Mbÿá Guarani

Origem indígena
A origem dos índios americanos ou Ameríndios, à época da descoberta da América, gerou muitas dúvidas. De ordem intelectual porque a presença de seres humanos no continente recém descoberto representava um desafio para os europeus que tentavam enquadrá-los na sua forma tradicional de explicar o mundo. Prática porque, se comprovada a sua origem independente de contato com o Velho Mundo, isso excluiria os indígenas dos descendentes de Adão, única explicação dos europeus para a origem dos homens, colocando-os na categoria de não-humanos. Em conseqüência estariam os índios sujeitos a todo tipo de exploração, da qual não escaparam mesmo depois de declarados homens através de uma bula do Papa Pulo III, em 1537.
Embora não tenha encontrado uma resposta definitiva sobre a origem dos índios essas antigas hipóteses, mais excêntricas, vêm sendo substituídas por outras mais razoáveis . As primeiras - do período quinhentista até o início deste século incluíam os índios entre os descendentes de Judeus, fenícios, Canancus e Mongóis, entre outros povos do Velho Mundo. Outra hipótese atribuía a Atlândida, imensa ilha que teria existido ao longo da costa da Europa e do Norte da África, a Oeste do estreito de Gilbraltar, a facilidade da passagem entre o Velho Mundo e a América. Essas hipóteses, entretanto foram descartadas a partir da constatação , por geólogos e paleontólogos, de que os continentes e mares já apresentavam a atual configuração quando o homem surgiu sobre a terra.
De interesse histórico, segundo a qual a humanidade seria originária da região meridional da América do Sul, mais precisamente na Argentina, onde teria surgido o Tetraprothomo, o Diprothomo e o Prothomo, antecessor imediato do homem de hoje. Argumentos diversos, entretanto, derrubaram esta hipótese. Entre eles o fato de terem sido apontados como pertencentes a um Tetraprothomo, uma vértebra humana e um fêmur de animal.
No Brasil
Estima-se entre um milhão e cinco milhões o número de índios que viviam no Brasil em 1.500, á época do descobrimento. Esse número foi obtido tomando-se por base o ocorrido no antigo México e Peru, onde o decréscimo da população nativa foi de vinte a um, ou seja, de cada vinte indivíduos restou apenas um. Considerando-se que a população indígena do Brasil, em 1980, era de 227.800 pessoas e multiplicando- se esse número por vinte, chega-se a 4.556.000 índios em 1500. Essa estimativa é extremamente modesta se considerarmos que o cálculo de Pierre Clastres para a população Guarani é de 1.404.000, num território de 350.000 km2, que abrange o Paraguai, o norte da Argentina e o sul do Brasil. Para se ter uma idéia ao que isso representa, basta levar em conta que a população atual do Paraguai é de cerca de 3 milhões de habitantes para um território de 407.000 km2.
O Mapa Etno-histórico do Brasil e países limítrofes do etnólogo alemão-brasileiro Curt Nimuendaju Unkei, publicação conjunta do Museu Nacional e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, de 1981, indica a localização de 1400 tribos existentes em 1500, que falavam línguas pertecentes a 40 troncos, divididos em 94 famílias lingüisticas. Isso sem contar as línguas isoladas que não podiam ser agrupadas em famílias. O mapa mostra o rumo das migrações dessas tribos, a época em que ocorreram os primeiros registros sobre elas e aquelas que se extinguiram nos 450 anos seguintes à invasão européia e que correspondem a 90 por cento do total. Apesar de não se ter notícia, em nenhuma outra parte do mundo, de uma variedade lingüistica semelhante à verificada na América do sul tropical, a precariedade de dados históricos torna impossível precisar a totalidade da população indígena do Brasil, em 1500.
Após o genocídio desencadeado com a chegada do homem ocidental no Continente Americano, a situação calamitosa em que ficaram os povos indígenas veio se acrescentando ao longo destes séculos.
Índios Viamão
Viamão é uma cidade de 200 mil habitantes localizada à 20 km de Porto Alegre. Nesta cidade são abrigadas famílias indígenas. Encontra-se por lá duas tribos diferentes os Kaigang (fixados na reserva do catagalo) e os Mbÿa Guarani (Fixados na reserva da estiva). A reserva do cantagalo conta hoje com 50 hectares, estando com um processo de ampliação podendo chegar a 300 hectares. Abrigando nesta mesma 119 pessoas. Já a Reserva da Estiva conta com 13 hectares, abrigando aproximadamente 50 pessoas.
Mbÿa Guarani
Ficamos curiosos, nós indivíduos urbanos, de como vivem, ou melhor, como sobrevivem nossos antepassados índios. Chegar a um acampamento Guarani não é como imaginar se chegando a um parque americano e ver índios pintados dançando, com arco e flecha na mão ou fumando um cachimbo da paz em total harmonia com a natureza. A realidade é dura, talvez menos dura por se tratar de uma tribo privilegiada pela posse de 13 hectares de terra. Chegando ao acampamento ainda na RS 040 pode-se avistar as primeiras famílias(mulheres, crianças e o responsável pela tal), no barranco da rodovia, divididos por uma espécie de rodízio, oferecendo seus trabalhos de artesanato. Na pequena estrada que leva até o acampamento, se é escoltado por crianças de todas as idades, e na face estampada a "cara de índio". Falando um dialeto pouco comum ao mesmo tempo com uma sonoridade ingênua e afetiva. E é assim o impacto de chegada, se tenta entender o porquê daquela gente ali, a margem não só da rodovia, mas do mundo, do nosso mundo, o do homem branco.
A receptividade dos Mbÿa Guarani é muito amistosa. O homem branco já é visto por "eles" como seu cliente de artesanato. Talvez a mágoa da expulsão, de suas terras tenha ficado somente na lembrança de seus antepassados. O que se encontra hoje, são jovens guaranis, que dominam seu idioma e o português, procurando a cultura do homem branco. Jovens e decididos membros guaranis cientes da situação real em que vive o índio, e principalmente o Mbÿa Guarani em Viamão. Estas famílias buscam recursos junto a órgãos responsáveis. Conseguiram junto a Prefeitura da cidade, além da Terra em que vivem, uma Escola com professores voluntários, onde seus filhos não precisarão mais se deslocar até a escola mais próxima.A principal fonte de renda dos Mbÿa é a venda de artesanato e a agricultura de subsistência. Onde a batata, o feijão e a mandioca predominam. Foi instalado pelo Governo do Estado um poço artesiano no acampamento, que fornece água "boa" aos índios. Suas moradias atualmente, receberam alguns melhoramentos. Antes viviam barracos de lona em condições quase sub-humanas. No acampamento da Estiva as moradias dos Guaranis se dá em casas de madeira, os resguardando um pouco mais da chuva e do frio. A quantidade de crianças no acampamento é bem grande. Nossos olhos questionam o cuidado e a higiene dispensados a eles. Nota-se também o grande afeto e carinho entre eles, onde os mais velhos cuidam dos mais novos. A saúde deles porém é monitorada pela Secretaria da Saúde do Município que se responsabilizou pelo acompanhamento da tribo.
Expectativa de vida dos povos indígenas brasileiros
A expectativa de vida ao nascer dos indígenas brasileiros é de apenas 48 anos, ou seja, 17 anos menos que a expectativa de vida dos brasileiros não índios que é de 65 anos e que já é considerada péssima. As causas mais freqüentes de óbitos são pneumonia, diarréias, malária, tuberculose, ou seja, doenças facilmente curáveis e preveníveis.