Favela

Suzana Cunha
 
  Foi lá encima, bem acima, morro acima,
  quando tocada por ossuda mãozinha,
  franzina,
  que avistei olho abaixo,
  bem lá embaixo,
  lindo e rico o Rio de Janeiro
 
  Foi lá do alto,
  bem do alto, no topo do morro,
  que percebi olhos à frente,
  bem em frente,
  sem dentes e com porteira sorridente,
  o pequeno favelado brasileiro,
  curtido e suado,
  criado em barraco,
  chão de barro...
  Ah, mas que espaços grandiosos !
  Ah, que brilhantes e enormes estes negros olhos esperançosos !
  são quase risonhos a irradiar felicidades !!!
  momento em que rolam minhas lágrimas,
desfiando e desenhando poemas tristonhos,
 
 compondo máguas morro abaixo.
 
 
 
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