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Luz do amor! brilhas então também aos mortos, luz dourada?

Imagens de tempo mais claro, alumiais-me vós noite dentro?

Jardins deleitosos, sede, ó montes do entardecer,

Sede bem-vindos, e vós, caminhos calados do bosque!

Testemunhas da celeste ventura, e vós, estrelas do alto,

Que outrora me outorgáveis vossos olhares de benção!

Vós, amantes também, belas filhas do dia de Maio,

Serenas rosas, é vós, lírios, eu vos invoco ainda!

As Primaveras passam, é certo, um ano impele outro ano,

Alternam-se e lutam, e assim rola com fragor o tempo

Sobre as cabeças mortais, mas não ante os olhos felizes,

E aos que se amam foi dada outra vida mais larga.

Pois todos eles, dias e anos dos astros, estavam,

Diotima!, à nossa volta unidos, íntimos e eternos;

 

Mas nós, em contente união, como os cisnes amantes,

Quando à beira do lago repousam, ou, baloiçando nas ondas,

Olham para as águas, onde espelham nuvens de prata,

E azul etéreo ondula sob o seu navegar,

Assim nós andávamos serenos na terra. E se o Norte ameaçava,

O inimigo dos amantes, forjando lamentos, e caíam

Dos ramos as folhas, e a chuva voava no vento,

Tranquilos sorríamos, sentíamos o nosso próprio deus

Em nossas confidências, num só cântico de alma,

Em paz plena connosco, sós na nossa alegria infantil.

Mas agora a minha casa é deserta, e roubaram-me

Os olhos, e, perdendo-a a ela, a mim me perdi.

Por isso vagueio, e como as sombras terei de viver,

E há muito me parece sem sentido tudo o resto.

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(Tradução de Paulo Quintela)