E pelo lado da luta contra a
pobreza que se combate o trabalho infantil. Essa é a leitura a fazer do
primeiro dia de uma conferência internacional que ontem começou em Oslo.
Organizada pelo governo norueguês, tem a coordenação interessada da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) e do organismo das Nações Unidas para a infância
(Unicef). Objectivo anunciado: lutar contra uma realidade mundial que afecta uma
em cada quatro crianças do grupo etário 5-14 anos - cerca de 250 milhões - e
denunciar os aspectos mais escandalosos do flagelo.
Os participantes, idos de 40 países,
industrializados e em desenvolvimento, começaram por concordar que não há «uma»
solução para o problema. A partir de experiências concretas levadas por
conferencistas de todas as latitudes e relatadas pela agencia AFP, multiplicaram-se
as pistas a seguir: mobilização das comunidades locais para permitir que as
crianças vão à escola, busca de formas alternativas de rendimento para famílias
pobres que torne inútil o trabalho infantil, reforço dos orçamentos sociais e
dos meios dos inspectores do trabalho. Inevitavelmente, o trabalho infantil foi
sendo retractado como um filho da pobreza e as crianças como mão-de-obra dócil
que só deseja escapar à fome e se vê coagida a hipotecar o seu crescimento.
Público,2 8/10/97.