DESVENDANDO O DOM MEDIÚNICO
Escrito por FABIANA DONADEL
Com a orientação do Espírito Irmã Tereza
PROCURA
Passei tanto tempo te procurando
Olhava para o infinito e não te via
Não sabia onde estavas.
E pensava comigo mesmo:
Será que tu existias mesmo?
Não me contentava na busca e prosseguia.
Tentava te encontrar nas religiões.
Tentava te encontrar nas igrejas.
Mas tu não estavas.
Senti-me só, vazio, desesperado e descri.
Na descrença, te ofendi.
Na ofensa, tropecei.
No tropeço, caí.
Na queda, senti-me fraco.
Na fraqueza, pedi socorro.
No socorro, encontrei amigos.
Nos amigos, encontrei carinho
No carinho, vi nascer o amor.
Com o amor, vi um mundo novo.
No mundo novo, resolvi viver.
O que recebi, resolvi doar.
Doando-me, alguma coisa recebi.
Recebendo, me senti feliz.
Feliz, encontrei a paz.
Com a paz, foi que enxerguei
Que dentro de mim é que estavas
E sem perceber, te encontrei.
(Tobias Pinheiro)
INTRODUÇÃO
PALAVRAS DA MÉDIUM
Luz Divina a iluminar meus passos. Assim surgiu a mediunidade em minha vida. Doce e tranqüila, chamou-me ao trabalho na Seara do Mestre Nazareno. Desatenta, precisei de voz mais enérgica para dispor-me ao chamado e, desta forma, aprender o real significado do Amor Fraterno.
Pelas mãos dos amigos espirituais, conheci um amigo que de forma sutil mas decidida, conduziu-me para o início do aprendizado mediúnico, dando, também, oportunidade para o exercício deste dom esplêndido do qual somos dotados em diferentes graus de comprometimento. Através da Terapia de Vidas Passadas, pude conhecer minhas outras vidas e verificar que vinha, com o passar dos séculos, negligenciando a mediunidade e a oportunidade de resgate de erros que esta proporciona.
Não era mais hora para rebeldia. Era necessário preparar-me e acordar os conhecimentos que jaziam adormecidos na memória inconsciente. Confesso que ainda relutei quanto ao fato de falar a respeito de minha pequena experiência no exercício da Mediunidade. O Ser Espiritual que me acompanhou por diversas existências, dotado de persistência e humildade, oportunizou várias mudanças em minha vida e um doloroso e eficiente processo de auto-conhecimento, para que eu assumisse minha tarefa de intercambiar informações entre o mundo físico e o mundo espiritual. Em uma de suas primeiras manifestações, através da psicofonia, Irmã Tereza nos disse: "Paciência! Paciência! Paciência! Fé, Coragem e Resignação!" Hoje consigo entender o significado de enérgicas e doces palavras. Através delas pude compreender o passado como fonte de experiência e produzir efeitos benéficos no futuro. Jamais havia entendido com tanta precisão as palavras mencionadas.
Quando ela me ensinou "Paciência", pedia que eu entendesse que tudo tem seu momento e não devemos nos antecipar, exigindo para nós aquilo que não é necessário. Aguardando que a Bondade Divina nos brinde com a realização de nossos pedidos, à medida de nosso merecimento. Me falava em "Fé", para que compreendesse que é preciso crer a fim de ensinar. Quando falava em "Coragem", alertava-me para as sarças e espinhos do caminho e, por fim, pedia que me resignasse diante das provas difíceis. Essa mensagem nos foi repassada há dois anos. Nesse intervalo de tempo, minha paciência não foi tão grande, mas aprendi a tê-la; a Fé não me faltou; a Coragem descobri agora e, quanto à Resignação, compreendi o que significa e o porquê de possuí-la nas últimas semanas. Neste dia, lembrei-me do trecho do Evangelho que diz: "... todo aquele, pois, que se humilhar e se tornar pequeno como esta criança, será o maior no reino dos céus..."(São Mateus, cap. XVIII, v. 1 a 5). Meu desejo, sem dúvida, não é ser o maior. Quero, tão somente, aceitar os desígnios da Bondade Divina "sem rebeldias e reclamações".
Como é importante ter a compreensão de que tudo que nos acontece hoje é fruto de nossa própria semeadura. Isso nos faz sentir a responsabilidade sobre nossas ações e nos leva a refletir acerca de nossos planos. Muitos dos sonhos que tinha na adolescência estão aguardando, pacientemente, sua realização. Os projetos para o futuro já são bem diferentes, pois agora creio na reencarnação e sei que eles só dependem de minhas atitudes e de meu merecimento. Peço a Deus e a meus mentores, dotarem-me sempre da capacidade de discernir e da saúde para colaborar de forma efetiva e consciente, no trabalho de socorro, auxílio e orientação aos que sofrem.
Verificando as experiências encarnatórias anteriores, vejo que diversas vezes negligenciei o chamado e orientação dos bondosos amigos que me acompanham. A rememoração de uma delas foi muito marcante. Há cerca de 350 anos, em Portugal, após ter sido adotada por um casal que não podia ter filhos, comecei a manifestar capacidades mediúnicas. Chamava-me Fátima e contava com 10 anos de idade quando comecei a receitar ervas medicinais àqueles queixosos de suas doenças e dores. Com essa idade, conversava com os "seres sem corpo", como eu costumava chamar-lhes. Em razão destes acontecimentos, minha família passou a ser discriminada e ridicularizada, minha mãe adotiva (vítima minha de outra encarnação) tratava-me com desprezo e violência. Já meu pai, compreendia minhas atitudes e solicitava que não as demonstrasse tão claramente. Ao invés de resignar-me diante das provas, parti para um convento, aceitando o convite feito por um velho padre que havia nos visitado para me conhecer e, se necessário, exorcizar. Vendo que eu fazia as preces com ele, pediu a meus pais que permitissem minha partida para a vida religiosa de completa reclusão. Minha atitude significou a completa negação da mediunidade. Sendo assim, desencarnei anos mais tarde, vítima de grave doença pulmonar. E, afastada de minha mentora, hoje Irmã Tereza, fiquei por oito anos presa ao corpo físico, após o desencarne, sentindo a decomposição das energias que deveria ter doado durante minha vida. Ao final desse período, aceitei a presença de minha orientadora e por mais dois anos, preparei-me para as encarnações seguintes.
Com a visualização desta experiência, pude então entender a necessidade de aceitar e cumprir os planos traçados no Ministério da Reencarnação.
A cada dia posso perceber a Mediunidade, como estrela cadente a trazer luz onde imperavam as trevas, alegria onde a tristeza fazia morada e alento a todos que a aceitam com humildade e amor.
Em algumas conversas com a Irmã Tereza e outros mentores, fui orientada a escrever algumas páginas. Algumas delas pela Psicografia. Outras, usando meus conhecimentos e as intuições dos amigos espirituais que complementavam e enriqueciam os textos. Há alguns meses, Irmã Tereza intuiu-me a respeito da necessidade de uma pequena coletânea de experiências e conceitos básicos da mediunidade, para a instrução e acompanhamento dos médiuns iniciantes. Sugeriu o título "DESVENDANDO O DOM MEDIÚNICO", eu entendi que ela e seus companheiros da Congregação Jesus Nazareno, fariam o repasse desta obra através da psicofonia ou psicografia. Creio que me deixou entender assim, para me encorajar.
À medida que as instruções eram repassadas, percebi que a pequena obra trataria de uma pesquisa sobre a mediunidade, seus tipos e o comportamento que o médium espírita deve ter. Além disso, "Desvendando o Dom Mediúnico", deveria contar com relatos de outras entidades e a participação de outros amigos, trazendo suas mensagens de paz, harmonia e universalidade. E, no último capítulo, falamos da ARTE-CURA, trabalho que tem facilitado aos médiuns novatos, o entendimento da incorporação e dos demais tipos de mediunidade.
Esta é, pois, a humilde obra que lhes apresento, desejando que possam encontrar nas páginas seguintes, respostas para suas dúvidas e seus questionamentos, além de lições de vida e amor.
Fabiana Donadel
Lages, 21 de abril de 1997
MEDIUNIDADE
Segundo Irmã Tereza, Mediunidade é dom divino, antigo e eterno, capaz de levar seus portadores a resgatarem, diante da Bondade Divina e de si mesmos, seus erros de passado. Não é desagradável, como pensam alguns, ou impositora de duras regras, como afirmam outros. É assim, bálsamo para o alívio de muitas dores e sofrimentos e fonte segura e inesgotável, de aprendizado.
Ao ser questionado sobre o conceito de Mediunidade, difundido no Templo da Paz, o mentor Mahaidana nos respondeu: "Mediunidade é fonte do auto-conhecimento, através das experiências vividas pelos encarnados e desencarnados, que são resgatados em sua fé e consciência cósmicas, pelo agente chamado médium.
Médium é, pois, o agente através do qual, impulsiona-se, com mais facilidade, a reestruturação das criaturas em desequilíbrio. É através de suas energias que o mundo espiritual produz, no campo físico, os efeitos de melhoria, e até mesmo, cura total, dependendo, única e exclusivamente, da necessidade e da vontade do indivíduo atendido, em se ver recuperado.
Mediunidade constitui ferramenta básica para aqueles que pretendem resgatar em tempo menor, um grande número de fatos advindos das vidas pregressas.
Faculta-se ao portador da mediunidade em fase de trabalho de socorro, o direito de negá-la, ao fazê-lo, porém, arcará com a presença da inestimável e proveitosa DOR".
Segundo Miramez, Mediunidade é "uma ciência tão profunda e sutil, que todos os combates, provindos de várias inteligências, não conseguem fazer a humanidade esquecê-la. Ela viajou com os espíritos milhões de anos, e avança com eles, pela eternidade afora. É uma ciência divina, trabalha sem exigir, e estimula o bem com o interesse no próprio bem". É, ainda, "transmitir algo para alguém, é servir-se de canal por onde passam idéias ou coisas. O médium espírita serve de instrumento para as almas se comunicarem com os homens, afirmando, assim, a sua imortalidade ao deixar o corpo físico. Quem é médium não inveje o outro, porque este tem tais e quais qualidades mediúnicas. A distribuição dos dons é esquema da divindade, que sabe colocar em cada ombro, as responsabilidades que compete a ele desempenhar. Meditemos no conselho de Paulo, aos coríntios, cap. VII, v. 24: "Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo que foi chamado". A função de cada médium, é aprimorar com amor, todos os seus intercâmbios. O estudo, a meditação e o trabalho, levarão todos ao ideal superior."
Mediunidade é, pois, uma faculdade inerente ao espírito, acompanhando-o desde a primeira encarnação na Terra e desenvolvendo-se de acordo com suas necessidades, paralelamente às demais habilidades do ser. É importante frisar que não foi inventada pelo Espiritismo. Portanto, não é exclusividade de nenhuma religião e, como verificamos em conceito anteriormente citado, mesmo com todos os combates e falhas interpretações, permanece na bagagem da humanidade, sempre lembrada e cada vez mais respeitada.
Para entendê-la, não se exige alto grau de intelectualidade, pois como está no Evangelho com respeito ao entendimento da Doutrina Espírita: "É preciso, pois, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, porque se vêem homens de uma capacidade notória que não a compreendem, enquanto que inteligências vulgares, de jovens mesmo, apenas saídos da adolescência, a apreendem com admirável precisão em suas mais delicadas nuanças. Isso decorre do fato de que a parte de alguma sorte material da ciência não requer senão olhos para observar, ao passo que a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade independente da idade e grau de instrução, porque é inerente ao desenvolvimento, num sentido especial, do Espírito encarnado". ( Cap. XVII item: Os Bons Espíritas Evangelho Segundo o Espiritismo).
Sendo a mediunidade um dos atributos do ser, ela pode aparecer em escalas diferentes em cada criatura, produzindo efeitos também diferenciados. Embora muitas religiões e a própria Ciência
Procurem negar este fato ou dar-lhe outras explicações, os fenômenos mediúnicos continuam acontecendo muitas vezes, causando desequilíbrios emocionais e até mesmo, doenças manifestadas a nível físico, enquanto não for convenientemente educada e disciplinada. A partir do momento que recebe a devida orientação educacional, a Mediunidade estabelece-se tranqüila e equilibrada , proporcionando a cura e o constante aprendizado ao médium e o beneficiando. Nesta questão de benefício, na realidade, o médium é o maior beneficiado, uma vez que através do exercício da mediunidade, poderá "cobrir com amor, a multidão de pecados", recuperando-se, então, de eventos passados desarmônicos.
A MEDIUNIDADE E OS DEPENDENTES QUÍMICOS
Os vícios químicos, sejam em pequena ou grande escala, geram lesões no corpo físico, desde o sistema nervoso até os demais órgãos. Essas lesões agregam-se ao M O B (Modelo Organizador Biológico) do espírito, transferindo-se para futuras encarnações.
Sabemos que a condição básica para estar perto de alguém, é a igualdade nas vibrações. Desprendidos no corpo físico, mantemos muitos de nossos hábitos terrenos. Em função do apego, criamos a dificuldade de nos libertar da energia densa da matéria. Com os vícios, este fato fica bastante claro. Podemos perceber que, junto daqueles que mantém qualquer espécie de vício, estarão espíritos que durante a vida física, estiveram ligados ao álcool, fumo ou drogas.
O dependente químico com acentuada mediunidade, sentirá com mais intensidade, a presença de espíritos que vão incentivar o uso do elemento viciador, a fim de terem suas necessidades satisfeitas.
Qualquer indivíduo, portador de algum vício, ao ser alertado sobre seu grau de mediunidade, deve procurar todos os recursos espirituais, terapêuticos e médicos, para eliminação do vício e início de sua tarefa no exercício do dom mediúnico.
Álcool ou drogas (maconha, cocaína, LSD, crack ou outras drogas mais recentes), despertam uma maior expansão de consciência, criando assim, brechas no campo vibratório do usuário. Normalmente, os dependentes químicos ou usuários de qualquer vício, mesmo em pequena escala, são reincidentes. Isso faz com que tenham a necessidade de reformular-se diante da Bondade Divina. Assim, a Bondade do Pai dota-os da mediunidade, pois desta forma, terão maiores subsídios para obter o autocontrole e socorrer aqueles que no passado, foram suas vítimas.
A MEDIUNIDADE NOS EPILÉPTICOS E ESQUIZOFRÊNICOS
A epilepsia é uma perturbação de certas células nervosas do encéfalo. Um ataque de epilepsia ocorre quando nessas células, há, de repente, uma grande descarga de energia elétrica. Normalmente, as células do encéfalo produzem certa quantidade de energia elétrica que flui através do sistema nervoso e ativa os músculos. O encéfalo de um paciente epiléptico, às vezes, deixa de limitar ou controlar essa liberação de energia.
Irmã Tereza: "Em função desse descontrole na liberação energética, os epilépticos têm propensão a manifestar uma mediunidade descontrolada. É necessário pois, tratamento preparatório para que exerçam o dom mediúnico uma vez que possuem grande fluxo energético que encontra-se desordenado e acumulado na região cerebral.
Nos casos de epilepsia, percebemos espíritos que em outras vidas se utilizaram da inteligência para prejudicar ou lesar seus semelhantes. Assim trazem a mediunidade como meio de resgate, drenando seus erros através dos ataques epilépticos".
A esquizofrenia significa uma "divisão" da personalidade. A inteligência do paciente pode permanecer normal, mas suas emoções não se ajustam às situações da vida real.
Irmã Tereza: "No caso de pacientes denominados esquizofrênicos, é conveniente uma análise completa e ponderada, pois, normalmente, tratam-se de portadores da mediunidade sem a educação da mesma. Esse desconhecimento produz diagnóstico e tratamento incorretos e ineficazes.
É certo que o exercício da mediunidade não lhes é muito fácil. Em razão da grande quantidade de informações que sustentam, têm dificuldades na ordenação de suas idéias, gerando o que poderíamos chamar de suposta esquizofrenia.
O médium que negligenciou sua mediunidade, nesta ou em outras existências, pode gerar a esquizofrenia. Quando ela é detectada pela medicina da mente, é preciso estabelecer um acompanhamento espiritual. Com ele, pode-se promover um estado mental equilibrado para o exercício mediúnico.
Explicando, devemos lembrar que a mediunidade surge para equilibrar e não para desequilibrar, portanto, quaisquer desordens psíquicas ou mentais, tem suas causas em vidas pregressas.
O mau uso do potencial intelectual, pode ocasionar disfunções que somadas ao abandono da mediunidade, podem gerar outras desarmonias.
O equilíbrio emocional e psíquico, pode ocorrer através do correto exercício mediúnico, pelo qual se estabelece o auto-conhecimento, este, por sua vez, leva à cura".
PERGUNTAS SOBRE MEDIUNIDADES
Como fica a situação dos médiuns que residem no interior, sem recursos para estudar a mediunidade?
Irmã Tereza: É preciso lembrar que todos estão no espaço que lhe é devido. Aqueles pois, que não tiverem condições de estudar a mediunidade, em razão do local onde residem, serão menos cobrados pela Bondade do Pai. Porém, estando no interior, esses médiuns poderão ser excelentes conselheiros, recomendando chás e benzimentos ou passe.
Poderão ter consigo, obras que os façam compreender a mediunidade e constituir pequenos grupos nas localidades em que residem, bastando possuir boa vontade e alguém que saiba ler para que haja a instrução dos demais.
Lembremo-nos que todos temos mediunidade e, portanto, poderemos ser meio, através do qual, serão difundidos sentimentos, pensamentos e conhecimentos que possam contribuir para a evolução espiritual, moral e intelectual daqueles que estão ao nosso redor, efetivando o canal mediúnico que somos.
E a situação das pessoas muito pobres, sem tempo e condições para se deslocar a fim de estudar e praticar a mediunidade?
Irmã Tereza: Para essas pessoas, podemos acrescentar algo mais à resposta da questão anterior que também lhes serve.
Sempre haverá uma boa alma que se disponha a ensinar conceitos de Evangelho e mediunidade àqueles que dispões de poucos recursos.
Quanto ao tempo, os irmãos hão de concordar que é sempre possível encontrar uma forma de bem administrá-lo, a fim de que se possa estudar a mediunidade, pois este deve ser um compromisso, assumido com amor e responsabilidade.
O Evangelho é claro quando diz: "Pedi e obterei". Então basta planejar seu tempo e, com certeza, a Bondade do Pai oportunizará a chance de estudo mediúnico.
Quanto aos analfabetos ou pessoas com poucas possibilidades intelectuais, como agir, para lhes repassar informações acerca da educação mediúnica?
Irmã Tereza: Todos possuímos cinco sentidos básicos, além de outros desconhecidos pela ciência cartesiana. Também somos dotados de conhecimentos natos, trazidos de outras experiências encarnatórias. Esses conhecimentos são despertados, de acordo com nossas necessidades, só é preciso nos colocarmos à disposição para recebê-los e usá-los.
Aqueles que não sabem ler, saberão por certo ouvir e desta forma, se predispuserem a trabalhar e forem dotados de boa vontade, desejo de auxiliar, humildade, amor ao próximo e vontade de aprender. E cada médium será conduzido para a atividade na qual poderá auxiliar mais aos amigos do mundo espiritual.
Qual a razão ou razões de algumas pessoas começarem o estudo da mediunidade e, ficarem estacionários, sem conseguirem maiores progressos? O que a Irmã pode dizer a esses médiuns?
Irmã Tereza: Todos são médiuns, porém, nem todos possuem grau mediúnico suficiente para alcançar desempenho em determinados tipos de mediunidade.
Outras vezes, por desprezo ao dom mediúnico em outras vidas, precisam passar pela prova de desejá-lo e ter dificuldades em educá-lo de forma mais evidente.
Além disso, somos treinados para a mediunidade antes da reencarnação, para que o nosso equipamento físico seja adaptado ao tipo de mediunidade que vamos desempenhar no plano físico, o que significa dizer que trazemos uma preparação e há necessidade de aprimoramento.
Seria correto dizer que após certa idade, as pessoas têm maior dificuldade em praticar seus dons mediúnicos?
Irmã Tereza: Não podemos considerar a idade cronológica, um impecilho para a prática dos dons mediúnicos. É claro que em função de certos vícios comportamentais, as pessoas criam certa antipatia por este ou aquele assunto, restringindo assim seu potencial. A real dificuldade está, então, na aceitação de mudanças, uma vez que as pessoas acostumaram-se a determinadas posições e por comodismo não desejam reeducar-se.
Qual a pena para aqueles que não colocaram em prática sua mediunidade? A pena é igual para quem sabia do dom mediúnico e para quem desconhecia este atributo?
Irmã Tereza: O evangelho diz "O servidor que soube a vontade de seu senhor e que, todavia, não estiver preparado e não tiver feito o que se esperava dele, será batido rudemente; mas aquele que não soube sua vontade, e que tiver feito coisas dignas de castigo, será menos punido. Muito se pedirá àquele a quem se tiver muito dado e se fará prestar maiores contas àqueles a quem se tiver confiado mais coisas." (São Lucas, cap. XII, v. 47, 48).
Cremos que o próprio Evangelho já responde esse questionamento.
Lembremo-nos: "a cada um segundo suas obras". Aquele que foi alertado acerca de sua mediunidade e a negligenciou, responderá por este ato no retorno ao Mundo Maior, sob mais duras penas que o outro desavisado.
Qual a reação para aqueles que, ainda hoje, comercializam a mediunidade, usando também magia negra? São eles candidatos ao processo de exílio?
Irmã Tereza: Existem nessa questão, vários pontos de análise.
Primeiro, não se pode comercializar a mediunidade.
Segundo, "Fazei aos outros o que quereis que vos façam."
Assim, lembramos que existe o livre arbítrio de todos os Filhos de Deus. E que estes podem escolher o caminho a seguir. Não cabe a nós o julgamento desses irmãos.
Quanto a serem candidatos ao exílio, somente serão exilados aqueles que não se reformularem. Portanto, o fato de comercializar a mediunidade e/ou utilizar-se de magia negra, não é por si só, condição de exílio. É, porém, um agravante considerável, pois segundo as palavras do Nazareno: "Fazei aos outros o que quereis que vos façam", aquele que comercializar os dons, gratuitamente recebidos, haverá de reconciliar-se consigo mesmo, diante do Pai.
Muitas dessas criaturas citadas na questão anterior, são principiantes no desempenho da mediunidade. A reação para eles é a mesma que advém sobre aqueles que já conhecem os efeitos do comércio mediúnico?
Irmã Tereza: Voltamos a frisar que "àquele que mais for dado, mais será cobrado". Sendo assim, quem comercializa um dom recebido gratuitamente, sabendo das conseqüências deste ato, será muito mais cobrado que o outro que desconhecer o fato.
TIPOS DE MEDIUNIDADE
Todos trazemos a mediunidade como mais uma habilidade do espírito. Cada ser a possui com um grau diferente, o que ocasiona os vários tipos de mediunidade. Neste capítulo, vamos repassar algumas mensagens psicografadas e histórias repassadas pela psicofonia, quando entidades carentes de auxílio, recebem a doutrinação e são encaminhadas para planos vibratórios superiores.
Os fenômenos mediúnicos nos chamam atenção. Porém, a mediunidade não esta somente relacionada à incorporação, vidência ou psicografia. Existe a mediunidade da alegria, da compreensão, da fraternidade, do saber ouvir e aconselhar, bem como a mediunidade da tristeza, da irritação, do pessimismo. Observamos que a mediunidade em si, não é boa ou ruim, essas qualificações só poderão ser atribuídas ao uso que dela for feito. Portanto, ao invés de sermos médiuns da tristeza, sejamos médiuns da alegria, levando onde formos, um sorriso iluminado pelo amor e pela fraternidade.
Na Doutrina de Luz", modo pelo qual Irmã Tereza refere-se à Doutrina Espírita, aprendemos utilizar de forma conveniente e digna, os dons mediúnicos, sejam eles fenomênicos ou não. Se mediunidade é um meio, uma "porta" através da qual acessamos outros planos vibratórios e, todos nós dela somos portadores, devemos observar que muitas vezes, pessoas desavisadas impregnam o ambiente que freqüentam, com seu pessimismo, sendo médiuns ou meios de condução do pessimismo. Por outro lado, vemos pessoas que contagiam todo um grupo com seu otimismo e confiança. Esses são os médiuns do otimismo.
Dentre os tipos de mediunidade, jamais poderemos dizer qual delas é mais importante ou melhor, pois cada um tem seu valor específico e deve ser respeitado. Assim também, o médium não deverá invejar ou criticar a mediunidade de outrem. Cada trabalhador da Seara de Jesus, tem sua tarefa e deverá esforçar-se para bem cumpri-la.
Irmã Tereza nos fala acerca de alguns tipos de mediunidade:
"Filhos e Amigos na Seara do Bem.
O exercício do dom mediúnico requer, como sabem, estudo, amor e compreensão sem pré-julgamentos. Cada indivíduo é dotado de inúmeras capacidades, dentre as quais está a mediunidade, em pequeno ou grande grau de manifestação. Aqueles que trazem em seu compromisso encarnatório, a necessidade de exercer a mediunidade, têm um tipo de dom mediúnico que lhe é mais acentuado que os demais. Seja qual for o tipo de mediunidade manifestado, ele depende das tarefas que o médium deverá executar. Cada médium é, portanto, preparado, nas Escolas de Mediunidade do plano espiritual, para que ao reencarnar, traga consigo um equipo mediúnico compatível com seus compromissos de intermediário entre o plano físico e os demais planos vibratórios.
Sendo assim, os médiuns que tiverem em sua carta encarnatória, o compromisso de externar o dom mediúnico pela voz, trarão consigo a facilidade de exercer a psicofonia. Esse tipo de mediunidade faculta ao mundo espiritual, o intercâmbio com o mundo físico, através da fala do médium que, em transe mediúnico, empresta, parcialmente, ao espírito comunicante, seu aparelho fonador e sua capacidade intelectiva.
A psicofonia é, pois, um dos meios pelos quais as inteligências do além-túmulo, dotam as almas de conhecimentos acerca da conduta ideal, da reencarnação e outros assuntos de interesse para a evolução da humanidade.
A psicofonia é tida pelos espíritas, como incorporação. A incorporação ocorre de formas diversas. Quanto maior o treinamento, maior será a clareza das mensagens e menores serão os sintomas manifestados pelo médium.
O médium iniciante, em geral, sente os sintomas da entidade que está sintonizando, como dor, angústia, frio, calor, medo, raiva. Com o passar do tempo, sendo educado e treinado, de forma conveniente, o médium passa a "perceber" a presença de uma entidade sem que haja necessidade de manifestar em si mesmo, as desarmonias do espírito que irá se comunicar. As incorporações no médium educado são sutis e suaves, facilitando dessa forma a doutrinação que deve ser uma conversa na qual ambos, possam aprender. Médium e espírito, compartilham as energias que possibilitarão a recuperação do segundo, e a continuidade do trabalho do primeiro.
Na psicofonia ou incorporação, o médium deve estar no mínimo, com cinqüenta por cento de consciência. Dessa maneira, estará auxiliando no reequilíbrio da entidade e, conseguirá, ao término da sintonia, sua própria recuperação energética, mentalizando a energia rosa e inspirando-a, profundamente.
A cada incorporação, o médium deve desligar-se da entidade auxiliada, evitando que suas freqüências mentais criem um entrelaçamento que impossibilite o tratamento do espírito e a reativação das capacidades do médium.
Quando a psicofonia é utilizada por um espírito de luz, o médium, segundo a necessidade, pode ficar mais ou menos consciente. O grau de consciência vai depender da mensagem a ser transmitida. Um espírito de luz, impede que haja qualquer interferência do médium e o treinará, caso deseje repassar através dele, uma quantidade maior de mensagens.
Para qualquer atividade mediúnica, é necessário que o médium esteja higienizado física e mentalmente. Compreendem pela higiene física, uma alimentação saudável, sem vícios, evitando e até eliminando a ingestão de alcoólicos, carnes e doces em excesso. A higiene mental se configura pela fluência de bons pensamentos e pela aquisição do conhecimento de si mesmo, além do constante estudo da mediunidade e demais assuntos que possibilitem informações e instrução.
Na realidade, a psicofonia é atributo de todos, pois quem já não é meio ou canal para transmitir algo? Seja conhecimento, conselho, recado ou aconchego, todos, sem exceção já serviram de médium de psicofonia.
Quando é a palavra escrita, o meio utilizado pelo espírito comunicante, temos a psicografia. Através dessa faculdade mediúnica, são repassados conhecimentos advindos do "mundo dos mortos", fazendo cumprir a orientação do Espírito da Verdade: "Amai-vos e instruí-vos".
Durante a psicografia, notam-se certas alterações nas gl6andulas hipófise, pineal e pituitária e no sistema nervoso do médium, que fica sensibilizado, permitindo a ação do espírito que deseja ou necessita ter suas idéias redigidas na matéria.
Observando a história dos escritores, notaremos alguém intuindo suas mentes para a execução de bela obra.
Na psicografia, também teremos diversas formas de manifestação, variando desde a psicografia mecânica, até a intuitiva.
Na psicografia mecânica, o médium é conduzido pela mente do espírito que impões seu desejo sobre o veículo físico de seu auxiliar, grafando as palavras sem qualquer intercâmbio com ele. Desta categoria, à psicografia intuitiva, existem vários graus de manifestação. Nos mais sutis, o espírito utiliza-se da intuição para repassar sugestões ao escrevente. Nestas páginas, a médium me serviu na psicografia semi- mecânica. Em outras páginas, houve a intuição, aguçada para que houvesse melhor receptividade.
Veremos que em todos os tipos de mediunidade, existem graus variados de manifestação. O médium dotado de um ou mais mediúnicos bastante aguçados é, normalmente, muito comprometido carmicamente. Assim, podemos dizer quanto maior o resgate cármico, tanto maior será o grau de mediunidade.
A capacidade de ver os espíritos, vidência, é aquela que requer maior vigilância por parte de um médium. O médium vidente, jamais pode pensar que sua capacidade é indispensável, colocando-se num plano de superioridade vaidosa. Esse conselho vale para todos os médiuns que, também, não devem impor a alguém, a aceitação de suas experiências mediúnicas.
A vidência deve ser cultivada com amor e ponderação. O médium deve saber o que falar, pois caso haja descuido ou invigilância, a vidência poderá ser distorcida, causando assim, uma informação indevida que poderá desorientar os novatos na mediunidade.
Há os que sejam dotados da vidência em seu estado consciente, outros, só a possuem quando no estado sonambúlico ou próximo dele.
Também a vidência varia em seu grau de intensidade maior ou menor. E, em qualquer estágio de manifestação, deve ser guiada pelo bom senso e pelo raciocínio claro e definido do médium.
Todos os dons mediúnicos, são igualmente importantes, assim como as demais capacidades de que os seres são portadores. Em nenhum momento, o médium deve acreditar que o dom que possui é superior do que o de outrem, pois que nessas ocasiões, poderá ter grande surpresa, quando perceber não ter dom algum. Deus nos dá mostras de sua paternidade, inclusive nos desprovendo das faculdades que estamos denegrindo, pelo orgulho, ciúme e insensatez.
Mediunidade é empréstimo que a Lei Divina nos faz, a fim de oportunizar o resgate de nossos erros
pretéritos.
Que Jesus os abençoe."
COLETÂNEA DE MENSAGENS DOS ESPÍRITOS
Irmãos, que a luz harmonizadora do Cristo lhes ilumine!
O Exercício da tarefa mediúnica requer de seus trabalhadores: Paciência, Responsabilidade, Compreensão, Estudo Contínuo, Solidariedade, Fraternidade, Caridade e Amor.
O último elemento citado, deve ser bem compreendido, pois falamos de Amor Fraterno e Universal.
Ao ingressarmos na Casa Espírita e nos dedicarmos à doutrina de Luz, surgem em nosso íntimo, os mais diversos sentimentos. Emergem paixões, ódios, rancores e ciúmes que não devem ser alimentados e, sim, administrados e transmutados, a fim de não serem propulsores de desequilíbrios e desarmonias.
Esses podem nos levar a desgastes energéticos desnecessários. É preciso, pois, de todos os trabalhadores, um completo conhecimento de si mesmo. Desta forma alcançarão o domínio e demais atributos necessários ao desempenho e condução de suas tarefas mediúnicas.
Todos têm ou terão espaço. É preciso se permitir o trabalho regrado, equilibrado e pautado nos padrões evangélicos.
Nem sempre todos terão a mesma opinião, nem tampouco partilharão das mesmas técnicas para socorrer os necessitados. Porém, isso não significa que se deva criar uma vibração de combate, perturbando o ambiente de Paz e Harmonia que deve ter uma Casa Espírita.
Numa Casa de Socorro, podem surgir diferentes grupos se utilizando de técnicas variadas. Isto acontece pela intenção que temos de fornecer subsídios e campos de ação para todos aqueles que aceitam as tarefas mediúnicas.
Temos nossas tendências e nos sentiremos mais seguros quando próximos de amigos com os mesmos interesses.
Os irmãos tem consciência de que grupo familiar é o espaço onde fazemos nossos grandes resgates. Pois um grupo mediúnico deve ser entendido da mesma forma. Nele, nos reunimos com amigos e inimigos, vítimas e algozes, além de outras relações de passado, para rearmonização e reequilíbrio de sentimentos.
Aprendam. Cresçam como aprimoramento dos conhecimentos. Difundam o Evangelho e o Amor Fraterno. Façam isso juntos, sem se perturbarem com as necessidades criadas por si, desnecessárias no momento evolutivo atual.
Controlem seus ímpetos.
As paixões ou ódios extremos aparec3em para serem transmutados e sublinhados.
Tem nas mãos, o Conhecimento, usem-no com sabedoria.
Tem nas mãos, o Evangelho, sigam seus ensinamentos.
Tem nas mãos, a Mediunidade, Dom Divino, socorram aqueles que clamam pelo alívio de suas dores, mesmo que se sintam tão sofredores quanto eles. Mas lembrem-se, seus sofrimentos serão amenizados na medida que auxiliarem na diminuição da dor de seus irmãos.
Luz e Pz a todos, no exercício do dom mediúnico.
Irmã Tereza
b) Há poucos dias, reencontrei amigos de minha antiga Congregação, no Astral. Estavam debilitados e nem se apercebiam disso. Diziam que muitos estavam trabalhando em nome de Jesus, mas cometendo graves erros. Falei a eles da necessidade de compreensão e fraternidade. Disse-lhes que Deus está a seu lado como em todos os lugares onde se tenha boa vontade em pregar a palavra do Cristo.
Meus amigos ainda não se conscientizaram que todos fomos e somos Filhos de Deus e temos nosso espaço no universo. Acreditam que sua antiga crença, seja a única verdade. Falei com eles e acredito que se conscientizaram de que a missão é uma só: "Crer e falar de Deus a todos aqueles que quiserem ouvir".
Deus seja louvado!
Eles me ouviram.
Muitos deles estiveram entre vocês, tentando resgatar as ovelhas desgarradas. Não se intimidem irmãos, e prossigam na sua tarefa dentro da Doutrina que ensina amar sem exceções ou discriminações.
Avante. Jesus está com todos aqueles que amam e respeitam seus semelhantes.
Aprendi no Astral, a tarefa da Doutrina de Luz.
Não abandonei "minha batina". Agora a amo mais do que antes.
Amem-se uns aos outros. O Cristo nos ensinou assim. Sigamos seus conselhos de 2.000 anos atrás.
Estou feliz por ter reencontrado Jesus e Deus, dentro de mim mesmo.
Que Jesus os abençoe.
Irmão Francisco
Congregação Jesus Nazareno
c) Novos Amigos
Tempestades e frio pareciam cortar nosso rosto. Sentíamos que o fim se aproximava. Tivemos medo, mas era preciso lutar para que permanecêssemos ali. Aos poucos, percebemos uma luz azul que vinda do final do túnel do lado que habitávamos, ofuscou nossa visão... quando acordamos, vimos que estávamos à beirada de uma porta e os "vivos" nos ouviram. ( A entidade se refere aos médiuns que a atenderam, como os "vivos". Fala da casa espírita onde foi auxiliado, quando menciona "à beirada da porta").
Foi maravilhoso o momento no qual tivemos a oportunidade de sorrir novamente e sentir algo que há muito parecia terminado: o Amor.
Eu sorri para a Vida, fui conduzido para a forma infantil e meus amigos, também. Após alguns meses, somos adultos, estudantes e felizes, aceitamos o título de Filhos de Deus. ( As entidades que necessitam vir para outras encarnações e encontram-se debilitados, são conduzidas para a forma infantil, permanecem nesse estágio até que possam absorver conhecimentos na configuração e mentalidade adulta).
Obrigado! Agora aceitamos ser chamados de seus amigos e irmãos. ( Despede-se com agradecimento, dizendo aceitar ser chamado de amigo e irmão. Isso porque, quando socorrido, teve dificuldades em ver os médiuns como sendo iguais a ele, Filhos de Deus.
A Socorrista
Nem sempre conseguimos seguir avante com nossas propostas.
Este amigo que esteve sintonizado na médium, há poucos instantes, fez inúmeros planos quando dissemos que poderia vir e se comunicar, mas as emoções foram mais fortes. Ele não conseguiu contê-las. Este fato o fez crescer.
Outras vezes ele virá, até que possa testemunhar seu tratamento e recuperação.
Cuido dele há alguns meses. É um bom espírito, buscando acertar e melhorar, pouco a pouco.
Um dia, terá oportunidade de relatar sua longa história e assinar seu nome com a caligrafia que teve quando encarnado. E, com certeza, contará a história desta e de outras vidas.
Que a luz do Mundo Maior os ilumine.
Carla
Enfermeira
Nota da médium: Esta entidade, Carla, se refere a um jovem que havia sintonizado numa médium para escrever, emocionou-se a ponto de necessitar de doutrinação verbal. Para nos explicar o ocorrido, veio a enfermeira que o atendia na instituição onde ele estava.
e) Desabafo
Eu nunca pensei que um ser humano chegasse a descer tanto. Enquanto estive vivo, permaneci recluso dentro de mim mesmo. Desci às degradantes profundezas da mediocridade e do desespero humanos.
Sarjetas e lugares escuros eram minha casa. Parece estranho, mas eu me sentia satisfeito. Depois de algum tempo, nada me satisfazia. Eu parecia estar vegetando sobre a face da Terra, perambulando pelas ruas desertas, nas noites escuras da frieza do ser. Me acostumei sozinho. Procurava companhia quando sentia necessidade de cola, "pó", comprimidos ou qualquer coisa que bloqueasse aquilo que o meu coração sentia.
As noites frias, os gritos das pessoas, pareciam mostrar o mais baixo degrau a ser alcançado. Decidi que era hora de acabar com tudo. Me suicidei.
Foi aí que descobri quão difícil seria minha vida a partir daquele instante. Desci mais do que esperava. Os gritos tornaram-se mais fortes e, só então, pude perceber quanto mal havia feito para mim mesmo.
Comecei andar por uma estrada escura e sem fim. Animais uivavam e senti medo, muito medo. Não consegui me conter, sentia necessidade de algo que me deixasse anestesiado. Estava sozinho, chorei e pela primeira vez, chamei por Jesus.
Naquele instante, alguém tocou meu ombro e eu adormeci.
Agradeço por me ajudarem. É difícil estar aqui, sinto um pouco de dor, mas precisava escrever para que outros não sigam pelo mesmo caminho.
Vejam! Consegui mudar meu vocabulário, agora digo rapazes, antes, diria "os caras".
Enquanto vivo, não soube aproveitar o amor de minha mãe. Ela sofreu muito e eu me sentia feliz ao vê-la sofrer. Eu sei que aqui não preciso me confessar, mas quero e necessito desabafar.
Estou cansando...
Marcelo
Nota da médium: O jovem Marcelo mostrou grande desejo de ajudar aos outros. Mesmo debilitado, insistiu em escrever aos jovens, para alertá-los, mais uma vez.
Cura
É tão bom enxergar a luz.
Quando aqui estive pela primeira vez, via somente pontos de cor, era tão triste.
Depois de colocarem uma faixa azul nos meus olhos, fui para o hospital. Hoje vejo tudo. Cada detalhe no rosto das pessoas desta sala, até mesmo de vocês, encarnados. Vejo as flores e os pássaros. Caminho todos os dias pelo jardim. Se posso aconselhar alguém, digo-lhes: - Sorriam para cada flor. Não existe nada tão especial como ter olhos saudáveis. Vocês já perceberam como as cores brilham? Cada cor vibra um sentimento. Lembrem de um girassol, a sensação é de SAÚDE SEM FIM.
A cada dia, fico mais feliz, porque tenho meus olhos de volta. Jamais me entristeço, pois não existem imagens ruins. Todas as imagens são Divinas.
Sou feliz porque sou Filha de Deus. Vejo tudo, meu corpo, meus movimentos.
Sou luz. Todos somos luz, pois somos filhos de um grande Pai que nos dá tudo quanto pedimos.
É bom agradecer. Obrigada!
Mariza
Nota da médium: Esta jovem tinha a configuração de, aproximadamente, 16 anos. Havia sido socorrida na casa Espírita, e no momento em que começou a escrever, estava muito feliz e saudável. Antes do primeiro atendimento, permanecia cega no Astral. É comum, espíritos deixarem seus corpos físicos e transportarem para o plano Astral, suas doenças e debilidades. Num atendimento através de incorporação que não durou cerca de dois minutos, ela foi encaminhada, totalmente recuperada.
g) O Valor do Perdão
Quero que todos saibam que os erros não são facilmente esquecidos. Eles ficam gravados a ferro e fogo em nós.
Os ofendidos pelas nossas atitudes, até podem nos ter perdoado. A questão é que nós não nos perdoamos. E essa arrogância, esse querer "saber tudo" sobre o bem e o mal, é nosso grande pecado.
Por não me perdoar, cometi outros erros que fizeram o primeiro, parecer brincadeira. E, após tanta insistência, encontrei um castigo condizente com a primeira falha cometida por mim. Passei muito tempo no local que vocês chamam de Umbral. Ali, conheci o verdadeiro pavor, o medo e o frio. Quando uma mão de luz se estendeu para mim, depois de muitas tentativas, resolvi seguí-la.
Agora estava livre! Doce ilusão, descobri que o tempo que passei em sofrimento não auxiliou em nada a criatura que eu prejudiquei, ao contrário, o tempo que passei empenhado em me punir, somente serviu para adiar meu resgate junto de minha vítima.
O remorso criou cicatrizes profundas em mim, mas infelizmente, não aliviou as chagas de quem, um dia, tirei a vida.
Hoje sei que a culpa nada resolve. Somente o desprendimento e a coragem de esquecer de nós mesmos e nos voltarmos, com toda a caridade cristã, para aquele a quem ofendemos.
Um erro, só é reparado com amor e caridade. O remorso não ajuda aos outros, apenas nos envia para um mundo autista, onde apenas o egoísmo se faz presente.
E, aí, cometemos nosso maior erro.
Meus irmãos, rogo a vocês que se espelhem nos atos de bondade e na ação constante, em busca de melhores sentimentos e atitudes, por mais que agimos errado. É necessário coragem, acima de tudo, para acertar novamente.
Agradeço, em especial, a este grupo. Foi aqui que há pouco tempo atrás, recebi o tão sonhado socorro.
Que a paz de Jesus esteja com os amigos.
João
O MÉDIUM
"A comunicação espiritual com aqueles que já estão despegados de tudo é de enorme proveito para conhecermos a nós mesmos. Além disso, dá-nos muito ânimo, vermos praticados por outros, com tanta suavidade, sacrifícios que nos parecem impossíveis de abraçar. Vendo seus altos vôos, nós nos atrevemos a voar também.
Como os filhotes das aves, quando aprendem. Embora não se arrisquem logo a dar grandes vôos, pouco a pouco, imitam seus pais. É de grandíssimo proveito, sei por mim".
Com essa lição, Irmã Tereza nos mostra quão importantes são os exemplos dados pelas pessoas. Retornando nossa memória no tempo, poderemos nos recordar de diversas oportunidades nas quais, o exemplo de alguém nos serviu de modelo.
E quanto a nós? Que espécie de exemplo estamos sendo?
Médiuns! Jamais esqueçam dos aspectos básicos no exercício da mediunidade. São eles, Auto-Conhecimento, Comportamento e Estudo.
Auto-conhecimento. Os gregos já diziam: "Conhece-te a ti mesmo!" e Jesus reforçou: "Conhecereis a verdade e ela vos libertará".
Aqueles que seguem no exercício da mediunidade, tem por obrigação o auto-conhecimento. Somente assim, poderão sentir-se mais seguros no desempenho do dom divino, acreditando que as manifestações advém de outras mentes e que não estão promovendo o animismo sobre o qual Irmã Tereza dá a seguinte definição:
"Animismo é a faculdade de fazer brotar de nosso interior, energias necessárias a determinadas atividades. Não é intercâmbio; o médium anímico deixa brotar grande parte de suas emoções e sentimentos e no mais da vezes, são seus próprios níveis a manifestarem-se como sendo outras entidades.
Formas de animismo bastante bem-vindas são o passe e outras formas de repasse energético, pois devemos entender o animismo como fluir de energias do próprio médium, sem que haja a interferência do mundo espiritual.
Quanto mais desconfiança houver por parte do médium, mais facilmente ele será vítima de mistificações.
Ao perceber-se a manifestação anímica, ela deverá ser tratada com toda compreensão e o médium deverá ser humilde para buscar efetivamente o "conhece-te a ti mesmo!".
E como nos alerta o espírito Miramez: "um médium não deve acusar o outro de mistificação, porque a defesa da verdade não precisa da sua ajuda".
Podemos alertar o próprio médium, porém, façamos o alerta em particular para que possamos alçar vôo na máxima: "Faça aos outros o que queres que te façam". Lembremo-nos que o médium anímico necessita de auxílio para reajuste e alinhamento de seus níveis de consciência.
Eis um fator importante no auto-conhecimento, conhecer a estrutura e os atributos dos sete corpos: corpo físico, duplo etérico, corpo astral, mental inferior, mental superior, Buddhi e Atma.
Comportamento e Estudo. O médium, em qualquer instância, é tido como exemplo, assim, deverá conduzir-se da melhor forma, evitando que estejam fora dos padrões estabelecidos pelo Evangelho de Jesus.
O médium, deve atentamente buscar seguir os passos do Nazareno, sendo humilde, paciente e resignado.
Deve estudar sempre, pois que a instrução é fator importante a aqueles que desejam servir na seara do bem. Diz o Espírito de Verdade: "Amai-vos e Instruí-vos". Um médium não pode deixar de estudar. Todas as técnicas e orientações devem ser conhecidas por ele, assim exercerá sua mediunidade com conhecimento e não simplesmente esperando que o mundo espiritual socorra os sofredores.
Médiuns, devemos participar, cooperar, auxiliar os trabalhadores da última hora que desprovidos do corpo físico, não se cansam de nos convidar para a Doutrina Luminosa.
MENSAGEM AOS MÉDIUNS
Médiuns, ao saberem de sua tarefa, não recuem. Ao assumirem-na, não manifestem inveja ou ciúme dos fenômenos mediúnicos de que é portador e veículo, seu companheiro.
Cada um tem seu espaço, basta observá-lo e senti-lo. Cada trabalhador do Cristo, tem tarefa particular e bem definida. E desta tarefa, presta contas quando de seu retorno ao Mundo Maior. Eis a chance de lançar mão da Boa Vontade e ir pregar a Boa Nova a todos que dela se fizerem merecedores. Estudem. Orientem suas boas ações pelo Evangelho. Transformem esse conjunto das Leis Universais em seu complemento fiel e constante.
Jesus, na figura de seus Mentores e dos Espíritos socorristas, lhes aguarda para trabalharem em benefício do irmão ainda sofredor e desajustado, afim de que ele se redescubra Centelha Divina, Filho de Deus.
Fé e Coragem, afinal não há o que temer. Não estão sozinhos, pois dentre vocês, existem aqueles que já mais instruídos, poderão lhes auxiliar e do Mundo Maior, seus mentores, guiando seus passos e orientado seus pensamentos.
Lembrem-se que existe tarefa que lhes cabe: "Amai-vos e instruí-vos", como nos recomendou o Espírito de Verdade. Amar a si mesmo, conhecendo-se intimamente para então, amar ao próximo com toda fraternidade que se faz necessária.
A prece é luz em seus pensamentos e bálsamo para seus corações. Creiam nesse bem que têm nas mãos. Elevando seus pensamentos em ato de prece, estarão orientado suas emoções e ensinando, pelos seus atos, os irmãos que se aproximam, causando reações diversas, simplesmente por precisarem de auxílio.
O Pai Amorável, que é justo, dá fardo igual ou inferior às suas forças, jamais superior aquilo que você possa suportar, portanto, sem queixas ou lamentações! Jesus está a seu lado. Sintam-no, tocando seus corações e acreditem na luz confortadora chamada MEDIUNIDADE.
Paz a todos,
Irmã Tereza
PRECE AOS MÉDIUNS
(Prece retirada do livro Médiuns, obra ditada pelo espírito Miramez, ao médium João Nunes Maia.)
Glória a Deus em toda a Sua Criação e Paz aos seres na extensão imensurável da vida!
Pai amorável, não nos deixeis esquecer a súplica nos momentos do exercício mediúnico.
Não permitais, Senhor, que nos fuja da lembrança a humildade na hora da oração.
Não consintais, Força Universal, que ignoremos a sublimidade do amor quando servimos de instrumentos aos espíritos elevados.
Sabemos que a sintonia é uma lei divina, com a divina presença da justiça.
Ajudai-nos, Grande Arquiteto do Universo, a nos aproximarmos do perdão, perdoando;
a nos familiarizarmos com a bondade, sendo bons;
a nos firmarmos na fraternidade, sendo fraternos;
a meditarmos na benevolência, praticando a caridade;
a pensarmos constantemente no amor, amando.
E pedimo-vos que nos ajude, se assim for o termo, para que, no perdão, não hajam intenções que nos isolem da sinceridade;
Que na bondade não haja interesse, para que não fiquemos às margens, com a usura.
Que na fraternidade não haja comércio, para que a amizade não se torne em ato breve.
Senhor! Não permitais que na benevolência, haja convivência, para que a doação não seja vazia.
E que no amor, meu Deus, não se envolvam condições que possam alterar essa presença divina no coração humano. Eis que estamos diante de Vós, como médiuns, e sendo médiuns, para o serviço no Vosso serviço, na graça do Mestre dos mestres.
Abençoai os nossos esforços, na freqüência e por freqüência da Vossa ciência.
Alistai-nos no Vosso rebanho, como ovelhas Vossas, chamadas e escolhidas para o grande empenho da vida: "Educar e Instruir".
Descei, Senhor, das Vossas alturas imensuráveis da perfeição e fazei com que sintamos a Vossa presença, pelo Cristo em nós, a nos ensinar as primeiras letras da lei nos escaninhos da consciência, como os primeiros discípulos de Jesus ouviam o Mestre, aprendendo a orar o "PAI NOSSO", que é toda uma legislação sintetizada em um punhado de frases, que brilham mais que as estrelas, que matam mais a sede de justiça que toda a água do mundo, saciando a sede da carne.
Permiti, Senhor, que possamos nos entregar à função da mediunidade, na plenitude da caridade, não nos faltando o ambiente do amor, para pronunciarmos , em conexão com o espírito da luz.
A Paz seja convosco!
Portanto, vós orares assim: "Pai Nosso que estás nos céus, santificado seja o Teu nome".
CONCLUSÃO
Em cinco de dezembro de mil novecentos e noventa, realizando um curso de técnicas de redação, nos foi sugerido o seguinte título: "Meu Ideal Seria Escrever..." Ao reorganizar minhas fontes de pesquisa, encontrei este treino de redação que compilo a seguir:
Meu Ideal Seria Escrever
"Meu ideal seria escrever uma história que inundasse os corações humanos dos mais puros sentimentos. Que fosse lida por todos, sem distinção de raça, credo ou ideologia.
Uma história que tocasse fundo os corações mais frios e distantes, fechados a todo e qualquer sentimento bom.
Que o homem zangado que maltratou a família, ao terminar sua leitura, se tornasse, como num passe de mágica, surpreendentemente bom, carinhoso e humano.
Que fizesse brotar no seio da humanidade, o respeito, a dedicação, o amor, a amizade, a PAZ.
Que tivesse o dom de fazer renascer a esperança perdida. Que mostrasse que sempre existe uma chance, um recomeço.
Que provasse que a vida é uma eterna busca, mas que vale a pena lutar pelos nossos ideais, fazer de nossos sonhos, eternas realidades e de nosso futuro, um caminho de realizações e sucesso.
Que merecesse estar entre as histórias mais lidas do mundo, não pelo "status" que este fato proporciona, mas porque isso faria o ser humano refletir sobre seu real significado, sua força e sua inteligência, que não precisam ser mostradas através de poderosos estoques bélicos.
Que registrasse para sempre, que somos todos irmãos, que nascemos de um só Deus e que merecemos todos um lugar ao Sol".
Hoje, quase sete anos depois, esse ideal se concretiza. Através da ação bondosa dos agentes do Mundo Maior, lhes entrego uma singela obra, esperando que seus corações se compadeçam e que suas mentes se dignem a Conhecer e Desvendar o Dom Mediúnico.
Fiquem na Paz do Mestre e redescubram-se no exercício da Mediunidade.
Fabiana Donadel
Lages, 08 de julho de 1997