Devemos atender a quem não deseja atendimento?
Patrícia, J.S. Godinho e amigos. (05/07/1999)
Patrícia:
Hoje fizemos um atendimento para um dependente químico. Até aí tudo normal, só que no meio do trabalho trouxemos o nível dele e descobrimos que na verdade ele não queria ser atendido, tinha sido a esposa que havia marcado o atendimento. Ele deixou bem claro que queria continuar no vício e que pouco se importava com o nosso atendimento. Mesmo assim fizemos todo o serviço que deveria ser feito e cumprimos com a nossa parte.
Pergunto, vocês acham que este tipo de atendimento pode surtir algum efeito? Ou se na verdade deixamos apenas de atender alguém que realmente precisava e perdemos o nosso tempo com alguém que nem queria saber de ser atendido. Sinceramente fiquei na dúvida da eficácia deste atendimento. O que vocês acham?
J. S. Godinho:
Normalmente os doentes do espírito sempre
julgam que os doentes são os outros, não eles. esse é um caso
típico. Não há como deixar de atender uma criatura dessas.
como dizer para essa esposa extremosa que está querendo socorrer
e libertar a criatura que ama de um vício terrível desse? De
forma nenhuma podemos deixar de socorrer.
Sei que a dúvida nos assalta muitas vezes, mas, como nos diz
Irmã Teresa e
Mahaidana, o compromisso de atender é nosso, os resultados
pertencem a Deus e
a Jesus.
Na verdade Apometria, Desdobramento ou outra técnica qualquer
não tem o poder de curar tudo, mas são extraordinárias
técnicas de socorro que não podem e não devem ser desprezadas.
Precisamos dissociar da Apometria a idéia do "cura
tudo" da "panacéia", mas não podemos dissociar a
idéia da caridade.
Eu sei que você ficou se questionando não por falta de caridade
mas talvez
pelo excesso de trabalho. Mas vamos procurar fazer o bem sem
olhar a quem.
Quem pode garantir que teu atendimento não vai libertar esse
rebelde infeliz?
Sabemos que nossas mazelas provém de nossa própria rebeldia
espiritual e dos
hábitos negativos, mas o que seria de nós se a Lei Divina
resolvesse nos
abandonar porque somos rebeldes?
Minha querida Patrícia, conheço você, sei de teu coração
"mole", se não
quiser atender esse infeliz por ele mesmo, atenda pela esposa que
o ama e
deseja tirá-lo da miséria espiritual em que se encontra.
Patrícia:
Sei de tudo isso que dissestes, mas o que
me deixou mais na dúvida é porque
essa esposa a que tu te referes como extremosa, na verdade mentiu
para nós
para conseguir um novo atendimento para o marido. Ela disse que
ele estava
melhor e que por isso precisava de um novo atendimento. Além
disso é uma
garota jovem que só se mete em complicações e não se
modifica. Já nos pediu
um atendimento há um tempo atrás para ela, pois estava sendo
perseguida pelo
ex-namorado que estava tentando matá-la, foi feito o
atendimento. Depois ela
não apareceu mais no Centro e agora que está novamente
enrolada, pois casou
com um dependente químico ela voltou, somente para pedir ajuda.
Então, o que me questiono é isso, nós a estamos realmente
ajudando ou
somente sendo uma bengala nos momentos em que ela está mal?
Adianta atender
alguém que não muda sua forma de pensar e nem suas atitudes?
Já dizia Jesus
que para as coisas acontecerem a gente tem que querer e
acreditar, não basta
pedir para os outros e querer que eles resolvam todos os teus
problemas.
Outra coisa que me questiono muito e que gostaria de saber tua
opinião é o
seguinte: a gente percebe direitinho que o problema das pessoas,
às vezes,
não são espirituais e sim psicológicos. Neste caso o que
fazer, indicar um
bom psicólogo ou deixar que a pessoa freqüente as escolas
mediúnicas e ir
tentando trabalhar o lado psicológico dela? Gostaria muito da
tua opinião
sobre o assunto.
J. S. Godinho:
Hoje você explicou o que não tinha
explicado na comunicação anterior. Neste caso são dois
necessitados. dois doentes que precisam de ajuda. É provável
que um Mentor dessa jovem esposa ou desse marido ou dos dois, a
esteja encaminhando eles para serem socorridos. socorra-os.
Certa vez foi encaminhado, do atendimento
que nós chamamos "médico-espiritual" de nosso centro,
uma jovem prostituta para atendimento em nossa mesa.
A porta de nossa sala foi aberta pelo nosso auxiliar e entrou
aquela moça pintada, vestindo micro-saia e micro-blusa, cruzou
suas belas pernas e desabafou o seu grave problema assim se
expressando:
- Preciso que vocês me ajudem! A esquina onde faço ponto não
está dando mais nada. Parecem que os homens tomaram chá de
sumiço. Não sei o que fazer, aliás não sei fazer outra coisa.
Meu pai morreu e minha mãe nunca me aceitou. Estou desesperada!
Olhamo-nos surpresos e sem saber bem o que fazer, abrimos o campo
de freqüência da moça.
Aberto ao acaso o Evangelho, cai no "Não julgueis...".
Imediatamente uma "chuva" de "Giras",
"pervertidos" e "proxenetas" do astral
inferior passaram a incorporar. Feito o encaminhamento desses
infelizes, perturbados perturbadores, orientamos a moça para que
procurasse talvez um outro emprego. que os tempos realmente eram
difíceis em qualquer profissão, e que a dela não era
exceção. Liberamos a paciente.
Assim que ela saiu, convocamos o referido auxiliar para
passar-lhe uma reprimenda, para que não trouxesse mais casos
como esse para atendimento na mesa.
Quando ele entrou, imediatamente incorporou um espírito e fez
uma saudação em nome do Mestre Jesus e sem nos dar tempo,
iniciou o seu discurso assim: "Desejo agradecer imensamente
e de todo o coração a este caridoso grupo que teve a bondade de
atender a minha filha com tanto carinho. Foram meses de luta, de
sofrimento para tirá-la daquele ponto de prostituição. Tive
que afastar os seus fregueses para que eu pudesse traze-la até
aqui, para ser socorrida por vocês. Vocês sabem do preconceito
que existe com essas pessoas, mas ela é a minha filha, a minha
filhinha querida. e eu não posso assistir impassível à sua
queda no lamaçal da prostituição. Muito obrigado a todos
vocês e que Jesus os abençoe sempre. E desligou-se.
Ficamos calados e enriquecidos com o amor daquele pai pela sua
filha querida.
Quanto a encaminhar para outros tipos de tratamentos, com
certeza, se você
perceber que o caso não é para tratamento espiritual. Quanto a
dizer se é para médicos ou psicólogos, fica difícil de se
avaliar, a não ser que você seja médica ou psicóloga. Quanto
a freqüentar os cursos, com certeza deve, se o paciente quiser.
Acho que Apometria não pode e não cura tudo, embora seu grande
potencial de cura, se assim não fosse, a Lei Divina não teria
deixado que se desenvolvessem outros caminhos e técnicas
terapêuticas.
Patrícia:
Concordo contigo que devemos atender os
necessitados, mas e se a pessoa é
atendida duas, três vezes e não se modifica, só aparece no
Centro quando está muito mal, você acha que adianta ficar
insistindo com essa pessoa, mesmo que a caridade indique que sim?
J.S. Godinho:
Quando Jesus recomendou que não se jogasse
pérolas aos porcos, para mim Ele
quis dizer duas coisas: Que não se falasse de coisas elevadas
para surdos ou
desinteressados e que não se insistisse em atender quem não
quer ser atendido. Está claro que teus "pacientes"
não desejam ser atendidos da forma correta, eles, provavelmente
querem se livrar dos problemas para continuar com seus maus
hábitos e desequilíbrios. Então, o melhor é desistir e
aguardar oportunidade mais propícia. Se você está desistindo
depois de ver a inutilidade de teus esforços, isto significa que
nada mais tens a fazer junto a estas criaturas.
Imbassahy:
É o que mais ocorre: o viciado (ou dependente) finge que quer se
tratar. Quando entra em condicionamento, ou reage a ele,
impedindo que ocorra, ou acaba revelando que foi forçado,
geralmente pela família, a aceitar, contra sua vontade.
Roberto:
O Godinho respondeu o que lhe veio do
coração.
O Dr. Lacerda dizia após o término dos trabalhos: Somos servos
inúteis ... Referindo-se assim ao ensinamento evangélico que
nos mostra que fizemos somente a nossa parte e nada mais.
Cada caso é diferente, por mais que se assemelhem. Recentemente
tivemos a presença de uma moça. Necessitava de um atendimento,
muito pesado, por sinal. O mentor chamou-me de lado e recusou o
atendimento da entidade. Ainda não era o momento. Diversos
acontecimentos tem me mostrado que ele tinha razão, apesar de eu
ter ficado ferido na minha vaidade em parar o atendimento, mas
mesmo assim obedeci, bastante a contra gosto. Creio que o momento
surgirá, depende somente da moça.
J. S. Godinho.
Você percebe que por mais que tentemos esconder nossas garras e
o veneno que trazemos em nosso mundo íntimo, mais cedo ou mais
tarde ele sempre aparece. É como lepra, acaba aflorando na
superfície.
Cuidemos de socorrer os necessitados sofredores e deixemos os
necessitados de outra ordem, que ainda não sabem que são mais
necessitados que os primeiros. Vamos ser úteis aos que precisam
de nós para auxiliar no alivio de suas dores.
Patrícia
É justamente por essa quantidade de necessitados que fico me
perguntando se vale a pena perder tempo com quem não se
modifica, não enxerga as coisas e acha que o mundo foi criado
para auxiliá-lo.
José Augusto
Apesar de você haver se dirigido diretamente ao José Godinho,
peço tua permissão para dar uma pequena contribuição sobre
este assunto.
O Godinho e o Roberto te apresentaram duas situações nas quais
nosso julgamento prévio da situação, falhou completamente.
Isto porque, analisando somente uma parte da questão, não
conseguimos penetrar e entender todo o desdobramento desta
situação. Não temos possibilidades de assegurar o que
acontecerá após cada atendimento. Nossa atuação deve ser de
socorrer a todos que cheguem até nós, de forma indiscriminada,
e dentro das nossas possibilidades de realização. Como já foi
dito, devemos tratar sempre, a cura não está em nossas mãos.
Nossa atuação deveria ser a do enfermeiro, que em uma
situação de combate, deve socorrer a todos, mesmo aqueles que
deixando de lado as orientações superiores, enveredaram por
campos minados sem a devida proteção, expondo-se a riscos
desnecessários, tanto para si, quanto para aqueles que dependem
de sua atuação.
Quando julgamos se um determinado irmão merece ou não nossa
atenção, se devemos dedicar-lhe um certo tempo nas vezes em que
se sente necessitado e nos procura, ainda que tenhamos constatado
que após uma eventual melhora ele se afasta novamente, poderemos
deixar de dar a ele, naquele momento, o consolo que poderia
modificar esta conduta repetitiva, fazendo germinar nele uma
possibilidade de renovação.
Daí minha amiga, conforme orientação do Cristo não devemos
julgar nunca, e atender a todos sempre que solicitado, mesmo que
nós pareça tempo perdido. Quanta vezes não estivemos nós
mesmos nas mesmas situações?
Patrícia
Concordo contigo que a gente não deve julgar ninguém, mas a
observação do ser humano é necessária para nosso próprio
crescimento e, por isso, digo que pela observação dos hábitos
e atitudes de uma pessoa você pode ver se o atendimento vai
chegar no coração desta pessoa ou se, simplesmente, como diz o
Godinho, a pessoa quer um alívio para suas dores para poder
continuar errando, quer se curar para continuar nos vícios.
Claro que só uma observação repetida da pessoa é que pode te
fazer chegar a uma conclusão desta, mas no caso em questão eu
observei a pessoa diversas vezes e fui obrigada a desistir dela,
pois ela realmente não deseja se modificar.
Maria Vitória
Consigo entender sua resistência a,
sempre, doar-se àqueles que se negam ao caminho da consciência
e aperfeiçoamento espirituais. Isto vem do péssimo sentimento
gerado pela frustração pessoal, que geralmente ocorre quando,
do ato, surge a expectativa, ou seja, quando você se propõe a
um novo tratamento para estas pessoas, consequentemente, surge a
expectativa de que eles se modifiquem, se aperfeiçoem, etc. E
como isto não ocorre, a
frustração traz a você uma sensação de impotência, que,
inconscientemente, arranha, ainda que sutilmente, sua fé.
Ocorre que, penso, devemos buscar o completo desprendimento,
aquele do amor ao próximo em níveis idênticos ao amor
próprio. E, quando atingimos tal estágio, imagino, nos tornamos
aptos a ajudar, incansavelmente, todos que
nos procuram. Não desanime, quem sabe, um dia, estas pessoas
despertem e te gratifiquem bem mais que aqueles, desde um
primeiro instantes, modificados e melhorados espiritualmente.
Quanto ao fator psicológico, lembremos, tratam-se os
desequilíbrios de doenças também. E, salvo raríssimas
exceções, todas têm um cunho espiritual, gerado pelo desamor.
Isamar Albuquerque Pedro
Não devemos julgar ou mesmo ir contra as atitudes, pensamentos e
opiniões das pessoas, deixemos agir pelo livre arbítrio. Mas o
que fazer com uma pessoa que mente o tempo todo, mesmo com tudo
sempre errado, parece que tem uma venda nos olhos, dificultando o
que seria um aprendizado e cometendo sempre os mesmos erros. Pior
ainda é que se auto-prejudica e denigre a própria imagem. Mas
não enxerga nada disso.
Flávio Mendonça, Mei/PB
Temos a liberdade até para irmos ao fundo
do poço. O que se pode fazer é esclarecer, e além disso orar.
No mais temos que respeitar o direito do outro errar, desde que
este erro não implique em tirar o direito do outro.
J.S. Godinho.
Quando nos deparamos com criaturas rebeldes que parecem não
aceitar o atendimento que propomos, temos a tendência de
abandoná-las e deixar que aprendam por si mesmas. No entanto a
Lei da Fraternidade nos recomenda "fazer aos outros o que
queremos para nós mesmos". Temo aprendido com nossos
mentores que os buscadores da técnica apométrica são criaturas
que comprometeram-se assumindo tarefas bem mais difíceis que a
grande maioria.
Os apometras são espíritos altamente
comprometidos e individados com a Lei Divina, Magos Negros em sua
grande maioria, que reconhecendo-se errados pediram uma chance a
Bondade Divina, para resgatar seus erros. Deveriam utilizar dos
mesmos conhecimentos e da mesma força mental desenvolvida para
utilização negativa, para socorrer seus semelhantes e aliviar
sofrimentos. Por serem espíritos rebeldes deveriam também
trabalhar com seus colegas de rebeldia. Por serem espíritos
conhecedores das regiões trevosas, deveriam transitar por lá e
convencer seus ex-colegas a retomarem o caminho evolutivo dentro
dos parâmetros ensinados por Jesus.
Se tivesse que se defrontar com espíritos teimosos, rebeldes e
renitentes nos vícios de um modo geral, deveriam também
redobrar esforços, paciência, perseverança e empenho em
doutrinar, socorrer e orientar esses seres. Isso tem se
confirmado permanentemente em nossos trabalho e o que é pior,
muitos desses seres rebeldes e apegados nos vícios que nos são
trazidos hoje para socorro, são os mesmos que nós os
trabalhadores da Apometria, prostituímos, corrompemos, lesamos,
torturamos ou induzimos a erros no passado. Muitas vezes são os
mesmos que nós, quando comandávamos as temidas bases do astral
inferior, transformamos em nossos escravos e asseclas treinados
para vingarem-se de nossos supostos inimigos.
Então, não nos cabe reclamações e nem direito a recuos
indevidos. Cabe-nos o dever de socorrer sempre, buscar convencer
do erro em que o ser milita e se apega, mostrar o que será dele
nos próximos meses em virtude da aproximação do momento mais
crítico do processo de Juízo Final. Quando ele poderá ser
exilado, se permanecer apegado a aquele erro. Vamos trabalhar,
trabalhar e trabalhar. O resto corre por conta da Justiça
Divina.