TAP Rali de Portugal

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No TAP Rali de Portugal

PASSEAR PELA LAMA ATÉ Á DESCLASSIFICAÇÃO

A desclassificação de dez concorrentes após a segunda passagem por Oliveira do Hospital, entre os quais Vitor Calisto (Toyota Yaris 1.3), causou celeuma na 35ª edição do TAP Rallye de Portugal e tudo porque a organização não aplicou o regulamento nem adoptou critérios iguais para situações idênticas.

Na primeira etapa um concorrente ficou atascado na terceira classificativa (Fafe/Lameirinha 1) e não conseguiu passar nem os 12 concorrentes que vinham atrás. Segundo regulamento, se um piloto não conseguir chegar a tempo ao controlo horário, com uma tolerância de 15 minutos, é desclassificado. A organização, no entanto, necessitava de libertar o troço para a segunda passagem (sexta classificativa) e decidiu que o troço seria anulado para esses concorrentes que ficariam com o mesmo tempo do último piloto que tinha cumprido essa classificativa.

Por motivos de segurança, a sétima classificativa (Vieira/Cabeceiras 2) foi igualmente anulada por não estar garantida a actuação da assistência médica. Assim, como Amarante e Mondim de Basto foram cumpridas em ligação, o Yaris 1.3 de Vitor Calisto só efectuou cinco troços em classificação na primeira etapa.

Na segunda etapa, na classificativa de Oliveira do Hospital, foi a vez do Toyota Yaris 1300 de Vitor Calisto ficar atolado a meio do troço. A organização voltou a neutralizar os tempos dos últimos concorrentes, una vez que era necessário libertar o troço para a segunda passagem. Apesar do tempo excedido, a organização decidiu permitir ao piloto de Odivelas para prosseguir em prova. Na segunda passagem pela mesma classificativa, um outro concorrente ficou atascado e...no mesmo local. Os dez concorrentes que vinham atrás não conseguiram passar e ultrapassaram o tempo previsto para a chegada ao controlo horário. Quando finalmente chegaram ao controlo horário, este já tinha sido desmontado.

Os concorrentes prosseguiram em ligação e esperavam que à semelhança do que tinha sido sucedido anteriormente, os troços fossem anulados para eles, o que lhes permitiria alinharem à partida para a terceira etapa, tendo feito esse pedido por fax. Os comissários desportivos, porém, decidiram aplicar o regulamento à letra e desclassificaram esses dez pilotos.

“A nossa posição não foi aceite porque nos foi afirmado que o tempo entre controlos não podia ser alterado,” afirma Vitor Calisto. “Isto foi uma manobra da organização para desclassificar estes dez concorrentes, impedindo os duas rodas motrizes de chegarem ao fim.”

ESPERANÇAS FRUSTRADAS

A desclassificação dos dez últimos concorrentes constituiu um rude golpe para Vitor Calisto, uma vez que se encontrava em segundo lugar na Classe 5, a dez segundos do seu adversário mais directo, Miguel Barata (Nissan Micra 1.3 Super). A equipa acreditava que ainda poderia aspirar à vitória na categoria, não obstante as dificuldades encontradas pelo estado dos troços. Se para os pilotos da frente, as condições eram bastante difíceis, um concorrente da segunda metade da tabela encontrava o estado do troço num situação lastimável.

“Imagine um rego com 60 a 70 cm de altura e 50 cm de largura,” refere Vitor Calisto. “O fundo do carro ficava assente no chão. O vidro da frente partiu, tal eram os torsões na carroçaria. Em 25 de ralis e 152 provas, nunca assisti a uma coisa assim,” garante o piloto de Odivelas.

Comunicado à imprensa em nome dos dez pilotos excluídos

OS REGULAMENTOS SÃO PARA CUMPRIR!!! SEMPRE!!!

Não temos dúvidas que os regulamentos são para cumprir, e falo na qualidade de representante dos pilotos que foram excluídos da prova... Os regulamentos são para cumprir, sempre!!!

E, só porque convém à organização, com o falso pretexto de “ser demasiado violento para os concorrentes aplicar o regulamento ”, e porque era preciso libertar a PEC para a passagem seguinte (só posteriormente anulada), então não se cumpre o regulamento e dá-se uma de “tolerante e bonzinho”, leva-se os concorrentes “ao colo”, eliminam-se penalizações, cartas de controlo e outros acessórios de somenos importância, e transforma-se um Rali do Campeonato do Mundo (outrora considerado O Melhor) num “Rali Paper” à chuva com a procura incessante de quem, a nível organizativo, consegue fazer mais disparates em menos tempo.

Passeios por troços alternativos, PEC’s feitas em ligação e se “fores bem-educado e voltares para casa, de onde nunca devias ter saído devolvemos-te o dinheiro da inscrição”.

Numa prova feita para profissionais em que não há lugar a amadores, mas com uma classificação para amadores que só de nós os dez recebeu um valor de inscrição de 2 600 contos.

E, depois, no dia seguinte, em Oliveira do Hospital 1, quando se passou o mesmo que no primeiro dia em Fafe-Lameirinha1? Também houve tolerância e boa vontade da organização ou havia prioritariamente que libertar a PEC para a segunda passagem?

Mas, exactamente no mesmo sítio em Oliveira do Hospital 2, e quando já mais ninguém passaria pela PEC, estavam criadas as condições ideais e necessárias para que a organização se livrasse dos carros que até ao momento só tinham constituído um estorvo para a mal oleada estrutura deste Rali de Portugal.

Apesar de saberem a PEC interrompida, (existe um intervalo de 50 minutos entre a entrada do carro que ficou atolado e o último carro a entrar para a PEC), os concorrentes foram sucessivamente mandados entrar para dentro do troço a caminho da sua exclusão.

Em vão foi a espera do carro da organização que abriria o troço...ele não passou!!!

Depois em Tábua, a organização manipulou a decisão para a petição que lhe foi entregue pelos representantes dos pilotos, que mais não era que pedir que o critério utilizado no dia anterior e nesse mesmo dia no mesmo troço na primeira passagem, fosse aplicado.

Mas a decisão já fora tomada e às 00h45m de Domingo, foi-nos comunicado que não poderíamos continuar em prova porque “o tempo entre controlos não podia ser alterado” – mas só entre aqueles controles, porque nos outros... a história foi diferente.

E agora? O esforço? O sacrifício? O amor a este desporto que deveria ser de todos nós? Os patrocinadores e o seu retorno? – Metemos tudo no saco da indiferença, embrulhamos em papel de prepotência e colocamos um laçarote da cor da ditadura que continua a criar lobis de interesses favorecendo os grandes meios em função das boas vontades.

E, possivelmente na última participação de 18 consecutivas neste Rali de Portugal, a mágoa de nunca ter sido tão desprezado e mal tratado como pela a organização do evento mais importante de Ralis realizado no nosso país.

Victor Calisto

Representante dos 10 pilotos excluídos

Press 2001