O fim do « Apartheid » na África do Sul

A luta contra o racismo recebeu um considerável reforço em Outubro de 1984 quando o bispo negro Desmond Tutu, da Igreja Anglicana da África do Sul, recebeu o prémio Nobel da Paz, pela campanha contra o apartheid. Desde então aumentaram os protestos internacionais a favor da libertação de Nelson Mandela e dos 25000 presos políticos do país.

Em Fevereiro de 1990, diante do Parlamento, na cidade do Cabo, de Klerk anunciava a libertação sem condições” de Nelson Mandela e a legalização de várias organizações interditas (A.N.C.;P.A.C.; S.A.C.P.).

Ao mesmo tempo, o chefe Zulu Mogosuthu Gatsha Buthelezi, que não desistia da sua ambição do poder no seio da comunidade negra, via os seus adeptos envolverem-se em lutas de morte com os partidários do A.N.C., lutas também reprimidas pela polícia estatal. Estas lutas de carácter étnico convinham ao poder branco, africânder, que pretendia manter a identidade de grupos distintos: brancos, mestiços, indianos, bantustões...; enquanto o A.N.C. defendia o princípio de uma África do Sul unitária e não racial, regida pela regra de um homem, um voto.

Em Outubro de 1990 era assinada por de Klerk a revogaçao da Lei do Lazer Separado que , desde 1953, proibia os negros de frequentarem as mesmas lojas, meios de transporte e locais de diversào que os brancos.

Entretanto estalou um escandalo designado por "lnkathagate”, ao ser revelado na imprensa que o partido zulu recebera fundos públicos para actuar contra o A.N.C., em sucessivas acções de grande violência.

E sobre este fundo de incessante instabilidade que a África do Sul tente prosseguir o processo de ruptura com o apartheid

Apesar de todas as dificuldades, é de Frederik de Klerk e Nelson Mandela que, com o apoio da comunidade internacional, se espera o desfazer das nuvens que assombraram ainda o futuro da extremidade sul do continente africano.

In Cadernos do Terceiro Mundo 1993, Ed. Tricontinerital