| Ética e Cidadania |
Há um século, preocupação em SP era com "os gatunos"O "Estado" publicava que a população assustava-se com pragas de larápios e queixava-se da polícia
Os gatunos, durante o dia de ante-hontem, penetraram na chacara do sr. dr. Alvaro Azevedo, na Avenida Paulista, e dalli subtrairam roupas, joias e outros objectos no valor approximado de cinco contos de réis. A victima levou o facto ao conhecimento do sr. major Novaes 3º sub-delegado da 4ª circumscripção, que comppareceu ao local e abriu inquerito a respeito do facto. Há exatamente um século, o Estado noticiava assim um crime na capital paulista - a grafia da época foi mantida. Ocorrências policiais eram comuns na São Paulo do fim do século 19, que tinha cerca de 240 mil habitantes. Ainda era considerada tranqüila pelos habitantes. Os "gatunos" ocupavam boa parte do noticiário policial, mas havia ainda invasões de propriedades, cavalos e carroças roubados, brigas, assassinatos e até falsificação de notas. "Na rua do Commercio foi hontem preso José Gomes que, comprando alguns generos, a casa do sr. Fernando Bere, deu o pagamento uma nota falsa de 200$000", informava a edição de 6 de abril de 1899 - para se ter uma idéia, o preço do exemplar avulso do jornal era 100 réis. A população assustava-se com "pragas de larápios" - nas palavras de um revoltado leitor - e queixava-se da atuação da polícia. "O roubado declarou-nos que não deu queixa á policia por julgar que era trabalho inutil", explica a reportagem sobre o roubo do qual foi vítima Antônio Sampaio Coelho, publicada em 13 de abril daquele ano. Como hoje, julgamentos de crimes notórios atraíam a atenção dos moradores da cidade. Em março de 1889, os leitores do Estado concentravam-se nos passos do processo contra Joaquim Innocencio de Sant'Anna, conhecido por Quinzinho. Ele era acusado de matar a "amásia", Sabrina Maria da Conceição. Havia também fugas das prisões. Em 21 de abril de 1889, uma
foi bastante comentada, segundo a reportagem. "Da prisão em que se achava, evadiu-se
hontem, por volta das 4 horas da madrugada, o celebre estellionatario Affonso
Coelho." |