
O zabumba é um instrumento de percussão da família
dos membranofones (como um bumbo pequeno) e tem a pele como corpo
vibrante . É percutido através de batidas, e seu som é
de natureza seca e ressonante na parte inferior ou posterior, e superior
ou anterior respectivamente.
É conhecido também por outros nomes, como: esquenta muié,
estocador, cabaçal, etc., mas que são menos utilizados.
Há duas espécies de zabumba : o autêntico, que tem
as peles puxadas por cordas, e o industrializado que tem as peles puxadas
por um mecanismo de metal.
O autêntico é tocado na batedeira (parte superior) por uma
maceta ou maceneta, ou às vezes por uma maceta e uma baqueta de
surdo. Esse tipo de zabumba é usado no Maracatu e também
em outros gêneros musicais. Já o zabumba industrializado é
tocado por uma maceta na batedeira e na resposta (parte inferior) por uma
vareta chamada de bacalhau. Esse tipo de zabumba é usado nos Forrós
.
O dicionário de música Zahar , define o zabumba como um "grande
tambor cilíndrico, semelhante ao bombo, com pele nas duas bocas,
utilizado em manifestações folclóricas brasileiras
como os maracatus, as congadas, ou em formas de música popular como
o Baião".
No nordeste é comum conjuntos instrumentais populares , constituídos
de dois pifes (pífaros), caixa e bumbo; banda cabaçal, banda
de couro, cabaçal, esquenta-muié.
No Dicionário do Folclore Brasileiro , encontra-se zabumba como:
o "nome chulo ou popular dado ao BOMBO, instrumento de percussão;
antigamente, porém, como escreve Bluteau, era o mesmo que ZAZ, partícula
onomatopaica, para exprimir o som da pancada, que se dá. O termo
entre nós, já na acepção daquele instrumento,
vem da segunda metade do século XVIII, porquanto, como escreve Lopes
Gama, foi "quando governou Pernambuco o General José César
de Meneses, que apareceu aqui o zabumba pela primeira vez" ( O Carapuceiro,
nº 15 de 1837). O zabumba é o instrumento popular, predileto,
inseparável, dos nossos sambas, batuques, maracatus, pastoris e
zé-pereiras e constituindo como que a nota predominante, característica,
daqueles divertimentos populares (Pereira da Costa, VOCABULÁRIO
PERNAMBUCANO, 758). Em Portugal, como na Espanha, dizem ZABUMBA (ZABOMBA
na Espanha) ao que chamamos CUÍCA. "Há poucos meses cantaram-nos
em Campo Maior o "Menino do Senhor" com acompanhamento da ZABUMBA ou RONCA,
cuíca no Brasil" (Armando Leça. MÚSICA POPULAR PORTUGUESA,
178, Porto, s.d.). Na Espanha acompanham as Pastorales, Vilancicos do Natal
(ver cuíca). Mas o BOMBO ou BUMBO é popularíssimo
em Portugal, por qualquer parte, mesmo ritmando as lindas cantigas
de arraial e romaria. No norte de Portugal, Beira, há um conjunto
de instrumental denominado BOMBO, dois bombos e dois tambores, dois e três
ferrinhos e um pífaro. Noutras regiões (Minho, Viana do Castelo,
Ponte de Lima, Guimarães) o grupo é composto de instrumentos
unicamente de percussão. Aí está de onde nos veio
o gosto pelo bombo, zabumba. O mesmo que ESQUENTA-MULHER e CABAÇAL.
Terno de zabumba, popular por todo o baixo São Francisco e ao redor
de Maceió. "Está presente para acompanhar o bailado dos quilombos,
a dança das baianas, para tocar salvas na rezas e acompanhar as
procissões do meio rural e para os bailes onde faltam, pois um baiano
(Baião) ou uma polca tocada por ele, todos os presentes dançarão,
daí seu apelido de "esquenta-muié"… "Outra função
religiosa do terno de zabumba, além das salvas, é sair para
pedir esmolas, acompanhando respeitosamente uma imagem de santo. Dentre
eles o mais comum é SANTO ANTÔNIO CAMINHANTE. Caminhante pelo
fato de ser conduzido numa pequena caixa de madeira ou papelão
para o peditório" (Alceu Maynard Araújo e Aricó Júnior,
CEM MELODIAS FOLCLÓRICAS, Documentário Musical Nordestino,
S.Paulo, 1957). Ver SALVA, BOMBO, CUÍCA.
Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, zabumba é
tambor grande; o mesmo que bombo ou bumbo . Também se chama porém
zabumba (em Espanhol: zabumba ou zabomba) a um instrumento musical muito
diferente, de origem e uso rústicos primitivos e vulgares constituído
por um cilindro oco, mais comprido que largo, aberto de um lado mas fechado
do outro por uma pele tensa, cujo centro é perpendicularmente
atravessado por uma grossa vara de madeira ou por um pau tosco, ou mesmo
(na ilha de Madagascar) por um osso. É friccionando fortemente a
vara com a mão umedecida que se produz o som rouco próprio.
É o que chamamos de cuíca.
O zabumba é o instrumento que dá a característica
básica do ritmo do Baião. Há algum tempo foi introduzido
a bateria para fazer parte da orquestração do Baião.
Essa parceria veio acrescentar muito à batida, dando um toque especial,
mas é preciso muito cuidado para que esse ‘casamento’ dê realmente
certo. O baterista deve ter uma afinidade musical grande com o zabumbeiro
para que sua ‘linha’ não prejudique a performance de seu companheiro
e vice-versa. O bumbo da bateria deve estar de acordo com a batedeira do
zabumba, e o chimbal e caixa de acordo com o ‘bacalhau’. Isto sem falar
de outros instrumentos que compõem a percussão do Baião,
como: o agogô, e o triângulo que vamos tratar mais à
frente.
Vale lembrar que o Baião como prolongamento da música dos
cantadores tem entre suas características o improviso, encontrado
constantemente na batida do zabumba, no toque do triângulo, no dedilhado
da sanfona, no jeito de cantar, enfim. O improviso está sempre presente
na música nordestina e então no Baião.
Em entrevista com Dominguinhos, sanfoneiro, cantor, compositor e maior
filho artístico de Luiz Gonzaga, colhemos sua opinião sobre
a formação das bandas de hoje que tocam o Baião, e
segundo ele, mesmo que se faça uma banda de Forró "é
preciso botar esses ingredientes, no meio".
Nessa nova instrumentação do Forró, a bateria foi inserida. Para alguns, isso pode causar certa descaracterização ao som do conjunto. Na opinião de Dominguinhos o uso da bateria não atrapalha.
"Eu acho que a batida é muito parecida (entre o Forró e o Baião). O que acontece é que no Forró com o uso de vários outros instrumentos, e principalmente a bateria, possibilita um "swing" (balanço) maior, porém, se não for bem tocada e deixar espaço para todos os instrumentos executarem sua "linha", fica uma bagunça danada, e às vezes é aí que se perde um pouco da batida do Baião, mas que deve estar presente ali. Falando por mim, no caso das minhas músicas… Em minha banda eu uso bateria juntamente com o zabumba e também outros instrumentos, mas cada um fazendo a sua parte. O uso da zabumba com a bateria dá uma sonoridade muito rica, o casamento dos dois instrumentos é perfeito."
Quando perguntado sobre usar apenas o trio sanfona, zabumba e triângulo, Waldonys colocou uma opinião que foi unânime entre todos os entrevistados:
"Apenas com esses instrumentos é possível sim tocar Forró
ou Baião. O problema é que se eu for fazer um show usando
apenas isso, só se for um show especial, como uma coisa diferente,
porque hoje em dia perde-se muito usando só o trio. Às vezes
eu uso, mas só em algumas ocasiões, questão de transporte,
ou uma apresentação informal mesmo. Como diz Dominguinhos:
"as vezes você vai tocar num lugar, e vai tocar depois de uma banda
que usou guitarra, teclado, contrabaixo, bateria, etc.; e você entrar
só com a sanfona, o zabumba e o triângulo seu trabalho cai
muito de qualidade" (…) quer dizer, aos olhos de quem está assistindo
pois as pessoas comparam.
Então o seu trabalho é do mesmo nível mas perde em
relação aos outros instrumentos. Perde a harmonia forte do
teclado, os graves do baixo, o ‘swing’ da guitarra, o casamento da bateria
com o zabumba, etc."
O sanfoneiro Sirano também tece comentários sobre o assunto e não diverge em nada de Dominguinhos e de Waldonys. Elogia o trio mas reconhece que o seu uso hoje seria um tanto quanto ultrapassado, seria voltar no tempo.
"O trio, ele funciona. Ele é bonito. O próprio Dominguinhos faz isso, eu adoro fazer com o trio. O problema exatamente é a história da evolução. Tem muita gente que acha que o Forró de guitarra e contrabaixo começou hoje e na verdade não é. Isso desde de 73 que já vem, eu acho antes, 70 (?) prá trás até já vem acontecendo isso. Em 79 eu já tocava com contrabaixo, guitarra, com tudo isso aí, entendeu? Eu acho que o Forró com o trio é gostoso mas, devido a evolução que hoje nós estamos fazendo com as bandas, ele funciona mas não como funcionava antes."
A conclusão que podemos tirar é que, quem ainda hoje usa
só o trio perde em qualidade, e fica no anonimato. Sirano concorda
quando pergunto se quem continua tocando assim, perdeu o acesso à
mídia.
"Os instrumentos que foram colocados só fez melhorar. A bateria, instrumentos de cordas. Antigamente se trabalhava apenas o ‘quarteto’ de Forró: zabumba, triângulo, sanfona e o ‘gogó’ (a voz). Atualmente devido as bandas agente teve que atualizar, botar bateria, baixo, percussão. Tudo isso aí. Modernizamos".
LadiSilva toca num ponto muito importante quando diz que teve que modernizar
devido às "bandas". Fala sobre ficar pra trás se não
acompanhar a evolução.
Na entrevista realizada com o sanfoneiro ‘Azeitona’, considerado pilar
do Forró aqui no Ceará, foram obtidas respostas muito contraditórias,
mas de algumas coisas que foram ditas percebe-se que ele não gosta
muito desse novo Forró que está aí. Diz não
está de acordo com o que é realmente Forró. Nota-se
também um certo cansaço nesse sanfoneiro que está
há 50 anos tocando Baião, e continua firme fazendo o Forró
de Luiz Gonzaga como ele mesmo diz. Para ele, Baião é aquele
que é batido, que é tocado com zabumba e com triângulo.
E o Forró é uma coisa mais estilizada…(?)"