6- CONCLUSÕES PROVISÓRIAS   

                    Só há uma maneira de manter a cultura popular viva. As informações devem ser passadas de geração à geração. Tudo deve estar sendo refeito sempre, ou seja, deve-se ‘inventar’ sempre. A cada dia deve-se aplicar uma injeção de ânimo em algo que estamos fazendo, ou seja, algo novo deve ser acrescentado ao ‘velho’ para que as coisas não fiquem para trás. Devemos abrir olhos, ouvidos e coração ao novo para as novidades mas, sem deixar pra trás tudo que foi utilizado para se chegar à uma nova estética.    
                    O assunto escolhido para nossa pesquisa é muito extenso para ser trabalhado, pois para podermos comparar o baião de ontem com o de hoje, ou seja, para tirar conclusões a respeito do que mudou através de tantos anos é preciso conhecer a fundo o assunto em questão.    
                    Precisamos acompanhar desde seu surgimento, até sua afirmação como gênero musical preferido do povão na década de 40 e 50, e mais tarde sua mistura com outros estilos e, a partir daí, o nascimento de outras formas musicais.    
                    Neste compilado foram colhidas informações bibliográficas, discográficas e história oral (entrevistas), e com todas as informações obtidas até agora, já é possível traçar o caminho por onde o baião seguiu durante esses mais de 40 anos, desde o seu surgimento como fenômeno musical. Mas, ainda é muito cedo para se ter resultados que se possa chamar de uma pesquisa completa, afinal o espaço de tempo desde o início da pesquisa foi pequeno para tal. Contudo, os resultados apresentados aqui são bem satisfatórios.    
                    Tendo analisado todas as definições de Baião feita por vários autores, pudemos perceber uma grande diversidade de opiniões. E percebemos uma evolução do estilo. Ao longo dos anos o baião mudou realmente. Percebemos que Câmara Cascudo firma sua posição e, crê no Baião como uma introdução feita pelo cantador para começar a cantoria.    
                    Já outros autores como Pe. Miguel do Sacramento, Pereira da Costa, Aluísio Alves, entre outros, vêem o baião como uma dança. E ainda, na opinião de Silvio Romero, Baião é música e dança ao mesmo tempo.    
 Luiz Gonzaga considera o prelúdio da cantoria dos tocadores de viola, como uma fonte do Baião que ele soube estilizar.    
                    A conclusão após todas essas informações é que ainda está se fazendo Baião, não como era no início deste século, mas, como já disse antes, ele vem evoluindo durante os anos e, muitas músicas que escutamos hoje em dia, podem até ser Baião. O que se faz hoje em dia, pelo menos na maior parte das vezes, é um Baião diferente, usando um ‘tempero’ diferente. É inevitável que num país como o Brasil - onde encontramos manifestações musicais tão diversificadas - haja fusão de gêneros, criando um novo ou mesmo dando formas diferentes aos já existentes.    
                    A partir de informações obtidas depois de entrevistas realizadas com o sanfoneiro Waldonys, residente aqui em Fortaleza-Ce, e com o sanfoneiro Dominguinhos, residente em São Paulo e profundo conhecedor do assunto, considerado o sucessor de Luiz Gonzaga, podemos concluir com seus depoimentos que o Baião ainda está presente hoje, ou seja, tendo por base essas e outras informações, e analisando-as, percebe-se que o Baião está aí com uma nova roupagem.    
                    "A renovação é o principal instrumento da preservação" . Segundo Michelle de Assunção  do Diário de Pernambuco essa tendência é mundial, e um dos maiores ícones dessa ‘idéia’ no Brasil nos anos 90 foi Chico Science. Antes, Ariano Suassuna e mais recentemente Antônio Carlos Nóbrega. Para eles, misturando tudo dá. . Esse processo é normal e não é novo. O que acontece é que a distância entre o velho e o novo está cada vez menor. Como declarou Geraldo Azevedo , o CD ajudou muito nesse aspecto, porque trouxe à tona, músicas muitas vezes esquecidas.    
                    A questão maior entre os historiadores não está na continuação - que é bem vinda - feita pelos jovens, mas no aprendizado errado das características de cada gênero, pois a assimilação errada, pode causar distorções maléficas a cada tipo de manifestação. Folcloristas como Leonardo Dantas acreditam que "o processo de renovação é a melhor forma de eternizar os folguedos", já outros acreditam que os novos estilos podem causar a descaracterização da arte. O historiador Mário Souto Maior  acredita nessa possibilidade.  "As pessoas da arte erudita sempre vão encontrar seus alicerces na cultura popular. Tudo teve início no folclore de um modo geral. O meu medo é que as novas gerações entendam esse processo de forma equivocada".    

                    Queria saber de onde veio o Baião (como na música de Gilberto Gil) e isso eu já sei, mas onde vai dar? Bem, só o tempo vai dizer. As coisas estão se modificando rapidamente, mas precisamos tomar cuidado para que as coisas não se percam mais rápido do que está se tentando resgatar.
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