Michael Faraday

 

Indução Eletromagnética

Michael Faraday celebrizou-se como o experimentador que descobriu a indução eletromagnética, mas a história parece ter esquecido que ele também foi um dos grandes fundadores da física moderna. Na verdade pode-se dizer que foi ele quem começou a revolução que abalou o longo reinado de Newton e reconstruiu a física sobre novos alicerces teóricos. Com efeito, Faraday foi o primeiro cientista que sugeriu a moderna idéia de campo-conceito que haveria de se tornar a pedra fundamental da teoria eletromagnética de James Clarck Maxwell, da teoria da relatividade geral de Albert Einstein e do progresso do século XX na compreensão da realidade física.

Não menos interessante que tudo isso é que Faraday estudou pouca matemática e sua instrução formal não passou dos primeiros anos. Aos físicos de hoje suas realizações talvez pareça incrível. Na realidade a ignorância de Faraday em matemática contribuiu para sua inspiração. Levou-o a desenvolver um conceito simples e não matemático , quando buscava explicação de seus fenômenos elétricos e magnéticos. Sua dedução da teoria do campo ilustram duas qualidades que lhe compensaram amplamente a falta de instrução: fanática intuição e independência e originalidade de espírito.

Os biógrafos de Faraday tem salientado sua grande energia intelectual e suas obsessão pelas pesquisas experimentais. Felizmente para os biógrafos, ele costumava deixar tudo por escrito; suas notas e apontamentos foram depois publicados em forma de diário, em sete volumes. A física e a química eram uma das grandes paixões da sua vida. Poderia ter feito fortuna com suas descobertas, mas abandonava deliberadamente os projetos científicos quando começavam ter interesse comercial. Nasceu e morreu na pobreza – seu trabalho foi para ele recompensa suficiente.

Filho de um ferreiro Faraday nasceu perto de Londres, em 22 de novembro de 1791. Sua família era muito pobre para mantê-lo na escola. ..."Minha instrução", anotou em seu diário, "... foi mais simples, consistindo em pouco mais de rudimentos de leitura, escrita e aritmética em uma escola comum. As horas fora da escola foram passadas em casa e na rua." Aos treze anos arranjou emprego como mensageiro em uma livraria pertencente a um tal Riebal. Um anos depois, o patrão passou-o à aprendiz de encanador por um período de sete anos. Faraday manifestou-se grande interesse pelos livros de Ribeal . "Durante seu aprendizado", escreve em seu diário, "gostava de ler livros científicos que me caiam nas mãos, e entre elas as conversas sobre química, de Marcet, assim como os tópicos de eletricidade da Enciclopédia Britânica". Faraday assistiu algumas palestras sobre química, feitas pelo famoso cientista Sir Himphrey Davy, e tomou notas muito exatas. Não tardou pleitar um emprego na sociedade Real, mas foi logo rejeitado.

Terminada a aprendizagem de Faraday, em 1812, passou a trabalhar como encanador tarefeiro para um Sr. De la Roche . Mas não sentiu feliz em seu trabalho e tratou de pedir emprego a Davy, apresentando-lhe como prova de seu desvelo, as notas que tomara. Davy, que era homem vaidoso, ficou impressionado e contratou Faraday como seu secretário, mas após alguns meses, o dispensou aconselhado-lhe voltar ao seu serviço de encanador.

Não muito depois considerando a decisão, Davy contratou Faraday como assitente de laboratório.

Daí por diante, Faraday iria dedicar todas as suas horas de trabalho à ciência pura. Após uma viagem de dois anos pela Europa, com o sr. Humphrey, dedicou-se exclusivamente a trabalhar no laboratório do patrão. Realizou experimentos de química, eletroquímica e metalurgia, que seriam suficientes para dar-lhe reputação de cientista: descobriu o benzeno, produziu o primeiro aço inoxidável, foi o primeiro a liqüefazer muitos gases, descobriu as leis da eletrólise e as leis da rotação magnética do plano de polarização da luz. Mas aqui estamos preocupados com o seu trabalho principal – o eletromagnetismo. Em 1820, o físico dinamarquês Hans Christian Oersted anunciara ter descoberto uma relação entre magnetismo e eletricidade. Verificara que uma corrente contínua num fio, causava uma deflexão de uma agulha magnética colocada perto dela . Oersted levantou a hipótese de que o fio condutor seria cercado por um campo magnético, que agiria em círculos em torno do fio e perpendicularmente a este.

B. FRANKLIN

Potencial elétrico

As manifestações da eletricidade sempre foram fenômenos estranhos para o homem. Havia o pavor pelas trovoadas e tempestades, as superstições e lendas de descargas em hastes metálicas, a diversão pela atração magnética.

Embora haja alguns trabalhos anteriores, a eletricidade começou a se desenvolver como a ciência somente após o século XVIII. Alguns homens se destacaram mas muitos outros também contribuíram e são desconhecidos.

Estudos muito importantes foram realizados por B. Franklin (1706-1790). Ele verificou que faiscas produzidas em laboratório eram da mesma natureza que o relâmpago. Desenvolveu-se o conceito da eletricidade positiva e negativa. Foi o inventor do pára-raios, que se tornou a primeira aplicação prática, de importância, da eletricidade, sendo um grande estimulo as novas invenções e descobertas. Conta-se que o Rei da Inglaterra ficou furioso com o fato de um cidadão dos Estados Unidos, que na época era colônia inglesa, ter feito tão importante invenção; procurando menosprezar Franklin, mandou construir em seu palácio um pára-raios arredondado, em vez de pontiagudo.

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