Horas e Mais Horas de Sexo
Eu sempre gostei de sexo demorado. Uma vez passada a adolescência, a fase em que queremos
nos estabelecer como machinhos, transar deixa de ser uma obrigação e começa a se tornar
um verdadeiro prazer. Assim, na minha fase adulta, algo que me deixa tremendamente
satisfeito é sentir junto a mim uma mulher totalmente realizada na cama, com aquela
expressão de plenitude no rosto que só quem já presenciou sabe do que estou falando: um
olhar lânguido, um sorriso discreto nos lábios e, guardando para si, um grito de alegria
represado pelo silêncio do quarto. Apesar de as mulheres viverem dizendo que o tamanho do
pênis não importa, todas que conheci adoraram o fato de eu possuir um de vinte e um
centímetros. Isso somado ao fato de ser educado, ser honesto, tentar ser o mais correto
possível nos relacionamentos, saber preparar a mulher e acariciá-la com muito carinho
antes do ato, faz com que normalmente digam que sou especial. Estou falando de mim porque
sei que a maioria dos homens não pensam assim, e o que interessa a eles é o prazer
pessoal e nada mais. Respeito essa opinião, mas só do que tenho a informar é que eles
não sabem o que estão perdendo, afinal, seres humanos fazem do sexo, um ato do espírito
e apenas os animais seguem exclusivamente os seus instintos e vivem para procriar. Deixem
eu narrar um dos episódios que aconteceram comigo e que ilustra bem do que estou falando.
Era uma mulher jovem e madura, com um rosto lindo e um corpo espetacular. Já nos
relacionávamos havia algum tempo, tínhamos a tarde toda livre e resolvemos ir para a
cama. O que tornou aquela tarde especial nas nossas memórias talvez tenha sido o esforço
consciente de nós dois em nos amarmos e desejarmos tornar tudo perfeito. Tínhamos saído
de um bom almoço e fomos para a casa dela, tomamos um banho e nos deitamos na cama para
namorar. Tudo começou com um longo olhar, um daqueles olhares perdidos na profundidade de
cada um. Não sei quanto tempo ficamos naquilo, próximos e ao mesmo tempo distantes,
entrando a fundo, um dentro da alma do outro. Havia uma seriedade quase que sacralizada,
dentro daquele quarto que era a nossa igreja. Os abraços e carícias surgiram
espontaneamente, inicialmente simples toques delicados, como se o parceiro fosse uma jóia
rara que necessitasse um cuidado todo especial. Os cheiros, os suores e as texturas das
nossas peles nos deixaram já nesse momento um pouco fora de nós, como se flutuássemos
em um espaço estranho. Depois de mais de trinta minutos nesse preâmbulo, o mundo lá
fora havia começado a desaparecer e só o que importava era um ao outro. Quarenta minutos
depois ainda estávamos nas carícias fortes até chegarem ao ponto de se tornarem
insuportáveis. Ambos queríamos muito a penetração, mas sabíamos que não
precisávamos ainda. Não tínhamos nenhuma pressa e o excitamento era enorme, cada vez
ocupando mais os nossos pensamentos e os nossos seres. Eu estava com uma forte ereção e
minha parceira, com os bicos dos seios também totalmente eretos. Quando eu penetrei nela,
parecia que caía em um poço profundo. O prazer era inexplicável, pois quando ficamos
por demais excitados, à partir de um ponto o corpo passa a se erotizar por completo e o
sexo deixa de ser apenas um ato genital. Segurei o gozo que era iminente. Quando a vontade
era muita, eu parava um pouco ou retirava o pênis e esperava a vontade passar, fazendo
outras formas de sexo, mudando de posição, mexendo no seu clitóris, lambendo o seu
corpo ou fazendo massagens. Quando conseguia me concentrar, iniciava tudo novamente. Há
uma técnica chinesa também que funciona muito bem para reter o orgasmo: intercalar
penetrações na entrada da xoxota, com penetrações bem profundas, em uma proporção de
nove para um, ou seja, nove estocadas superficiais com um profunda. Ela gozou comigo
dentro e a as suas contrações exigiram um enorme esforço de concentração, pois o
tesão era quase que insuportável. Depois de quase uma hora de penetração, tudo
começou a ficar mais fácil. A ereção permanecia, mas a sensibilidade começava a ir
embora. Assim, os nossos movimentos começaram a se tornar mais fluidos, as mudanças de
posição aconteciam sem a retirada do pênis, como se fosse um balé a dois. A cada cinco
ou dez minutos ela tinha um orgasmo, mas suas contrações não mais me afetavam no
sentido de provocar a ejaculação. Davam-me um prazer intenso, como se jatos de calor me
subissem pelas costas até a nuca e se espalhassem pela minha cabeça em explosões. O
sexo não é algo excludente. Ainda continuávamos com olhares profundos que trocávamos
nos momentos de descanso, com as carícias delicadas e com os toques mais intensos. Ainda
continuávamos com as mudanças de posição, com as penetrações leves e com as
profundas, mas algo ia se acumulando. Talvez sexo seja das poucas coisas repetitivas que
não sejam monótonas, pois, acreditem, quem consegue passar da fase inicial e genital do
sexo, consegue ir sempre subindo, em um estado de excitamento constante. Nesse momento,
descobre-se que realmente o tempo é algo relativo, pois ele torna-se mais lento, como se
quisesse parar. Depois de, não sei, três ou quatro horas de atividade, que era o que a
minha condição física permitia e a fadiga muscular já começava a fazer-se presente,
resolvi ejacular. Foi um gozo estranho, como se fosse em câmera lenta. Eu sentia cada
músculo do meu corpo participando e sentia também o movimento do líquido sendo
expelido. As ondas de calor que subiam pelas minhas costas se concentraram como se fosse
algo material percorrendo a minha espinha. Nesse ínterim, a minha companheira já tinha
conseguido uns dez ou quinze orgasmos. O sentimento de amor e felicidade plena era
intenso. Amor aqui não era algum tipo de balela ou um discurso de algum religioso carola,
mas sim um sentimento real e presente que poucas vezes senti na vida. Descansei sem
dormir. Ainda fizemos amor novamente, e aqui a palavra é bastante adequada, por mais uns
trinta minutos e depois resolvemos parar por aquele dia. Como um marinheiro que anda pelas
ruas da cidade ainda gingando com o balanço do navio, a sensação dos corpos em
movimento permaneceu ainda por horas. Caminhávamos pela rua com o ritmo dentro de nós.
Ouvia, ou pressentia talvez fosse um termo melhor, um zunido estranho como se estivesse em
um mosteiro oriental com milhares de monges entoando cânticos monossilábicos. E a minha
visão também estava diferente. Tudo parecia mais colorido e saltado. Eu via um outdoor
como se ele tivesse três dimensões e as lanternas dos automóveis que passavam brilhavam
um vermelho intenso, como se o mundo tivesse sido semeado com rubis. Sim, amigos. Tudo
isso é possível sem drogas e sem nenhum tipo de perturbação mental. Talvez exista algo
mais, algum estágio que ainda não consegui alcançar e que venha a ser a nossa
verdadeira essência. Não sei, só o que tenho certeza é que sexo é algo que vai além
da cama e além de um gozo rápido e pequeno. Só quem tentar, saberá que estou dizendo a
verdade. Moro em Curitiba. Quem tiver experiências similares para trocar ou alguma mulher
bonita interessada em me conhecer, escreva: umtoque@zipmail.com.br .
Um Homem
Curitiba