| Ética e Cidadania |
Aumenta o número de roubos de veículosNo ano passado, ladrões levaram 176.048 veículos no Estado, 81.101 só na capital; muitos assaltos são praticados por menores de 18 anos, que têm certeza da impunidadeRENATO LOMBARDI
Os furtos (sem violência contra o motorista) ainda representam a maioria dos casos. No entanto, o número de roubos (quando o motorista cede o veículo mediante ameaça ou espancamento), que até 1995 era relativamente pequeno, vem aumentando. Muitos carros, sobretudo importados e nacionais novos, são levados pelas quadrilhas por encomenda. Destino: desmanches ou locais semelhantes, que encaminham os veículos para outros Estados ou mesmo, em pequena parcela, para Paraguai e Bolívia. Ladrões de bancos e de cargas também costumam usar carros roubados. Criminosos que atuam nos cruzamentos, além dos seqüestros relâmpagos, roubam carros.Muitas vezes, na abordagem, os motoristas assustam-se e acabam baleados ou mortos. "Danado" - W., de 14 anos, estuda na 5ª série do 1º grau da Escola Estadual Luís Tenório de Brito. Já foi preso por roubo de carro e confessou ter assassinado com dois tiros a dentista Rosmari Isabel Silva Mauri, de 46 anos. Estava na companhia de E., de 17 anos, e Romildo Batista de Oliveira, de 21, quando cometeu o crime. Os três saíram de Vila Prel, na zona sul, no começo da noite de 4 de março para roubar um carro. "A gente ia dar uns rolês (rodar), assaltar algumas mulheres e voltar para casa", afirmou W. Foram de ônibus até a Avenida Giovanni Gronchi e desceram na esquina da Avenida Guilherme Dumont Villares, no Morumbi. W. estava com um revólver calibre 38, que chamou de "danado". Assim que o Vectra dirigido por Rosmari parou no sinal, o menor caminhou até a porta da motorista. E. dirigiu-se para a outra. Oliveira ficou observando tudo por perto. Eles pretendiam levar a mulher, percorrer alguns caixas eletrônicos e depois ficar com o carro. Preso duas semanas depois do crime, W. disse que Rosmari tentou reagir e ele acabou por matá-la com dois tiros na cabeça. A dentista, segundo o marido, tinha medo de ser assaltada e jamais reagiria. Ele acredita que, ao ver a arma, ela se tenha assustado e tirado o pé da embreagem, movendo o carro. Na época em que começaram a roubar - em 1997 -, os três jovem costumavam dar tiros nos pneus dos carros caso as pessoas reagissem e tentassem fugir. "O garoto é dedo mole; gosta de atirar nas vítimas", relatou Oliveira, que está com prisão temporária decretada. Depois de atirar na dentista, W. e E. voltaram para o Parque Arariba e foram para um bar. Oliveira foi para a casa da mãe, jantou e dormiu. W. encontrou amigos, comeu, bebeu e, no começo da madrugada, decidiu dormir. "Não tive problemas para pegar no sono.", revelou ao ser preso. Uma denúncia, porém, levou a polícia até os ladrões. W. e E. acabaram detidos no distrito policial de Cidade Ademar, onde declararam que não estavam preocupados com a possibilidade de ir para a Febem. "Vamos comer, beber, tocar cavaquinho, fazer um pagode e cair fora na primeira oportunidade", destacou W. A experiência deu razão ao menor. Na noite de 23 de dezembro, ele foi preso ao lado de Oliveira e de outro garoto com um carro roubado. Mandado para o SOS Criança, foi liberado 22 dias depois. Oliveira ficou preso um pouco mais: 30 dias. |