Que dia é hoje? Domingo, 16 de setembro de 2001.
http://www.tresler.cjb.net
Olá! Está é a edição número 22 do nosso fanzine eletrônico. Espero que você
goste (ou não). Olha o que temos no menu de hoje:
1. Editorial (Daniel Wildt)
2. Pela Paz! (Ariadne Amantino - CARPE DIEM)
3. (Daniel Wildt - BORN TO BE WILDT)
4. Sementes bélicas (Eduardo Seganfredo - DE NOVO, PÔ!)
5. First Time (Vincent Kellers - LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO & PARALELO)
6. Qual é sua graça? (Marcelo Ferrari - O PLUS A MAIS DE HOJE)
7. Sobre terça (Diego Schultz Trein - FALANDO SÉRIO)
8. CRÉDITOS FINAIS
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======================== EDITORIAL (Daniel Wildt) =========================
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Boom! Alguém no rádio avisa sobre o ato de terrorismo ocorrido nos Estados
Unidos. É a era do terror que se inicia, como li em um outro ezine? Será?
Também morre quem atira como diz a versão do Rappa para Hey Joe. Então se
é assim, para que atirar primeiro? Para tentar matar alguém, mesmo
morrendo? Como a morte pode ser a salvação? Não estamos neste mundo para
provar alguma coisa? Qualquer um pode morrer, é a coisa mais fácil do
mundo. Agora, tente viver! Quero ver é viver, aguentar a pressão do
dia-a-dia, as crises financeiras, falta de grana generalizada no mundo e
tal. Isso é problema meu e é problema seu também, mas matar alguém não
ajuda em nada, nada. O jogo vai continuar, empresas de seguro irão falir,
outras irão aparecer, o mundo econômico vai continuar. Agora, vidas, muitas
dessas não continuarão. Nada. Tinham tudo e agora nada. Poderiam ter
fechado o negócio do ano, poderiam recém ter recebido a notícia de que
tinham ganho um filho, ganho na loteria, a confirmação de um amor, e agora
nada. Velórios de corpo ausente. Morte. Nada. Vazio. Nada.
Música da semana!
John Lenon - Imagine
Álbum da Semana!
John Coltrane - The best of John Coltrane
No Tresler de hoje, pensei até em escrever um Falando Sério, mas isso vou
deixar com um camarada, uma contribuição para o Tresler. No mais, tem gente
buscando o amor ideal, tem gente buscando paz, sementes, fé, calmantes,
amantes, beijos, traição, intriga e injeva, ira, preguiça, homens,
mulheres, guerra e graça.
Daniel Wildt
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====================== CARPE DIEM (Ariadne Amantino) ======================
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PELA PAZ!
Talvez alguns de vocês estejam esperando que eu escreva sobre os
acontecimentos da última terça-feira. Principalmente devido à minha
posição, trabalhando na ONU em Viena, imagino que alguns estejam se
perguntando o que eu sei que vocês não sabem. Na verdade nada!
Pensei em escrever sobre isso, mas não sou jornalista. Por outro lado,
talvez esse texto seja a forma de mostrar a uma pequena parte do mundo a
minha opinião e dar a minha humilde e sincera contribuição para a
manutenção da paz mundial.
Mas voltando aos jornalistas, me pareceu muitas vezes eles manipulam as
informações como se estivessem lidando com informações pura e simplesmente
e não com vidas de pessoas e emoções, sentimentos e conseqüências. Talvez
essa tenha sido uma das razões pelas quais não pude me tornar uma
jornalista. A maneira como as imagens foram usadas nos últimos dias para
mim foi algo um tanto sensacionalista, se é que se pode usar essa palavra
aqui. Um site na internet com as notícias dos últimos acontecimentos
mostra, desde terça-feira, incansavelmente a cena do avião se chocando
contra o World Trade Center. Um site que eu vi porque deve ter milhares de
outros com galerias de fotos e vídeos das cenas horríveis presenciadas pela
humanidade nessa semana. Um tanto sádica, na minha opinião, essa repetição
incansável do sofrimento de milhares de pessoas.
Narrar os fatos 24 horas por dia já é mais do que suficiente. Fazer disso
um show, uma exposição constante já é um pouco demais para mim. Aconteceu!
Foi uma tragédia! O mundo inteiro já está sabendo. Mas ajudem no que for
possível e no que não for, deixem as pessoas em paz com seus sofrimentos ao
invés de ficar fazendo pesquisas para saber quem quer vingança, quem acha
que vai começar a terceira guerra mundial e outras especulações sádicas
desse tipo.
Isso sem falar no desejo de vingança dos americanos! Vingaça contra quem?
Isso resolve alguma coisa? É dessa forma que se responde a algo ruim que
acontece com a gente? Pagando na mesma moeda? Na minha humilde opinião, o
que se precisa nessa hora é de solidariedade e união em prol da paz e
segurança do planeta e das pessaos que aqui vivem e não de vingança!
Acredito que vingança só pode gerar mais ódio e violência e causar a morte
de mais pessoas inocentes.
Enfim, para quem não queria falar no assunto, eu já fui bem longe. Para os
que ainda estão curiosos, eu não faço a menor idéia de que tipo de ações a
ONU está tomando em Viena. O que sei é que, na última quinta-feira à tarde,
em frente ao Sino da Paz aqui na ONU, foi feito um minuto de silêncio para
as vítmas dos ataques terroristas, com o objetivo também de oferecer apoio
e solidariedade às palavras do secretário geral da ONU, Kofi Annan: "No
just cause can be advanced by terror." Acredito, pois não sou jornalista e
meus textos são baseados apenas no que observo, que a ONU em Viena parou
totalmente por aquels minutos em que se pedia paz no mundo. Solidariedade
era tudo que estávamos prestando naqueles minutos. E acredito que a única
forma de fazer um mundo melhor e tentar lutar contra qualquer tipo de
violência é através da união em favor da paz mundial.
Ariadne Amantino
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===================== BORN TO BE WILDT (Daniel Wildt) =====================
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EM BUSCA DE UM AMOR
Na rua Vicente andava olhando para os lados, pensando onde poderia
encontrar um coração para morar, onde poderia ser feliz. Procurava um amor,
não como os de cinema, pois eles acabam junto com o filme, mas procurava
algo mágico, estava em busca de emoções. Procurava um amor de cinema, mas
que não acabasse com o final de um filme, enfim.
De tando andar sem paradeiro, seu pensamento o levou para a porta de casa.
Vicente entra sem saber muito o que estava fazendo.
- Onde estavas?, pergunta dona marta, mãe de vicente.
- Mãe, quero amar!, Vicente responde, meio se esquecendo que não costumava
conversar sobre amor com sua mãe.
- Como assim meu filho?, responde a mãe, tentando de alguma maneira
entender seu filho.
- Não tu mãe, nem o pai, nem ninguém da família. Quero um amor de verdade,
para sempre!
- Ah meu filho, isso só no momento certo. A vida sempre acerta. É só
esperar a tua hora.
Vicente saiu da cozinha sem saber para onde ir. Para o seu quarto ouvir
música ou para a sala, ouvir música. Foi para seu quarto, seu canto.
Olhando para a parede procurava algo que o entretesse, CDs nas prateleiras,
livros na mesa, fotos no armário, nada. O que ele queria não estava ali,
nem em nenhum lugar da sua casa... estava em algum lugar do mundo e Vicente
precisava encontrar.
Sempre em busca do amor, Vicente era sabedor da teoria de expectativas
furadas. Sempre amou alguém, as vezes de mais e as vezes de menos. Vicente
nas suas orações sempre pedia ao ser superior, alguém que o amasse com a
mesma intensidade. Buscava um amor equilibrado, sincero e para sempre.
Normalmente cultivava sofrimento com o fim dos namoros, mas não por muito
tempo pois a busca pelo amor não poderia parar.
Sua última namorada era muito ciumenta, e Vicente não conseguiu aguentar as
sanções de Aline. Deu adeus a este amor quando o mesmo o colocou a prova.
Aline tinha uma amiga que estava vindo para a cidade, e ficou de levar a
amiga na casa de Vicente para ele poder conhecer uma grande amiga sua.
- Vicente, esta é a Adriana que te falei, lembra?
- Lembro sim, como vai?
- Muito bem... muito prazer!
- Prazer é meu... (que mulher linda!)
- Ai meu Deus!, grita Aline com uma voz aflita.
- O que houve?, indagou Vicente já olhando para os lados procurando algo
errado.
- Esqueci de pegar uma coisa antes de sair de casa!, falou Aline.
- Vou ir lá em casa pegar e já volto, ok?
- Tudo bem, sem problemas.
A casa de Aline ficava duas quadras da casa de Vicente, que serviu um copo
de refresco para a menina que recém tinha conhecido. Levou então Adriana
para a sala, a fim de tornar a visita mais formal. Poderiam conversar sobre
o que tinham em comum até o momento, Aline. Conversa vai, conversa vem,
Adriana comentou sobre a coleção de CDs de Vicente, pois Aline tinha
comentado com a amiga. Isso fez com que Vicente levasse a menina até o seu
quarto.
Segundo algumas teorias, depois que se começa uma conversa e o objeto A,
possivelmente desejado, oferece uma certa atração para o objeto B e o
objeto B, que deseja "conquistar" algo, conseguir movimentar o objeto A
para outro local, se tem então um cenário montado, permitindo então que se
passe para a fase seguinte que é quando dar o primeiro bote ou soltar as
iscas, como se preferir. Claro que isso não passava pela cabeça de Vicente,
pelo menos não pela que tinha um cérebro dentro.
- Nossa, estou espantada!, disse a menina, vendo a parede estampada de CDs
no quarto de Vicente.
- É, isso foi juntado ao longo do tempo e também por ficar procurando em
lojas do centro, diz Vicente com um ar de superioridade.
- Nossa, quantas bandas que eu nunca ouvi falar!, fala a menina querendo
papo.
- É..., fala Vicente olhando para o corpo da menina por uma visão
interessante.
Aline simplesmente saiu do mapa e os dois ficaram conversando por uma,
duas, três horas. Lá pela quarta hora, Vicente pensou que algo faltava
naquele ambiente, e se lembrou da namorada.
- E a Aline? Onde será que está ela?
- Não posso mais mentir para você. Eu não vim de outra cidade.
- Humm... como assim?
- Eu sou amiga de Aline e eu teria que fazer você me beijar, pois assim
Aline poderia dizer que tem razão dos ciúmes, pois você iria se render
a tentação do meu beijo.
- Ãhn... ãhn... ãhn... ãhn... ãhn... ãhn... hein?
- É, eu tinha que falar isso. Aline está ali na rua, esperando eu gritar
NÃO, PARA, EU NÃO QUERO!!
Exatamente neste momento Aline aparece no quarto, abrindo a porta com muita
força, fazendo com que esta batesse em uma prateleira de Vicente e fizesse
com que parte de sua coleção de CDs de Jazz caísse no chão.
- O que está acontecendo aqui!, pergunta Aline, esperando que Vicente
estivesse com cara de assustado, mas ele não está.
- Ãhn... ãhn... ãhn... ãhn... ãhn... ãhn... hein?, é a única coisa que
Vicente consegue falar.
- Seu cafajeste!, eu sabia que você era um safado!!, diz Aline achando que
a amiga tinha seguido a risca o que foi combinado.
- Aline, não! Eu não consegui fazer! Ele é bom demais para você!, é o que
Adriana responde para a amiga, deixando o quarto e a casa de Vicente.
- Ãhncabou! Saiãhnagora!! Sai!
Vicente sente ira. Sente vontade de sair correndo. Vontade de chorar.
Vontade de virar astronauta e entrar em órbita por tempo indeterminado.
Quer sair dali, ou melhor, quer que Aline saia dali, para sempre.
- Não fica chateado, por favor! Não era para ficares chateado! Não me
deixa!
- Eu não vou te deixar. Você já me deixou quando saiu daqui de casa pela
primeira vez.
- ... anda! Sai daqui!
A porta foi o caminho para Aline, que algum tempo depois se mudou, indo
morar com uma avó no interior. Vicente ficou algum tempo mal, pensando que
poderia ter sido diferente, que se ela tivesse ouvido um pouco, se ela
tivesse entendido alguma coisa que ele dizia nas declarações, nas suas
juras de amor. Este ciúme doentio representava nada mais que falta de
confiança, talvez porque Aline já tivesse sido traída anteriormente, ou
porque traía com facilidade, e sendo assim achava que Vicente merecia
aquele cuidado todo. Nada, nada mudaria aquilo. Foi forte demais.
- Filho!
- Filho, acorda!
- Filho, anda, acorda!!
- Ãhn... que foi mãe!?
- Tem uma menina aí te procurando.
Ao chegar na sala, ninguém. Vicente chama a mãe, mas ao se virar vê que a
porta está aberta. Ao chegar na porta, vê uma menina virando a esquina. Na
porta de casa um bilhete no chão.
"Me encontre no novo parque. Leve uma rosa."
Aquilo não poderia estar acontecendo. Quem? Onde?
Vicente corre em direção ao tal parque, que ficava na rua atrás da sua
casa. Por sorte, uma floricultura no meio da quadra facilita a sua vida.
Vicente compra a rosa, a mais bonita de todas. Vai para o parque sem saber
o que deve procurar. Chegando lá, teve um pensamento infeliz, pensando que
quem poderia estar ali era Aline, sua ex-namorada. Ele não queria ver
aquela menina. Desde aquele dia, o do teste, Vicente não ficava com alguém.
Resolveu ir embora. Quando se virou, ele viu.
- Oi! Lembra de mim?, a menina perguntou se ele se lembrava dela.
- O... O... Oi! Tudo bem com você, Adriana?, pergunta Vicente, sem
acreditar como era linda.
- Para quem é?
- Para você, gostou?
- Gostei sim. Adorei! É linda!
- Você é linda! Quer ir para algum lugar conversar?
- Quero sim.
Saíram do parque. Até hoje vivem felizes, vivendo um amor com a mesma
intensidade. Se completam. Vicente encontrou a paz que tanto procurava.
De trás de uma moita aparece Aline, que estava esperando Vicente, com a
rosa que ela mesmo pediu para ele comprar. Agora ela aprendia um pouco na
pele sobre os ensinamentos que o próprio Vicente ensinou uma vez para ela,
sobre expectativas furadas.
Daniel Wildt
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==================== DE NOVO, PÔ! (Eduardo Seganfredo) ====================
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SEMENTES BÉLICAS
- Não!!! Acaso achas que com uma só semente terás uma colheita?! Pensas que
isto é solução para alguma coisa?! Então aplaca esta tua ira e recupera a
calma. Deste jeito não vamos conseguir nada. É exatamente isso que eles
estão querendo. Eles são mais fortes, mais ricos. E estão mais preparados
agora. Devemos nos preparar também. Se nos precipitarmos acabaremos como
sua mãe e seu irmão. - ponderou o homem contendo o rapaz que completamente
transtornado procurava um meio para vingar a tragédia. Ao redor, pessoas em
estado de choque tentavam localizar suas casas, ou o que restara delas.
Sobre uma pilha de escombros, uma mulher tentava desesperadamente remover
com as próprias mãos os destroços de sua casa, provavelmente em busca de
seus filhos soterrados. O garoto retrucou:
- Mas pai! Isto não é justo! Não está certo! Isso não pode ficar assim.Olha
em volta. Olha esse caos todo em nossa rua. Não foi só a mãe e o mano que
morreram. Foram nossos vizinhos, foram nossos amigos. Foi a nossa nação,
nossa gente, nosso povo... Eles estão despedaçados. Despedaçados,
entendeu?!! - replicou o jovem com visível desespero brotando em forma de
lágrimas em seus olhos. Introvertendo sua dor, prosseguiu mais calmamente:
-Eu não entendo como podes manter a calma em meio a esse mar de destruição.
Não temos mais casa, não temos mais nada! NADA!!! Que me importa morrer
agora? De que adianta viver com esta sensação de impotência, de derrota, de
humilhação. Pai, eu não nasci pra ser escravo. Muito menos para ser escravo
dessa dor. Eu não adimito ser subjugado por essa gente covarde que vem de
tão longe para ceifar nossas famílias e destruir nossas vidas.
- Eu sei meu filho, eu sei. Mas isto é uma guerra que vai muito além da
nossa compreensão. Como você mesmo disse, nós não somos os únicos a sofrer
com isso. Seria muito melhor se isso jamais tivesse começado. Mas nosso
papel agora é nos resignarmos a reconstruir nossas vidas.
- Não! Eu não posso. Eu não consigo aceitar isso. E não quero aceitar! Como
poderia eu aceitar que nossas vidas, nosso esforço, tudo que construímos e
conquistamos com suor fiquem a mercê de gente sem escrúpulos? Gente
arrogante. Eu nunca vou aceitar isso. - esbravejou o rapaz, procurando
tirar da mente as cenas da desgraça para pensar em uma reação. Caminhando
por entre os destroços das casas, continuou:
- Pai. Eu juro que isto não vai ficar assim. Eu sei que o tempo passa e que
as coisas mudam. E que o que hoje é forte, amanhã pode não ser. Assim como
o deserto, que é quente de dia e frio à noite, as nações também mudam
conforme a terra se mexe. E eu não esquecerei por um dia sequer do que
aconteceu aqui hoje. E cada minuto da minha vida de agora em diante terá o
objetivo único de vingança. Não descansarei enquanto não tiver a plena
certeza de que algo está sendo feito para nos libertar desta dor. Eu juro.
- arrematou em tom profético.
Apesar do conteúdo das palavras do filho, seu pai assentiu positivamente
com a cabeça, imaginando que aquela era apenas uma forma que o jovem
encontrara de aplacar seu próprio sofrimento e que desapareceria com o
passar do tempo. E manteve-se acreditando nisso mesmo quando o rapaz fez
questão de carregar consigo um pedaço de metal que encontrou no chão. Mesmo
chamuscado, era possível ver o desenho de uma estrela de 6 pontas ao lado
de listras brancas e vermelhas com um quadrado azul no canto superior
esquerdo. Provavelmente parte de um dos mísseis que atingiram o bairro
naquela manhã.
Somente 14 anos mais tarde, quando um terrível atentado abalou Nova York e
o mundo é que ele perceberia o quanto tinha se enganado sobre a
determinação do filho.
*** Obs: o texto acima não expressa a opinião do autor sobre a tragédia que
abalou os EUA. Eu condeno o terrorismo sob todas as suas formas, e lamento
muito pelas milhares de vítimas inocentes que perderam suas vidas no
incidente.
Cena da semana
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Obviamente, a cena da semana não fica por conta de filme algum. Afinal, o
acontecimento de Nova York ofuscou qualquer cena que o cinema já produziu.
Depois da última terça, "Carlos, o chacal" passou a ser "Carlos, o
cachorrinho".
Eduardo Seganfredo
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======== LINHAS DE PENSAMENTO CAÓTICO & PARALELO (Vincent Kellers) ========
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FIRST TIME
First time I thought about it, I felt sick.
So many people trying to convince others about heaven and all that stuff.
People trying to break others beliefs thru pure and simple faith. No
reason, no science. Just pure pain and physical strength.
But as soon as I took some lithium pills the illness disappeared.
Everything was back to normal: people destroying the world right before my
eyes, people tearing their own lives apart right before the crying eyes of
the kids, animals being hunted down due to the arrogance of some of our
companion.
My head started spinning again and I turned up the volume of the radio, so
I could say to myself 'hey, everything will be okay, we'll work this out
just like we did in the good times', just like she used to do. But the
radio yelled at me again, trying to warn about things that I couldn't
understand. It said that our minds were being kinda... y'know, clouded by
someone or something I couldn't hear the name.
I turn off the God damn radio, so I can hear the quiet disaster of the
world while I rest for a while. Yes, suddenly I feel so tired. I don't know
if I want to ever get up again. Feels like I've been hit. My bones are
crushed. Everything about me is wrong. Every single thing around my
bleeding body has a quiet chemical warning about the impeding doom that
looms about our lives.
I crawl on the floor, trying to feel the light of the sun, but there's no
sun in the red sky. No moon nor stars. Suddenly I realize that the ceiling
of the house is torn apart and I am looking directly to the place where the
sky used to be. Where the stars went to? I think that they went here, right
in my pocket, in this little, shiny and blessed glass of pills.
How could I know, but salvation is right here! A whole world of bliss and
delight is right here. In truth, I'm holding it in my hand. It's incredibly
heavy, it takes a lot of my concentration to take another pill and swallow
it. I smell burnt hair and flesh all around. At last, the pill burns my
flesh, burns the entire world, and I'm ashes again.
There.
Everything will be okay. Just like we used to do, we worked this out, huh?
Now get up, wash your sleepy face and get ready (it feels like I've heard
someone else saying this). It's a brand new day and the sun is shining out
there.
Oh joy.
V.
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================= O PLUS A MAIS DE HOJE (Marcelo Ferrari) =================
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QUAL É SUA GRAÇA?
A moça era um espelho zen. Devolvia minhas perguntas com outras.
Parti para um beijo fingido, ela se esquivou. Aparentemente, não se
relacionava com aparências.
Ficamos calados.
“Santa Virgem!” pensei “Essa ai não está nada interessada em satisfazer
minhas necessidades doentias.”
Até hoje não sei bem porque deu certo, nem se deu certo, mas depois de
algumas semanas, Graça me beijou como ninguém.
Só uma mulher iluminada, poderia produzir um beijo daqueles. Na medida
certa, sem derramar.
Graça não mendigava amor, não dependia dele. Mas quando seu corpo
arrepiava, não se reprimia, pulava no meu colo, roçava-me a nuca, e soltava
um sussurro tão íntimo e profundo que... Ave Maria!!!
Não reclama. Se discordava de algo, se afastava vagarosamente como o
ponteiro das horas.
Acho que foi isto!
Ou então, aquele apelido ridículo que lhe dei...
Marcelo Ferrari
Do Livro “Entre uma Sabonetada e Outra” de Marcelo Ferrari.
Reprodução Permitida Pelo Autor.
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=================== FALANDO SÉRIO (Diego Schultz Trein) ===================
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SOBRE TERÇA
Não gosto de ser comum. Mas gosto de ser aceito na sociedade. É mais fácil
aceitarmos as coisas comuns, por isso eu tento ser diferente, mas não
demais. Hoje vou ter que ser comum e escrever sobre o que todos no mundo
estao escrevendo. O atentado aos EUA.
Eu quero falar um pouco do outro lado. Para nós é muito simples generalizar
e culpar todos no Oriente Médio ou sul da Ásia por esses atentados. Isso
nao é certo. Os terroristas são, em sua maioria, fanáticos, dispostos a
morrer pela sua causa. Entretanto, no Paquistão, Afeganistão e outros
países, existem pessoas boas. Pessoas que não querem violência, nao querem
o terror dos atentados ou de uma guerra, pessoas que não estão dispostas a
morrer por uma causa que só traz mortes e tristeza. Eles são diferentes,
muito diferentes de nós: Religião, ideais, objetivos, comportamento. Mas
são pessoas que trabalham para sustentar a sua familia, se divertem com
seus filhos, passeiam com os amigos, fazem coisas que nós fazemos. Vivem.
Assim como nós. Nao é justo queremos dirigir nosso ódio, nossa vingança,
contra essas pessoas, só pelo fato de elas seguirem a mesma religião que os
terroristas. Ou pelo fato de serem cidadãs do mesmo país. Ou ainda pelo
fato de elas se vestirem de maneira semelhante, perante nossos olhos. Elas
são diferentes de nós, por isso não são aceitas. Elas são "parecidas" com
os terroristas, por isso são hostilizadas.
O povo que vive nesses países sofre muito. Sofre com a ameaça constante de
ser bombardeado e varrido do mapa por um país "civilizado". Sofre com os
terroristas, que discriminam os que não apoiam sua causa. Sofrem com o medo
diário de bombas e explosões das grupos extremistas. Na Guerra do Golfo, os
EUA mataram milhares de civis inocentes. Me lembro que a todo momento vinha
uma notícia que eles tinham errado o alvo e acertado uma escola, um
condomínio, um hospital, derrubaram um avião de passageiros achando que era
um avião de guerra. Mas a repercussão não era um décimo da repercussão que
teve o atentado em NY. Eu sei que aquilo era uma guerra, que a situação era
diferente. Mas não senti a mínima comoção das pessoas ao meu redor com os
civis mortos nos bombardeios americanos. Não estou querendo defender um
lado ou o outro, estou apenas querendo transmitir uma mensagem: A triste
verdade é que o pior é sempre enfrentado pelo povo. Os culpados, os
criminosos, os terroristas, fogem, se escondem e quem sofre as represálias
é o povo. Eu li que estão atirando pedras em mesquitas e sendo hostis com
os muçulmanos. Aqui tem muitos muçulmanos. Quando eu vi um ontem, com
aquelas roupas iguais que eles usam e aquele turbante na cabeca,
instintivamente eu senti um pouco de raiva, ódio, alguma coisa ruim. Me
senti com vontade de pará-lo e perguntar simplesmente: "Por que?". Ele me
olhou nos olhos, por poucos instantes, mas deu para eu sentir que ele
estava assustado, com medo, e que não tinha culpa do que aconteceu. Foi
estranho, mas bonito. Alguma coisa mudou dentro de mim, minha indignação
deu lugar a um sentimento de culpa pela minha atitude e uma vontade de sair
gritando para todo mundo que o povo não tem culpa. Sei que minhas palavras
não vão ter em vocês o mesmo efeito que o olhar daquele muçulmano teve em
mim, mas estou escrevendo apenas para tentar conscientizar o máximo
possível de pessoas sobre uma coisa: Não podemos generalizar.
Diego Schultz Trein
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