Introdução

 

Já passaram 50 anos desde que Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), elaborada para dar resposta às atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial.

A DUDH define os direitos Humanos fundamentais para a dignidade e desenvolvimento de qualquer ser humano. Esta declaração constitui uma promessa dos governos no sentido de trabalharem para um mundo sem crueldade nem injustiça; um mundo sem fome nem ignorância. Cinquenta anos depois da sua proclamação até que ponto os governos cumpriram essa promessa? Até que ponto os direitos consagrados se tornaram uma realidade em todo o mundo?

Muito se conseguiu nos últimos cinquenta anos. As lutas contra o colonialismo e contra o apartheid alteraram o mapa do mundo. Os movimentos populares contra a discriminação racial e sexual transformaram as sociedades. Os direitos consagrados na DUDH foram elaborados e codificados em tratados e declarações internacionais de direitos Humanos, e também em muitas leis e constituiç5es nacionais. Forneceram a base das iniciativas regionais e das Nações Unidos para garantir a paz e diminuir a pobreza, combater a ignorância e proteger a saúde.

No entanto, para a maioria das pessoas os direitos consagrados na DUDH não são mais do que uma simples promessa no papel. Promessa essa que não se tornou realidade para 1,3 biliões de pessoas que lutam para sobreviver, para as 35.000 crianças que morrem diariamente de subnutrição e de doenças evitáveis; para os biliões de adultos, na sua maioria mulheres, que não sabem ler nem escrever; para os Prisioneiros de Consciência que definham em pris5es espalhadas por todo o mundo; ou para as vítimas de tortura num terço dos países do mundo.

Em matéria de direitos humanos existem as mais estranhas solidariedades. Só se deviam de admitir, para uma Comissão de direitos do Homem, países que fossem, na realidade, «um Estado de direito». Para que não se assista ao espectáculo de participarem nela países que são ditaduras ferozes e impenetráveis, cuja prática política nos dá exemplo de intolerância ou desrespeito pela dignidade da pessoa humana, ou, ainda, aqueles que discutem e deliberam uma qualquer convenção contra a tortura e os tratamentos desumanos, cruéis e degradantes, mas cortam a mão ao ladrão, matam à pedrada a mulher suspeita de adultério, chicoteiam na praça pública o bebedor de álcool, ou punem com a pena capital os delitos sexuais. A consciência internacional , que desde os últimos séculos tenta esforços para a humanização das penas, assiste, impotente, a este regresso à barbaria.

No futuro, um dos maiores desafios será o de articular e divulgar os valores consagrados na DUDH de diferentes formas culturais, sem diminuir os seus conceitos e a universalidade da sua aplicação. Além disso é necessário fazer escola, ensinando, esclarecendo, num esforço pedagógico que inculpe nos outros o respeito pela dignidade humana.

Para que todo o ser humano possa usufruir livremente de todos os direitos consagrados na DUDH, todos temos que assumir o compromisso de que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que esses direitos se tornem uma realidade em todo o mundo.