3.5- O RITMO DA MÚSICA FOLCLÓRICA BRASILEIRA    

                    Chama-se ritmo à sucessão de sons iguais ou desiguais .   
                    Todo ritmo deve formar um sentido, caso contrário, não se caracterizará como tal. Os ritmos podem ser completados dentro de apenas um compasso como é o caso do Baião, mas há outros que necessitam de mais de um compasso para que sua forma seja compreendida.   
                    Um dos aspectos do nosso (folclore brasileiro) ritmo musical é sua caracterização como discursivo, oratório, "livre" e talvez essa seja a nossa maior característica. Ritmo esse surgido da mistura de elementos africanos, da arte ameríndia e até do canto gregoriano  o que causa o certo grau de contraste, sem contar a influência da quadratura européia-portuguesa. O tempo regula mais que o compasso, o que é uma obrigatoriedade da prosódia popular brasileira.   
                    A sincopa ou síncope  é um elemento que está quase sempre presente. Não é uma obrigatoriedade mas, uma constância. Segundo Mário de Andrade nos veio de Portugal e da África.   
                    Podemos perceber também a freqüência da binariedade e da mudança de andamento.   
                    O Baião tem um ritmo muito característico. Desde a época em que o Baião era apenas a música do violeiro a pequena figura rítmica que o representa não mudou muito. O que quero dizer é que quando Luiz Gonzaga gravou a música Baião em 1949 com esse ritmo, à caracterizou assim, ou seja, o que for muito além disso no que diz ao respeito ritmo da música, não é Baião. O que houve depois de tantos anos é que alguns elementos foram acrescentados para dar mais "tempero" à música. Um dos elementos que vieram modificar um pouco o timbre característico foi a entrada de instrumentos eletrônicos na instrumentação da "banda ou conjunto" que ia tocar o Baião. Foram introduzidos instrumentos como: a guitarra elétrica, o contrabaixo elétrico, o teclado e mais recentemente metais, saxofone, trumpete, etc. Isso não quer dizer que foi por causa da entrada desses instrumentos que o Baião perdeu suas características. O problema, como já vimos à pouco está no modo que se executa cada instrumento, a maneira como se toca e como é feito o casamento rítmico, é que pode atrapalhar ou não.   

                    A formação inicial do conjunto para tocar o Baião era a sanfona, zabumba e o triângulo, e em alguns casos percebia-se o uso de pandeiro ao invés de zabumba e agogô às vezes. Essa era a formação da banda de Luiz Gonzaga no começo de sua carreira.
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