Que dia é hoje? Domingo, 05 de agosto de 2001.
http://www.tresler.cjb.net
Olá! Está é a edição número 16 do nosso fanzine eletrônico. Espero que
você goste (ou não). Olha o que temos no menu de hoje:
1. Editorial (Daniel Wildt)
2. Veneza existe mesmo? (Ariadne Amantino - CARPE DIEM)
3. Feliz dia dos pais (Daniel Wildt - BORN TO BE WILDT)
4. General (Eduardo Seganfredo - DE NOVO, PÔ!)
5. In memorian (Vincent Kellers - LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO &
PARALELO)
6. Abaixo os estereotipos #2 (Giancarlo Panizzutti Lima - O PLUS A
MAIS DE HOJE)
7. CRÉDITOS FINAIS
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===================== EDITORIAL (Daniel Wildt) =======================
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Formaturas. Amigos de colégio. Isso é legal, vai dizer, o pessoal se
formando e aí um falando que agora trabalha em tal ramo, que tem
muitos afazeres. Na época do colégio, mesmo com todas as crises de
adolescência, todos os problemas relacionados aos amores platônicos da
época, era uma boa fase, onde o maior problema era saber se o futebol
ia sair no sábado ou no domingo.
Tudo bem, agora o jogo é outro. Tem dinheiro na jogada. Dinheiro que
vai chegar na sua conta não mais porque você teve boas notas e seu pai
acha que tem que aumentar a sua mesada, mas porque você ralou o mês
todo e merece depois de tanto sofrimento ganhar o bendito salário, que
vai então permitir que você realize seus sonhos capitalistas.
A formatura de sexta estava bem legal, pela primeira vez eu dancei
valsa. Valsa tchê loco, saca a profundidade dos dizeres? É, e para
minha surpresa, eu sou um baita de um pé de valsa mesmo! Não pisei no
pé da minha namorada nenhuma vez! O que acontecia era que de vez em
quando ela reclamava que eu não estava "levando" corretamente, sabe,
questão da posição das mãos, mas tudo bem, arrumado isso, no final foi
tudo pura diversão. Fiquei tonto algumas vezes de tanto girar, mas foi
tudo nos conformes.
E aqui vou criar uma seção me desculpe! Bom, o primeiro pedido vai
para um outro camarada meu que se formou neste final de semana. Acabou
que eu fiquei sem computador e não me lembrei de ligar para o cara
dizendo que eu não poderia ir na formatura dele. Todo caso aqui fica o
"meus parabéns" para ele! $uce$$o! Pelo menos o sábado foi um dia com
muito Sol, e espero que tenha corrido tudo bem na cerimônia de colação
de grau.
E mais um pedido de desculpas. Tinha combinado com o Vincent que no
tresler da semana passada faríamos pessoas chamarem o Hugo. Bom, final
das contas eu não consegui arrumar tempo para escrever esta história e
tive que recorrer às minhas histórias pela metade, de onde saiu uma
crônica sobre o namoro, pois já era tarde e eu precisava conseguir
acordar cedo para ir trabalhar no outro dia. A gente não pode agradar
todo mundo é verdade, mas neste tresler eu estou deixando o jogo no
0x0.
Música da semana!
The Animals - The house of the rising sun
Álbum da Semana!
Nirvana - Nevermind. Estava com saudade deste som, aí depois de ver um
alto e bom som na MTV fiquei ouvindo no "repeat all" por um bom tempo
- atenção aqui para a música "drain you" e "polly". Isso me faz
lembrar de quando comprei o LP do Nevermind, em 1992, com meus 13
anos... smells like teen spirit no volume máximo e a galera se dando
porrada. Bons tempos, Bon Jovi, Whitesnake, Poison, Skid Row, Guns,
Faith No More, Roxette, U2, Iron Maiden, Van Hallen, Beastie Boys. São
algumas das bandas que eu ouvia no meu período pré-adolescente.
Influência direta de um grande amigo meu, o Edu, que hoje faz medicina
em Campinas, e morava no mesmmo prédio que eu em São José dos Campos.
Riff da semana!
Black Sabbath - Paranoid. Pô, eu não toquei guitarra nesta semana que
passou. Por um lado é muito legal poder sentir a ponta dos dedos, mas
por outro, penso que a falta de treino será prejudicial no futuro,
principalmente considerando que minha técnica não merece nem ser
medida, para evitar constrangimentos. Acho que um dos motivos é que
todos os riffs estão gravados no computador e eu estou sem computador
no momento, que foi para a assistência técnica sofrer manutenções por
excesso de uso. Todo caso, deixo aqui um riff que deve ser tocado
sempre! Este saiu na edição #14 do tresler, mas sai de novo, ora. Eu
quero tocar de novo!
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E no tresler de hoje? Temos paternidade, pátria, veneza, quadrinhos e
animais.
Daniel Wildt
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=================== CARPE DIEM (Ariadne Amantino) ====================
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VENEZA EXISTE MESMO?
Desde que cheguei na Europa, está nos nossos planos ir a Veneza. Mas
tanta coisa já aconteceu que começo a desconfiar "seriamente" que
Veneza, ao contrário do que dizem, não vai desaparecer daqui a algum
tempo, mas já desapareceu!
Numa sexta-feira no final de junho ou início de julho, tentei reservar
um quarto num albergue pro dia seguinte. As resposta que recebi:
"Tutto pieno, mi dispiaci!" Tudo lotado! Tínhamos que reservar com
mais antecedência, o que já era de se esperar no verão em Veneza, uma
das cidades turísticas mais visitadas da Europa.
Na semana seguinte, tive mais sucesso. Consegui resevar um quarto para
dia 21 de julho. Ótimo!
Alguns dias depois, mudança de planos. Com a vinda da nossa primeira
visita oficial (aí Huff, hein!), resolvemos ir a Praga juntos no dia
21 e adiar Veneza mais uma vez para dia 28. Felizmente sem problemas
com reservas desta vez.
Finalmente, dia 27 de julho, tudo pronto para a tão sonhada viagem a
Veneza, que parecia estar cada vez mais longe. Na carteira, nenhuma
moeda de schilling para não misturar com as liras italianas. O guia da
Europa resolvemos levar mais para ler no caminho porque já tínhamos
lugar certo para ficar e uma idéia do que ver em dois dias. O trem
leva 10 horas até lá, então pegamos um trem noturno. Dormir em Viena e
acordar em Veneza parecia ser uma idéia muito interessante.
Não vimos o tempo passar. O que estranhamos foi que já era de manhã e
os anúncios e placas lá fora continuavam em alemão quando já
deveríamos estar na Itália. Bom, mas parece que tem uma parte no norte
da Itália onde se fala alemão também, não?
Quando o trem parou em Wörgl, a alguns quilômetros de Innsbruck, ainda
na Áustria, começamos a desconfiar que algo estava realmente errado.
Às 8 da manhã deveríamos estar em algum lugar no norte da Itália e não
do outro lado da Áustria! E o mais estranho é que todas as pessoas no
trem ainda estavam achando que íamos para Veneza, apesar de já estar
quase passando a hora da chegada e ainda estarmos na Áustria.
Como nós não falamos alemão nem os controladores do trem inglês, ficou
difícil entender porque diabos não tínhamos seguido o caminho descrito
nos folders que estavam dentro das cabines. Tudo o que consegui
descobrir foi que levaríamos mais uma hora até a fronteira com a
Itália e depois mais umas 5 até Veneza, eles não sabiam certo.
Decidimos, então, ficar em Innsbruck. Passar 15 horas dentro de um
trem na ida e mais 15 na volta nos daria, no máximo, 24 horas em
Veneza e, ainda por cima, a probabilidade de chegarmos às 2 da tarde
no trabalho segunda-feira e não às 9 da manhã. Mas eu ainda queria
saber por que!
Em Innsbruck, o Diego acabou descobrindo que houve um acidente em
Treviso, na Itália, por onde o trem teria que passar, então tivemos
que voltar e fazer uma volta enorme por Innsbruck para poder chegar na
Itália. Além disso, eles não tinham como afirmar que o caminho estaria
liberado no dia seguinte, e talvez o trem tivesse que voltar pelo
mesmo caminho que estávamos indo.
Mas Innsbruck é uma cidade muito interessante. Tipicamente austríaca,
foi o que me pareceu. Na hora de usar o telefone e comprar entradas
para alguns pontos turísticos, sentimos falta das moedas que tínhamos
tirado da carteira. Ainda bem que tínhamos levado o guia da Europa, se
não ia ficar difícil até achar lugar para ficar.
O trem seguiu para Veneza sem nós, e não faço a menor idéia de que
horas chegou lá. Ficamos com a passagem de volta na mão, ou seja,
ainda vamos tentar descobrir se a tal Veneza ainda existe mesmo ou
não.
Ariadne Amantino
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================== BORN TO BE WILDT (Daniel Wildt) ===================
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FELIZ DIA DOS PAIS
Augusto precisava se acalmar. Bebeu demais e estava em um local onde
conhecia poucas pessoas. Rodrigo foi saber do amigo e infelizmente
teve conhecimento do almoço de Augusto. Rodrigo avisou uma vez, duas
vezes, mas não consegiu avisar a terceira, pois Augusto neste instante
estava agarrando o vaso sanitário como um goleiro agarrando uma bola
"salva-campeonato".
Água, sim, H2O puro era o que Augusto precisava neste momento. Rodrigo
não sabia porque seu camarada tinha bebido tanto. Certamente afogando
as mágoas. Eles não se falavam mais como antigamente. Em tempos
passados, estariam procurando "alvos" em alguma festa na cidade. Beber
socialmente? Na frente dos pais e olhe lá! Mas a vida continua.
Rodrigo estava mais calmo com a bebida e até onde sabia Augusto também
estava. Pode ser um indício do motivo pelo qual nem vomitar direito
Augusto sabia mais. Vai saber.
Tentando animar o amigo, Rodrigo puxou uma cadeira e passou uma toalha
para Augusto se secar, após ele ter lavado o rosto na pia, que
normalmente é o alvo para quem é marinheiro de primeira viagem na arte
de expelir impetuosamente aquilo que foi digerido nas últimas
refeições. Isso normalmente está associado ao fato de beber muito além
do que se pode ou beber um pouco de tudo, um pouco de vinho, um pouco
de cerveja, uma tequila, e vaso sanitário normalmente será o próximo
"copo". Aqui sempre temos variações por causa da resistência pessoal
de cada um. Enfim, Augusto se olhava no espelho e se perguntava como
aquilo poderia ter acontecido. Rodrigo passou o copo com água para o
amigo se acalmar mais um pouco. Ele não tinha colocado nem sal nem
açúcar misturado com a água, pois simplesmente não havia pensado neste
detalhe. Augusto também não reclamou, pois Rodrigo já estava sendo
mais que camarada com ele, dando um apoio que só poderia vir de um
amigo de verdade. Ou do anfitrião da festa. Acho que é por causa da
amizade mesmo.
Augusto bebeu o copo com água. A sua respiração ainda estava bem
ofegante. Rodrigo falou para o amigo desabafar, tirar do seu sistema o
que estivesse sendo motivo de preocupação. Augusto começou então a
falar sobre confiança, sobre gostar tanto de uma pessoa que chegasse a
doer. Rodrigo ouvia atento e em silêncio, sem criar diálogos. Deixou
seu amigo falar tudo o que pensava, para apenas depois dar seu ponto
de vista sobre "a coisa".
Pelo papo inicial de Augusto, Rodrigo já tinha entendido que o
problema era a namorada. Rodrigo se distanciou um pouco do colega nos
últimos tempos e um dos motivos foi a não simpatia recíproca entre
Rodrigo e Mariana. Mariana foi por assim dizer "rejeitada" por
Rodrigo. Só que ela já namorava com Augusto. Intrigas foram criadas.
Rodrigo não poderia contar para o amigo o que tinha acontecido, pois
com certeza iria perder uma grande amizade, já que Mariana dominava os
pensamentos de Augusto e certamente iria convencer o namorado de que
Rodrigo era o culpado e não ela, coitadinha.
Lá pelas tantas, depois de falar sobre a relação em um âmbito geral,
Augusto contou que a namorada tinha telefonado um pouco antes do
churrasco para dizer que, bem, estava grávida. Isso poderia ser uma
boa notícia, pois até onde se sabia Augusto estava muito bem
financeiramente e tinha interesse em viver junto com Mariana para
valer, já que Mariana já tinha até o seu armário no apartamento de
Augusto. Rodrigo tentava encontrar algo negativo em tudo isso, mas não
conseguia ver nada de errado com o quadro que Augusto estava pintando.
Augusto então tirou do seu bolso um envelope, de uma clínica. Rodrigo
estava pensando que era o exame de gravidez de Mariana que Augusto
queria mostrar. Não era. Rodrigo foi buscar uma garrafa de Whisky. A
especial, que era usada para comemorar os melhores momentos e afogar
as piores mágoas. Fazia algum tempo que eles não bebiam daquela
garrafa. Hoje era necessário. Rodrigo queria beber com o amigo, estava
com muita raiva daquilo que estava lendo. Iriam beber até o último
cair. Um outro amigo de Rodrigo foi até onde eles estavam e Rodrigo
pediu então para os convidados irem embora, que a festa estava
acabada. Pediu desculpas para o pessoal, mas precisava conversar com o
amigo e dar a força que ele precisava.
Sobre o envelope? Augusto tinha ficado muito gripado, não fazia 2
meses. Pegou uma pneumonia decorrente dessa gripe. Precisou fazer
tratamento com antibióticos para resolver seu problema. Estes remédios
fortes causaram efeitos colaterais em Augusto, que após diversos
exames realizados para analisar a gravidade dos efeitos colaterais,
descobriu que não era mais fértil. Para isso precisaria de tratamentos
especiais. Augusto não iria ser pai. Ainda, pelo tempo de gestação
passado pela sua namorada, Augusto se lembra que ainda estava de cama
e lembra que diversas vezes sua namorada saía com amigos da faculdade.
As certezas estavam tomando conta da cabeça dos dois, mas a bebida
estava tomando conta disso.
No mais, Rodrigo e o amigo ficaram rindo da desgraça deste último uma
parte da noite. Na outra, para se animarem, resolveram ir em um casa
de shows para maiores. Só para descontrair e esquecer dos problemas.
Amanhã era um novo dia e Augusto teria muito para pensar. Já na casa
de shows assistindo aos malabarismos de "Tina Tiger", Rodrigo terminou
sua sétima dose de um whisky de trigésima categoria e arrematou uma
frase de consolo para Augusto: "Ah, quer saber, não te preocupa, pai é
quem cuida!". Brindaram e continuaram assistindo ao show.
Daniel Wildt
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================= DE NOVO, PÔ! (Eduardo Seganfredo) ==================
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GENERAL
Comumente meus colegas de Tresler divulgam a trilha sonora de suas
colunas ou comentam letras de música ou seu gênero. Embora não costume
fazer isso, eu também gosto de escrever escutando música, apesar de
não gostar de barulho quando estou lendo. Isso porque tanto a música
quanto a leitura são uma espécie de viagem que fazemos. Enquanto a
música é uma viagem mais inconsciente e inconseqüente, voltada mais
para sensações, a leitura por sua vez é geralmente uma viagem mais
lógica, mais reflexiva e seqüencial. Mas também é possível refletir a
respeito das músicas, pois freqüentemente elas contêm mensagens,
embora raramente estas mensagens tenham algum significado coerente.
Mas o significado, tanto da música quanto da leitura, somos nós, o
público, que damos. E assim nasceu esta coluna: decidi dar o meu
significado a uma música.
Vivemos em um país tropical, imenso, com riquezas mil espraiadas por
todos os cantos desta terra abençoada por Deus e linda por natureza,
inegavelmente. Mas, apesar desta breve introdução, não é esta a música
motivadora do texto. Desta canção tiro apenas o fato de que temos
razões mais do que óbvias para amar este país, apesar dos vexames da
seleção, que embora humilhantes, sequer arranham o orgulho que tenho
de ser brasileiro. Porém, este mesmo orgulho se esconde de inenarrável
vergonha quando o assunto é política e administração pública. Parece
que nossos políticos e governantes fazem questão de tentar demonstrar
que o povo brasileiro é composto por ladrões, mentirosos,
incompetentes e ainda por cima caras-de-pau.
Antes que alguém diga que estou exagerando (acho que ninguém dirá
isso, mas...), seria prudente lembrar o recente porém esquecido caso
dos nossos representantes do congresso que fizeram honra à titulação
de "Anões do Orçamento". Cumpre dar ênfase ao "Inocêncio", que chegou
ao ápice do deboche ao afirmar que sua fortuna provinha de mais de uma
centena de primeiros prêmios da loteria. Sem muito exageiro é possível
dizer que em alguns países de primeiro mundo este cidadão seria
sentenciado a prisão perpétua. Pergunte-se agora o que aconteceu com
ele no Brasil.
Seguindo por este campo, remeto-nos ao caso da violação do painel do
senado, que serve para lembrar que tudo parece igualmente apodrecido
dentro de determinado perímetro de Brasília. Desde a funcionária quase
sublimada como heroína pela nossa não menos "ilustre" imprensa até os
"honoráveis" senadores que "apenas por curiosidade" violavam votações
secretas, toda justiça que tivemos veio de um tremendo circo montado
para dar a impressão de que desta vez estes corruptos levaram a pior.
Como se uma suspensão do emprego ou um bom espaço na imprensa para
exibir a cara-de-pau em plena campanha para o governo do estado fosse
assim uma grande punição pra quem vendeu tão barato a pouca honra que
restava ao Senado. Sim, pois quem faz algo errado, por menor que seja,
desonra qualquer instituição a qual pertence, a começar pela sua
classe, pelos amigos, passando pela família e terminando na
consciência. Mas certamente estes "eminentes" senhores sequer sabem o
que é realmente honra.
Não vamos nos esquecer também de todos aqueles corruptos que
atualmente alimentam as manchetes, servindo em rodízio à imprensa,
como nosso "meritíssimo" Nicolau e o "respeitável" Eduardo Jorge. Não
quero lembrar do nosso "simpático" PC Farias, obviamente assassinado
por saber demais. Mas lembrem-se que um "conceituado" legista defendeu
a tese de suicídio, embora sem a mínima consistência. Provavelmente
seu bolso estava bem consistente, ou talvez suas cuecas sujas tenham
influenciado na escolha.
Agora a moda é assistir a interpretação do novo Presidente do Senado,
Jader Barbalho, com suas contas forradas do dinheiro do Banpará e da
Sudene. A parte mais engraçada e ao mesmo tempo mais trágica e
preocupante nesta história é a constatação que na briga do ACM com o
Jáder os dois tinham razão, como já havia dito algum político, talvez
menos irresponsável ou quem sabe até honesto. E depois ainda fazem uma
tremenda onda quando um estrangeiro escreve que a corrupção é endêmica
no Brasil. Queimem vivos os políticos corruptos se realmente não
querem que se escreva isso.
É impossível não entristecer-se ou revoltar-se ao extremo quando vemos
crianças concorrendo por esmolas nas sinaleiras, enquanto as poucas
pessoas que se elegeram para mudar quadros funestos como este não tem
sequer consciência de suas responsabilidades básicas. Não apenas
consciência de suas responsabilidades como senador, como juiz, como
deputado, como médico, ou como o que for, mas das suas
responsabilidades como pessoa, como ser humano, como cidadão
brasileiro. Basta ter presente a mínima consciência de
responsabilidade social para agarrar-se à honra, à ética, à moral e
renegar qualquer benefício que prejudique o próximo.
Perguntem-se agora se foi feita justiça em qualquer um dos poucos
casos citados. Nestes momentos eu lamento que Fidel Castro ou Ernesto
Guevara Sierna não tenha nascido no Brasil e feito do Planalto Central
sua Sierra Maestra. Ou, levando aos extremos, Stálin ou Lênin
disciplinando a ordem nacional. Mas não sou exatamente comunista ou
socialista, tampouco extremista. E aqui remetemo-nos de volta ao
assunto da música: "Onde andas, general? / Alguém me diga por favor. /
Aonde andarás, general? / Acabe com este terror.".
Sim. O que eu mais quero, e acredito ser este o desejo de toda geração
cara-pintada que conquistou nas ruas esta titulação, é seguir na
guerra eterna contra essa corja de antipatriotas, que entregam por
trocados nosso solo, nossas riquezas, nossa imagem, nosso povo, nossa
esperança. O que eu quero é ser um mero soldado que seja de um
exército comprometido com a transparência, com a verdade, com o solo
desta terra abençoada, com a tão esquecida honra. Onde está meu
general? O que foi feito dos homens desta nação, para que esquecessem
por completo seus ideais de conquistas? O que foi feita da coragem de
nosso povo? Será que todos esqueceram que, por pior que seja o
resultado, sempre vale a pena lutar pelo que acreditamos? Será que
todos acreditam que mudar é esperar alguma intervenção divina? Até que
ponto podemos esperar enquanto assistimos a a morte dos princípios
básicos de civismo, patriotismo, moral, ética, honra e respeito na
juventude brasileira.
Onde andarás, general? Dá-me a honra de empunhar a espada da justiça
em tua batalha. Concede-me a graça de levar os benefícios eternos do
caráter, do cumprimento das responsabilidades àqueles que covardemente
desertaram da própria consciência, seduzidos pelo egoísmo, amordaçados
pela banalização da cultura promovida em nosso país. Que eu possa
lutar contra todo mal causado a este povo sofrido, e que possa lavar
com meu próprio sangue se preciso for, a honra de um único brasileiro
que seja. E que este brasileiro entenda que isso me fez mais feliz, e
busque o mesmo para si. E apenas quando muitos filhos desta nação
enxergarem que mais compensa a morte digna que uma vida de humilhações
poderemos descansar nossas almas em berço esplêndido, guardados pela
verdadeira clava forte da justiça, erguida por um povo verdadeiramente
heróico.
Eduardo Seganfredo
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===== LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO & PARALELO (Vincent Kellers) ======
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IN MEMORIAN
Oi.
---
A noite de ontem foi muito fria. Muito frio mesmo. Fiquei deitado ali
naquele canto, tentando me esquentar, apenas observando a noite, já
que não havia nenhuma pessoa na rua. Como não havia nenhum lugar onde
pudesse me abrigar, o jeito era ficar quietinho e tremendo em meu
lugar, esperando que a noite terminasse.
Mesmo tremendo, por algumas horas dormi profundamente. Mas fui
acordado pelos gritos de dois homens que estavam do outro lado da rua.
Um deles gritava, assim como algumas vezes gritam comigo.
Não prestei muita atenção ao que acontecia do outro lado da rua, pois
estava com muito sono, e como não estavam gritando comigo, então
estava tudo bem. Ajeitei-me novamente e tentei voltar a dormir. Antes
que pudesse pegar no sono novamente, um barulho muito alto feriu meus
ouvidos, me deixando muito assustado.
O som veio do outro lado da rua. Um dos homens que lá estavam, agora
corria, e o outro estava deitado no chão. Meus olhos cansados já não
conseguiam ver aquele que saiu correndo quando me levantei.
Lentamente, e farejando o ar a cada passo, cheguei perto daquele homem
que estava deitado no chão.
Cachorro que sou, lambi seu rosto uma vez. Ele não fez nada. Não
gritou comigo, e nem me chutou, como quase todos fazem. Contente,
lambi seu rosto mais algumas vezes. E ele continuava imóvel. Cheirei
seu cabelo e enquanto cheirava suas mãos, senti que pisava em algo
quente. Era um líquido parecido com o meu sangue.
Receoso, fiquei algum tempo perto daquele homem. Talvez ele também não
tivesse onde ficar, assim como eu. Talvez eu pudesse passar a noite
com ele. Sim, talvez...
Acomodei-me perto dele. Seu calor era bom, e me manteve aquecido por
algum tempo. Adormeci. No meio da madrugada, quando acordei, embora o
homem continuasse ao meu lado, ele já não me esquentava mais.
Vincent Kellers
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========= O PLUS A MAIS DE HOJE (Giancarlo Panizzutti Lima) ==========
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ABAIXO OS ESTEREOTIPOS #2
Na edicao #14, eu falei sobre quadrinhos. E ainda tenho muita coisa
pra dizer.
Bom, se voce nao mudou de ideia sobre o assunto ainda...nunca eh
tarde! :)
E se voce acha que por serem feitos por americanos, os personagens de
quadrinhos ficam acenando a bandeira deles e dizendo como sao
perfeitos, se enganou de novo.
Primeiro: Nao sao soh americanos que trabalham nas editoras de
quadrinhos; roteiros e paginas viajam via FedEx para profissionais ao
redor do mundo inteiro, seja lah de qual pais. Segundo: gibis sao uma
critica social muito forte. Afinal, para se conseguir a autenticidade
tipica dos gibis eh preciso uma ambientacao e pesquisa sem falhas. E
por aih se ve que os americanos que salvam o mundo dos russos nos
filmes, nos gibis sao traficantes, pais irresponsaveis e assassinos
que se metem no governo dos outros e vendem armas aos proprios
inimigos. Soa familiar? Serah se eh porque gibis refletem a
*realidade* para chamar a atencao do leitor? Aposto que voce achava
que gibis sao para gente ingenua, escapista...
"Mas os personagens sao ficticios..." Acha que eu nao sei disso?
(Muuuito reais que sao os personagens de filme...) Mas as emocoes
sentidas por eles...mais autenticas, impossivel; afinal, como eu jah
falei, sao escritos por gente comum, como eu ou voce. E me responde
uma coisa: quando foi a ultima vez que voce conversou com seu cantor
ou atriz favoritos? Voce nao vai achar gente mais acessivel do que
profissionais dos quadrinhos, que disponibilizam enderecos para
contato, e ficarao felizes em receber criticas. E ainda por cima tem a
famosa "secao de cartas".
Voce eh dificil de satisfazer e acha que nao vai encontrar o que gosta
um gibi? Ainda acha que gibis sao simples? O que voce quer? Quer ver
algo perturbador? Em Hellspawn #1, um homem se masturba num cine porno
olhando para a propria filha que expulsou de casa anos antes. Quer
rir? Que tal ver as aventuras do deus do azar apos ser despejado do
ceu por falta de adoradores tendo que viver como um terrestre comum em
'Vext'? Quer chorar? Que tal ver um boxeador ser assassinado por ter
se recusado a entregar uma luta arranjada para ensinar ao unico filho
a nunca baixar a cabeca para a vida em 'Daredevil'? Quer tramas
politicas? Que tal ver politicos corruptos e ditadores numa teia de
intrigas envolvendo trafico de armas e drogas em 'Captain America &
Punisher: Blood & Glory'? Quer temais atuais e polemicos como AIDS
(Hulk #420), preconceito racial (Supergirl #23) e religioso (Batman
#551), homossexualismo ('Starman', 'Alpha Flight')? Esses sao apenas
exemplos, nao casos isolados.
Gibi tem de tudo um pouco para todos os gostos. Drama, romance,
comedia, acao... Me diga o que voce gosta e eu indico o gibi pra voce
na hora. Como eu sei que tem? *Nunca* subestime um gibi ou desenho
animado. (Ainda chego nesse topico!) Ainda nao se convenceu sobre os
'super'-herois? Tudo bem, nao sao a sua unica opcao; Existe muito
material legal das chamadas editoras 'independentes' com personagens e
estilos dos mais variados. Ateh mesmo dentro das editoras de
'super'-herois existem 'estilos literarios' variados. Veja por ai o
lirismo do 'Sandman'.
E nao eh soh dos EUA que sai gibi bom, nao: as melhores historias da
Disney ainda sao as brasileiras, sabia? Gibis italianos e espanhois
geralmente sao excelentes. E os japoneses...merecem um texto desses
dedicado exclusivamente a eles. "Mas os desenhos sao tao estranhos, ou
simplezinhos..." Bom, voce acabou de descrever o que passa por "arte"
hoje em dia. Mas, voltemos ao quadrinhos. Os desenhistas tem de manter
uma media mensal de paginas, daih vem a *estilizacao*.
Posso? Pois bem: estilizacao eh um sinonimo para abstracao, que
significa, basicamente retirar e/ou alterar elementos de um desenho
para melhor expressar a mensagem pretendida. Diminuir detalhes do
cenario para fazer a figura principal mais proeminente, criar
contrastes de claro-escuro, acentuar o movimento e as expressoes
faciais, definir um estilo que funcione como uma 'assinatura' do
artista. Eu podia ficar o resto da semana citando exemplos de angulos
de enquadramento psicologicos, 'storytelling', ambientacao, fluxo de
movimento...mas acho que basta dizer que assim como as palavras, cada
linha num desenho de um gibi tem a sua funcao planejada por um
profissional que sabe o que faz.
Nao me entendam mal: eu nao estou aqui para criticar ninguem, eu
tambem gosto dos meus filmes, dos meus seriados, etc., soh que eu nao
vejo ninguem se justificando por gostar do Spielberg ou da Madonna ou
de 'Friends', enquanto eu tenho que ficar aturando piadinhas e olhares
de desaprovacao e escrevendo esse texto na tentativa de mudar a
opiniao de uma pessoa que seja e explicar minunciosamente porque gosto
tanto de quadrinhos.
Mas se esse texto jah mudou um pouco o seu preconceito contra essa
midia tao discriminada como os quadrinhos...jah serviu pra alguma
coisa!
Bom, essa eh a *minha* opiniao. Posso estar errado.
Mas voce tambem.
Giancarlo Panizzutti Lima
"Stupid is not fighting. It's giving up."
Por Scott Lobdell, publicado em The Astonishing X-Men #2
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