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Dois
Jardins

De
dois jardins meu vizinho é dono,
faz um murchar flor de amor,
faz outro cantar de dor,
quem tanto pena no seu ninho
viver,
que eterno é o delírio
que me torna flor de lírio
no jardim onde, de tanta rosa
só ela é minha, só na prosa
minha.
De morrer por ela
o mundo tudo sabe, só ela
ver não quer que nela vivo,
de tanto por ela ser cativo.

Só,
tenho cura na curva
dos seus peitos, na sombra
dos seus pomos, na ternura
dos seus abraços. Que turva
é
manhã, sem o sol
nos seus olhares, sem o colo
dos seus peitos, sem o mel
os seus lábios, que fel
me
é, por tão formosa
mulher ver nela, que se bondosa
eu só ignoro, que igual amor
merece o seu e com fervor.
Laurindo Neves
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Morabeza
Do
funaná ao batuque,
Da morna à coladeira
E dessas ao Lundum;
Um caminho a percorrer
Onde o som do Colá San Jon
Se funde com o de Tchabéta,

Chamando os filhos
das ilhas
E encanta-se quando
Num coro só cantamos “Sodade”,
Sim a saudade que nos alimenta
E que apesar de ser duma alegre tristeza
Mantém presente em nós a nossa morabeza,
A nossa tradição...
Não a deixemos perder, por Cabo Verde,
E por nós mesmos.
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A uma dança;Dancemos a nossa
tradição,
“Dá ku tornu minina”
“Iiii ô Sáb”
“Funaná kê di nôs”
Cabo Verde agradece...
Chora quando paira no ar “Morna Tchorá” Sorri
quando sobe aos céus “Si bo ca crê uvi morna”
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Walter Bettencourt
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