Que dia é hoje? Domingo, 22 de julho de 2001.
http://www.tresler.cjb.net
Olá! Está é a edição número 14 do nosso fanzine eletrônico. Espero que você
goste (ou não). Olha o que temos no menu de hoje:
1. Editorial (Daniel Wildt)
2. Hoje não tem. Volte semana que vem! (Ariadne Amantino - CARPE DIEM)
3. O mundo em equilíbrio (Daniel Wildt - BORN TO BE WILDT)
4. Um pouco de mim (Eduardo Seganfredo - DE NOVO, PÔ!)
5. Tales from a scorched Earth (Vincent Kellers - LINHAS DE PENSAMENTO
CAÓTICO & PARALELO)
6. Abaixo os estereotipos #1 (Giancarlo Panizzutti Lima - O PLUS A MAIS DE
HOJE)
7. CRÉDITOS FINAIS
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======================== EDITORIAL (Daniel Wildt) =========================
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Sim, e hoje é domingo. Se fosse um católico praticante já iria acrescentar
que hoje é dia do senhor. Hoje é dia do senhor! Sabe, estava analisando os
idosos. Eles são pessoas importantes na nosssa formação. É uma coisa
interessante com certeza, principalmente porque eles não possuem mais
certezas, estão inseridos em um mundo onde a tecnologia dita para eles como
as coisas devem ser feitas. O passado deles tem histórias maravilhosas, do
tempo que eles trabalhavam em cais de portos, soldando cascos de navios,
como costureiras, enfim, possuem histórias únicas. As histórias atuais são
mais como micos, ou desabafos irritados com a vida no novo milênio.
Exemplo... Banco? Caixa eletrônico por favor senhor! Não, o senhor quer ir
no caixa? Qual o motivo senhor? Aqui o senhor pode fazer tudo o que aquele
humano faz. É, mas o caixa eletrônico não vai responder quando o idoso
afirmar que a vida tá complicada, apesar daquela conta de luz ter vindo
mais baixa que no mês passado... e assim vai.
Hoje fez um dia bem frio. Eu gosto do inverno. Gosto de sentir frio. Melhor
que isso é ter alguém para compartilhar o frio. De preferência alguém que
você tenha como sinônimo de amor. Super. Namorar é legal. Ainda estou
pensando no que escrever na minha coluna de hoje. Talvez escreva sobre o
namoro, aproveitando uma crônica que tinha começado a escrever faz uns dois
meses. É legal pegar textos antigos e reler, para ver se o está escrito lá
ainda reflete o que pensamos a respeito que alguém ou alguma coisa.
Voltando ao frio de hoje, iniciei a manhã tomando mate (como diz a música
no Neto Fagundes), depois saboreando um almoço muito bom. No mais, beijos e
abraços curtindo a tarde de domingo.
Já pensaram em fazer um blog? Blog, abreviação de Weblog, é uma espécie de
diário público, onde você vai colocando tudo o que acontece na sua vida e
todas as pessoas que entrarem no seu Site tem acesso. No Site
http://www.desembucha.com, você tem a possibilidade de construir o seu
Blog. Eu não teria um, pois acho que minha vida é, olha só, minha vida. Mas
essa é a minha opinião.
E começam as buscas por um lugar ao Sol. Nesta semana estarei fazendo minha
inscrição em um concurso de poesias. Vamos ver no que vai dar. Até
mostraria ela aqui, mas tem que ser inédita, então faz a matemática por aí.
E vamos lá:
Música da semana!
U2 - Walk On
Álbum da Semana!
Ira - e-collection
Riff da semana!
Black Sabbath - Paranoid
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--------------------------------|--------------------------------|
--------------------------------|--------12-h14----------12------|
(12)h14-----(12)h14-----(12)h14-|12-h14----------12-h14------14--|
12----------12----------12------|--------------------------------|
Pensamento da semana!
Não importa o que o passado fez de mim. Importa o que eu farei do que o
passado fez de mim. (J.P. Sartre)
Falando mais um pouco de guitarra, para quem toca ou quer aprender a tocar,
aqui vai um link muito importante: http://www.olga.net.
No tresler de hoje, temos uma contribuição muito legal, sobre WISFTOMJPD
(criptografado - ah, essa é barbada). Hoje não tem coluna da Ariadne,
pois ela está passeando pela Europa. Novidades sobre ela? Bom, ela arrumou
um emprego em uma empresa bem legal. ONU. Conhecem? É, essa mesmo.
Parabéns para a Ariadne. E o resto do pessoal? Lê aí. Tá bem legal. Tem
texto sobre como seria a vida daqui algum tempo, tem gente se dando mal,
e pessoas passando pelo portal. Ainda bem que foi só uma viagem, pois
senão eu e o Vincent teríamos muito trabalho para dividir lá na empresa
(sim, trabalhamos juntos).
Daniel Wildt
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====================== CARPE DIEM (Ariadne Amantino) ======================
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HOJE NÃO TEM. VOLTE SEMANA QUE VEM!
Hoje não tem texto da nossa colunista. Agora com o emprego na ONU ela tá se
achando... hehe. Brincadeira. Ela mandou email na quinta pedindo desculpas,
que teve bloqueio para escrever, e ainda mais ela ia fazer um passeio no
final de semana. Sendo assim eu estou colocando este texto aqui apenas para
poder lhe informar que hoje não tem coluna da Ariadne. Semana que vem ela
volta. Ou não. Acho que volta. Se ela não voltar podemos fazer a campanha
volta Ariadne. Vocês depositam qualquer quantia na minha conta corrente e
assim eu ganho grana.
Daniel Wildt
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===================== BORN TO BE WILDT (Daniel Wildt) =====================
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O MUNDO EM EQUILÍBRIO
Júnior não pensava que aquilo pudesse acontecer algum dia. Ele sempre levou
muito a sério o seu presente para pensar em algo de errado. Tudo era
planejado, tudo era visto como se fosse a última coisa a ser realizada na
sua vida. Desde que nasceu, ele sempre pensa mais de uma vez antes de fazer
alguma coisa, para evitar efeitos colaterais na sua vida. Todo efeito teve
sempre uma causa bem pensada.
Era uma manhã com muita neblina e apesar de ter ouvido a sugestão da sua
mãe, Júnior saiu de casa sem dar ouvidos para a voz da sabedoria. Não levou
seu boné. Nem seu guarda-chuva. Enfim, estava atrasado e não estava com
tempo para discutir. Chegou no trabalho atrasado, mas conseguiu bater o
ponto. Naquela manhã, tudo correu bem no escritório, e não era algo comum
para uma sexta-feira de final de mês.
Chegada a hora do almoço, veio a ligação de uma colega de faculdade,
marcando uma hora para estudarem junto. O dia não estava indo bem, algo tem
que dar errado. É o equilíbrio pensava Júnior. Sem saber o que falar ele
disse que sim, que estava marcada a sessão de estudos, mas estava ficando
preocupado pois nada tinha acontecido de errado naquele dia. Nenhum cliente
irritado, nenhum chefe acordou do lado errado da cama, nenhum colega de
trabalho ficou enchendo o saco naquela manhã... algo estava errado.
Ele volta do almoço. E nada deu errado. Todos telefonemas ele tentava
atender. Algo de errado tinha que acontecer. Se pelo menos ele tivesse se
atrasado, não estaria achando estranho uma colega de faculdade ligando para
ele para saber se ele poderia estudar com ela. Na casa dela. Sexta-feira à
noite. Algo tinha que dar errado. E aí vem a ligação! Perfeito. Um cliente
muito chateado com um trabalho que foi feito pela equipe de Júnior. Ele se
desculpa com o cliente e avisa que o trabalho vai ser revisado e será
enviado no final da tarde de segunda-feira. O cliente fica extremamente
chateado, mas aceita o prazo estipulado por Júnior, pois este quer ter
certeza que nenhum outro erro será encontrado.
Ótimo. Agora o dia está feito. Aí vem a ligação, que é o pesadelo para
Júnior. A colega desmarcando a sessão de estudos? Nãããã... era o cliente
avisando que tinha se enganado e o trabalho estava correto. Júnior vai
olhar junto com ele, parando o que está fazendo, revisando por telefone o
que foi realizado e conclui com o cliente que o trabalho realmente está
correto. Infelizmente, nosso amigo está novamente com o problema de não ter
um problema. E o dia corre.
Hora do café. E o copo de café cai da mão dele. Pronto, era um problema,
mas não o tipo de problema que ele estava procurando. O copo poderia cair
no chão e respingar na roupa dele. Poderia. O copo simplesmente cai de pé.
Fica paradinho, perfeito. Nenhum pingo cai do copo. Júnior é aplaudido de
pé pelos colegas como sendo o cara. Ele não queria ser o cara. Era
sexta-feira, o dia estava quase acabando e ele não tinha um problema. O
mundo não está em equilíbrio, ele pensava.
Bom, chegou o fim do dia. Agora ele tem que sair do trabalho para ir até a
casa da amiga (lembram da mulher amiga? Pois é...), mas ele precisava de um
problema. Desgraça pouca sempre é bobagem. Na hora de sair veio a chuva.
Júnior lembrou de sua mãe reclamando que ele não queria levar o
guarda-chuva. Júnior lembrou do porteiro que sempre enche o saco quando ele
chega com seu guarda-chuva e o dia marca nada menos que 35 graus e mais Sol
do que está só em filme de ficção científica. Júnior tinha um problema, mas
o problema é que ele já tinha se acostumado com o fato de que as coisas
podem dar certo, sem nenhum problema.
Bom, voltando à realidade, Murphy sempre está por perto. Nosso camarada,
bem, ele esqueceu o material de estudo na gaveta da sua mesa. Era só subir
para pegar. É só pegar a chave, que ficou sobre sua mesa, quando ele estava
colocando seu casaco. Era só pedir a chave para aquele colega que acabou de
entrar no ônibus. Eles foram os últimos a sair do escritório. Júnior grita
para o colega. O colega não ouve. Júnior tenta o celular do colega. O
bateria do celular dele acaba. Então ele pensa no que pode acontecer. Ele
pode ter que dividir os livros com a amiga. Isso pode ser uma boa idéia.
Vamos para o carro.
Lembram que estava chovendo? Não está mais chovendo. Agora o mundo está
literalmente caindo. Júnior não desanima, sua amiga pode emprestar uma
roupa para ele se vestir e assim esperar suas roupas secarem. É, ela
poderia, se um ônibus não passasse e jogasse na roupa de Júnior pedaços de
merda de cavalo que estavam boiando na rua. Agora a coisa estava ficando
legal. Tudo bem, Júnior não desanima. Agora vem o granizo, e ele corre como
nunca. Seu carro está perto. Ele pula uma poça de lama, mas não consegue
vencer a poça. Com a velocidade que estava, ele se desequilibra. Com a
perda de equilíbrio, seus óculos vão para o chão. Lembram da mãe de Júnior?
Ela pediu que ele usasse lentes de contato, pois ele ficava mais bonito
assim, mas Júnior não queria, achava mais certo usar óculos. Bom, agora
seus óculos estavam quebrados. Se ele estivesse usando lentes, nada disso
poderia estar acontecendo. E agora Júnior tinha alguns problemas, inclusive
o de conseguir dirigir com uma lente quebrada.
Júnior resolve ir assim mesmo para a casa da amiga. Ele ainda acha que hoje
é o seu dia, então roupas não serão necessárias. Chegando lá, mas que
vergonha, e não é pelo fato de ter maconha. Nem tinha, mas me lembrei da
música. Desculpem. Todo caso Júnior estava doidão. Enfim, nosso amigo viu
seu amigo, o André, chegar na casa de sua amiga também, na hora combinada.
Neste momento, Júnior se lembra que André também tem um apelido. Júnior.
Lembram que tinha acabado a bateria do celular dele? Pois é, a sua amiga
estava tentando ligar para desmarcar a sessão de estudos pois ela não
poderia mais estudar com ele, pois tinha errado de Júnior. Agenda de
telefone é coisa complicada. Júnior fez a contagem do dia e resolveu ir
para casa assistir televisão. E dormir cedo, para acabar com seus
problemas. E colocar na sua cabeça que as coisas podem dar certo. Ou não.
Fazer o que... é a vida.
E ainda bem que não é a minha.
Daniel Wildt
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==================== DE NOVO, PÔ! (Eduardo Seganfredo) ====================
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UM POUCO DE MIM
Fim-de-semana planejado. Raro isso pra mim. Mas, enfim, este tinha sido
idealizado. Viagem pra serra marcada, reservas feitas, tudo em ordem.
Sexta-feira de noite, carro na estrada. Embora tudo estivesse perfeito, de
alguma forma eu me sentia incomodado, pois meus pais pareciam não concordar
com a minha saída. Meu pai temia por mim em razão das condições da estrada,
pois a chuva havia sido muito intensa nos últimos dias, ocorrendo inclusive
queda de barreiras, fato comum na serra gaúcha em dias de temporal
violento. Já os motivos da minha mãe pareciam ser outros, algo talvez
relacionado a minha namorada ou a ciúme ou as duas coisas.
Enfim, pegamos a estrada e seguimos nosso destino, Gramado. Não era difícil
imaginar que com nossa inexperiência em viagens para a serra poderíamos
errar o caminho. Sim, acabamos conhecendo a cidade de Estância Velha à
noite. Cidadezinha pitoresca, com residências esparsas pelos seus terrenos
largos, com as cercas pintadas típicas da paisagem serrana.
Corrigido o engano, colocamo-nos novamente no rumo de Gramado, enquanto
consolávamos nosso atraso reforçando a idéia de que estávamos passeando e
por esta razão era permitido errar o caminho. No entanto, aquele engano
instituiu uma espécie de incerteza de destino e um ar de mistério no nosso
passeio. Agora sabíamos que poderíamos acabar parando em uma cidadezinha
qualquer, cheia de histórias misteriosas, como tantas cidadezinhas deste
nosso rincão dos pampas.
Retomado o caminho, a sensação estranha e enigmática aumentou muito quando
nos vimos completamente sozinhos na estrada. Nenhum carro indo, nenhum
carro vindo em um trecho de muitos quilômetros pela rodovia. Meu raciocínio
lógico tentava entender como podería haver tão pouco movimento se ligamos
para dezenas de pousadas e todas estavam lotadas. Imaginei de pronto que o
caminho estava errado de novo. Mas algumas placas na estrada quebraram
minha teoria. As subidas agora se acentuavam e a estrada ia ficando cada
vez mais sinuosa e perigosa. Verdadeiros penhascos despencavam para o breu
a poucos metros do acostamento a nossa direita. Embora não estivesse
chovendo, havia alguns trechos em que a pista estava completamente
encharcada, com poças de água acumulada que desequilibravam o veículo. No
outro lado da pista, uma parede interminável de rocha de onde vertia água
se erguia junto ao acostamento. Antes de sair de Porto Alegre estávamos
conscientes destas dificuldades, mas não tínhamos exata noção da que se
seguiria. Alguns quilômetros a frente ou acima, adentramos literalmente em
uma nuvem.
A partir de então, eu mal conseguia enxergar o capô do carro. Havia muitos
quilômetros que não cruzávamos com carro algum e a atmosfera de mistério
era agora completa. Sem pestanejar, deixei-me envolver pelos meus devaneios
e coloquei em meu imaginário um cenário de "Novo Mundo" para além do
nevoeiro. Após atravessar o denso portal, seríamos recepcionados por
habitantes de um mundo perdido, perfeito, harmônico, pacífico. Minha
namorada falou: - Acho que morremos em algum acidente e estamos indo pro
céu. - e eu concordei, pois era o que parecia. Naquele ponto, de alguma
forma despi-me de qualquer senso de responsabilidade, aumentei o volume e
deixei-me conduzir o veículo um pouco mais rápido. Sim, eu tenho um
instinto suicida. Por entre as árvores extremamente altas e belas, em meio
as rochas e desfiladeiros, atravessando pontes e cruzando vilarejos,
mergulhados em uma densa cortina de cerração, circundados pela mais
completa escuridão, era possível sentirmo-nos como parte daquela natureza
mágica, imponente, selvagem, que gentilmente se retirava da frente do
veículo, como o pai austero que dá licensa ao filho afoito. E
caprichosamente, como que envaidecida pela sua própria e admirável beleza,
uma breve trégua da natureza dissipou o nevoeiro, apenas para nos permitir
apreciar as colinas envolvendo o vale e uma cidadezinha plantada em seu
seio, com sua capela iluminada encantando nossos olhos. Talvez o "Novo
Mundo" que eu sonhara não fosse assim tão novo, nem tão distante, nem tão
imaginário. Talvez este lugar não fosse assim tão perfeito, nem tão
perdido, nem tão harmônico e nem tão pacífico. Mas uma coisa era certa:
para chegar lá era preciso atravessar o portal.
A viagem prosseguiu bem e o fim-de-semana foi ótimo. Temperaturas oscilando
de 10 a 5 graus. Momentos raros onde se consegue esquecer todo o resto pra
olhar um pouco pra nós.
Bem aventurados os que se permitem atravessar os portais que a vida
oferece.
Eduardo Seganfredo
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======== LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO & PARALELO (Vincent Kellers) ========
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TALES FROM A SCORCHED EARTH
Oi!
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Sim filho, houve um tempo em que as coisas eram diferentes. Há muito tempo
atrás, quando conheci sua mãe, podíamos viver nossas vidas da mesma maneira
como nossos pais o fizeram. Era um tempo mais simples. Infantil, talvez.
Não tínhamos nenhuma preocupação além de nos sentirmos felizes. Como era um
tempo mais simples, fatos pequenos e para muitos sem sentido, nos deixavam
satisfeitos. Naquela época, podíamos deixar a brisa quente de verão tocar
nossos cabelos simplesmente por que isso nos trazia paz. Podíamos caminhar
por horas e horas em alguma praia, sempre acompanhados pelo som das ondas e
eventualmente, acompanhados por alguma ave marinha. E fazíamos isto apenas
por que gostávamos de viver momentos singelos como este, juntos.
O mundo era bastante diferente. As pessoas podiam passear pelas ruas sem
medo. O ar era limpo, assim como as águas. As florestas cobriam uma grande
área do planeta, e os mares pareciam seres vivos, dada a quantidade de vida
que abrigavam. Naquele tempo, as chuvas eram por vezes fortes, e
demonstravam claramente a beleza da natureza. Mas não eram ácidas. Nossos
invernos eram rigorosos. Mas não eram nucleares.
Sim, o mundo era de fato diferente, mas o homem era igual. O espírito do
homem era o mesmo, e seus jogos de dominação se repetiam ao longo do tempo.
Seus objetivos permaneciam os mesmos: dominação e massacre de outros povos.
E agora os meios utilizados para a conquista do objetivo pareciam cada vez
mais insanos. A História se repetia uma vez mais, e agora, a escala de
destruição é muito maior. Uma vez mais deixamos que a ganância, a
ignorância e o medo nos dominassem.
Países inteiros estão destruídos. Bilhões de vidas foram perdidas nesta
guerra com o uso de armas químicas e biológicas. Continentes inteiros estão
contaminados por radiação, os mares estão mortos e o céu está encoberto por
uma nuvem densa de poeira, erguida pela detonação de uma série de bombas.
As áreas que não sofrem com a radiação são castigadas pelo frio, já que a
poeira erguida impede a passagem dos raios solares. O pouco alimento que
tínhamos acabou há muito. O desespero aos poucos consome a sanidade das
pessoas no pequeno espaço que dividimos neste abrigo.
Se hoje ousarmos voltar à superfície, teremos nosso corpo congelado em
pouco tempo. Ou teríamos nossa carne corroída pelo ácido. Ou ainda,
veríamos nosso corpo lentamente definhar ante os ventos radioativos. E caso
nada disto viesse a acontecer, talvez fôssemos esmagados pela dor que
sentiríamos ao presenciar a destruição ao nosso redor.
Felizmente sua mãe não sobreviveu para presenciar este horror. Ela não
suportaria vê-lo passar tantas necessidades, meu filho. Isto não é razão
para alguma comemoração, mas o fato é que estamos vivos, e cabe a nós uma
vez mais tentar nos reerguer deste caos, pois é isto que a humanidade
sempre fez. Nos ajudando mutuamente, e através de todas as adversidades,
nós, os poucos sobreviventes, um dia poderemos reconstruir nossas vidas e
este planeta, pois eu espero que você um dia possa sentir a chuva tocando
seus cabelos. Espero que um dia você possa sentir a brisa tocando seu
rosto. Espero que um dia você possa sentir o abraço líquido e vivo do mar.
Lutaremos juntos em memória daqueles que se foram, e em nome de um futuro
melhor para sua geração. Lutaremos juntos para que você possa admirar a
beleza simples da natureza. Lutaremos juntos por um longo tempo, mesmo
sabendo que a História se repetirá: mesmo que a natureza mude, o espírito
humano é sempre o mesmo. E cabe a nós apenas a tarefa de tentar nos
reerguer após toda queda. Pois é isto que a humanidade sempre fez.
---
Trilha:
Bad Religion - All ages album
---
Linhas de pensamento caótico
- Mustn't run away. Mustn't run away. Mustn't run away. Mustn't run away.
Linhas de pensamento paralelo
- MUSTN'T RUN AWAY!
Vincent "Langley" Kellers
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=========== O PLUS A MAIS DE HOJE (Giancarlo Panizzutti Lima) =============
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ABAIXO OS ESTEREÓTIPOS #1
Quem eh que nao gosta de se divertir, nao eh mesmo? Depois do trabalho, ou
no fim-de-semana, nada melhor do que desfrutar de uma historia inteligente
de proporcoes epicas com personagens fantasticos, fruto de uma
caracterizacao sem falhas e uma emocao autentica capaz de atingir o coracao
ateh dos mais cinicos...e o melhor de tudo eh poder voltar umas paginas e
ver tudo de novo para apreciar o desenho!
"Paginas? Desenho?"
Ah, sim, me desculpe, voce pensou que eu estava falando de cinema! Eu
deveria ter dito desde o comeco que este se trata de um texto sobre
QUADRINHOS.
Provavelmente voce deve estar pensando em parar de ler este texto apos ter
lido a palavra grafada acima. Afinal, quadrinhos sao para criancas, idiotas
e pervertidos, certo? Bom, que tal me dar uma chance de provar que voce
esta errado(a)? Afinal, preconceitos e estereotipos sao para pessoas que
nao sabem pensar por si proprias, nao eh verdade? Os quadrinhos sao uma
forma de entretenimento como qualquer outra. E ponto final, nao importa o
que dizem alguns idiotas que se apegam a ideias pre-concebidas que saem
julgando qualquer coisa - mesmo sem nunca ter lido antes pra poder falar
alguma coisa.
Se voce pensa que todo aquele material que se encontra nas bancas nao eh
nada alem de 50, 100 paginas mensais com dois trogloditas com as cuecas por
cima das calcas e uma toalha amarrada no pescoco trocando socos e pontapes,
com uma mulher seminua fazendo pose na capa, entao voce nao tem a minima
nocao de quao errado estah. Tah certo, tah certo, existem gibis assim, mas
o quao diferente eles sao dos filmes do Steven Segall e do Van Damme? E nem
por isso eu vejo pessoas se achando no direito de se dirigir com um ar de
superioridade aos fas desses dois atores como fazem com quem *le*
quadrinhos. (Gibis foram feitos para serem *lidos*, sim, e nao soh pra se
olhar pras figurinhas bonitas, sabia?) Mas eu nao estou aqui para falar de
gibis ruins, ou dessa meia duzia de macas podres. E sim do resto do balaio,
recheado do melhor que a mente de homens e mulheres (Mulher tambem faz
gibis, e muito bons, por sinal) com criatividade de sobra tem a oferecer.
Algumas linhas acima eu falei sobre *ler* um gibi. Se eh pra ler,
siginifica que tem uma *historia*. Quem cria essa historia eh o
'argumentista', nome dado por convencao. Pelo fato desse ser chamado de
'argumentista' ser o profissional de quadrinhos com a melhor remuneracao do
ramo, e o roteirista desses filmes blockbuster as vezes nem serem
creditados ou remunerados, voce jah tira uma ideia da importancia da
*historia* em ambas as midias. "Ah, mas os personagens se vestem como
palhacos e drag queens!" Voce jah foi ao teatro? A uma opera? Como voce eh
culto, deve saber que estou citando outros exemplos de exteriorizacao, que
significa mostrar graficamente as qualidades de alguma coisa. Tecnica
antiga. Eh isso que significa o uniforme de bandeira do Capitao America, o
uniforme sombrio do Batman, etc.
Sao icones, nada alem disso. E geralmente esse 'uniforme' eh feito *de
proposito* em cores primarias/secundarias, para que o olho humano o
reconheca mais facilmente, tornando igualmente mais facil o destaque e o
contraste na pagina. Mas acho que eu estou ficando tecnico demais. Bom, jah
serve como exemplo pra provar que gibi jah nao eh mais *tao* simples como
voce pensava.
Se eh pra falar de complexidade, eu prefiro falar dos personagens. Os
assim-chamados "super-herois". Entre aspas, assim mesmo. Porque pra mim, de
'super', eles nao tem muita coisa. E eh justamente daih que vem a
identificacao que o leitor tem com eles. Veja o James Bond, por exemplo:
ele eh perfeito em tudo. Quem eh que vai se identificar com isso? Jah os
pesonagens de quadrinhos...voam, tem superforca, invulnerabilidade...e unha
encravada, emprego pra pagar as contas, esposa e filhos para sustentar,
ficam gripados, pegam onibus lotado e passam noites estudando. Fora as
qualidades sobre-humanas, eu poderia ter descrito amim mesmo, ou voce. Daih
vem a graca do gibi. Eu nao quero ver o Schwarzenegger salvando o
Presidente dos EUA numa conspiracao ficticia. Eu quero ver eh o
Homem-Aranha batalhando pra ser valorizado no emprego novo.
Taih uma coisa com a qual voce sempre pode contar: os 'super'-herois sempre
sao gente *decente*. Imperfeitos, sim, mas sempre vao tentar fazer a coisa
certa. Sou soh eu que estou cansado do cinismo e do estrelismo que cercou e
dominou a industria do cinema, a politica, os esportes...? Pro meu alivio,
ainda existem esses personagens que se procupam com valores como
responsabilidade, honestidade e sinceridade, porque sao escritos por gente
igualmente decente, que nao ganha muito comparado com outros ramos do
entretenimento, e que tem uma fama (ou infamia?) irrisoria, mas que se
*orgulha* do que faz e tem a sensacao de estar fazendo algo de *bom*.
Geralmente, historias de 'super'-herois sao contos sobre forca de vontade,
o espirito humano, pais e filhos, amizade, emocoes como amor, odio,
tristeza, frustracao, alegria, com palavras escritas com cuidado por alguem
que quer realmente fazer valer a pena o dinheiro do leitor gasto num gibi
com uma historia complexa e coerente, servindo de inspiracao para o
dia-a-dia, cada vez mais dificil de suportar.
Pensa nisso que eu falei porque semana que vem tem mais. Ateh.
Bom, essa eh a *minha* opiniao. Posso estar errado.
Mas voce tambem.
Giancarlo Panizzutti Lima
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============================= CRÉDITOS FINAIS =============================
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Tresler. Um grupo de amigos escreve histórias para o seu deleite. Se você
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