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Giovanna Antonelli
Atriz - Outubro 2000
Um furacão chamado Capitu
O assédio, não só do público infantil, mas também dos marmanjos, serve para medir o sucesso que a atriz está obtendo na pele da garota de programa Capitu
[Fonte - Grande ABC Virtual]
Cercada por crianças após gravar algumas externas de "Laços de Família", Giovanna Antonelli, 24 anos, distribui dezenas de autógrafos com um largo sorriso no rosto. O assédio, não só do público infantil, mas também dos marmanjos, serve para medir o sucesso que a atriz carioca está obtendo na novela das oito da Globo, na pele da garota de programa Capitu.
Com extrema paciência e demonstrando carinho com os fãs, Giovanna não esconde que está no melhor momento de sua carreira, desde que fez uma pequena participação em Tropicaliente, na Globo, em 1994. Capitu vem a cada dia ocupando mais espaço na trama de Manoel Carlos, e, em alguns capítulos, chega a ter mais destaque do que a própria protagonista, Vera Fischer. "Acho que estou conseguindo meu espaço na novela. Mas, perto de tantos atores talentosos do elenco, eu não sou ninguém", diz a atriz.
Modéstia à parte, Giovanna realmente parece não estar deslumbrada com o sucesso de sua personagem. Dona de uma voz levemente rouca e um sotaque carioca indisfarçável, a atriz garante que, desde a leitura da sinopse de Manoel Carlos, ficou com a idéia fixa de viver a polêmica Capitu. Após ser aprovada no teste para a novela, Giovanna teve vários encontros com algumas garotas de programa do Rio de Janeiro.
Até hoje ela mantém contato com algumas e afirma que sempre tira dúvidas para saber se está vivendo o papel de forma correta. "Tento não julgar essas meninas. Eu mesma não sei se um dia poderia fazer programa ou não", diz a atriz, contratada da Globo até 2004. A seguir, trechos da entrevista com Giovanna Antonelli:
Pergunta - As crianças pedem muitos autógrafos para você. Você esperava que uma garota de programa atingisse o público infantil?
Giovanna Antonelli - Acho engraçado. No começo da novela, ninguém esperava que a personagem fosse dar tão certo. Tinha até uma preocupação da emissora em mostrar um papel tão real na TV. Mas a aceitação foi surpreendente. Nas últimas semanas, tenho gravado muitas externas e percebo que as crianças ficam loucas quando vêem a Capitu. Acho que, por ela ter filho, passa aquele carinho para as crianças.
Pergunta -Você tem ganhado cada vez mais destaque na novela. Em um elenco que conta com Vera Fischer, você arriscaria dizer que está roubando a cena?
Giovanna – Não acredito nisso. Acho que todo mundo tem seu espaço. Porque a gente está falando de uma novela que tem grandes talentos. Perto dessas pessoas, eu não sou ninguém. A Capitu representa um reconhecimento do trabalho que estou fazendo.
Pergunta -Qual a cena mais difícil que você fez até agora?
Giovanna – Foi a cena em que a Capitu aparece na cama com o cliente. Foi a minha primeira vez, porque sempre usei dublê. A Capitu é uma garota de programa, e tem de ter esse tipo de exposição para ficar crível. Além do mais, serviu para informar sobre o uso da camisinha.
Pergunta -Você ficou nervosa por ficar nua nas gravações?
Giovanna – Não. O que me deixou um pouco constrangida foi nunca ter visto o ator com quem contracenei. Mas ele foi uma gracinha, e deve ter ficado até mais nervoso do que eu.
Pergunta -O que você acha da personagem também ter um lado didático?
Giovanna – Importante. Porque a Capitu atinge os jovens e está ligada diretamente ao sexo. Então é preciso tentar conscientizar as pessoas, principalmente numa novela das oito. Camisinha não é só para não contrair Aids, mas evitar outras doenças sexualmente transmissíveis.
Pergunta -Você vem de uma estréia com sucesso em Bossa Nova, e agora se destaca na novela. O filme de Bruno Barreto foi um presságio?
Giovanna – As duas produções aconteceram na hora certa. Se pegasse uma personagem como a Capitu há um ano, não sei se daria conta. Não por falta de talento, mas de experiência. Nunca quis andar mais do que as minhas pernas alcançam. Mas, sem dúvida, a Capitu é um divisor de águas na minha carreira.
Pergunta -Por quê?
Giovanna – Porque é a primeira vez em que se mostra uma garota de programa sem estereotipá-la. Poderia ser qualquer jovem. Ela é sincera. Virou uma garota de programa num momento de desespero. Uma vez uma senhora me parou na rua e disse: ‘Nossa, a Capitu poderia ser minha vizinha de prédio’. E acho que a forma do Maneco (Manoel Carlos, autor da novela) mostrar o personagem em nenhum momento passa que fazer programa é bom ou incentive os jovens. Nem está mostrando uma vida glamourosa. Pelo contrário. Recebo e-mails de garotas de programa do Rio de Janeiro e algumas falam que já tiveram um cara como o Orlando, por exemplo. Que batia nelas e as perseguia. Algumas dizem que fazem programa para pagar a faculdade, outras que sustentam os filhos ou até a família inteira.
Pergunta -Mas você não conversa pessoalmente com estas garotas?
Giovanna – Antes de começar a novela, eu estive com algumas meninas. Com uma delas, tenho contato até hoje. A gente se liga. Pergunto o que ela está achando das cenas e se estou no caminho certo. Sempre tiro as minhas dúvidas.
Pergunta -Você aceitaria ter um relacionamento de amizade com essa menina?
Giovanna – Claro. Não tenho preconceito. Não vejo defeito em ser garota de programa. É só uma opção de vida. Também não posso afirmar se eu mesma faria ou não programa. Não sei, porque nunca passei por essa situação. O maior problema é julgar. Se for para julgar alguém, é preciso começar pela nossa sociedade. O país está em crise há anos. Então, se hoje uma pessoa que é formada, tem duas faculdades e fala idiomas não consegue arrumar emprego, imagina um jovem universitário?
Pergunta -Mas a Capitu teve uma educação, estudo, é de classe média...
Giovanna – Mas as garotas de programa com as quais conversei falaram que há meninas que são ricas e que fazem programa porque gostam, querem se drogar, procuram o perigo e a aventura. Então não é só a pessoa pobre que faz programa. E é justamente isso que a Capitu mostra e que a classe média não gostou de ver na novela. É difícil julgar essas meninas.
Convites para posar nua
Giovanna Antonelli não esconde que está sendo assediada com propostas indecorosas por todo tipo de publicação. Ou seja: não falta convite para a atriz aparecer nua em ensaios fotográficos. "Mas não quero", diz Giovanna. A atriz garante que só quer se dedicar à personagem Capitu, de Laços de Família, e mesmo projetos para fazer cinema e estrear no teatro profissional vão ficar para o ano que vem.
Nem mesmo o perfil erótico da personagem de Manoel Carlos faz Giovanna mudar de idéia. Mas a atriz não esconde que este seria um ótimo momento para posar nua, já que sua personagem tem um apelo sensual que provavelmente faria vender muita revista. "Pode ser que até aceite fazer depois, mas agora não passa pela minha cabeça. Acho que não é a hora."
No entanto, a atriz está fazendo muitos ensaios para revistas de moda e saúde. O fato de fazer uma garota de programa também não impede que Giovanna realize alguns trabalhos de publicidade. Para a atriz, continuar sendo chamada para capas de revistas e propagandas é a prova de que a sua imagem não está sendo confundida com a personagem da novela da Globo.
Na verdade, o objetivo da atriz é conseguir fazer cinema após encerrar a sua participação em Laços de Família. Giovanna estreou na tela grande no ano passado, em Bossa Nova, comédia romântica de Bruno Barreto. Ela viveu a estagiária de direito Sharon, que tinha um envolvimento com o jogador Acácio, interpretado por Alexandre Borges.
Comparada com Julia Roberts por Bruno Barreto, a atriz não esperava ter sido aprovada nos testes para o papel. "Voltei das férias nos Estados Unidos correndo. Não acreditava que iria estrear no cinema ao lado de tantas feras." Além de voltar a fazer cinema, a atriz pretende finalmente estrear no teatro no ano que vem. Mas ela diz que até agora não recebeu nenhum texto que a empolgasse.