Vasco A. R. Casimiro nasceu a 8 de Agosto de 1964 em Lisboa. Prevendo o futuro (um caso notável de clarividência precoce), tentou recusar-se a nascer e durante 10 dias conseguiu resistir, apenas cedendo perante a violência das legiões romanas (nunca se descobriu a razão do envolvimento destas forças, e há até suspeitas de que tudo não passa de uma lenda posta a circular não se sabe bem por quem nem com que obscuros objectivos). Viveu até aos onze anos no Saldanha, tendo frequentado, em tempo oportuno, uma escola primária nas imediações da praça de Londres, onde, além de aprender a ler e a contar, foi submetido a diversas sevícias físicas e espirituais que o marcaram irreversivelmente. Consta que a elas terá resistido com dignidade, tornando-se assim num pilar algo solitário da luta contra esses baluartes do fascismo à portuguesa: a professora primária, a rede ferroviária de Angola e as monografias sobre a vaca. Por essa altura terá desenvolvido um estranho amor pelo antigo Egipto e pelas guerras na Gália, tendo organizado uma sucessão de batalhas com tropas recrutadas nas imediações de sua casa, nomeadamente à porta das leitarias. Embora os dados sejam bastante vagos, parece ter-se iniciado por estes tempos uma irregular carreira de sedutor (ou seduzido, a qualificação varia segundo os intérpretes e, até hoje, nenhuma teoria logrou constituir-se como doutrina), havendo referências desconexas que vão desde uma jovem misteriosa que o terá acompanhado a casa, até uma série de irmãs (crê-se haver dois conjuntos de irmãs, mas também aqui há divergências de interpretação) com quem terá tido algumas aventuras iniciáticas, embora não se saiba exactamente qual o conteúdo das mesmas, nem a razão de tanta fraternidade. Outro acontecimento que se pode reportar a estes anos, e dos que geram mais perplexidade, tem a ver com uma tentativa sui generis de contacto com o divino, em que os insectos desempenhariam um papel primordial. Alguns autores vêem nisto a prova definitiva de uma degenerescência mental precoce, mas, dada a natureza do caso e os seus estranhos intervenientes, é difícil estabelecer a patologia, embora não seja de excluir a existência de uma relação entre este evento e a descoberta dos poderes alucinogéneos dos derivados da benzina. O que é seguro é que, depois da conclusão da instrução primária, frequentou durante dois anos uma escola preparatória que se pode avistar da praça de Espanha – a Marquesa de Alorna. Nesta escola deu continuidade à sua antiga vocação para o caos, sendo regularmente expulso das aulas e concitando o ódio de alguns professores.