CONDICIONAMENTO DE DESENCARNADOS

maio/99

Imbassahy
Condicionamento de Espírito (o desencarnado)
Aprendi com Dr. Canuto Abreu uma técnica sui generis de colocar uma entidade manifesta mediúnicamente sob condicionamento sugestivo, com a finalidade de dominá-la - no caso de ser rebelde - e determinar que ela obedeça às ordens essenciais a seu caso.
Tempos após, Dr. Luiz Gomes de Mattos (já falecido), médico psiquiatra, muito meu amigo, sabendo que eu possuía o curso de psicologia da antiga Fac. de Filosofia, ensinou-me as técnicas de condicionamento de pessoas. Através desses transes pode-se, até, obter curas, regressão a vidas passadas, viagens a locais distantes, etc.
A técnica é muito parecida.
Porém, o que quero destacar é outro fato:
Em determinadas sessões mediúnicas informais, onde o guia é quem conduz os trabalhos, vi, por várias vezes, este condicionar espíritos (incorporados por psicofonia em outro médium) perturbadores, obsessores e que mais, usando algo que me sugeriu a técnica do Dr. Canuto Abreu.
Geralmente eles comandam para que o perturbador fique de baixo de uma pedra, etc., em condições de subjugação às determinações dele, guia.
Conversando com uma dessas Entidades, concluí que, na verdade, não existe pedra nenhuma, apenas o condicionamento. Ora, portanto, o espírito fica subordinado àquele comando até que reveja sua posição. Sente sua ação como se, de fato, estivesse sob uma pedra.
As pessoas encarnadas também reagem de igual forma, quando sob ação do condicionamento. Dr. Mattos, p. ex., dizia que a pessoa estava pregada à cadeira e esta, ao se levantar, levava consigo a cadeira. etc.
A segunda observação que me foi dita pelo tal guia: - é muito difícil condicionar o espírito fora do médium.
Gostaria que os amigos desse opinião a respeito desse fato a fim de
que possamos discuti-lo melhor.

Edmir
Haja vista a observação do confrade relativamente ao condicionamento de desencarnados, ponderemos quanto às técnicas procedidas pelo plano espiritual.
Na prática desobsessiva, às vezes "criamos" objetos para que o obsessor dele
se dê conta, o qual de fato percebe tais formações, em diversos fins.
Essa pedra citada no seu exemplo, também poderia ser uma realidade objetiva para esse Espírito, se o mentor assim o quisesse (até o momento desejado)
Onde quero chegar: de fato há o condicionamento conforme descrito, havendo também a verdadeira formação dos objetos.
Vale lembrar os ítens 6 e seguintes do capítulo VIII, do Livro dos Médiuns.
Agora, a questão é se, no nosso lado de cá, podemos também, pelo menos com relativa segurança e facilidade, fazer tais criações, sem que para isso concorram os trabalhadores espirituais da casa.
Na Apometria, costumamos orientar os perseguidores a que vejam as situações suas tanto no passado quando os respectivos resultados de seus atos, no futuro, além de projetarmos para os sofredores energias que fazem "consertar" os seus corpos espirituais. E isso, presenciamos, não fica na observação de condicionamento.
Diferenciarmos então esse condicionamento das formações reais, eis a questão.
Para isso, talvez entremos na interessante discussão proposta pelo eminente pesquisador, inclusive no fato da condução do pensamento, a energia mental e o fator ectoplasma para esse transporte das ondas mentais.

Edmir

De fato, acredito em duas situações básicas de atuação em trabalhos com mediunidade, já referidas em minha última mensagem:

1ª ) Onde existe o condicionamento -provocado ou não, tanto no médium quanto no Espírito comunicante - a ser considerado em trabalhos mediúnicos.

Os mentores e os doutrinadores encarnados poderão se utilizar desse fato, no intuito de tentar mudar o desenrolar da obsessão. É realmente um poderoso recurso.

Às vezes induzimos os obsessores, com afirmações relativas a sofrimentos vários, que os fazem sentir aquilo que queremos que sintam, mas sem darmos comandos de formação material alguma. Ficamos apenas no âmbito psicológico, embora não saibamos, de fato, se os trabalhadores espirituais naquele momento agem com magnetismo ou hipnotismo, paralelamente a nós.

2ª ) Aqui não existe o condicionamento, mas o manejo de matéria astral, para a criação de objetos e situações nesse campo, com fins de convencimento do Espírito a ser doutrinado.

Reportei-me ao capítulo VIII - Laboratório do Mundo Invisível- de O Livro dos Médiuns, onde o Espírito de São Luiz responde às perguntas de Kardec, todos no

item 128, com relação a uma aparição de um Espírito, portando, em suas mãos, uma tabaqueira. Vejamos algumas perguntas de Kardec, com as respectivas respostas:

03. "Dizeis que é uma aparência; mas uma aparência nada tem de real, é como uma ilusão de ótica; queremos saber se a tabaqueira em questão não era senão uma imagem da realidade, ou se nela havia alguma coisa de material?

Certamente; é com a ajuda desse princípio material que o perispírito toma a aparência de vestuários semelhantes ao que o Espírito usava quando vivia

10. O Espírito pode, pois, dar não somente a forma, mas propriedades especiais?

Se o quiser; foi em virtude desse princípio que respondi afirmativamente às questões precedentes. Tereis provas da poderosa ação que o Espírito exerce sobre a matéria, e que estais longe de supor, como já vos disse." (grifei)

N'algumas vezes São Luiz fala em "aparência", e Kardec comenta que não é no sentido vulgar que a isso se deve interpretar, mas o de aspecto; imitação.

Para não ser cansativo, os amigos da lista poderão acompanhar melhor o desenrolar desse diálogo, observando na própria fonte citada a continuidade das perguntas e respostas.

Observe-se que os Espíritos de Charles e Chopin, ao se apresentarem, revelam-se pelo perfume de violeta, com diferenças de um e de outro. Igualmente pelo cheiro se identifica a irmã Scheilla, mas agora com o de éter, o que traduz, para nós, em não ser realmente aí uma questão de mero condicionamento dos encarnados que " sentem" essas Entidades, antes de saberem que elas irão se apresentar. Existem, pois, possibilidades várias (e desconhecidas para nós), no "domínio espiritual", que de formas variadas são utilizadas pela equipe espiritual, obviamente dependendo do conhecimento e potencial dessa equipe.

Podemos considerar que, de uma forma geral a comunicação com a espiritualidade se estabelece em termos de irradiação de ondas mentais, onde os pensamentos do comunicante chegam à mente do médium, passando do corpo astral à glândula pineal, indo, daí, à substância branca do cérebro, seguindo ao córtex cerebral e tálamo, até chegar no sistema nervoso do encarnado, cuja mensagem, então, se arvora na mediunidade em que o indivíduo é portador (psicografia, psicofonia etc).

Tudo isso verifica-se devido ao perispírito, que tanto no médium quanto no desencarnado tem a mesma essência originária, vibrando, de um e de outro, no mesmo domínio espacial. Vale dizer: é o perispírito o ente indispensável para que se produza qualquer fenômeno psíquico, tanto o mediúnico quanto o anímico.

Não nos esqueçamos ainda de que mediunidade é sinônimo de "desacoplamento" do perispírito... E é por isso que essas comunicações se dão, como já dito.

Por aí vê-se que o médium participa grandemente do "mundo" de idéias do Espírito comunicante, recebendo e mesclando com os seus, os pensamentos dos desencarnados (obviamente, aqui, não esquecendo a questão da identidade das freqüências dos comunicantes).

Tal explica aquela incômoda situação de um médium, por exemplo, "receber" pela psicofonia uma comunicação espiritual, de forma tranqüila, de determinado Espírito, não ocorrendo o mesmo ao utilizar-se esse Espírito de um outro médium, cuja personalidade seja mais agressiva. Parece que de fato são dois Espíritos comunicantes, quando realmente não o são, e a diferença verifica-se tão somente devido à própria diferença de personalidade dos medianeiros.

Observemos que, a partir do momento em que um desencarnado adentra na atmosfera psíquica do encarnado (atmosfera essa formada de eletricidade, magnetismo, raios, ondas e vibrações), é ele (o comunicante) submetido a poderoso campo de força, fazendo, via de regra, com que de alguma forma se curve ao pensamento do médium.

Mas, aparentemente nem sempre a força mental do encarnado é suficiente para resistir a um comunicante com poderes psíquicos de maior capacidade...

Porém, mesmo que o desencarnado seja psiquicamente mais forte que o médium, há sempre a possibilidade de que este último controle a comunicação, basta que se eduque para isso. E a própria "corrente espiritual" se encarrega de dar a força, se não ao médium, pelo menos ao grupo ali reunido, para esse controle.

Não sei se entendi bem a pergunta do companheiro Imbassahy, quando indaga sobre se com o Espírito ocorre o mesmo que com o encarnado, no tocante a "querer" ser condicionado?

Se não, peço que por favor esclareça a questão.

Mas, se é isso, acredito já haver indiretamente respondido a pergunta, pelo que dito anteriormente.

Acrescento, apenas, que de fato a energia mental do médium treinado e evangelizado (dono do corpo) superará a do comunicante, a ponto de conduzi-lo, não sem esforço, a estado psicológico apto a que seja procedido o seu condicionamento, mesmo com a sua persistente resistência para não deixar que isso aconteça.

Evangelizado, disse, pois que quanto mais nos sublimamos, mais recursos desenvolvemos, com capacidade de atuação em formas mais poderosas de energia. E essa conquista não acontecerá apenas com o conhecimento intelectivo; de técnicas, portanto. Repito: tudo depende de expandirmos o amor, em nós. Conforme Paulo:

"E se eu (...) conhecer todos os mistérios e toda a ciência; (...) e não tiver a caridade, nada sou". I Cor 12,13

Imbassahy

Em se tratando de óptica, as idéias não mudaram muito, desde o estudo corpuscular de Newton até agora, embora muitas hipótese pareçam inteiramente contrárias.
Aparência, portanto, é a leitura do cérebro de cada um, sob forma comparativa, da imagem que o sistema óptico transmita às nossas câmaras oculares.
É relativa.
Por exemplo: será que a sensação de azul em mim é a mesma que na dos outros? Eu sei que é azul porque sua sensação é idêntica à que me disseram ou informaram seja "azul". Contudo, pode ser que esta impressão não seja a mesma para o globo ocular de outra pessoa. Tudo é aparência.

Já no caso do condicionamento, há uma energia atuante, há o comando mental do paciente sob ação dessa energia e há o estado letárgico do condicionado. Não se trata de aparência.

Acho também, como diz abaixo, que nossos instrutores espirituais comandem uma série de fatores, mas que precisam do estado de manifestação do desencarnado durante o transe mediúnico.

Mas ainda estou engatinhando nas idéias.

Godinho
Em oito anos de trabalho com Desdobramento Anímico e incorporação ou sintonia de espíritos, percebemos que um espírito ou um Nivel de Consciência sintonizado num médium não tem o mesmo poder e nem a força que tem quando livre do campo energético do médium. Neste caso o doutrinador pode tranquilamente tratá-lo como uma pessoa qualquer, usando os vários conhecimentos ou técnicas de sugestão ou condicionamento que normalmente
se usaria na terapêutica convencional.
O professor Imbassahy tem razão no que afirma.

Anderson Julio (Lobone)
Caro José Godinho,
Espero que estejas em plena harmonia.
Lendo o seu comentário a respeito do "poder de ação" do desencarnado quando incorporado ao médium, gostaria de perguntar se o caríssimo Confrade, acredita que mesmo os chamados "magos negros" estariam com o seu poder de ação limitado, dando-lhe assim, a tal tranqüilidade, para trata-lo como uma pessoa qualquer?
Não estaríamos subestimando os conhecimentos e poderes destas entidades?
Gostaria de poder conhecer a sua opinião a respeito após tantos anos de prática com a sintonia de espíritos.

Godinho.
Com relação ao tratamento de espíritos conhecedores do uso das forças da mente, os chamados "magos negros", observamos que eles já sintonizam acompanhados por espíritos socorristas bastante poderosos e nesse caso
limitados em seu poder, embora neguem-se normalmente a reconhecer isso e mesmo assim ainda manifestem resistência muito grande ao atendimento. Isso é natural em função do orgulho conferido pelo mau uso do poder por longo tempo.
Evidentemente, não podemos subestimar ninguém pois é comum espíritos desse porte sintonizarem bancando o infeliz sofredor e acabarem sendo encaminhados aos hospitais ou desligados sem que o doutrinador ou médium tenham percebido isso.
Uma coisa o amigo pode ter certeza, nós que fomos "chamados" a trabalhar na Apometria somos tão magos negros quanto os demais, só que antes de encarnar fomos encaminhados a uma mesa mediúnica e doutrinados. Prometemos que nos regeneraríamos, só temos que provar isso. Quanto ao mais, entendemos que é nosso dever atender os antigos colegas com muito carinho e amor, e, se for preciso, com muita energia também. Cada caso é um caso e merece atenção especial.

Anderson Julio (Lobone)

Agora, posso concordar com o irmão, pois obviamente o "mago negro" quando incorporado, já está acompanhado por espíritos socorristas poderosos, e isso ajuda no atendimento.
A minha oposição foi ao fato de se afirmar que essas entidades tem menos poder ou força pelo fato de estar dentro do campo vibratório do médium.