Ética e Cidadania

Seqüestro relâmpago tornou-se rotina em SP

Audácia dos ladrões impressiona até policiais; vítimas são levadas a caixas eletrônicos depois de passar horas sob a mira de revólveres ou até mesmo de metralhadoras

RENATO LOMBARDI

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                  By Andre e Pedro

     Juvenal é economista. Tem 44 anos e é uma das 400 vítimas de seqüestro relâmpago deste ano na capital. Foi atacado quando dirigia seu Toyota importado pelas ruas da Vila Mariana, na zona sul. No cruzamento da Rua Tutóia com a Sampaio Viana, foi dominado por dois homens e trancado no porta-malas.

     Os assaltantes seguiram com Juvenal para o Shopping Center Continental, no Butantã, zona oeste. Ameaçado com um revólver por um dos ladrões, foi obrigado a comprar numa joalheria dois relógios das marcas Bulova e Citizen.

     Num descuido dos assaltantes, o economista fugiu e saiu à procura de um segurança. Os ladrões voltaram para a garagem e saíram com o carro de Juvenal.

     Seqüestros como o do economista tornaram-se rotina em São Paulo. As histórias repetem-se todos os dias. A audácia dos ladrões tem impressionado até os mais experientes policiais, juízes e promotores.

     As vítimas, quando não são levadas para saques em caixas eletrônicos, são obrigadas a entregar relógios, dinheiro e carro. No ano passado, foram praticados 1.626 assaltos em caixas eletrônicos, 1.200 deles com o seqüestro dos motoristas.

     Da imensa lista de vítimas dos ladrões de cruzamentos e de caixas eletrônicos fazem parte médicos, industriais, executivos, administradores de empresa e empresários.

     Entre os assaltados estão o delegado federal Antônio Decaro Júnior, que perdeu seu Rolex na Rua Oscar Freire, nos Jardins; o juiz José Helton Nogueira, que ficou sem o relógio Omega, ao ser atacado na Rua Bernardino de Campos com Abílio Soares, próximo da Avenida Paulista; o banqueiro francês Jean Marie Marcel Jackie Lanneloungue, de 62 anos, do Banco Societé, que teve roubado o seu Rolex de ouro na Avenida Juscelino Kubitschek com a Rua Leopoldo Couto de Magalhães; o advogado Kleber Verraes, que ficou sem o relógio Omega ao ser atacado na Rua Haddock Lobo com a Alameda Franca; e o policial militar Antônio Moitinho dos Santos, seqüestrado na Rua Cotoxó com a Alfonso Bovero, na Pompéia - levado por quatro ladrões a dois caixas eletrônicos para saques, ficou ainda sem a pistola calibre 380, o relógio e a corrente de ouro.

Restaurante - Muitos assaltos com seqüestro têm ocorrido na porta de restaurantes. Na noite de 23 de fevereiro, o advogado Ricardo Azevedo Leitão, 32 anos, e a namorada pretendiam jantar no restaurante Porto Luna, na esquina da Rua Tabapuã com a Lopes Neto, no Itaim-Bibi, zona sul. O advogado parou seu BMW na porta do restaurante e a namorada desceu.

     Um Tempra azul com cinco homens encostou atrás e três desceram armados. A namorada do advogado correu para o restaurante e foi seguida por um dos ladrões armado de metralhadora.

     Obrigada a voltar, a moça entrou no Tempra. Ricardo foi levado pelos demais assaltantes em seu BMW. O seqüestro ocorreu pouco antes das 21 horas. Os ladrões levaram o casal até a Rodovia dos Bandeirantes e roubaram relógios, celular, canetas Cartier e Montblanc, dois anéis de ouro, par de brincos, cartões de crédito, cheques e o carro.

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