Ética e Cidadania

Polícia não apura maioria dos crimes

     A Polícia Civil não consegue apurar a maioria dos crimes nem registrá-los. Isso ocorre no Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). Segundo levantamento feito pelo Departamento de Planejamento (Deplan), o Decap esclareceu apenas 2,5% dos crimes sob sua responsabilidade em 1997.

     Além disso, pesquisa realizada pelo InformEstado constatou que 59,6% dos paulistanos não registram ocorrência. "Qualquer um fica desapontado quando o caso podia ser de fácil resolução", diz o advogado Jairo Fonseca, do Conselho Estadual de Política Criminal.

     Ele cita o caso de Marco Aurélio Alves Chagas, de 25 anos, filho do zelador de seu prédio, morto em julho no Parque do Carmo, zona leste. "A mulher dele deu à polícia os nomes de dois suspeitos no dia do crime, mas só meses depois a polícia os ouviu, ainda assim, após muita insistência." Segundo a Delegacia-Geral, a 8ª Delegacia Seccional, que chefia o 53º DP, apurará o caso.

     " Para Fonseca, o problema é que o policial sabe que não será cobrado, pois não há controle externo do seu trabalho.Esse é o caso de dois investigadores do Departamento de Investigações de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), cujo caso foi alvo de uma denúncia à Ouvidoria da Polícia.

     Segundo a acusação, eles são sócios de uma empresa de segurança que simulou uma tentativa de seqüestro de uma empresária para convencê-la a contratar seus serviços. Um dos policiais tem dois BMWs. A ouvidoria enviou o caso ao Gaeco, setor de combate ao crime organizado do Ministério Público. A Corregedoria da Polícia Civil abriu sindicância, mas os dois não foram afastados. (M.G.)

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