Algumas coisas se perdem no tempo por não serem registradas, e essa
é umas das propostas desse projeto. O registro, como forma de assegurar
que manifestações como o Baião, entre outros, não
se perca no tempo. Mas ao mesmo tempo precisamos tomar cuidado para não
confundir registro com regra. O intuito do registro não é
o de forçar a se manter um padrão para sempre, pois afinal,
a injeção de ânimo para que determinada manifestação
se perpetue é justamente, novas influências.
O trabalho aqui apresentado tem como principal objetivo mostrar a evolução
do gênero musical Baião, desde quando era prelúdio
para os cantadores de viola, dança do sertão nordestino ou,
apenas instrumental, até a sua solidificação como
gênero musical. Fizemos aqui uma relação do Baião
de ontem com o de hoje.
Catalogamos alguns dos gêneros que estão mais próximos
ao Baião ou que têm ocorrências em regiões comuns.
Temos consciência que essa transcrição servirá
apenas como guia para identificação de cada estilo, pois
muitas dessas informações não terão validade
dentro de alguns anos. Usaremos para isso a transcrição dos
ritmos das batidas da bateria e especialmente do zabumba.
Esse compilado tem também como objetivo auxiliar compositores, arranjadores,
instrumentistas, estudantes, professores, músicos, cantores, enfim;
todas as pessoas interessadas em conhecer sobre o gênero, que foi
um dos responsáveis pelo reconhecimento da cultura nordestina em
todo o Brasil. O Baião na voz de Luiz Gonzaga principalmente, foi
uma espécie de informador dos costumes e acontecimentos do nordeste.
Luiz Gonzaga com o Baião, fazia o inverso do que os cantadores faziam.
Os cantadores informavam sobre o que acontecia fora, nas grandes cidades,
o Baião estava nas grandes cidades contando sobre a história
do sertão nordestino.
Com a análise das transcrições, pudemos comparar as
várias fases do Baião através dos anos e mapear o
seu desdobramento que inclui o forró.
O trabalho tem como objetivo ainda contribuir para o exercício permanente
da pesquisa de Iniciação Científica no Departamento
de Artes da UECE no sentido de que se resgate um acervo de música
nordestina - cearense - para ser utilizado por compositores, pesquisadores
e outros interessados, como forma de aprofundar conhecimentos nas áreas
de interesse, bem como auxiliá-los em sua vida acadêmica.
Entendemos que a pesquisa deve caminhar juntamente à execução,
ou seja, tudo que for pesquisado deve ser executado nos ensaios, apresentações,
gravações, composições, etc., como forma de
reforço para melhor assimilação dos conhecimentos
adquiridos.
E ainda, identificar e transcrever determinadas formas rítmicas
nordestinas que estão relacionadas com esse estilo no seu processo
de evolução, bem como conscientizar os que se interessam
pelo assunto sobre a importância desse estudo como fonte de pesquisa.