3.6.2-
O TRIÂNGULO
"Um
dia em Recife, passou um menino vendendo cavaco chinês, com aquele
tubo nas costas e tocando triângulo...tinguilim, tinguilin, tinguilin
num ritmo danado. Achei que dava certo com o zabumba e
fiquei
logo apaixonado, fiquei doido quis até comprar o triângulo
do menino. Daí, veio até palavrão; cê é
besta, vender meu instrumento, nada mas eu pago bem não
vendo meu instrumento, não. Então dava pelo menos pra você
vir no hotel pra mim tirar as medidas do instrumento? Mas, ele não
veio, tava com medo que eu tomasse o instrumento dele. Mandei fazer de
qualquer jeito. Quando vim do nordeste, já trouxe o instrumento
feito, isso na época do Baião começando, 46, 47. Porque
o Baião não foi lançado por mim...eu comecei gravando
com Os Quatro Ases e Um Coringa. Só depois eu entrei, já
de zabumba do lado direito e triângulo do lado esquerdo"
(Luiz
Gonzaga)
Triângulo é instrumento idiofônico de percussão,
que tem como corpo vibrante o metal. Como o próprio nome diz, tem
o formato de um triângulo e pode ser de aço ou ferro. A ressonância
é controlada pela mão que o segura pendurado. Consegue-se
esse efeito abafando-o ou não.
"O triângulo e o zabumba dialogam na rítmica marcada e específica
do Baião: esta, no primeiro tempo e na sincopa que leva ao segundo
tempo do compasso dois por quatro; aquele, habilmente dando a impressão
de duas vozes, já que marca continuamente as oito semicolcheias
do compasso dois por quatro, porém acentua a primeira e a quarta
junto com a zabumba, por uma técnica instrumental que ‘abafa’, de
certo modo, o toque cristalino do metal."
O toque solto é representado por um círculo aberto (o), e
o toque abafado é representado por uma cruzinha (+). O tocador
de triângulo é o "trianguero".
O triângulo é acionado por uma vareta (chamada ferrinho) também
de ferro ou aço, e percutido através de batidas. Seu som
é de natureza seca e ressonante.
No Dicionário de Música Zahar, triângulo é
constituído de uma vareta de aço dobrada em forma de
triângulo, usualmente com pequena abertura em um dos vértices.
É percutido com uma baqueta de metal e produz um som cintilante
de altura indefinida. Foi introduzido em bandas militares em meados do
século XVIII, com os pratos , tamborim e outros instrumentos especiais
de percussão, a fim de transmitir um efeito turco.
Também apareceu na orquestra por essa mesma época e tem sido
periodicamente usado desde então. Pode ser percutido do lado de
fora para produzir notas individuais, ou tocado em trêmulo, movimentando-se
a baqueta de uma lado para o outro na parte interna do triângulo.
Embora
como colocamos à pouco, Luiz Gonzaga afirme ser ele quem introduziu
o triângulo no Baião, há um fato que pesa muito contra
essa afirmação, que é a da existência de uma
fotografia de uma "banda de música no interior do Estado de Alagoas,
publicada pela revista Ilustração Brasileira, em número
de 1929, onde mostrava ao lado de tocadores de pífaros, caixa, zabumba
e rebeca, um menino segurando um triângulo de ferro.
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