Golfinhos 
Falante,
amistoso, carinhoso com seus congêneres e voraz contra seus inimigos,
o golfinho já foi definido, certa vez, como o primo ideal para o
homem. Gentil com as crianças e forte o suficiente para derrotar
tubarões, ele tem atributos que o proximam daquilos que os humanos
sonham para si próprios.
Heróico, capaz de salvar afogados empurrando-os docemente para a
praia - como registram inúmeros relatos ao redor do fundo - , o
golfinho vem sendo cantado em prosa e verso desde tempos remotos. Marinheiros
de diversas nacionalidades
consideram sua presença
presságio de boa sorte e há um grande número de lendas
sobre seus poderes. Apolo os utilizava como guia para os sacertodes cretenses.
Netuno evocava a sua sensualidade para conquistar Anfitritre.
Mais recentemente, relatos de amizade intensas entre golfinhos e crianças
foram vistos e documentados. O caso da neozelandeza Jill Baker, que recebia
a visita diária do golfinho Opo, com quem "cavalgava" mar a dentro,
chamou a atenção de cientistas em meados deste século.
Mais tarde a televisão e o cinema se encarregaram de popularizá-lo
de uma vez por todas como o grande astro submarino.
De certa forma, as chances do golfinho, em qualquer parte do mundo, se
parecem cada vez mais com as chances do homem. Comportando-se no fundo
dos mares e dos rios com o autruísmo que gostaríamos de ver
em nós mesmos, o futuro dos golfinhos é uma espécie
de antevisão do futuro da humanidade. Se eles resistirem, estaremos
salvos. Porque o que fizemos a eles, acabaremos fazendo a nós mesmos.
