Que dia é hoje? Domingo, 01 de julho de 2001.
http://www.tresler.cjb.net
Olá! Está é a edição número 11 do nosso fanzine eletrônico. Espero que você
goste (ou não). Olha o que temos no menu de hoje:
1. Editorial (Daniel Wildt)
2. O sentido da vida, minha versão (Ariadne Amantino - CARPE DIEM)
3. Um momento pensando em você (para Márcia Paradiso) (Daniel Wildt - BORN
TO BE WILDT)
4. O que foi feito das nossas vidas? (Eduardo Seganfredo - DE NOVO, PÔ!)
5. Who are you? (Vincent Kellers - LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO & PARALELO)
6. CRÉDITOS FINAIS
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======================== EDITORIAL (Daniel Wildt) =========================
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Pô, o Jack Lemmon morreu. Pena. Ganhei um novo jogo de cordas para o meu
violão. Só que a primeira corda foi pro saco. Agora estou apenas com a
minha guitarra "funcionando", até comprar outro jogo de cordas. Isso me fez
anotar no caderno de compras deste mês o meu tão especulado amplificador. A
casa vai cair. Se vai. Preciso colocar o projeto da banda para funcionar.
Assim controlarei minha insanidade.
Esse mês que passou foi muito pesado. Quase 70 horas extras. Fico feliz
pois isso reflete no salário, mas é só. Não fico feliz pois esse esforço
reflete diretamente na minha produção literária e acadêmica. Nula. Nada. Eu
não fiz nada. Essa semana recebi a notícia de que uma de minhas colegas de
Mestrado já recebeu o título de mestre. Parabéns para ela. Eu ainda estou
tentando ter tempo para continuar o meu trabalho.
Segundo o que consta no meu contrato verbal com a empresa onde trabalho,
deveria ter duas manhãs para me dedicar exclusivamente ao meu Mestrado.
Haha. Nem vou continuar comentando. Ontem (sábado), eram 20h quando
coloquei os pés em casa. Estava trabalhando. Ainda espero a contrapartida
(risos).
Fora isso,
Música da semana I!
Beastie Boys - No sleep till brooklyn
Música da semana II!
Foo Fighters - Everlong
Álbum da semana I!
Creedence Clearwater Revival - Chronicle Two - São mais 20 sucessos, com
destaque para Good Golly Miss Molly, Before You Accuse Me, Pagan Baby e
Hello Mary Lou.
Álbum da semana II!
Blink 182 - Take Off Your Pants and Jacket - Os caras continuam fazendo
músicas muito legais.
Álbum da semana III!
Renato e seus Blue Caps - Um Embalo com Renato e Seus Blue Caps - bons
tempos. Boa e velha Jovem Guarda.
Riff da semana!
A walk (Bad Religion)
E----------------------------------------------
B-6-6-6-------------6-------6------------------
G-------7-7-5-7---3---5---3---5-4---4-5-4-3----
D----------------------------------------------
A----------------------------------------------
E----------------------------------------------
E----------------------------------------------
B-6-6-6-5-6-5-6--5-6-5-8-5-6-5-----6-6---------
G------------------------------5-7-------------
D----------------------------------------------
A----------------------------------------------
E----------------------------------------------
Filmes da semana (necessariamente nesta ordem)!
Beijos que matam (1997)
Na teia da aranha (2001)
Site da semana!
http://www.somethingawful.com/nointelligence/
Sobre o Tresler de hoje. Ah, tá bem legal. Lê aí. Eu achei legal.
Para terminar esta edição do Tresler eu ouvi no repeat No Sleep Till
Brooklyn dos Beastie Boys e Everlong do Foo Fighters durante algum tempo e
depois coloquei o CD novo do Blink 182. Me sinto muito bem depois de ter
passado o final de semana comemorando com minha namorada. Motivo? E precisa
de um? gtdvbjhm vtvjk dfgh vnfeb sfd dfger rd dfgbvf. Esse foi o motivo. Tá
criptografado.
Daniel Wildt.
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====================== CARPE DIEM (Ariadne Amantino) ======================
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O SENTIDO DA VIDA, MINHA VERSÃO
Dessa vez resolvi não escrever sobre a Áustria, sobre a Europa... Pelo
menos não diretamente. Andei filosofando um pouco na semana que passou e
resolvi escrever sobre a vida... A minha vida ou os sentidos que tenho
visto nela até então.
Viver é "acordar" chorando um dia por ter saído do útero materno. O choque
é tão grande que o inconsciente já deve funcionar, sentindo que o que acaba
de começar não vai ser fácil, então a gente chora.
Os primeiros anos são exclusivos para a gente mesmo. Podemos estar com quem
a gente ama todo o tempo (que eles puderem estar com a gente). Podemos
fazer o que a gente gosta 24 horas por dia e ainda nem sabemos o que é
gostar ou não de fazer alguma coisa.
Viver é ter que ir para o colégio e passar mais de 10 anos tendo que
freqüentar esta instituição no mínimo 20 horas por semana. Fora os temas de
casa que também exigem tempo. Já não sobra mais tanto tempo para fazer o
que se gosta... E olha que agora eu já sabia muito bem o que é gostar! Eu
gostava de brincar, de correr, de estar livre! Às vezes me perguntava se eu
tinha vindo ao mundo só para estudar, afinal de contas eu passava a maior
parte do meu tempo só envolvida com um "tal de colégio". Quem foi que
inventou isso, hein?
Mas tinha uma saída: a faculdade. Aí sim, fazer aquilo que eu gosto. Agora
eu já sabia o que era gostar, mas não sabia o que era "aquilo que eu
gosto". Naquela época, eu não conseguia entender nem aceitar que as pessoas
mais velhas me dissessem que aquela era a melhor fase da minha vida, que
enquanto se é estudante não se tem muitas responsabilidades e preocupações.
Como assim?!?! E ter que ir à aula todos os dias de março a dezembro, tendo
somente 3 meses de férias e ainda ter que fazer trabalhos de todas as
matérias não são preocupações e responsabilidades suficientes? Eu achava
que eram mais do que suficientes, não sobrava tempo para mais nada. Quando
eu sair do colégio, talvez...
Viver é ir para a faculdade... Ou não... Certamente existem outros
caminhos, mas o "default" trilhado pelas pessoas ao meu redor e exigido
pela sociedade é esse. Além de, na minha opinião, ser o mais fácil de
seguir, o mais óbvio. Mas agora, quem tem que escolher sou eu! Escolher a
faculdade para finalmente poder fazer aquilo que eu gosto!
Viver é sentir que as responsabilidades aumentam... As preocupações também.
Principalmente à medida que o fim da faculdade se aproxima. As pessoas
continuam me dizendo que ser estudante é a melhor fase da vida. Eu ainda
não acredito! Eu sinto falta do colégio, claro! Lá a complexidade e a
diversidade era muito menor, por isso era mais fácil lidar com tudo. Mas
quando eu me formar, aí sim! Não vou mais precisar me preocupar em estudar
e finalmente vou poder fazer o que gosto de novo!
Viver é ter que trabalhar. E por que? Porque se a gente não trabalha, não
vive... não sobrevive! Só que agora, ao invés de ocupar apenas as 20 horas
semanais do colégio, ocupo 40. E não tem mais recreio! Não tem mais
intervalo entre os horários folgados de duas cadeiras... São 40 horas por
semana mesmo! Ah... Agora eu entendi o que as pessoas estavam querendo me
dizer...
Mas ainda assim, continuo achando que viver não pode ser só isso! Porque se
for, pelo menos no meu caso, eu estaria morrendo aos poucos... Viver é
cantar, é rir, é chorar! Viver é poder dar prioridade a ficar com quem a
gente ama! Viver é aprender, é estudar as coisas por pura vontade de saber
mais sobre elas e não por obrigação. Viver é conversar com aquela pessoa
que te entende e te ouve sempre. Viver é viajar, é conhecer lugares
diferentes com pessoas e culturas diferentes, é saber que o mundo é tão
grande que definitivamente tem muita coisa para se aprender por aí, muito
mais do que dentro de uma sala de aula, muito mais do que trabalhando na
frente de um computador 40 horas por semana. Viver é sentir saudades de
quem a gente ama e querer estar em vários lugares ao mesmo tempo para poder
fazer todas as coisas boas e não perder um segundo. Viver é levantar de
manhã e achar que cada dia vai ser melhor do que o anterior. E se não for,
é ter a esperança de que o dia seguinte será. Viver é não ter rumo, é não
saber, é ter medo. Viver é tentar, é admitir as fraquezas e enfrentá-las
sempre que der. Viver é largar tudo por um sonho e fazer o possível para
que ele se torne realidade. Viver é sonhar e saber que sonhos só se
realizam porque lutamos por eles... É ter medo de falhar, mas não ter medo
de tentar...
Ariadne Amantino
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===================== BORN TO BE WILDT (Daniel Wildt) =====================
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UM MOMENTO PENSANDO EM VOCÊ (PARA MÁRCIA PARADISO)
Sim, eu estou apaixonado. Eu fiz duas poesias que vão virar músicas durante
a semana. Enquanto isso não acontece, elas ficam por aqui, estáticas.
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HOJE
hoje seremos puro carinho
seremos como um sonho bom
uma manhã de sol
como um céu azul
serei o melhor de todos amantes
serei fiel agora e em todo instante
viverei do teu amor
viverei para te dar meu amor
não prometo a eternidade
não acredito em promessas
apenas te digo que te amo agora
e te amarei amanhã
e assim seremos expectadores
de nossa vida a dois
e seremos protagonistas
de uma bela vida de amor
e não história
pois estas tem fim
e sim vida
pois esta é sempre eterna
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ME LIGA
a noite vem chegando
pessoas indo para suas casas
e eu aqui pensando
onde estará meu amor
queria só saber se está bem
se está pensando em mim
se quer falar comigo
se quer me ver dormir
fico querendo ligar
mas não quero incomodar
e de nada adianta minha preocupação
não sei o que está acontecendo
a noite vem chegando
espero meu telefone tocar
para ouvir a voz do meu amor
e saber quando vai chegar
Daniel Wildt
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==================== DE NOVO, PÔ! (Eduardo Seganfredo) ====================
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O QUE FOI FEITO DAS NOSSAS VIDAS?
Hoje eu não sabia o que escrever. Na verdade não, eu não queria escrever,
não estava com vontade de fazer nada, estava me sentido cansado, com dor de
cabeça, com uma tremenda dor na garganta e com uma série de coisas pra
fazer, sendo que com meu tempo daria pra fazer menos de um décimo delas. E
daí surgiu a coluna.
O que foi feito das nossas vidas? Me pergunto isso principalmente quando
leio livros de personagens famosos da nossa história. Invariavelmente,
estas pessoas eram fora de série desde a infância. E fora de série aqui tem
um sentido diferente. Não reflete genialidade nem inteligência exorbitante.
Muito pelo contrário. Os personagens que povoam nossos livros de história e
que em alguns casos servem de inspiração para uma vida inteira eram tidos
fora de série porque não se adaptavam às normas uniformes que lhes eram
impostas. Destacavam-se principalmente por chocar a comunidade com seus
desregramentos ou inaptidões para se enquadrar nos padrões sociais. Thomas
Edson, por exemplo, foi um péssimo aluno - o pior da sua classe. Suas
professoras constantemente humilhavam-no. E ele tratou de responder com
mais de mil invenções patenteadas, entre as quais, a lâmpada incandescente,
que ilumina milhões de casas no mundo todo, sem contar sua presença nos
carros, ônibus e aeronaves entre tantos outros lugares.
Muitos e muitos anos antes de Thomas Edson, Sócrates percorria a Grécia
antiga desmascarando falsos sofistas, de uma maneira extremamente simples:
questionando seus conhecimentos. Mais do que isso, Sócrates, desde o dia
que fez seu primeiro "Por quê?" revolucionou a base de conhecimento que a
humanidade possuía. Exterminou certezas antes adotadas como axiomas e,
muito além disso, implantou as bases para uma filosofia real, voltada para
o questionamento interior e exterior.
Face a este questionamento, eu me pergunto o que foi feito da nossa
sociedade. E concluo, sem nenhum brilhantismo ou esforço, que muitos
trabalham para enriquecer a poucos. O modelo de economia mundial está
direcionado para que grandes empresas possam ampliar seu capital e que as
pequenas não consigam se estabelecer. Mas não quero fazer reflexões
profundas sobre o modelo econômico globalizado, ou a concorrência funesta
de crianças subnutridas fazendo malabarismo nas sinaleiras em busca de
esmolas, aprimorando as estratégias de mendicância atualmente passadas de
pai pra filho.
Quero apenas tentar vislumbrar uma alternativa para aquelas pessoas que
possuem talentos que não se enquadram naqueles valores impostos pela mídia.
O que eu quero não é que acabe do dia pra noite a discriminação racial ou
social, tampouco a injustiça. O que eu quero é bem menos que isso, embora
igualmente difícil ou impossível. Quero apenas que exista uma outra
alternativa para as pessoas que preferem valorizar mais as vocações morais
do que as tendências gananciosas ao materialismo. Quero que seja possível
preterir o jogo de futebol da decadente seleção brasileira e ir ao teatro
ou sair pra caminhar sem ser motivo de estranheza ou chacota depois. Quero
não precisar cantar os hits de sucesso e escutar bossa nova e ópera sem ser
alvo de olhares espantados. Quero não parecer um intelectual comunista
apenas por achar que algo está muito errado nos nossos valores. Quero não
precisar conhecer os seriados enlatados de pastelão barato e tampouco saber
quem diabos o Ronaldinho está "pegando" agora. Quero que a preocupação da
maioria seja com as pessoas que não tem o que comer ou com o que se
abrigar, e não com aquelas que ganham a vida se prostituindo face as
câmeras, exibindo características que na maioria das vezes não tiveram
mérito nenhum em adquirir, popularizando suas extravagâncias fúteis como se
a obrigação geral fosse seguir o mundo fashion e vazio de suas vidas, como
se todos tivessem condições para isso.
Não vejo como uma criança hoje em dia pode se apaixonar pelas histórias
idealistas de grandes matemáticos, astrônomos, filósofos, médicos ou
simplesmente de pessoas que tiveram o desprendimento de tentar aliviar a
dor do seu próximo, como a expoente Madre Thereza de Calcutá. Histórias
como estas ficam perdidas, guardadas no empoeirado arquivo da História,
trancados pela omissão dos que poderiam tentar mudar isto. Ou ainda, ficam
esquecidas por debaixo de digimons e power rangers. Tudo que eu quero é
poder manter a esperança de que os verdadeiros heróis possam algum dia
substituir os bandidos que dominaram os meios de comunicação e que
violentamente nos forçam a idolatrar seus deuses frívolos e luxuoso,
dominados pelo egocentrismo e a reverenciar aos seus próprios atos como se
fossem mensageiros de uma verdade inquestionável.
Por favor, Sócrates, envia-nos um discípulo para servir de Messias, antes
que seja tarde demais.
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Traços de reflexão desordenada e paradoxal.
* Quero levar uma vida com mais qualidade, menos trabalho remunerado e
algum trabalho voluntário. Tem coisas que não poderemos levar desta vida.
Espero poder me dedicar mais as outras.
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Cena da semana:
* Cena final do filme "A civil case" com John Travolta. O filme é
extremamente interessante e trata do mesmo assunto da coluna sob uma
abordagem específica do idealismo. Não me lembro do título em português,
mas vale a pena procurar e alugar.
Eduardo Seganfredo
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======== LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO & PARALELO (Vincent Kellers) ========
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WHO ARE YOU?
Oi!
Será que alguém sabe de onde saiu esse texto? Acho que não.
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Like a cruel angel, boy, become a legend
Even if the blue wind knocks on your heart's door,
You, smiling, gaze only upon me
In a trance, your pained eyes seek the things you desire
Still not believing even in destiny
But someday I know you'll realize, as you aim for the
distant future, that on your back are wings
A cruel angel's thesis--
Soon, you'll jump out of the window
Burning with hot pathos
If you betray your memories
Embrace the sky, shining,
Boy become a legend!
While you are sleeping in my love's cradle,
The dream messenger calls out only to you--the morning comes
As moondrops reflect your slender neck
Stop all the time in the world--I want to keep this moment
If our meeting is to have meaning,
I must follow the bible of understanding freedom
A cruel angel's thesis--sadness now begins
As you awoke from the dream, embracing life
No matter who releases the light, boy, become a legend!
While people weave love, they make history
Just as the goddess never changes, I live
A cruel angel's thesis--
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No próximo número: o discreto retorno de Vincent Kellers ao Tresler.
Trilha:
Nirvana - D7
Vincent Kellers
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============================= CRÉDITOS FINAIS =============================
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