada, não dava. Eu não conseguia pensar o que eu ia colocar onde e
nem o que eu tinha que arrumar. E o barulho! Muito barulho! Eu não podia
agüentar! "Trocentos" carros passando por segundo, mesmo depois das 11, o
chuveiro que não parava de pingar, o neon da padaria fazendo barulho lá
fora! Apaguei a luz para dormir e o quarto continuou claro por causa do
neon... Vou enlouquecer!!! Quero voltar pra Diepenbeek, pensei.
O que eu poderia fazer? Vou investigar os outros quartos, quem sabe lá tem
menos barulho. Afinal, não pode ser tão ruim assim... Não tem tanta gente
que mora em avenida? Mas eu preciso de sossego... Será que vou conseguir
ficar aqui? Barulho noite e dia... E o lugar do Paul? Será que é tão longe
assim? Será que ainda posso mudar de idéia? Não, mas eu vou me acostumar...
Afinal, não era o que eu queria?!? Perto do centro e da estação. Droga!
Ninguém mandou querer ficar em Hasselt! Eu estava odiando o meu lugar.
Achei melhor ir dormir ...
Na manhã seguinte, eu estava muito perturbada. Não consegui descobrir nem
onde é a luz da cozinha!!! E para esquentar o leite?!? Não tem microondas!
Não tem nenhuma leiteira! Só UMA panela!!!
Nisso, um outro estudante apareceu. Ufa!!! Foi bom conversar com ele porque
pude perguntar para ele algumas coisas... Tipo como acender a luz da
cozinha e onde estava o microondas (na outra cozinha no andar de cima).
Engoli meu café, fiz meus sanduíches para o almoço e saí. Disfarcei o dia
todo. Falei que o lugar era barulhento, mas que eu ia me acostumar. De
noite, a galera combinou de ir no cinema... Yesss ! Assim não preciso ficar
nesse lugar sozinha.
Fui no super logo depois do trabalho. Pegar um carrinho foi uma lenda! Eu
sabia que precisava de uma moeda para desengatar um dos outros, mas
qual?!?! Tentei várias e já ia desistir quando funcionou com a de 20
francos.
Dentro do super, fiquei bem perdida. Não conseguia achar o que eu queria.
Droga!!! O que está acontecendo?!?!? Achar os preços era um problema. Tem
muita variedade de tudo e os preços estavam colados nas prateleiras com os
nomes todos abreviados... Saco! Fora o que eu não sabia o que era! Acabei
comprando um monte de porcarias: chocolate, bolachas, muffins, doces...
Quando cheguei em casa, ainda estava meio perturbada com os barulhos: o
neon, os carros, o chuveiro pingando, a geladeira e agora também a luz da
cozinha que fica fazendo barulho quando está acesa porque tem um timer.
Precisava desesperadamente comer algo doce. Devorei uns doces folhados que
eu tinha comprado. Fiquei meio tonta de novo... Todos os barulhos desse
lugar me atrapalhavam. Eu não conseguia pensar... Andava de um lado para o
outro sem parar. E não sabia que horas alguém vinha me buscar para o
cinema.
Tentei me acalmar. Liguei o som (com pilha porque a única tomada onde ele
entraria não está funcionado) para disfarçar os barulhos e fui arrumar
minhas coisas. Consegui me acalmar. Parece que eu não ouvia mais tanto o
barulho dos carros. Acho que já estou me acostumando...
Por volta de 10 horas vieram me buscar. Fomos nos cinema e voltei para casa
à 1:30... Ouvi um pouco os barulhos, mas depois não sei se dormi ou só me
acostumei com eles... Deve ser um bom sinal.
Ariadne Amantino
===========================================================================
===================== BORN TO BE WILDT (Daniel Wildt) =====================
===========================================================================
UM DIA QUALQUER EM UM DIÁRIO DE UMA PESSOA QUALQUER - SAUDADE
Cheguei em casa, depois de tomar um banho de chuva daqueles. Parecia um dia
comum, pessoal ainda estava na rua e eu resolvi tirar minha roupa e me
secar. Acabei ficando peladão andando pela casa, pois nunca fiz isso. Era
cedo, liguei a TV no canal pornô para ver qual era, e não era nada...
incrível a capacidade de colocar no tal canal exatamente no momento em que
um filme está terminando. Bom, troquei de canal e estava começando Ed TV...
filme legal, numa boa fiquei assistindo enquanto esperava algum pensamento
aparecer em minha cabeça para me dizer o que fazer.
Eu pensei em pedir alguma coisa, pizza, cachorro quente, mas no final
resolvi botar a mão na massa e fazer uma comida caseira mesmo, coisa de
guri novo... macarrão com molho de tomate de caixinha. E ainda um ovo frito
padrão para comer com um sanduba enquanto a massa não ficava pronta. Bom,
fui botar uma bermuda antes de fazer o ovo, para proteção pessoal. Normal.
Depois dessa jornada gastronômica, fui para meu quarto. Neste momento as
pessoas da casa começaram a chegar. Meu irmão com o ânimo padrão me mandou
longe quando tentei ser simpático (sentimento estranho entre irmãos,
humpf), mas tudo bem, eu levei numa boa, fiquei frio e voltei para minha
vidinha mais ou menos na frente do computador conversando com pessoas
estranhas e com pseudo-nomes.
Antes de dormir, meu telefone celular tocou, eu fui atender. Era madrugada,
pode ser ela. Tem que ser ela. Não pensa negativamente, é ela. Tomara
que ela diga "quero estar com você!"... ia ser demais. Faz tempo que eu sou
amigo dessa menina e ela nunca nada. É, nunca nada, entende? Bom, enfim,
óbvio que era engano... mais ou menos duas horas da manhã quando o telefone
tocou. Era engano. E já notou que as pessoas ligam para o telefone celular
procurando sempre pessoas com nomes estranhos? Era engano, não acredito. O
Roberval tá aí? Aí tu manda o maluco esquecer, que o telefone é de outra
Pessoa. Era engano... E se a insistência é uma virtude humana, poucos são
tão insistentes quanto esta pessoa que me ligou... EU NÃO CONHEÇO O
ROBERVAL!!! Após começar a me irritar, deixei de lado e simplesmente
desliguei o celular, pois o sono absorveu o "ânimo de surpresa" quando o
telefone tocou. Era engano.
Nem preciso dizer que no outro dia, quando recebi a ligação mais
importante, a bateria do celular chegou ao fim. Murphy, fazia tempo que
você não me visitava. Sempre que pessoas chatas ligam para você, o celular
está lá, na boa. Você fica procurando um túnel para ver se o sinal se
perde, mas nada. O túnel mais próximo fica 30Km longe do local onde você
está... Agora, quando é aquela menina, sabe, AQUELA MENINA, aí sim, o
celular te abandona, e ainda ri da nossa cara, com aquela tela dizendo
"Descarregando...". Dá vontade é de descarregar minha ira sobre o celular.
Pessoa: Alô?
Menina: Oi! Tudo bem contigo?
Pessoa: (triple sigh) OI!!
Celular: bip
Menina: Eu quero conversar contigo, pode ser agora!?
Pessoa: A minha bateria tá...
Celular: bip bip bip (heheheh... got you!)
Pessoa: tava... (double twister sigh)
Pânico instalado. Só isso. Pânico. Ela ia se declarar, só pode ser isso. Ou
não, mas nessas horas eu não penso em nada. Estava longe de casa,
caminhando, e tinha uma subida considerável. No pain no gain! Cheguei em 5
minutos, em um percurso que faço em 15. Ligo para a menina, óbvio, após 10
minutos me recuperando do esforço extremo realizado (do the math).
Pessoa: Oi, acabou minha bateria!
Menina: Tudo bem, eu ouvi tu dizer "a minha ba", daí pensei que fosse
isso.
Pessoa: Bom, podemos falar agora? Ou tua bateria está no fim também?
Menina: bip bip bip! Brincadeira...
Pessoa: hehe, engraçadinha.
Menina: estou com saudades.
Pessoa: eu também.
Menina: nos encontramos lá?
Pessoa: sim.
Esta é a comunicação existente entre dois corpos loucos por sexo. Sim. E lá
fomos nós, para o local sempre escolhido para nossas aventuras tântricas.
Depois de passarmos a noite acordados, dormimos metade do dia seguinte,
cuidando da nossa "saudade"... queria que fosse amor.
Pessoa
===========================================================================
==================== DE NOVO, PÔ! (Eduardo Seganfredo) ====================
===========================================================================
E A MORAL, ONDE FICA?
Há alguns dias estava pensando sobre o modo brasileiro de olhar pra si
mesmo. Estamos sempre tão distantes de nós. Paradoxalmente distantes. Há
casos que acontecem com nossos vizinhos que imaginamos que jamais
acontecerão com a gente. Quase nunca nos preocupamos em prevenir alguma
coisa, mas estamos sempre solidários para remediar. Sim. Nós brasileiros
somos solidários. Talvez mais solidários do que a maioria dos povos
latinos, que acredito sejam os mais humanos. Depois da desgraça consumada
lá estamos nós, prontos a estender a mão e doar o que não temos para
aliviar a dor daquela pessoa, ainda que nunca a tenhámos visto. No entanto,
não pensamos no amanhã. O brasileiro não guarda dinheiro, não está
preocupado se alguma coisa pode acontecer. Se acontecer, amanhã a gente
resolve. Na verdade somos extremamente complacentes com nossos próprios
erros e defeitos. Somos tão solidários que nos compadecemos da dor de
criminosos, sanguinários ou não, psicopatas ou não. Sim, temos uma maldita
atitude paternalista de não condenar, nem mesmo moralmente, o maldito
traficante que drogou crianças, afinal "a sociedade o condenou a ser um
traficante"! E nós, como bons brasileiros, não nos revoltamos contra este
tipo de pensamento, que atribui as tendências criminosas à fatalidades
naturais do destino! No entanto somos os primeiros a correr pra segurar a
mão da nossa amiga em coma tóxica no hospital. Ou abraçá-la quando é a
filha dela que está nesta situação. "Isso não é real, não está acontecendo
comigo! Quando que eu poderia imaginar que minha filha seria capaz de
tanto!". E você pensa, "como não imaginou? Como não percebeu? Estas coisas
quase saltam aos olhos! Você vê nas roupas, no comportamento, no cheiro, no
jeito, nos amigos! Eu, que não tinha proximidade notava, como vocês podiam
não ver!". Perdemos as rédeas da nossa sociedade há muito tempo. Desde o
momento que nos resignamos a aceitar o caos com naturalidade deixamos com
que a própria sorte definisse nosso futuro. Um simples bonsai nos ensina:
se queremos que algo floresça de uma maneira, é preciso aparar as más
tendências e fazer pender para o lado que desejamos, acompanhando
continuamente.
Basta isso. Dizer não ao que está errado. Mas nós não fazemos isso. Muito
pelo contrário, discriminamos com chacota as boas atitudes e apoiamos
aquele que emprega a lei de Gérsom. Afinal, ser brasileiro é saber usar da
malandragem. Não dá nada. E pra infelicidade extrema desta maravilhosa
nação que somos, carregamos continuamente o defeito de não saber dizer não
a isso. Não prendemos o motorista que bêbado mata mais de uma dezena numa
parada de ônibus. Não prendemos o deputado inescrupuloso cuja construtora
empregou material de última linha na malograda construção que culminou com
a morte de 8 pessoas e deixou centenas sem teto. E, pior ainda, sem
esperança de justiça. Não prendemos o senador que mente que não pediu e
nunca viu lista, que não sabe de nada ... "Ah, lembrei! Sim, havia uma
lista!". Não. Nós não fazemos nada. Não prendemos o juiz federal que roubou
milhões e enviou tudo pro exterior. "Ah, não. Nós prendemos sim". Sim. Ele
está muito bem preso na própria casa, com todo conforto de que necessitar
para aproveitar aquilo que roubou. "Mas afinal, de quem ele roubou? Não foi
do governo. Eu não gosto do governo mesmo!". Sim, parece que é assim que
pensamos. Parece que não era nosso dinheiro, afinal era tanto dinheiro! Não
podia ser nosso que passamos todo tempo que temos trabalhando e vendo
nossos amigos mais justos se sujeitaram a situações de extrema miséria pra
manter a dignidade. Não. Temos que ficar em casa, presos pra não morrer na
selva que se transformou nossa cidade. Sabendo que se algo nos acontecer ou
a alguém da nossa família, nunca teremos justiça. Temos que ficar em casa,
no escuro, porque não há energia. E se queremos sair de carro, é bom nos
prepararmos, pois a gasolina custa muito caro. E não presta, porque é feita
de uma mistura braba. Tenho vontade de esbravejar impropérios que me fariam
ser banido da edição do Tresler para sempre. Mas não. Ao contrário, como
bom brasileiro, eu devo me calar, sentar em frente a TV e continuar
pensando que o jornal falado é mais uma atração mórbida de entretenimento
popular, como nossas consagradas novelas. Devo mudar meu comportamento e
dizer "Sim filho. Essa piada racista é realmente engraçada". Ou então
"realmente, meu filho. Podemos ganhar muito dinheiro se mentirmos para as
pessoas e as enganarmos. Quanto mais fazemos isso mais alto o cargo para o
qual seremos eleitos". Talvez assim ele realmente seja um homem de sucesso
para a sociedade que vivemos. Sociedade esta que torturou, matou e humilhou
os valores morais, tal qual fizemos há 2000 anos atrás com aquele que cedeu
sua vida para nos trazer o exemplo. E o mais triste desta história toda é
que nada do que foi escrito aqui será novidade alguma para qualquer leitor
desta coluna.
Anuncio que a partir da próxima semana plagiarei a seção "Linhas de
pensamento catótico e paralelo" do meu colega Vincent, chamando-a em meu
espaço de "Traços de reflexão desordenada e paradoxal".
Eduardo Seganfredo
===========================================================================
======== LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO & PARALELO (Vincent Kellers) ========
===========================================================================
ANÁLISE DE SENSIBILIDADE
Oi!
Então tá gurizada, vamos descer a lenha hoje pq eu não tenho muito tempo
pra escrever... é, eu tenho prova de Pesquisa Operacional amanhã, e
gostaria de estudar um pouquinho mais (pra variar), então vamos ao que
interessa. Um aviso: a coluna de hoje não tem nenhum assunto definido, ao
contrário das colunas anteriores. Hoje sim, caro leitor, você conhecerá as
verdadeiras, únicas e confusas... "Linhas de pensamento caótico &
paralelo"!
Falando em linhas de pensamento caótico e paralelo, lembrei que no Tresler
#3, em minha coluna (onde mais, dummy?) comentei que pretendia assistir o
filme "Miss Simpatia". Pois bem, final de semana passado assisti o dito
cujo. E achei muito legal! Quem sabe agora a Sandra Bullock desiste de
fazer filmes tipo "Speed" e envereda para os lados da comédia. Enfim, para
aqueles que querem se divertir um pouco, com um filme bem light, recomendo.
Falando em recomendar, gostaria de recomendar uns sonzinhos pro pessoal que
ainda conecta no Napster: Candysuck, com Scratch!; Nightwish, com
Wishmaster e She is my sin; Sepultura, com Symptom of universe e Rhapsody,
com Emerald sword. Ok, se você tem alergia a guitarras, não tolera rock,
punk rock, heavy metal e semelhantes, não assimila muito bem as notas
altíssimas atingidas por Tarja Turunen do Nightwish, siga meus conselhos:
vá pro inferno e não faça o download dessas músicas, nessa ordem, sob pena
de violentas reações alérgicas.
Falando em música, baixei mais umas mp3 nessa madrugada, mais precisamente
três solos de contrabaixo. Sim, eu estava buscando a autoflagelação...
buscava a humilhação completa da minha técnica (ou falta de técnica) como
baixista. Busquei mp3 de dois caras que são mestres: Flea, do Red Hot
Chilli Peppers (dispensa maiores comentários), Stu Hamm, baixista que
acompanha Joe Satriani e Victor Wooten, que me desculpem, mas não faço a
menor idéia de quem seja. Digamos que atingi meus objetivos: fui
completamente humilhado pela técnica e pelo feeling destas figuras, e
tratei de recolher-me a minha insignificância. Isto é, assim que consegui
recolher meu queixo, que tava atirado lá no chão.
Falando em chão, depois de recolher meu queixo, chegou a hora (quase 2h da
manhã) de verter algumas lágrimas no chão da minha casinha. E também era
hora de dar algumas gargalhadas na madrugada deste domingo. Tudo isso ao
mesmo tempo. Não, não tente entender. Eu não vou tentar explicar.
Por falar em explicar, lembrei novamente do Tresler, mas dessa vez da
edição 5: mais especificamente, lembrei da coluna de nosso foderoso editor,
Daniel-san. Na qualidade de meu colega de trabalho, Daniel bem sabe que
tenho algum conhecimento no que diz respeito a questão "A mulher amiga".
Entretanto, talvez ele não saiba que eu não conseguiria, nem em tempos
futuros, escrever, devanear, filosofar, enfim, explicar tal assunto tão bem
quanto ele o fez no Tresler #5. Parabéns Daniel!
Voltando a causa da péssima qualidade desta coluna, citada no início da
mesma: a prova de Pesquisa Operacional. Ainda não consegui ver utilidade
nessa cadeira, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é um tópico de
tão inútil cadeira: "Análise de sensibilidade". Caras e gurias, esse nome é
muito legal! Parece título de livro ou de filme que nos faz pensar sobre as
relações (ou falta de) do mundo moderno, bem como a falta de sinceridade
das pessoas consigo mesmas, no que tange seus sentimentos.
Melhor parar por aqui.
One more message to go and then I'll go home!
Para aqueles que mandaram e-mails relativos a minha última coluna: eu estou
bem crianças, e fazendo o possível para mudar a situação relatada nestas
mesmas linhas. Não se preocupem com minha saúde mental, pois já estou
tomando umas cápsulas cheias de lítio.
Ok, agora chega. Ash to ash, dust to dust e as linhas de pensamento se
tornam circulares. Caóticas. Paralelas.
Na semana que vem: Tresler #7!
Vincent Kellers
===========================================================================
============== O PLUS A MAIS DE HOJE (César Henrique Costa) ===============
===========================================================================
DEVANEIOS
Bom, eu bem que tentei escrever minha "coluna" para tão admirável
publicação sóbrio, mas as tentativas foram infrutíferas. Então, agora, às
4:13 de madrugada do dia 27.05.2001, sentei à frente do computador, ouvindo
Zé Ramalho ("Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz...
Há meros devaneios tolos, a me torturar... Fotografias recortadas, em
jornais de folhas... Amiúde").
Pois bem, não sei ainda sobre o que devo devanear. Semanas atrás, havia
pensado em falar sobre a "revolução pessoal" que tive nesses últimos 7 anos
e como a vida de certas pessoas continuou em MRU nesse tempo todo (como a
do Motorista do São Manoel, que, quando eu fazia cursinho, em 94, me trazia
todos os dias para casa, às 23:00 e pouco... e que hoje, continua sendo um
simples motorista do São Manoel). Mas não, acho que hoje não deve ser esse
o tema... Estou muito "emotivo" para tecer comentários sobre algo, em
princípio, cético.
Mas é impressionante como ficamos "emotivos" quando o número de mg de
álcool por litro de sangue aumenta, né? Falamos sobre coisas que, até
segunda ordem, eram meio que "proibidas". Não que isso seja um "pecado",
muito pelo contrário. Creio que se as pessoas fossem tão sinceras quanto
costumam ser nesses "estados alterados da mente", o Mundo realmente seria
melhor.
Que viagem!!! Agora está tocando "O Trem das 7", cantado também pelo Zé
Ramalho. Acabei de baixar no Napster e eu nunca tinha imaginado que ele
cantasse essas coisas... Mas o que isso tem a ver com esse texto? Nada...
Quem se importa? O importante é que o Banco R... dá 10 dias sem juros no
cheque especial.
Voltando ao contexto antes exacerbado, agora lembro de uma colega de
trabalho... Que disse, algum dia nem tão distante, algo semelhante a: "Quem
não bebe nem usa qualquer tipo de droga, não é legal". Mantidas as devidas
proporções, até certo ponto ela tem razão. Calma, gente! Eu explico. De vez
em quando, é bom nós sairmos do nosso "normal", viajarmos por outros
"mundos" e, no fim das contas, captarmos algo desses mundos para o nosso
mundo real. Puxa, quantas vezes a gente acaba falando mais do que "deve"
quando toma umas que outras? Por que não aproveitarmos as respostas que
recebemos nessas situações para nos tornarmos cada vez melhores? Sim!!! Eu
sou partidário de que "papo de bêbado faz sentido", bom, pelo menos de vez
em quando! :-)
Não, isso não é uma apologia ao álcool, longe disso. Cada um deve saber o
que é melhor pra si, se algo pode ou não te tornar melhor. Todos têm
soluções para as vidas alheias, falar é fácil. Enfim, todos devemos viver
tentando melhorar a cada instante. Temos que ser melhor conosco e com as
pessoas que efetivamente importam para nós... Quanto aos demais, bom,
deixem pra lá! :-)
Estou sentindo que até agora não escrevi absolutamente nada conclusivo. Até
porque, não tenho como escrever nada conclusivo sobre coisas que estão em
constante mutação. A cada dia, mudamos nossa opinião a respeito de alguma
coisa, alguma pessoa, alguma situação... Nossas atitudes e reações
tornam-se condizentes com essas mudanças... AAAAAAAAA!!! Vocês estão me
entendendo, né?
Já se passaram 31 minutos desde o início desse texto, com direito a revisão
de tudo o que foi escrito até agora. Mas ele ainda está sujeito a erros de
digitação e de concordância verbal e nominal, afinal de contas, ele não foi
"revisado pela comissão de formatura". :-)
Bom, por hoje é só! Semana que vem vou procurar um tema mais específico
para compartilhar com vocês.
Saudações tricolores,
César Henrique Costa
===========================================================================
============================= CRÉDITOS FINAIS =============================
===========================================================================
Este fanzine maluco que você recebe por email todo domingão se chama
Tresler. Um grupo de amigos escreve histórias para o seu deleite. Se você
quiser entrar em contato conosco, visitar o nosso Site (você pode ler os
números anteriores do nosso fanzine eletrônico), se cadastrar ou
descadastrar, enfim, utilize os emails/urls no final da mensagem.
Tresler Team:
Ariadne Amantino (ariadnedbka@yahoo.com)
Daniel Wildt (dwildt@oocities.com)
Eduardo Seganfredo (edu.zu@ig.com.br)
Vincent Kellers (vkellers@terra.com.br)
Colaboradores da edição de hoje:
César Henrique Costa (chcosta@gmx.net)
Visite o Site do nosso e-zine:
http://www.tresler.cjb.net
Para entrar em contato com o e-zine, mande um email para:
treslerbr@yahoo.com.br
Para receber o nosso e-zine mande um email para:
tresler-subscribe@yahoogroups.com
Para não receber mais o e-zine, mande um email para:
tresler-unsubscribe@yahoogroups.com