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Carolina Ferraz

Atriz - Abril 2001

Geniosa

Carolina Ferraz, que interpreta a "perua" Vanessa em "Estrela-Guia", não quer intriga com colegas e vive fase feliz

[Fonte - TV Press]

Turrona, geniosa e de personalidade forte. Estes são alguns dos adjetivos freqüentemente associados a Carolina Ferraz. A atriz não renega nenhum deles, mas admite que gostaria de se livrar do estigma de difícil e temperamental. Em Pecado Capital, a atriz teria causado mal-estar nas gravações por se recusar a beijar o ator Francisco Cuoco. Antes de Estrela-Guia estrear, rumores insinuavam que Carolina estaria indignada com as regalias desfrutadas por Sandy. Entre uma baforada e outra de cigarro, a atriz evita comentar dissabores passados, mas ressalta que atravessa uma das fases mais tranqüilas da carreira. "Não quero criar problemas com ninguém. Quero apenas acertar a minha vida", desabafa.

A fase tranqüila da carreira se deve a Estrela-Guia. Na trama de Ana Maria Moretzsohn, a atriz interpreta o primeiro papel cômico da carreira. Segundo ela, Vanessa não passa de uma perua que não pensa em outra coisa se não afastar o ex-namorado Tony, interpretado por Guilherme Fontes, da doce Cristal, vivida por Sandy. A antagonista de Estrela-Guia marca o retorno de Carolina à tevê depois de quase dois anos. O último trabalho da atriz foi a Lucinha, de Pecado Capital. "Não quero ter a imagem desgastada pelo vídeo. Já imaginou quando o público começar a reclamar: 'Ah, meu Deus, lá vem aquela mulher de novo...'", brinca, soltando mais uma de suas gostosas gargalhadas.

No tempo em que esteve longe do vídeo, Carolina aproveitou para diversificar a área de atuação. No cinema, protagonizou Mater Dei, de Vinícius Mainardi, e Amores Possíveis, de Sandra Werneck, no qual contracena com o namorado, o ator Murilo Benício. No teatro, encenou a peça Honra, de Celso Nunes, ao lado de Regina e Gabriela Duarte. Além disso, Carolina retomou a faculdade de História e voltou a produzir um documentário para a GNT. Bem-humorada, a atriz reconhece que a filha Valentina, de seis anos, exerceu papel importante em sua volta à tevê. "Ela só ficou preocupada quando soube que eu ia perseguir a pobrezinha da Sandy por não sei quantos capítulos. Tive de explicar que era tudo de mentirinha...", diverte-se.

P - O que você achou das insinuações de que o elenco de Estrela-Guia estaria indignado com as regalias de Sandy na novela?

R - Achei um absurdo. Por parte do elenco, não houve indignação nenhuma. Li, inclusive, algumas declarações minhas na imprensa sobre o caso. O pior é que nunca falei nada sobre isso com ninguém. Você é a primeira pessoa que me pergunta sobre este assunto. Quando alguém fala algo ruim de você, mas é verdade, você não tem nada a fazer senão ficar chateado. Mas quando inventam alguma história a seu respeito, a coisa fica esquisita. Acho um absurdo tentarem jogar o elenco contra a Sandy. Ela é uma pessoa muito profissional e equilibrada.

P - É verdade que sua filha, a Valentina, tentou persuadi-la a aceitar o papel só para trabalhar ao lado da Sandy?

R - De fato, a Valentina é uma fã declarada da Sandy. Mas ela não é a única. Eu também sou. Já fomos a vários show de Sandy e Júnior. Sei até cantar algumas músicas de cor. Mas ela não interferiu na minha decisão de fazer ou não a novela. A Valentina ficou feliz quando eu disse que ia fazer Estrela-Guia. Mas ficou preocupada também quando soube que a mãe ia passar não sei quantos capítulos perseguindo a pobrezinha da Sandy: "Puxa, mamãe, por quê?". Ela ainda não consegue entender certas coisas. Mas, logo em seguida, justificou: "Mas ela também vai roubar seu namorado, não é mesmo?". Ela estava louca para justificar as maldades que eu estava fazendo contra a Sandy.

P - Qual é a expectativa de vir a ser odiada por uma legião de admiradores da Sandy?

R - As expectativas são grandes. Como atriz, não tenho qualquer preocupação moral na hora de interpretar meus personagens. Se tiver de fazer uma perua, vou fazer a pior perua que já existiu na face da Terra. Se tiver de fazer uma mau-caráter, vou fazer a pior de todas. Não dá para ter pudores. Nas ruas, as pessoas dizem que gostam da Vanessa. Algumas chegam a brincar: "Nossa, como essa Vanessa é chata, hein?". As pessoas morrem de rir com ela.

P - O que a tresloucada Vanessa tem de novo a acrescentar na sua carreira?

R - A Vanessa está me dando a oportunidade de fazer uma vilã, segundo a própria autora, muito mal-sucedida. Todas as maldades dela são mal-sucedidas. Ninguém dá muita bola para ela. A própria Lília Cabral interpreta uma vilã cômica na novela. Mas não dá para levar aquelas duas a sério. Fico feliz com a idéia de fazer humor na tevê. É uma faceta do meu trabalho que eu gostaria de poder explorar outras vezes. É bom quando você se diverte trabalhando. Nas gravações, tenho rido muito. E você sabe que a cena é boa quando termina de gravar e a produção cai na gargalhada. Se a produção achou graça, o público também vai achar...

P - Você vê alguma semelhança entre a Vanessa e a Paula, de História de Amor?

R - As duas foram largadas pelo namorado. Nenhuma delas se conforma com o fora que levou. O tom da Vanessa está mais para comédia romântica do que para humor escrachado. Gosto de aproveitar quando tais oportunidades surgem na minha vida. A Vanessa é aparentemente mais sofisticada e elegante que a Paula. Mas só aparentemente... Poucas vezes, vi alguém tão mal-educada quanto ela. Ela diz umas coisas absolutamente horrendas. Mas também ouve alguns absurdos de vez em quando. Bem-feito para ela!

P - E por falar em absurdo, você não acha absurda a hipótese do Tony trocar uma mulher sofisticada como a Vanessa por uma riponga como a Cristal?

R - Não sei. No amor, nada é impossível. Não dá para buscar realidade numa obra de ficção. Não fico questionando a autora. Estou aqui para fazer o meu trabalho da maneira mais verdadeira possível. A Ana tem um texto bacana, os diálogos são engraçados... Em suma: não tenho do que reclamar. Ou, como dizem por aí, a novela está "redondinha". Estrela-Guia foi feita para as pessoas se divertirem. Não é uma novela que se propõe a fazer questionamentos sociais, políticos ou culturais. É uma novela de entretenimento da melhor qualidade.

P - Isso sem falar que Estrela-Guia não deve ultrapassar os 83 capítulos...

R - Pois é. Estou adorando isso. Isso, aliás, é o melhor de tudo. É bom para quem faz e bom para quem assiste. Essa novela não vai ter aquela famosa "barriga" que as pessoas já estão acostumadas a ver. Os próprios atores chegam a um ponto da novela que dizem: "Ih, agora começou a enrolação...". Mas isso é inevitável quando o autor tem um volume de trabalho muito grande e 180 capítulos pela frente. Já Estrela-Guia é diferente. Todo dia tem alguma coisa acontecendo...

P - O seu último trabalho na Globo foi a Lucinha de Pecado Capital. Por que você ficou quase dois anos sem fazer novelas?

R - Mas já faz tudo isso? Puxa, nem parece que já passou tanto tempo assim... Olha, não quero ter a imagem desgastada pelo vídeo. Só tive 40 dias de intervalo entre Por Amor e Pecado Capital. Gosto de equilibrar as coisas. Se emendei um trabalho no outro, achei melhor dar um tempo desta vez. O ideal é poder se reciclar. Neste meio tempo, fiz teatro, filmei dois longas-metragens, comecei a produzir um documentário para a GNT... Só não apareci na tevê. Mas continuei fazendo um milhão de outras coisas.

P - Você foi convidada para fazer a Capitu de "Laços de Família". Você se arrepende por não ter aceito o papel?

R - Sou fã de carteirinha do Manoel Carlos. Qualquer novela dele é sempre irrecusável para mim. Temos muitas afinidades. É um sujeito ético, centrado, bom caráter. Mas não costumo me arrepender do que não faço. Foi uma opção minha. Além disso, a Giovanna Antonelli mandou muito bem.

P - Falou-se muito que você estaria "na geladeira da Globo" por ter se recusado a beijar o ator Francisco Cuoco em Pecado Capital. O que pensa disso?

R - Honestamente, respeito muito a carreira do Francisco Cuoco, mas não tenho nada a falar sobre ele. Queria apenas me livrar deste estigma de pessoa turrona e geniosa. Não sou uma pessoa difícil ou intransigente. Muito pelo contrário. Sou uma colega de trabalho extremamente leal e respeitosa. Jamais faltei com o respeito com quem quer que estivesse trabalhando comigo. Honestamente, não sei o porquê desta fama. Atualmente, quero apenas mostrar para o público que sou uma profissional séria, que estou a fim de trabalhar e fazer as coisas acontecerem da melhor maneira possível.

P - Mas, se você não é turrona e geniosa como dizem, como você se definiria?

R - O que eu posso dizer é que sou uma pessoa de muita ética. Jamais falei mal de ninguém. Não acho que esta seja a minha função. As pessoas sempre esperam algo negativo de mim. No entanto, estou numa fase muito boa da minha vida. Quero fazer as pazes com o mundo. Quando você se separa depois de muito tempo casada, se vê numa situação difícil. Foi mais difícil ainda ter a minha privacidade explorada pela mídia. Não quero criar problemas com ninguém. Quero apenas acertar minha vida. Conhece aquela música "Quem quiser ter um amigo que me dê a mão..."? Pois é. É assim que eu me sinto no momento.


Estrela coagida

A atriz Carolina Ferraz nunca pensou em ser atriz. Na tevê, ela começou como apresentadora do programa Shock, da extinta Manchete, depois de dar aulas de balé para crianças. A estréia como atriz, segundo ela, foi casual. O diretor de teledramaturgia da emissora, Jayme Monjardim, vivia insistindo para que Carolina fizesse alguma novela. A moça, no entanto, permanecia irredutível. Um dia, Jayme não teve outra saída senão ameaçá-la: ou Carolina faria novela ou seria demitida da Manchete. Assustada, ela acabou participando da primeira fase de Pantanal. "Tudo não passou de uma brincadeira do Jayme, mas ele acabou me convencendo na marra", ri.

Mesmo relutante, Carolina gostou da experiência. Gostou tanto que voltou a repeti-la em sete outras produções, todas na Globo. A estréia na nova emissora aconteceu em O Mapa da Mina, a última novela de Cassiano Gabus Mendes. Desde então, só assumiu tipos marcantes, como a neurótica Paula, de História de Amor, e a fogosa Milena, de Por Amor. Paralelamente à carreira de atriz, Carolina desenvolveu a de produtora. Há 3 anos, produziu a série Mulher Invisível para a GNT, canal por assinatura da Globosat. Até o final do ano, planeja estrear Homem, a versão masculina do documentário. “Quero traçar um retrato do homem contemporâneo”, ambiciona.

A série Homem dá continuidade ao que Carolina convencionou chamar de "a trilogia dos documentários". Se repetir o sucesso do original, o segundo programa vai ser exibido em 21 episódios. No ano que vem, ela produz o terceiro programa da série, dedicado a gays, lésbicas e simpatizantes. Para embasar tais pesquisas, Carolina retomou a faculdade de História. Ela já havia feito o curso na USP, mas teve de trancá-lo quando estreou na Manchete. Hoje, cursa duas matérias - História das Religiões e Idade Média - na PUC do Rio. "Gosto de entender o que acontece ao meu redor. Além disso, é bom conviver com gente jovem. É como se estivesse começando do zero", frisa.


Cinema em casa

A estréia de Carolina Ferraz no cinema foi tão discreta que nem ela se lembra mais. Em 1994, a atriz participou de Alma Corsária, de Carlos Reichenbach, eleito melhor filme no Festival de Brasília daquele ano. No ano passado, Carolina aproveitou para recuperar o tempo perdido: atuou em Mater Dei, de Vinícius Mainardi, e Amores Possíveis, de Sandra Werneck. No segundo, fez par romântico com o atual namorado, o ator Murilo Benício. Os dois se conheceram nas gravações de Por Amor: ele fez o apático Leonardo e ela, sua irmã Milena. "Fiquei receosa de contracenar com o Murilo. Achei que não daria certo. Graças a Deus, tudo funcionou direitinho", suspira.

No filme, Carolina interpreta Júlia em três diferentes histórias de amor vividas por Carlos, personagem de Murilo Benício. A história começa quando Júlia não comparece a um compromisso com Carlos e os dois nunca mais se vêem. Quinze anos depois, três Carlos vivem diferentes histórias. Durante as filmagens, Carolina se recusou a tirar a roupa nas cenas mais ousadas. Embora garanta que não vê problema em fazer toda e qualquer cena, ressalva que não queria se expor desnecessariamente. Por fim, atriz e diretora chegaram a um consenso. Sandra se limitou a filmar braços, pernas e mãos, sem se ater a detalhes como peitos e bundas. "O resultado ficou ótimo", arrisca.

A parceria firmada entre Carolina e Murilo não vai se resumir a um filme apenas. O ator já adquiriu os direitos de O Beijo no Asfalto, texto de Nélson Rodrigues que já ganhou as telas de cinema em 1981, pelas mãos de Bruno Barreto. Numa autêntica empreitada familiar, Carolina já terminou de escrever o roteiro e Murilo se ofereceu para dirigi-lo. A atriz enfatiza que só se aventurou a adaptar Um Beijo no Asfalto para encorajar o namorado a levar o projeto adiante. Segundo ela, as filmagens devem começar em dezembro deste ano. "Costumo dizer que o Murilo é o homem dos projetos. Ele tem sempre um na cabeça, todos eles ótimos e mirabolantes", derrama-se.