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Deborah Secco

Atriz - Novembro 2000

A Doce Lolita

Apesar da pouca idade, Deborah Secco já sonha em fazer da Íris um papel tão memorável quanto a Maria de Fátima, em "Vale Tudo"

[Fonte - TV Press]

A atriz Deborah Secco é o paradoxo em pessoa. Aos 20 anos, ela consegue alternar momentos de profunda maturidade com outros de infantilidade explícita. Há dois anos, pediu à mãe para ser emancipada. O ato conferiu à moça a autonomia necessária para abrir e fechar contas bancárias e realizar transações imobiliárias sem assinatura dos responsáveis. Essa jovem emancipada, no entanto, ainda cultiva hábitos típicos da infância, como usar calcinhas de criança, ter medo de trovão e dançar na frente do espelho. "Minha irmã faz isso até hoje. É uma forma de nos conhecermos melhor. Nunca dancei em boate, mas passei a adolescência na frente do espelho", recorda. Foi justamente fazendo caras e bocas na frente do espelho que Deborah Secco voltou a mexer com o imaginário masculino em "Laços de Família". Ela já tinha causado alvoroço semelhante em "Suave Veneno", quando interpretou a sensual Marina. Longe das câmaras de tevê, Deborah Secco não se considera tão arrebatadora quanto as personagens que interpreta. Muito pelo contrário. Tímida contumaz, ela teve de assistir ao filme "Lolita", de Adrian Lyne, repetidas vezes até assimilar o jeito espevitado da ninfeta da novela das oito. "Conheço várias Íris. Algumas delas são, inclusive, da minha família. Mas não digo quem são!", brinca. O convite para interpretar Íris surgiu muito antes de Deborah Secco se destacar em "Suave Veneno". A atriz ainda estava fazendo a recatada Emília, de "Era Uma Vez...", quando recebeu um telefonema do autor Manoel Carlos prometendo que, um dia, escreveria um papel especialmente para ela. A promessa se tornou realidade em "Laços de Família". Hoje, Deborah não se controla e liga para o autor sempre que lê alguma boa cena da personagem. Apesar da pouca idade, Deborah já sonha em fazer da Íris um papel tão memorável quanto a Maria de Fátima, papel de Glória Pires em "Vale Tudo". "Fazer vilã é o sonho de toda atriz. E se a Íris chegar aos pés da Maria de Fátima, serei a atriz mais feliz do mundo", exagera.

P - Que avaliação você faz da primeira vilã de sua carreira?

R - Sempre morri de vontade de fazer uma vilã como a Íris. Apesar de ter pouco tempo de carreira, queria me livrar logo da imagem de mocinha. Hoje, me divirto horrores fazendo a Íris. Graças a ela, passei a lidar melhor com um lado implicante que todo mundo tem. Além do mais, ela é cínica e sedutora. Uma personagem dessas motiva o público à beça. Mas o que a Íris faz é um absurdo mesmo. Às vezes, chego a sentir ódio dela. Mas torço para que as pessoas a chamem de insuportável ou coisa parecida. Se a Íris chegar aos pés da Maria de Fátima, por exemplo, vou ser a pessoa mais feliz do mundo.

P - Mas você não acha que, em alguns momentos, a interpretação da Íris beira o exagero?

R - Para compor a Íris, parei para imaginar como eu seria se tivesse passado a vida inteira trancada numa fazenda. A conclusão a que cheguei foi que eu seria tão revoltada e geniosa quanto ela. O personagem é difícil porque toda adolescente é exagerada por natureza. Cansei de dançar na frente do espelho quando era mais nova. Essas cenas retratam bem a fase em que a menina deixa aflorar a sensualidade. As meninas também manipulam, choram e fazem cena para conseguir o que querem. Eu já fui assim também...

P - Você aprontava muito quando tinha a idade da Íris?

R - Antes de fazer 13 anos, eu era uma menina tranqüila. Quase não saía de casa, vivia no quarto brincando de Barbie. Entre os 13 e os 15 anos, entrei numa fase mais rebelde. Para conseguir o que queria, fazia manha, batia porta e chorava o dia inteiro. Manipulava meus pais o tempo todo. Mas acho que todo adolescente faz isso. Achava que minha mãe não sabia nada e eu sabia tudo. Mas não era como a Íris, porque a minha mãe não deixava. Ela sempre soube se impor. Quando minha mãe me viu no vídeo como Íris, ela logo disse: "Igualzinho ao que você fazia comigo!". Hoje, ela é a minha melhor amiga.

P - Você não acha a Íris muito parecida com a Marina, de "Suave Veneno"?

R - Muito pelo contrário. As duas são completamente diferentes. Apesar de muito jovem, a Marina tinha a vivência de uma mulher de 30, 40 anos. Ela usava o corpo para subir na vida. Já a Íris é uma menina completamente dócil e pura. Ela é sincera, irreverente e isso, às vezes, acaba desagradando algumas pessoas. Ela fala o que vem à cabeça mesmo. Ela diz que odeia a Camila e ponto final. Ao mesmo tempo em que fala o que quer e ouve o que não quer, ela é romântica a ponto de se guardar para o homem de sua vida. A Íris faz uma idealização do homem perfeito completamente diferente da Marina.

P - A exemplo da Marina, a Íris também encarna um tipo sedutor. Você se considera sensual?

R - Há vários tipos de sensualidade. Há mulheres que são sensuais por serem boazudas. Há outras que são sensuais por se vestirem elegantemente. Há ainda as meninas que são sensuais por fazerem o tipo Lolita. A sensualidade da Íris é a da Lolita. Pessoalmente, não me considero sensual. Não sou do tipo que coleciona armas de sedução. Acho que o mais importante é ser natural, sem tentar parecer sensual ou inteligente. Senão, depois você acaba tendo de desmentir a si mesmo. Não me acho sexy ou fatal. Se sou, é sem a menor pretensão. Não tenho nenhum atrativo de mulher fatal.

P - Como você reage ao fato de ser considerada um dos símbolos sexuais da tevê brasileira?

R - O Rogério Gomes (marido de Deborah e um dos diretores de "Laços de Família") costuma dizer que se casou com uma menina e, quando menos esperava, essa menina se transformou num "mulherão". Quando uma menina conhece o homem de sua vida, ele a ajuda a liberar o lado mulher. Com certeza, o Rogério me fez crescer, amadurecer e virar 100% mulher. Desde que o conheci, levo uma vida maravilhosa. Me sinto muito mais sexy também. Mas não me preocupo em ser sensual ou atraente. Isso vai vir com o tempo. Por enquanto, estou mais preocupada em comer chocolate e jogar videogame.

P - Como tem sido a reação do público nas ruas?

R - Costumo dividir a reação do público em duas partes: os adultos que reprovam a postura da Íris e as crianças que se divertem com as traquinagens da personagem. A Íris começou de um jeito e, no decorrer da trama, se transformou em alguém completamente diferente. Se, por um lado, a Íris é má; por outro, é alegre e divertida. Atualmente, tenho uma legião de crianças como fãs. Elas me dizem que amam a Íris pelo fato de ela ser moleque, traquinas, agitada. Tudo o que ela faz agrada ao público mais jovem. Mas não acho que a Íris seja má. Ela é apenas sincera. E essa sinceridade, às vezes, só faz prejudicá-la.

P - Você tem sido assediada por homens mais velhos?

R - Você acredita que nunca levei uma cantada na vida? Talvez seja porque sou muito fechada. Sou uma pessoa de difícil acesso. Nunca fui de sair à noite ou de freqüentar boates. Em vez disso, preferia ficar em casa para comer fondue e brincar de "videokê". A minha irmã, por exemplo, é muito mais assediada que eu. Quando vamos à praia, todo mundo só olha para ela. Mas a Bárbara é bonita mesmo. Ela só tem 19 anos, mas já é um mulherão...

P - Desde "Confissões de Adolescente", você emenda um trabalho no outro. Você não teme uma superexposição?

R - Sempre batalhei para chegar aonde cheguei. Quero continuar tendo bons papéis e realizando bons trabalhos. Se fizer mais algumas novelas como "Laços de Família", vou ser a atriz mais feliz do mundo. Mas não quero desgastar a minha imagem. Antes de "Suave Veneno", só tinha feito papéis pequenos. Não temia cansar o público. Agora, com a Íris, tenho pensado mais nisso. Nunca fui tão abordada nas ruas quanto agora. Morro de medo de ouvir as pessoas falarem: "Xi, lá vem a Deborah Secco de novo!"


Talento precoce

Quando tinha sete anos, Deborah Secco levou um tombo enquanto andava de patins. Sonsa, a menina passou a tarde inteira dizendo que não se lembrava de nada. Foi para a aula de balé e errou toda a coreografia. Só alguns dias depois, quando a mãe, a dona de casa Sílvia Fialho Secco, levou a menina ao médico, Deborah resolveu contar a verdade e dizer que tudo não passava de uma brincadeira. A falsa amnésia serviu para revelar precocemente seu dom para atriz. Ainda criança, vendia bijuterias para amigos e vizinhos a fim de arrecadar fundos para os cenários e figurinos das peças teatrais que encenava no quintal da casa. "Adorava imitar a Xuxa na frente do espelho. Dançava, cantava e deixava o espelho cheio de marcas de batom", recorda.

Foi por iniciativa própria que Deborah Secco estreou na tevê. Mais precisamente, na abertura do programa da Angélica, na extinta Rede Manchete. A primeira confirmação de seu talento veio aos 12 anos, quando Deborah conquistou o Prêmio Coca-cola de Teatro Infantil como atriz revelação da peça "Sapatinhos Vermelhos". "Esse prêmio foi legal para mostrar que estava no caminho certo!", orgulha-se. Logo depois, Deborah foi convidada para trabalhar em "Mico Preto", da Globo, e, logo em seguida, em "Confissões de Adolescente", da TV Cultura. Ela se destacou de tal forma no seriado dirigido por Daniel Filho que recebeu o papel de Carina em "A Próxima Vítima", novela que está sendo reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo".

De lá para cá, Deborah Secco não parou mais. Ela ainda fez "Vira-lata", "Zazá" e "Era Uma Vez...". Mas foi como a fútil Marina, de "Suave Veneno", que Deborah Secco se destacou na Globo. A personagem rendeu à atriz um ensaio fotográfico na revista "Playboy" pelo cachê de R$ 1 milhão. Embora tenha contrato com a Globo até 2005, ela pretende dar uma providencial parada depois de "Laços de Família". Por medo de uma inevitável superexposição de imagem na tevê, Deborah planeja estrear no cinema e voltar a fazer teatro. O espetáculo já foi até escolhido: "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant", a primeira peça adulta da carreira da atriz. "A minha formação é basicamente televisiva. Quero ver como me saio no palco", confessa.


Negócios em família

A atriz Deborah Secco credita a boa fase pessoal e profissional ao marido, o diretor Rogério Gomes. Os dois se conheceram durante as gravações de "A Próxima Vítima", quando Deborah tinha apenas 15 anos. Depois disso, eles se encontraram ainda em "Vira-lata" e "Zazá", mas ainda como apenas bons amigos. O romance só engatou mesmo em 1998, durante a novela "Era Uma Vez...". Duas semanas de namoro e os dois passaram a dividir o mesmo teto. Os olhos da atriz brilham ao falar do marido. "O Rogério me transmite paz e tranqüilidade. Não vivo sem ele", derrama-se.

Atualmente, Deborah e Rogério dividem também o mesmo estúdio de gravação. Ao lado de Ricardo Waddington e Moacyr Góes, Rogério é um dos três diretores de "Laços de Família". A atriz garante que o fato de ser casada com um diretor não lhe abriu portas na emissora. "Estourei na tevê em 'Suave Veneno' e ele sequer trabalhou nesta novela. Não tem como dizer que ele me ajudou", enfatiza. Além disso, Deborah estava fazendo "Suave Veneno", quando o autor Manoel Carlos avisou que estava escrevendo um papel especialmente para ela. "Casei por amor e não por interesse", esclarece.

Os 18 anos de diferença entre Deborah e Rogério não assustaram o casal. Quem se assustou mesmo foi o pai da atriz, o analista de sistemas Ricardo Tindó Secco, ao saber que a filha se tornaria madrasta de duas adolescentes: Átria, de 21 anos, e Mirella, de 14. Há pouco tempo, Deborah e Mirella chegaram a viajar juntas para a Disney. Filhos também fazem parte dos planos da atriz. Mas não agora. No momento, ela quer se dedicar ao seu sétimo papel em novelas. "Quero muito ter filhos e já tenho até os nomes. Mas, por enquanto, quero aproveitar a minha excelente fase profissional", justifica.