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| Arnaldo | ||||||||||||||||
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| Eu e o corno | ||||||||||||||||
| Arnaldo é um sujeito nojento. Tira meleca o dia inteiro sem se importar com as pessoas que estão ao seu lado. E é uma das cenas mais impressionantes que eu já presenciei. Seu dedo é grosso como uma linguiça calabresa e vê-lo enfiar até o metatarso nas narinas é de assustar até o Pinochet. Um dia eu não aguentei e tive que falar: "Arnaldo ! para com isso! assim você ainda fica deformado!". Ele dava uma risadada alta que chegava a inchar as veias do pescoço: "Imagina, Vikão ! eu, deformado, Ha, Ha, Ha". E enfiava o charuto na boca e o nariz no dedo. Bem, eu sempre evitei cumprimenta-lo apertando as mãos. Dava uma tchauzinho de longe, e só. Certa feita, durante o intervalo de uma filmagem, Arnaldo me puxou para o canto, sem entender a minha cara de nojo, e comentou: "Hoje papo alguém, Vikão!". Disse olhando para a bunda da copeira no set de filmagem. Arnaldo só se engraçava com passadeira, calista, esteticista e copeiras, inclusive deu um tremendo buchicho o dia em que ao tratar dos joanetes com uma pedicura, usou seu gigantesco dedo para apontar num determinado local e sem querer deflorou a mocinha que se agachara para pegar um instrumento. Quase deu cadeia. A moça era virgem e de casamento marcado. De nada adiantou dizer que assumiria a paternidade, caso engravidasse. Foi um batalha explicar ao mastodonte, que filho se faz de outra maneira. E não era porque seu dedo entendia de buraco, que qualquer moça adoraria, muito menos engravidaria. Mas, ele também tinha momentos divertidos e de extrema ternura, quando, por exemplo, ao me ver entrar no set e abrir os braços gritando meu nome, acertou uma figurante e deslocou seu ombro. Imediatamente e sem esperar por socorro recolocou o ombro da senhora quase que num peteleco. Só não compreedeu porque a mulher fez cara de asco antes de desmaiar de dor. Abraçado à figurante, passava a mão no seu rosto tentando reanima-la, e ela, sempre que abria os olhos, uma expressão de horror surgia e apagava denovo. Dava para ver o desepero de Arnaldo estampado na testa engruvinhada. Um dia, ele se chegou meio sem graça e com aquele tronco enterrado no nariz e me confessou em voz baixa: "Vik, descobrí que a Cleyde me corneia". (A Cleyde era a faxineira de sua casa), "E você não vai acreditar com quem, Vikão..." me disse o feixe de músculos chorosamente. "Com quem, Naldão?" perguntei afastado. "Com o Danny, Vikão... com o Danny deVito!" Realmete, era demais para ele. Ter que contracenar com o anão, sempre olhando para baixo e ainda perder a baranga para o nanico. Ele não podia suportar. Tentou me abraçar, mes me esquivei por trás de um poste. Arnaldo continuou com seu braço estendido para mim, como se pedisse ajuda: "E agora?" perguntou quase me alcançando. "Agora Arnaldo?" respondí de longe, "Agora vê se aprende, que você pode ser grande, mas que pemba de anão quando não está tirando a mulher dos outros, está se arrastando no chão... " Então, já do outro lado da rua e acenando para ele, eu proferí a frase que virou sua marca registrada: "Asta la vista, baby" |
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