| Ética e Cidadania |
78% foram vítimas de crimes, revela enqueteLevantamento realizado pela NetEstado mostra que 73% não se sentem seguros em nenhuma região de São Paulo; assalto à mão armada é o caso mais freqüente, vivido por 44,2%
RODRIGO FIUME Durante a segunda quinzena do mês passado, a NetEstado - a homepage do Estado - perguntou a seus leitores se eles já haviam sido vítimas de crime na capital paulistana. As respostas revelaram um triste dado: 77,8% disseram "sim". Esse porcentual representa mais de 300 das 400 pessoas que responderam ao questionário.Há ainda outro dado alarmante. Quase o mesmo número de internautas - 73,3% - disse não se sentir seguro em nenhuma região de São Paulo. Do lado oposto, apenas 1,3% respondeu sentir-se mais seguro em todas as áreas. E 25,3% afirmaram "em algumas." À pergunta sobre em quais locais da cidade os internautas se sentem menos seguros, 39,8% das respostas foram taxativas: em todos. Os cruzamentos com semáforos também assustam a população, somando 23,1%. Outras áreas consideradas pouco seguras foram o centro (11,3%) e a periferia (10,5%). À mão armada - Do total de vítimas, quase a metade já experimentou o medo de ser ameaçada por um assaltante armado. Foram 44,2% os casos de assaltos à mão armada, o mais comum dos crimes entre as vítimas. Foi o que ocorreu com o supervisor de informática José R. de Oliveira, de 27 anos. Em março de 1998, ele teve o carro levado por um ladrão armado, quando, com a mulher, buscava a filha de 2 anos na escola. "Pedi calma ao rapaz, que tomou minha filha dos braços de minha mulher", contou. "Consegui controlar a situação e a peguei." Em segundo lugar, aparecem as vítimas de furto, que somam um terço do total. Um pouco abaixo estão os internautas que tiveram o carro roubado ou furtado - 29% -, como a supervisora de vendas Alexsandra Demberi, de 28 anos, que no ano passado "perdeu" dois veículos, parados em frente de sua casa. A enquete mostrou também que as autoridades policiais não contam com a confiança dessa parcela da população. A maior parte não quis registrar queixa na polícia. Foram 52,3%, ante 47,7 que decidiram tomar essa providência. Boa parte dos crimes é recente. Ocorreu nos últimos 12 meses - 36,8%. Os internautas foram convidados a sugerir medidas contra o crime. "O problema é social", diz a advogada Renata Pelizon, de 28 anos, que mora há um em Nova York. Há quatro anos, ela foi vítima de um assaltante num cruzamento do centro de São Paulo. A curto prazo, ela sugere mais policiamento nas ruas. "A longo, são necessárias educação e melhoria social das classes mais baixas." Para a analista de sistemas Marcia Moretto, de 26 anos, que teve a carteira furtada da bolsa há quatro anos, o policiamento deve ser feito em conjunto pelas Polícias Militar e Civil e a Guarda Metropolitana. O levantamento revela quais as providências adotadas contra a violência em São Paulo. A principal é evitar os lugares perigosos, item apontado por 80,9% das pessoas. Elas preferem não usar jóias e objetos de valor (65,5%), costumam ter pouco dinheiro consigo (63,5%), mantêm os vidros do carro fechados (62,7%) e não param em sinais vermelhos à noite (58,%). O questionário ficou no site de 16 a 30 de março. Entre
os que responderam às perguntas, 58,8% são homens. Quase a metade possui rendimento
familiar acima de 20 salários mínimos (49,7%) e 76,4% têm curso superior. A faixa
etária mais presente é a de 19 a 29 anos (39,5%). |