Principal Programação Resumo das Novelas Chat Lista de Discussão Links


Estranhos na sala

Programas apostam em convidados bizarros, como a mulher que se alimenta de luz

[Fonte - O Dia]

O que para algumas pessoas pode ser chamado de picaretagem, para outras virou bizarro. E o filão vem ganhando espaço nos programas de auditório. Não é difícil ligar a TV e encontrar a mulher que se alimenta de luz, o homem que faz apologia das maravilhas curativas da urina ou o colecionador de tatuagens. A estratégia tem seu público: o ‘Programa do Jô’, por exemplo, atrai 50% dos aparelhos de TV ligados no horário, o que representa 8 pontos de audiência, muitas vezes optando pela mistura entre famosos e tipos estranhos.

"Entre políticos e artistas, procuramos também o inusitado. É um trabalho árduo de garimpagem", garante o diretor da atração, Willen Van Weerelt, que aponta um eremita como o mais esquisito convidado do ‘Programa do Jô’. "Ele mora numa caverna na Gávea. Era um ilustre desconhecido e depois foi a outros programas", gaba-se Willen. "A mulher que diz só comer luz também fez muito sucesso", lembra.

Os diretores não têm medo da repercussão negativa que os bizarros podem causar. "O programa não se posiciona e sempre mostra um contraponto", defende Rita Ribeiro, do ‘É Show’, apresentado por Adriane Galisteu. A tal mulher – que diz não se alimentar há meses, vivendo só de luz – também esteve por lá. "Mas no mesmo dia levamos um endocrinologista, explicando os perigos disso", explica Rita.

O resultado das polêmicas nem sempre agrada ao público. "Foi uma baixaria no É Show. O médico disse que viver de luz era uma falcatrua. Desmentiu tudo no ar", lamentou a fisioterapeuta Kátia Dias. "Tem dias que eu fico me perguntando por que levaram aquele convidado", afirma. Para ela, o pior de todos foi o homem tatuado levado ao ar pelo ‘Superpop’ de Luciana Gimenez. "Quem quer ver uma pessoa com tatuagens na cara?", questiona. Luciana também já levou para seu programa um homem que queimava o próprio corpo, entre várias atrações estranhas.

Quando o personagem é engraçado, vale pela curiosidade. "Não sabia que existia uma pessoa que bebe xixi para curar doenças. Não acho legal é a repetição dos personagens em todos os programas", opina a funcionária pública Denise Lima. Não é à toa que os programas travam uma verdadeira batalha para ver quem consegue descobrir os mais bizarros convidados. "Muitos saem daqui para outros auditórios", diz Willen.


Busca difícil

SEXO - A briga pelos convidados bizarros de vez em quando chega aos telespectadores. Num programa, Monique Evans acusou Jô Soares de estar falando mais de sexo para roubar audiência de seu programa ‘Noite Afora’, na Rede TV!. "Fui o primeiro a falar de pompoarismo", exemplifica Jô Soares. "Sempre mostrei sexo no meu programa", defende-se.

SELEÇÃO - "É fácil ficar sentado esperando aparecer um convidado interessado em divulgar o novo trabalho. Difícil é descobrir o diferente, quem não apareceu em lugar nenhum", diz Willen.

DIVERSIDADE - Para Rita Ribeiro, do ‘É Show’, é legal poder mostrar várias coisas diferentes. "É bacana poder levar convidados de moda, beleza, política", enumera.