Marylin Monroe
Ela e eu saindo de um brechó.
     Eu a conheci numa churrascaria à beira da Rota 66. Ainda se chamava Norma e de tanto usar calças jeans, os freqüentadores a chamavam de Norma Jean.  Tinha uma espinha grotesca na testa, pintava as unhas das mãos de laranja metálico e as dos pés, deixava sempre descascar. Seus cabelos eram castanhos e usava aparelho nos dentes do tipo freio de cavalo, quando comia (adorava coxinhas de galinha),  ficava com restos presos no aparelho.

  Devo admitir que ela era esforçada, tentava. Quando entrava na churrascaria, disparava um olhar semicerrado para todos os lados, mas nem a cacatua empoleirada, no chifre do búfalo preso na parede correspondia. Mas devo admitir que ela tentava, jogava um charme incrível. Jogava no lixo , porque nem o borracheiro dava pelota.
   Devo dizer que é meu o mérito de descobri-la. Daquele canhão do centro-oeste yankee, extraí a mulher que fantasiou a cabeça de meio mundo e deixou muito puta da vida a Jakie futura Onassis.

Ela era conhecida como a deusa enferrujada, por causa do cabelo cor de merda então, foi primeira coisa que mudamos. Mandei tascar água oxigenada, ela chiou, mas eu lhe disse:- Você vai ser conhecida como Deusa platinada Norma, eu... aliás, Norma é horroroso!!! Não tem outro nome não? Ela me disse que sempre gostou dos nomes da avó Mary, e do peixinho de estimação Lin que morreu asfixiado.
    - Grande !!! - eu disse - Vamos juntar os dois: Mary e Lin, aí fica Marylin... só falta o sobrenome...tem que ser forte... arredondado... fácil de carregar...
- Assim como os penicos Monroe?  ela perguntou.

    Pronto! Tiramos o freio da boca, tiramos a cor detestável dos cabelos, tiramos o nome tétrico, só faltava tirar a roupa...
    E foi isso que ela fez ao chegar a Hollywood. Seguindo sempre a minha orientação de fazer biquinho, falar como débil mental, botar enchimento nos peitos e ajudar os homens, só os importantes, a fechar a braguilha, ela conquistou o mundo. Só uma coisa eu não consegui mudar, foi o hábito de comer coxinhas e não escovar os dentes.
Mas... ninguém é perfeito.
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