Tímor-Leste

20 anos de ocupação

Há 20 anos, Tímor-Leste foi invadido pelas tropas indonésias. Há 20 anos que os timorenses lutam pela autodeterminação. A Indonésia fez sempre ouvidos de mercador às recomendações e resoluções de organismos internacionais, como a ONU ou o Parlamento Europeu.

            Mas o mundo acordou para o drama de Timor. São excertos do livro “20 anos de ocupação, 20 anos de resistência” que aqui mostramos. E uma recolha de depoimentos e de resoluções dos organismos internacionais sobre a situação no território, ano a ano, que ajuda a compreender a evolução dos acontecimentos e o despertar da comunidade internacional para o sofrimento do povo timorense.

1976

Em cada 5 timorenses,4 fogem para as montanhas.

“ Os vossos pára-quedistas desceram do céu como anjos, mas portaram-se como demónios. “

Monsenhor Ribeiro, Bispo de Dili

 

“100.000 mortos em menos de um ano. “

Relatório de padres de Dili

 

A violência foi extrema e os testemunhos são numerosos. A 7 de dezembro, pessoas que se encontravam perto de uma igreja foram obrigadas a entrar nela:

“ Às nove horas da manha do dia seguinte (8 de dezembro), estas pessoas e outras receberam dos soldados indonésios ordem para se dirigir para o cais onde se encontravam já 27 mulheres, algumas timorenses e outras chinesas. Esta testemunha diz que um certo número de mulheres tinham consigo crianças e que choravam todas. Os indonésios tiraram as crianças às suas mães e deram-nas à multidão. Em seguida foram abatidas com tiros, uma após a outra. Os indonésios ordenaram aos presentes que contassem em voz altas as que caíam.

Pelas duas horas da tarde, 59 homens, chineses e timorenses, foram levados para o cais. Um deles era X, cuja viúva, diz a minha informadora, se encontra hoje na austrália. Estes homens eram abatidos um a um. De novo os presentes foram obrigados a fazer a contagem. Foram cerca de 500 calculava ela. As vítimas tinham de se colocar no bordo do cais, de maneira a que os corpos caíssem para a água depois de abatidos, Os soldados indonésios atiravam sobre os corpos que estavam na água, se eles ainda davam sinal de vida. (...) Esta testemunhos contaram—me que ouviram dizer que as execuções tinham continuado.”

Testemunhos recolhidos por Jum Dunn último cônsul Australiano Tímor-Leste  e presidente da Comissão dos direitos do Homem Do Parlamento Australiano

 

Monsenhor Ribeiro, português e bispo católico e Dili na altura, que n5o apreciava muito a Fretilin, enviou, após a invasão, uma mensagem às autoridades indonésias por intermédio de um timorense opositor da Fretilin. “ As vossos tropas indonésios, com os seus assassínios, violações, pilhagens. são mil vezes piores (do que o Fretilin). Os pára-quedistas indonésios desceram do céu como anjos, mas portaram-se como demónios. “

Citado por Geoftrey Hull Comissão Justiça e Paz da Austrália

 

Condenada pelo Conselho de Segurança e Assembleia geral da ONU, a Indonésia quis mostrar que eram os próprios timorenses a pedir a integração do seu território na Republica da Indonésia. A 31 de Maio realizou-se em Dili uma sessão solene da assembleia popular de Tímor­-Leste que Jacarta apresenta, ainda hoje, como o acta de autodeterminação do povo de Timor-Leste. Uma lei preparada expressamente paro esta circunstancia previa que as membros da Assembleia Popular são eleitos entre as pessoas residindo na circunscrição administrativo em questão, de acordo com os princípios do consenso e do consentimento e tendo em corta os valores tradicionais e culturais existentes ou em vias de formação na circunscrição.”

Citado in Annuaire des Pays de l’ócéan lndien

 

Esta lei possibilitava todas as interpretações, inclusive a ausência total de escolha democrática, querendo aqui os “eleitos” dizer “escolhidos” pelas forças armadas: foi nesta base que as ocupantes escolheram os 37 membros da “Assembleia Popular” que iria solicitar a integração formal de Timor-Leste na Indonésia. Importa recordar que, na época, as forças armados só controlavam, e pela força, uma ínfimo parte do território de Timor-Leste (três meses mais tarde, segundo o relatório de padres indonésios que visitaram o território, elas só controlavam 150 mil dos 650 mil habitantes). Mesmo se os membros da “ Assembleia” tivessem sido eleitos democraticamente, só o poderiam ter sido por uma minoria submetida à ocupação militar estrangeira.

Convidada a participar na cerimónia, a ONU declinou o convite; só seis países amigos do regime indonésio se fizeram representar (Arábia Saudita, Índia, Malásia, Nigéria, Nova Zelândia e Tailândia). Mesmo assim, o representante da Índia manifestou duvidas sobre o carácter de autodeterminação da cerimónia. No final desta, os membros da “Assembleia” desapareceram inopinadamente sem que os diplomatas e jornalistas presentes pudessem trocar opiniões com eles.

Em Setembro, nove meses após a invasão, Dili é visitada por uma delegação de padres indonésios. O relatório que então elaboraram dá uma ideia da extensão do genocídio: “A população das vilas e aldeias ocupadas pelas tropas indonésios é cerca de 150 mil pessoas, num total de 650 mil habitantes (...) Disseram-nos que aproximadamente 60 mil timorenses tinham sido mortos até agora. Consideramos este número elevado, porque isso significaria que dez por cento da população teria sido morta. Mas quando referimos estes números a dois podres de Dili, eles disseram-nos que, de acordo com as suas estimativas, o número de mortos seria de cerca de cem mil.”

Relatório da Parlamentary Library / legislative Research Service, ,Austrália

22/11/76

 

Como relataram os podres indonésios, a maioria da população manifestou o que pensava da vinda dos indonésios à sua maneira, isto é, refugiando-se nas montanhas.

 

1979

Fome e Corrupção

 

“Mais de 100 mil pessoas num estado de inanição completa”.

Um diplomata que visitou vários campos

 

            “Em menos de três anos perdi os meus pais, sete dos meus irmãos, quatro cunhados e 15 sobrinhos e sobrinhas”

Moisés Amaral

 

No fim de 1979 diplomatas, jornalistas e responsáveis de organizações humanitárias são convidados a visitar Timor-Leste. O que a Indonésia lhes mostra coloca Tímor-Leste no rol das piores catástrofes provocadas pelo homem. O embaixador do Canadá que pode visitar o campo de Remexio declarou aos jornalistas: “os habitantes estão num estado deplorável. Em muitos casos estão em vias de morrer de fome, desesperadamente enfermos, necessitando de ajuda imediata em termos de alimentação, vestuário e assistência médica elementar”.

Os diplomatas que participaram na visita lançaram um grito de alarme: “Mais de cem mil pessoas encontram-se em estado de inanição completa”.

Frank Carlin, responsável do Catholic Relief Services (CRS) dos EUA, confidencia ao jornalista australiano Peter Rodgers que os problemas da fome em Timor são “os piores” que encontrou em 14 anos de actividade na Ásia. David Delaprez, da Cruz Vermelha Internacional, estima que a situação é “tão má como no Biafra e potencialmente tão grave como no Cambodja”.

in Sidney Morning Herald, 1/11/78

 

Apesar dos pedidos dirigidos ao governo indonésio e a invocação das disposições dos Acordos de Genebra, a Cruz Vermelha Internacional estava impedida desde 7 de dezembro de 1975 de regressar a Timor-Leste. Em 1979, depois dos apelos emitidos pelos diplomatas que visitaram o território e das pressões dos vários governos, em particular dos EUA, e das ajudas materiais fornecidas por vários destes governos, a Indonésia autoriza a entrada de ajuda internacional e de três delegados do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CIRC), mas imp6s limites à sua acção: “Toda a ajuda deve passar pelos governos centrais e regionais, enquanto os subsídios para as operações humanitárias devem ser transmitidos à Cruz Vermelha Indonésia que é responsável por este trabalho.”

Mochtar, Indonesian Embassy Newsletter, Junho de 1979

 

O CIRC submete-se às condições que lhe são impostas. As deslocações dos três funcionários suíços são limitadas e sujeitas a autorizações prévias. Nos 13 campos que são autorizados a visitar foram reagrupadas 75 mil pessoas; 60 mil encontram-se num estado alarmante de subnutrição e destas, dizem os delegados da Cruz Vermelha, 20 mil não deveriam escapar à morte.

O secretário de estado-adjunto dos EUA, Holbroocke, avalia que o número de pessoas vivendo em campos sujeitos a uma vigilância apertada se eleva a 200 mil.

Agencia Americana para o desenvolvimento Internacional -USAID- Situatíon Repor

n01, 19/10/79

 

As restrições impostas pelo governo permitem às forças armadas indonésias apropriar-se de uma parte da ajuda internacional, directa e indirectamente. A ausência de funcionários internacionais obriga a que se recorra à Cruz Vermelha indonésia para a distribuição da ajuda internacional e mesmo ao exército de ocupação para o seu transporte, que é facturado a preços exorbitantes (850 dólares americanos para uma hora de aluguer de helicóptero - David Jenkins).

Em Janeiro, pouco tempo após a chegada de um barco australiano carregado com ajuda internacional, os medicamentos oferecidos pela Nova Zelândia encontravam-se à venda nos armazéns Vong Vi Vung, em Dili:

“Sacos de arroz , marcados com ‘para distribuição gratuita’ eram vendidos a preços que oscilavam entre as 12.500 e as 18.000 rupias em bíli, a 25 mil em Laga e a 30 mil em Baucau’.

ACFOA, 12/7/79

 

A acção do CIRC prolongou-se durantel8 meses, mas em Abril de 1981 as autoridades não renovaram as autorizações de estadia, porque preparavam a Operação Keamanan (segurança). Os timorenses reconheceram na generalidade que a presença da Cruz Vermelha Internacional levava as forças armadas indonésias a moderar a sua violência. Mas, uma vez que esta presença estava habitualmente limitada à cidade de Dili, não impedia que massacres colectivos ocorressem noutros pontos do território.

Perto de Uato-Lari, a sudeste de Viqueque, um caimão indonésio caiu numa emboscada da resistência:” Neste ataque morreram seis pessoas, uma das quais javanesa. E o suficiente para que aqueles que tinham sido libertados em Janeiro sejam de novo presos a 9 de Abril. E foram todos eliminados sem julgamento, a 15, 16 e 17 de Abril em Ulsu, Uato-Lari, lia Sídi, Saqueto e Beaço. Alguns dos condenados conseguem escapar de novo para o mato, entre eles o chefe internacional Adelino de Carvalho (seguem-­se os nomes de 118 pessoas mortas, 116 homens e 2 mulheres). (...) Estes são os nomes completos dos que foram massacrados. Muitos outros estão desaparecidos.”

Carta de um padre, 13/5/82

 

“A minha família contava 37 pessoas em1975, mas em 1979 estava reduzida a 9. Em menos de três anos, perdi os meus pais, sete dos meus irmãos, quatro cunhados e 15 sobrinhos e sobrinhas. O meu da, composto por mais de 600 pessoas, estava reduzido a menos de 100.”

Moisés Amaral, líder da UDT no exílio, intervenção no Comité de descolonízação das Nações Unidas / Nova Iorque, 1987.

 

1980

Resistir ao genocídio

 

“Ao longo destes seis anos... um numero de vítimas superior a 200 mil pessoas”

Documento colectivo religioso de Timor-Leste

 

“A cada vaga de repressão sucede-se um novo incremento da luta”

Um timorense ex-prisioneiro

 

 

As forças armadas indonésias controlam finalmente todas as vilas e aldeias. Crendo ter atingido o essencial do seu objectivo no terreno, a Indonésia volta-se para o exterior para refazer a sua imagem. Organiza um recenseamento para desmentir as informações de que teria perpetrado um genocídio em Timor-Leste.

O recenseamento efectuado por Portugal em 1974 tinha contado 680 mil habitantes. Em 1980 a Indonésia está interessada em apresentar um número elevado, contando evidentemente os funcionários e comerciantes que chegaram depois dos militares. Segundo os indonésios, em 1980 os habitantes de Timor-Leste são 555.350, o mesmo número, dizem eles, que seis anos antes. Na realidade, este número significa uma queda brutal de mais de cem mil, comparado aos 680 mil de 1974; mas uma alta personalidade indonésia teria mesmo confiado a Jum Dunn , Presidente da Comissão dos Direitos do Homem do Parlamento Australiano, que o número aferido no recenseamento de 1980 não ultrapassava os 400 mil habitantes.

Declaração de Jum Dunn perante a Tribunal Permanente dos Povos 1981.

 

A Igreja Católica de Timor-Leste contestou os números avançados pelos indonésios e o Monsenhor Costa Lopes, administrador apostólico da diocese, pediu aos padres que efectuassem o sue próprio recenseamento nas paróquias. O resultado obtido foi de 425 mil habitantes, uma perda de 255 mil em seis anos, sem levar em conta a alta taxa de crescimento demográfico dos timorenses.

No ano seguinte, tendo sido convidados a participar num encontro dos superiores religiosos católicos da Indonésia, os religiosos de Timor-Leste apresentam a esta assembleia um documento onde declaram:

“A tragédia do povo de Timor-Leste que se prolongou ao longo de seis anos fez um número de vitimas superior a 200 mil pessoas. Devemos concluir que o exército indonésio que libertou a Indonésia do poder colonial de uma forma que causou espanto, não libertará nunca o povo de Timor-Leste da sua condição colonial para a autonomia e independência nacional porque a sua

situação e realidade são muito diferentes. O que se produziu durante os últimos cinco anos é significativo: invasão, guerra, pilhagem, destruição da população indígena, sujeição territorial, exploração colonial, expulsão da população indígena que é substituída por pessoas de outras ilhas, ocupação militar, tentativas de mobilização maciça das pessoas (entre os 12 e os 55 anos) para que façam a guerra entre elas. Actualmente, como aliás desde o início, a vontade do povo de Timor-Leste é ter o direito a escolher o seu próprio futuro, e não os massacres efectuados pelos seus vizinhos”.

Reflexão colectiva dos religiosos de Timor-Leste, 31 de Julho de 1981.

 

A reacção das forças de ocupação é violenta. Um timorense aprisionado no “Mes Korem” descreve como se segue a vida nas prisões: “ Eis alguns dos métodos de tortura aplicados aos prisioneiros políticos: choques eléctricos; por os pés sob os pés das cadeiras onde se assentam até arrancar as unhas; levantar pesos durante horas a fio, ao calor; chicotadas; murros no estômago e no peito até o sangue correr pelo nariz e pela boca; queimaduras de cigarros na cara e no sexo, tanto dos homens como das mulheres; durante a noite elas eram vítimas de torcionários animalescos de tal maneira que várias saíram de lá com filhos. Arrancam-nos os crucifixos do pescoço e mandam-nos espezinhá-los, quando recusamos chovem os murros e pontapés. Após dois meses e meio deste inferno, conduziram-nos à prisão central de Caicoli. Aí, todas as terças-feiras, pelas 9 horas da noite, levaram em grupos de 5 a 10 cerca de uma centena de companheiros. Não sabemos se estão vivos ou mortos. Em todo este ciclo, solidifica-se a vontade cada vez mais firme de lutar pela libertação nacional para a construção de um Timor melhor para os seus filhos. A cada vaga de repressão sucede um incremento na luta. E um povo inteiro que resiste”.

Mes Korem, 28 de fevereiro de 1985.

 

A Assembleia Geral, profundamente preocupada com o sofrimento que as hostilidades no território vão causando no povo de Timor-Leste, acolhe com satisfação a iniciativa diplomática tomada pelo governo português que marca um primeiro passo no caminho para o livre exercício pelo povo de Timor-Leste do seu direito à autodeterminação e à liberdade, e pede instantaneamente a todas as partes interessadas que cooperem com vista a criar as condições necessárias à aplicação rápida da resolução 1514 (XV) da Assembleia Geral.

Resolução 35/27, 11/11/80.

 

1985

Controlo dos nascimentos/saúde

 

“131 postos de saúde”.

Ali Alatas, embaixador junto da ONU

 

“183 postos de planificação familiar”.

Dr. Gorde, director da planificação familiar em Dili

 

Num território fortemente atingido por uma baixa brutal da população a sujeito a condições de saúde deploráveis, o Governo indonésio concede prioridade ao controlo dos nascimentos sobre a saúde. Curiosamente, ele obteve para tal o apoio do Banco Mundial.

O Banco Mundial que apoiava o controlo dos nascimentos na Indonésia anuiu em apoiar a sua extensão a Timor-Leste sem ter em conta as circunst8ncias particulares deste território ocupado, e financiou em 90% a construção do Centro de Planificação Familiar de Dili e os centros de cada distrito. Só a construção do centro de Dili (648 milh5es de rupias em 1985) custou tanto como um ano de orçamento para a saúde.

Desde 1983 que Monsenhor Costa Lopes, bispo católico de Dili, vinha denunciando que “homens e mulheres são esterilizados sem mesmo serem informados quando, por qualquer motivo, são submetidos a uma intervenção cirúrgica”.

Em Março de 1985, Monsenhor Belo, o sucessor de Monsenhor Costa Lopes, critica a planificação familiar tal como é conduzida pela Indonésia:

“Ela consiste simplesmente em ir de aldeia em aldeia e distribuir sem discriminação os meios contraceptivos (pílulas, injecções e outros). Não dão nenhuma informação prévia às populações, administram injecções a mulheres não prevenidas. Deploramos, discordamos e reprovamos uma planificação familiar que não informa as populações”.

Informações recolhidas em Timor-Leste permitiram saber que todas as mulheres timorenses são obrigatoriamente possuidoras de um cartão no qual são registadas as injecções e ingestões de pílulas e onde está inscrita a data da próxima acção a realizar neste domínio. Na data indicada, cada mulher deve apresentar-se no posto de planeamento familiar onde lhe será administrada a injecção ou fornecidas as pílulas. Em muitos casos a pílula deve ser ingerida na presença do funcionário.

Quanto às condições no sector da saúde, em Agosto de 1989 o governador Manuel Carrascalão declarava, perante o Parlamento indonésio e em contradição com estatísticas oficiais, que “a malária é ainda importante” e que “70% da população sofre de tuberculose”

Considerando a profunda redução da população em Timor-Leste durante estes últimos 11 anos e o facto que o território tinha já uma fraca densidade populacional antes da invasão indonésia, qual a justificação para este programa de controlo de nascimentos? O que é que foi feito até ao presente momento para se ter a certeza que os timorenses estão ao abrigo da coacção, do abuso ou pior ainda?”.

In Carta de 40 senadores americanos ao Secretário de Estado Georges Schultz,

27/7/87

In Notícias Magazine, Diário de Notícias