Que dia é hoje? Domingo, 10 de junho de 2001.
Olá! Está é a edição número 8 do nosso fanzine eletrônico. Espero que você
goste (ou não). Olha o que temos no menu de hoje:
1. Editorial (Daniel Wildt)
2. Bye Bye Brasil! (Ariadne Amantino - CARPE DIEM)
3. O dia D é hoje (Daniel Wildt - BORN TO BE WILDT)
4. A Crítica (Eduardo Seganfredo - DE NOVO, PÔ!)
5. Stranger than fiction (Vincent Kellers - LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO &
PARALELO)
6. Lixos ambulantes (Daniel Wildt - FALANDO SÉRIO)
7. CRÉDITOS FINAIS
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======================== EDITORIAL (Daniel Wildt) =========================
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Um breve comentário sobre o esporte nacional: Guga rules!! É tri! Sobre as
desilusões do futebol brasileiro... não, não gastarei linhas sobre isso.
Até porque este espaço é curto e quero falar sobre muita coisa e sobre nada
ao mesmo tempo.
Encontrei um parágrafo perdido nas minhas coisas, algo que escrevi um dia
em que pelo visto buscava respostas para coisas que aconteceram comigo... o
texto: não quero ser mais um neste mundão, quero fazer a diferença, ser a
união, de alguma forma. Deus? Não... as formas de expressão são tantas, as
formas de buscar o sucesso e identificação são tão estranhas, o medo ou a
falta de coragem, sentimentos supérfluos tomam conta. Pessoas se esquecem
de vivências e de palavras ditas, palavras que buscavam um voto de
confiança... em vão. Esquecidas, deixadas de lado, pessoas se voltam para
seu interior e voltam para a vida mais fortes, mais fortes do que nunca,
mais consistentes, mais sinceras e inconsequentes, verdadeiras da maneira
que se deve ser. E o que ficou lá atrás? Passado, lembranças? Sempre.
Sinais de arrependimento? Nunca.
Eu estava ouvindo "Fuckin' in the bushes" do Oasis (que é da trilha sonora
de Snatch também) e ao ler este parágrafo perdido achei a junção perfeita
entre texto e música. Foi como ver Mágico de Oz ouvindo Pink Floyd. Isto é
arte. Este parágrafo perdido regra a minha vida. Eu sei que se eu não
superar minhas dificuldades e dizer para a vida MANDA ALGO MAIS COMPLICADO
PARA TENTAR ME DERRUBAR!!! serei acomodado e esperando sempre o dia do
pagamento chegar. Não quero isso. Quero fazer a diferença. Superar
obstáculos e ter histórias para contar.
Mudando o assunto, hoje a nossa colunista está indo para a Europa, onde vai
tentar a vida. E vai conseguir. O Tresler agora tem uma correspondente
internacional. A Dadi se foi pro outro lado de lá. E ela se foi:
E ELA SE FOI
Hoje o céu do Rio Grande acordou cinzento
Com lágrimas secas
Passou a noite choramingando
Pois não vai mais iluminar esta menina
Que viajou
Foi para longe
Para ser iluminada por outro céu
Que não fala nossa língua
Mas entende o coração humano
Viajou para encontrar o amor
E viver com ele
Compartilhar os sucessos
Apoiar nos fracassos
Viajou para viver
Ter independência e liberdade
Ser ser quem quer ser
De estar onde quiser
Então se é para ser assim
Que seja feliz
E não esqueça de escrever
Para quem escreve
Palavras de saudade pela tua partida
E de alegria na chegada ao novo lar
Daniel Wildt (10/06/2001 - 11:43)
No Tresler de hoje temos cartas de despedida, temos desilusões amorosas
perto do dia dos namorados (eu estava vendo aquele programa da MTV, Meninas
Veneno, e tive algumas idéias com o que aquelas meninas falavam a respeito
do amor, baladas e viagens em geral). E espere, tem mais! Falamos também
sobre críticas e ainda temos review sobre o show da Overflow, temos mais
despedidas e mais críticas e então chegamos ao fim da edição #8 do Tresler.
IMPORTANTE: para finalizar a edição deste Tresler, estou ouvindo o CD
Parachutes do Coldplay (que ganhei da minha namorada)... presente melhor só
passar o domingo com ela passeando na usina do gasômetro (alô Sandro e
Lenara!), tomando café "cortado" ou no nome tradicional de café com leite,
comendo pastel de brócolis e ricota e depois um cinema para completar a
noite (aê Ju e Mity!). Ah, e feliz dia dos namorados para todos! E se você
não tem namorado/namorada, vá ao cinema, tente bater seu recorde em
paciência ou em campo minado, ou simplesmente não faça nada de diferente do
que você faz na sua vidinha mais ou menos!
Daniel Wildt, pensa que amar é tudo. Eu amo a Márcia. Logo, a Márcia é
tudo! É minha namorada. E sem o amor da minha nAMORada, eu não sou nada!
Saca a idéia mano? Essa do nAMORada eu li em um poema no ônibus... muito
legal. Andar de ônibus é cultura.
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====================== CARPE DIEM (Ariadne Amantino) ======================
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BYE BYE BRASIL!
Quando a maioria de vocês estiverem lendo isto, eu provavelmente vou estar
em algum lugar sobrevoando o Atlântico... Voando atrás do meu sonho mais
uma vez.
Ir para a Europa sempre foi meu sonho... Eu vivi parte desse sonho quando
fui para a Bélgica há quase dos anos atrás. Naquela época, eu via com olhos
diferentes a idéia de morar na Europa. Eu estava indo para o lugar dos meus
sonhos, onde tudo seria perfeito e onde eu não teria os problemas que eu
tinha no Brasil. Afinal de contas, sonhos são perfeitos, não são?
Aos poucos, eu fui descobrindo que essa perfeição não existe, que só o fato
de estar lá não me faria feliz e que, além do "lugar ideal", eu precisava
das pessoas que eu amo.
Hoje eu sei que não existe um lugar perfeito para se viver, que não existe
uma situação perfeita na qual se é feliz, que não existem pessoas perfeitas
com quem se conviver... Hoje eu sei que a perfeição é um ideal e que a
realidade é muito melhor do que isso. Assim como sei que sonhos são
possíveis de se realizar desde que façamos alguma coisa por eles, desde que
lutemos por eles.
Mas a idéia de conhecer o mundo, aprender novas línguas e descobrir
culturas deferentes continua me fascinando, apesar de eu agora saber a
saudade que vou sentir... Sei que vou sentir saudade da minha gente, da
gente que eu amo e com quem estou acostumada a conviver por 2, 4, 10 ou 25
anos. Mas sei também que eles vão estar aqui quando eu voltar ou, em
qualquer lugar que estiverem, ainda serão as pessoas que eu amo. Sei que
vou sentir saudades da minha terra, que está muito longe de ser o lugar
ideal para se viver, pois considero que, na maioria dos casos, no Brasil a
gente não vive, sobrevive (mas isso é assunto que fica para outra vez). Mas
é a minha terra, é o lugar que eu conheço, o lugar onde as pessoas falam a
minha língua e o lugar onde eu sei como fazer as coisas que eu quero. E,
por incrível que pareça, é lá fora que a gente se dá conta de como é
importante ser brasileiro e saber coisas da terra da gente. Lá fora,
sozinho, longe de casa, parece que o sentimento nacionalista é maior e a
gente "enche a boca" para dizer: "Eu sou brasileira!"
Vou indo! Atrás do meu sonho e com um grande vantagem desta vez: a ausência
da solidão preenchida pela presença do amor! Com certeza vou continuar a
escrever e a contar histórias, emoções e sentimentos de mais uma parte do
meu sonho que realizo a partir de hoje.
Ariadne Amantino
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===================== BORN TO BE WILDT (Daniel Wildt) =====================
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O DIA D É HOJE
Cristine parecia desolada com aquela imagem. Ricardo que sempre dizia para
ela que nada era mais importante do que o amor que existia entre eles, foi
o cara. De pau. Nem pensou duas vezes em deixar de ser fiel. Estava longe.
Em algum ponto sensual da Califórnia. Longe de Cristine, que ficou no
Brasil, feliz pela viagem do amado.
Um belo dia a família de Cristine ganhou uma quantia considerável na
loteria. A menina então pensou em fazer uma surpresa para Ricardo. Sabia
onde ele estava morando, iria fazer uma visita para ele, tirar umas férias
bem merecidas do seu trabalho.
Viagem marcada. Adriano (amigo do casal) fica sabendo da história que
envolve Ricardo e também fica sabendo da história da loteria. O ventilador
estava para ser atingido. No entanto o tal amigo do casal queria que o
ventilador fosse atingido. Ele era apaixonado por Cristine e isso poderia
ser uma forma de aproximação. Apesar dos fatos, Adriano não quer magoar a
amiga. Quer que ela veja pelos seus próprios olhos. E quando Adriano estava
na casa de Cristine ouvindo ela contar que iria viajar para encontrar
Ricardo, mas que era uma surpresa, ele disse sim. Adriano simplesmente não
acreditava. E não era pelo fato dela poder descobrir tudo, mas pelo fato de
Cristine ter convidado nosso herói para ir junto.
Aeroporto, Adriano cheio de expectativas, furadas até o momento, mas
expectativas. Imaginou no meio da viagem um papo sobre o sol, a lua, o
brilho do cabelo de Cristine, a sua pele quente e um beijo. Neste momento
Adriano consegue recolher um fio de baba que estava para cair de sua boca.
Integridade salva.
Chegaram ao destino. Adriano nervoso pelo o que pode acontecer. Cristine
feliz. Cheia de amor. Cheia de expectativas, afinal vai encontrar seu amor
lá, pensando nela, feliz, feliz e feliz. Intacto e imaculado amor de
Ricardo que só pensa no bem da relação dos dois. Isso era o que Cristine
pensava.
- O endereço é esse - disse Cristine, não entendendo porque ninguém
atendia.
- Nenhum vizinho em casa - completou Adriano que não tinha nada para falar.
Estavam com fome. A comida do avião não alimentou ninguém. Adriano estava
inquieto e Cristine notou isso. Ele queria avisar a amiga de tudo, mas
naquele ponto ela poderia se zangar somente com ele, que ama ela, que ama
Adriano, que ama Laura. Sim, Laura, que parece ter saído de um concurso de
beleza. E ganhadora do mesmo. Laura era uma italiana linda, cabelos ruivos,
olhos verdes, com uma pitada de olhos castanhos. Simplesmente linda.
Como já estava no final do dia, resolvem encontrar um lugar para dormir,
pois sabem que Ricardo tem aula no período noturno. Iriam voltar no início
da tarde do outro dia, já que no período da manhã Ricardo trabalha. Perto
do local onde se hospedaram, que também era perto da casa onde Ricardo
estava morando, tinha um pub, que era recomendado pelos diversos catálogos
estudados por Adriano em ocasiões esparsas durante a viagem. Cristine
resolve ficar em casa, para montar uma super carta para ler para Ricardo no
dia dos namorados, que seria no dia seguinte. Adriano para não ser
conselheiro de redação, nem muito menos revisor do texto, resolve ir
conhecer o tal pub.
O local era fabuloso, com um pop rock da melhor qualidade. Adriano resolve
tomar uma cerveja e ao dar o primeiro gole, olhos saltam na frente dos
seus. Era linda. O olhar é retribuído. Adriano conversou muito com a
menina, que depois de muito papo se rendeu aos carinhos de Adriano. No meio
do beijo, a menina colocou alguma coisa na boca do nosso herói ingênuo, que
depois disso só se lembra que a menina tinha uma tatuagem na parte interna
da coxa direita. Foi maravilhoso. Tinha história para contar para seus
amigos na volta... e o conteúdo dela poderia ser inventado durante o
retorno ao Brasil, já que ele não se lembrava de muita coisa.
Na manhã do dia seguinte, Adriano volta para casa, louco para a noite
chegar e ele poder ver a menina da tatuagem novamente. Só que antes da
noite vinha a tarde, e com ela o possível encontro entre Ricardo e
Cristine. Adriano agora rezava para que tudo desse certo entre estes dois,
que Ricardo não contasse nada, que tudo ficasse as mil maravilhas e assim,
desta maneira, ele poderia ir ver sua mais nova paixão.
Na tarde Cristine e Adriano chegam no local novamente, batem na porta e
alguém atende o interfone:
- Hello! - disse Ricardo com uma voz de sono
- Hi! Mr. Ricardo, delivery service sir! - Adriano fez o combinado
- What!? Go away!! - Disse Ricardo achando que era alguém com segundas
intenções.
- Sir, please, it's a delivery from Brazil! - Completa Adriano para ver se
o menino acorda.
- Oh shit! - fala Ricardo. Que desliga.
"Oh shit" pensa Cristine... o que pode estar acontecendo? É, o que acontece
é que Ricardo está acompanhado, estava transando naquele exato momento, com
Laura.
Ricardo desce e ao ver quem era fica com uma cara de terror. O oh shit era
porque ele teria que se levantar da cama, colocar uma roupa. Se ele fosse
falar alguma coisa neste momento seria algo do tipo PUTA QUE PARIU mesmo...
em português para qualquer um que entenda a língua ouvir. Não acreditando
naquilo, se recompõe e pede para que todos subam... ele pede para conversar
com Cristine. Que dia dos namorados. Adriano teria realmente muita história
para contar, mas principalmente para seu psicólogo. Depois de muito papo e
muito choro, sai uma menina do quarto de Ricardo, seminua, e Ricardo não
conseguiria mais esconder.
Do jeito que estava, a menina se apresenta para Cristine que não acredita
naquilo que vê... a menina desolada simplesmente se levanta e sai do
apartamento. Adriano ainda pensa naquilo. A seminua era Laura, que era
namorada de Ricardo, ex-namorado de Cristine, traída e apaixonada por
Ricardo, que não sabia que tinha sido traído por Laura, que transou com
Adriano, que agora era apaixonado por Cristine e Laura, que nem se lembrava
de Adriano, que agora vivia uma desilusão amorosa e um amor platônico. Ele
tinha histórias para contar.
Daniel Wildt.
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==================== DE NOVO, PÔ! (Eduardo Seganfredo) ====================
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A CRÍTICA
Tem pessoas que não se permitem receber críticas. Acham que já fazem demais
para serem criticadas e que sua colaboração para com a sociedade é
inquestionável. Estão em paz com a própria consciência, ainda que sua
consciência esteja voltada apenas para um lado, o que geralmente é motivo
das críticas que elas não querem ouvir. Mas se elas não querem ouvir, não
ouvirão. E ao invés de analisarem a si mesmas, acharão em seu crítico uma
centena de defeitos por segundo, procurando mais e mais desculpas para não
dar ouvidos a ele. Pensarão "ele que venha fazer o que eu faço antes de
abrir aquela boca!". Pensarão "Não preciso dar ouvidos a este imbecil! Ele
usa drogas!" e acharão mais uma vez milhares de circunstâncias que nada tem
em haver com a crítica, mas que as ajudará a armar algum escudo, ou em
casos mais populares, um barraco caso a crítica persista. E o interessante
é que às vezes a crítica é ingênua e visa apenas alertar para algum desvio
de conduta de forma que um caso isolado não se torne um mau hábito, como
ocorre em muitos casos em que não somos alertados. Criticar é preciso. É
sinal de que nos importamos com algo, pois o indiferente não critica.
Alguns dos grandes ensaios filosóficos recebem também o nome de crítica,
como a "Crítica da Razão Pura" de Emmanuel Kant, apeans para citar uma das
mais famosas, entre tantas outras obras. Claro que, para não caírmos em
armadilhas, devemos sempre questionar a validade das críticas que
recebemos, para evitar que nossos inimigos utilizem-se deste recurso para
nos desviar de nossos intuitos virtuosos. Para este fim somos dotados, na
maioria dos casos, de bom senso. Mas só conseguimos usufruir deste poderoso
recurso quando nosso orgulho ou soberba não se interpõe no caminho. Quando
algum destes nossos defeitos se manifesta ante a crítica, acabam comumente
fazendo com que tentemos rebaixar nosso crítico antes mesmo de tentar
entender o conteúdo da crítica em si. Para isso, não raro permitem-se
dominar pelo seu egoísmo para acusar seus críticos de também possuírem seus
piores defeitos e apoiados na raiva deturpam-se ainda mais apenas por
cisma, por birra. Arrotam suas conquistas como justificativa para todos
seus erros. Muitas vezes porque precisam negar a realidade para não
enxergar o preço baixo pelo qual se vendem. Precisam dizer não a alguém,
ainda que seja a si próprio, porque já disseram sim demais sem pensar.
Temem olhar para si e deparar com os defeitos, pois já têm coisas demais
para se preocupar. Quase sempre não admitem que outras pessoas possam ter
defeitos que eles não tenham. "Se eu posso, todo mundo pode, e deve!",
pensam, como se todos fossem robôs cuja única diferença fosse um número de
série. "Como pode não se importar com isso!" esbravejam como se seus
valores fossem mais importantes que todos os outros que existem. A
individualidade existe, e é parte importantíssima da magia da vida. Temos
características diferentes, graças a Deus! Somos diferentes, com qualidades
e defeitos diferentes, com valores diferentes! Talvez por isso a sabedoria
divina tenha nos organizado em sociedade e nos permitido conviver, para que
possamos trocar idéias, trocar experiências, conhecimentos e desta forma
caminharmos mais rápido para uma posição privilegiada de entendimento para
com nossos semelhantes. E a crítica, tal qual o exemplo, são instrumentos
preciosos para fazermos da convivência a vivência. Basta que saibamos
deixar o bom senso imperar sobre o orgulho antes de disparar injustamente
nossas frustações reprimidas, que todos temos, afinal somos humanos. Agora
não se pode permitir que compartilhar destas frustrações, em um grupo de
amigos, se transforme - pela ambição ou quaisquer outros motivos - em
materil bélico para uso contra nós mesmos. Sim, pois infelizmente há
pessoas que fazem isso ainda. Pessoas que ainda não se deram conta de que
distorceram os valores de amizade e coleguismo em prol de algum valor
pessoal. Valores que talvez nem sejam delas próprias. E é também para isso
que servem as críticas. Para alertar que algo não está claro, e que pode
estar ocorrendo um perigosa inversão de valores, muito comum quando nos
voltamos para algum lado de nossas vidas que andava esquecido e que agora
deve ser recuperado todo seu atraso, a qualquer preço. Mas críticas não
devem ser feitas em tom de ameaça, em forma de parábolas com final trágico.
A isto dá-se o nome de terrorismo. Ser clara, direta, objetiva e ao mesmo
tempo branda, sensível e respeitando os limites de cada um, são
características que qualificam a crítica. Ameaçar, ao contrário, é uma
forma de violentar a vontade e a natureza do próximo fazendo valer nossos
interesses. Se, portanto, a crítica descamba para a ameaça, pode deixar que
o bom senso certamente irá descartá-la, mas não sem antes procurar despí-la
da maldade e aproveitar seu cerne. Afinal, aqui estamos para evoluirmos,
principalmente nos aspectos morais, pois todo o resto acaba e perece com o
tempo e a matéria, mas aquilo que bem guardamos em nosso coração,
independente do dia difícil ou do fim de semana terrível, levaremos para
além-túmulo. Portanto, amigos, atentem para o verdadeiro valor das coisas,
pois o mterial se transforma todo dia. Diariamente temporais, guerras,
incêncios, acidentes destroem casas, carros e prédios. Pessoas são
assaltadas, perdem ás vezes quase tudo que têm. E reconstroem suas vidas,
mudam de emprego, de ramo, de profissão e continuam a batalha. E neste
balanço natural da vida, apenas os sentimentos verdadeiros e sinceros, como
a amizade, como o respeito mútuo, como a valorização pessoal, independente
do quanto seu colega conseguiu produzir de resultados hoje, permanece
constante em nossos corações.
Traços de reflexão desordenada e paradoxal
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* Hoje eu deveria estar dizendo tchau, mas tem coisas que tem que ser
ditas, ou escritas, em tempo.
* Eu me pergunto: Como pode um sonho ser fútil? Será que devo eu saber
melhor que os outros seus valores para julgar até mesmo seus sonhos???
Cena da semana
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* Em Miss Simpatia, quando Sandra Bullock sai do hangar. Um exemplo
clássico do que suas colegas farão ou fizeram na formatura.
Eduardo Seganfredo
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======== LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO & PARALELO (Vincent Kellers) ========
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STRANGER THAN FICTION
Oi!
Estranho, estranho mesmo, é dormir no ônibus, a caminho de mais um ensaio
de sua banda, acordar gritando o nome de uma personagem de anime ("REI!") e
perceber que você tem que descer do ônibus na próxima parada, que se
aproxima rapidamente.
O resto chega a ser normal.
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Outra coisa estranha são dias perfeitos. São aqueles dias em que tudo
parece dar certo. Até parece que a Grande Conspiração finalmente resolveu
ajudá-lo a ter um bom dia.
Nesses dias (e o último sábado foi um destes), quase tudo é perfeito: o Sol
brilha num céu sem nuvens, você finalmente compra os dois tomos de Shogun e
sua banda vai fazer um show a noite. Perfeito.
Ou não. Naturalmente, sendo um dia estranho, alguma coisa de errado deve
acontecer. E é por isso que você termina o dia chorando.
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DO SHOW
Conforme prometido na última edição deste e-zine, farei um comentário sobre
o último show da Overflow, que realizou-se no último sábado, dia 09 de
junho e não contou a presença de nenhum assinante desta publicação.
Um show de punk rock pode ser grosseiramente reduzido aos seguintes
elementos: muito barulho, pouca complexidade e muita energia. Mas desta
vez, quem estava fazendo o barulho todo, era a Overflow (minha banda...).
Tínhamos trocado de papel: de fiéis headbangers, passamos a comandar a
barulheira.
E que barulheira! O festival no qual nos apresentamos foi organizado pela
prefeitura de Viamão, pela União dos Estudandes Viamonenes e patrocinado
pela Funerária Cristo Rei e contaria com 30 bandas, sendo que a Overflow
seria a oitava banda a subir no palco.
Chegamos no local do evento cerca de meia hora antes do horário previsto
para nosso show (já considerando um atraso indispensável), e acabamos
esperando por cerca de duas horas até que fôssemos finalmente chamados para
iniciar a apresentação. Nesse tempo de espera, assistimos o show de quatro
bandas e acabamos positivamente intimidados: as bandas que se apresentaram
tinham um som muito mais pesado que o nosso, e o público aprovou a
violência sonora. Como sinal de aprovação, formaram-se diversas de pogo e
vários moshes foram verificados.
Toda essa violência fez com que o repertório do show fosse alterado às
pressas: desistimos de tocar nossa música secreta e substiuímos Creep, do
Radiohead, por Dive, do Nirvana, que é bem mais pesada.
Ainda assim, estávamos naturalmente apreensivos. Ciente do nervosismo de
toda Overflow, tratei de tentar incentivar o pessoal com gritos de guerra
punk ou qualquer coisa parecida, pois finalmente havia chegado a hora do
show. Depois de duas horas e tanto de espera, era hora de descer a lenha,
mostrar pra todo aquele pessoal punk-metalero-grunge por que diabos nós
estávamos lá. Até pq, não queríamos botar fora os R$ 5,00 que correspondiam
a taxa de inscrição da banda.
E começa o show. Um repertório de 10 músicas rápidas e diretas. Não tão
pesadas quanto as músicas executadas pelas bandas anteriores, mas creio que
isso foi compensado por nossa presença de palco (quesito no qual ainda
temos muito a aprender, mas estamos melhorando). Abrimos o show com um
cover de Velhas Fotos, da banda gaúcha Tequila Baby, e o público, para
nossa satisfação, adorou! Muita gente se espancando (sinal de apreciação do
show!) na frente do palco, muita gente cantando junto a música.
Uma a uma, disparamos todas as canções ensaiadas: Digital boy (Bad
Religion), Die die my darling (versão Metallica), Sexo, algemas e
cinta-liga (Tequila Baby, de novo), Geração Coca-Cola (Legião Urbana), New
America (Bad Religion, de novo), Dive e Polly (Nirvana) e fechamos o show
com Prefiro sua mãe, também da Tequila Baby.
E pessoas, o público teve a mesma reação durante todo o show: espancamento
generalizado, ou seja, apreciação!
Acho que a mocinha que ameaçava arremessar uma garrafa de Campari na cabeça
de algum membro da banda não gostou muito do show, pois ela ficou o tempo
inteiro pedindo por uma música do Sepultura. Mas não podemos agradar a
gregos e troianos, logo...
Embora sob ameaça de uma garrafada potencialmente nociva a saúde de alguém
da banda, durante o final da execução de Prefiro sua mãe, o pessoal das
cordas da banda (eu e os dois guitarristas, Bruno e Enguer), ficamos na
beirada do palco. E lá, vendo aquele pessoal todo "confraternizar", como
resumiu meu pai, ao som dos acordes da Tequila Baby, eu sorri. Não pq ao
longe pude ver meus pais. Não pq debochava da menina que implorava por
Sepultura. Não pq fazia graça do palco iluminado por três lâmpadas de 100W.
Mas sim pq naquele exato momento eu estava absolutamente feliz. Pq havíamos
mostrado do que somos capazes. Pq o público e nós da Overflow,
principalmente, havíamos nos divertido como nunca. Longa vida ao punk rock!
Só estando lá para compreender.
Só estando em um palco, tocando para um pessoal que gosta de rock, para
compreender.
Talvez por isso, você aí que está lendo esta coluna, está duvidando de
minha sanidade mental.
---
DA DESPEDIDA
Ariadne, além das saudades, desejos de boa(s) viagem(ns), de sucesso e
felicidades em além-mar, deixo contigo um abraço beeeeeeeeeem apertado.
Além de desculpas por não ter comparecido a festa de despedida,
naturalmente.
I truly believe that nothing else needs to be said, 'cause you know we'll
be here waiting for you, thinking 'bout you, smiling at every good memory
and longing for another chance to switch into nonsense-mode when someone
asks for chinese food. Got it, baby?
---
LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO
- Porco: s.m. Quadrúpede mamífero da família dos Suídeos; o mesmo que
cerdo; colet.: manada, persigal, piara, vara, vezeira; voz do animal:
grunhir, guinchar, roncar.
LINHAS DE PENSAMENTO PARALELO
- Porco: cilindro rosa com patas, com uma tomada elétrica numa extremidade
e uma mola na extremidade oposta.
---
Trilha:
- GammaRay - Lust for life
- GammaRay - Rebellion in dreamland
- Rush - Temples of Syrinx (não deixaram a gente tocar essa!)
- Iron Maiden - Iron Maiden (outra que não nos deixaram tocar... nos
expulsaram do palco! MORTE MORTE MORTE!!!)
- Bad Religion - New America
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Na próxima semana....
Be afraid, be very afraid: Tresler #09....
Vincent Kellers
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====================== FALANDO SÉRIO (Daniel Wildt) =======================
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LIXOS AMBULANTES
Sim, isto é uma coluna de auto-crítica, auto-flagelação, sei lá o que. Eu
peço desculpas pela coluna do último domingo. Estava irritado com alguma
coisa, acho que pela comodidade de algumas pessoas que conheço, pela falta
de ideais, pela falta de inspiração para levar a vida, se dar uma chance,
buscar entender que um dia estas pessoas tem que aprender a caminhar com as
próprias pernas.
Sabe, aquele texto teve uma boa intenção, mas não foi bem escrito. O
objetivo dele era o de despertar responsabilidade na cabeça das pessoas.
Exemplo, hoje eu pago os estudos da minha irmã e com muito gosto, ela é
fora de série, a nota mais baixa no ano foi um 9,2... não tem o que
comentar. Ainda, eu pago contas de luz, telefone, TV a cabo, jornal,
internet, carro. Dentro de um planejamento familiar, isso é participar, ter
responsabilidades, saber que pessoas contam com teu sucesso. Meu pai pagou
meus estudos toda a vida. Universidade particular e tudo. Eu me sinto na
responsabilidade de ter esta contrapartida (esta foi a primeira vez que vi
sentido verdadeiro no uso desta palavra) com minha família, ajudando em
tudo o que posso ajudar. E de coração.
Eu queria despertar este sentimento em quem ainda não o tem. Independência
é algo sério. Dê valor a pessoas que sofrem todos os meses para pagar as
contas. Dê valor ao dinheiro. Dê valor ao trabalho, seja mental, físico,
seja o que for. Dê valor a quem tem que criar maneiras para viver. Entenda
o esforço de pessoas batalhadoras. Não seja egoísta. E seja feliz. O pior é
que a pessoa que deve ser atingida principalmente por este texto e pela
coluna do último domingo nem internet tem.
Daniel Wildt, ouvindo Sunday Morning Call (oasis)
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============================= CRÉDITOS FINAIS =============================
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Este fanzine maluco que você recebe por email todo domingão se chama
Tresler. Um grupo de amigos escreve histórias para o seu deleite. Se você
quiser entrar em contato conosco, visitar o nosso Site (você pode ler os
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descadastrar, enfim, utilize os emails/urls no final da mensagem.
Tresler Team:
Ariadne Amantino (ariadnedbka@yahoo.com)
Daniel Wildt (dwildt@oocities.com)
Eduardo Seganfredo (edu.zu@ig.com.br)
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