Orlando,

esse texto eu afixei na sala dos professores quando da semana do Folclore. Quem sabe poderemos viabilizar para o próximo ano uma demonstração de cultura da capoeira com exposição de livros, instrumentos, berimbaus. Eu posso fazer uma oficina com os alunos, independente da série, para estarem fazendo ou tocando instrumentos como o berimbau, o pandeiro, o chaqualho, o agogô ou marraca . Quem sempre teve esse desejo foi a professora de balé...

Semana do Folclore – A Capoeira

 

Falar em capoeira nos anos noventa é falar em tradição, qualidade e atualidade de maneira a abranger o esporte, a cultura, a luta, a dança e o folclore. Sua aplicação depende da interpretação e da necessidade que cada um faz desta arte. É um canal de extravasamento da emoção

A estória dos precursores continua viva na memória de cada mestre que a conta à seus alunos o que aconteceu no início de nosso século. Falam de Bimba e de seus seguidores, dos seus desafios, de suas conquistas. Alguns vão mais longe e falam da capoeria do mestre Benedito e de Bentinho, mestres de Bimba e de outros não tão reconhecidos. Seja nas academias, nas sociedades amigos de bairro, na escola ou na rua a capoeira ganha adeptos e estudiosos a colocam em suas teses nas grandes academias superiores, nas faculdades. Brasília é um belo exemplo.

Nos anos setenta, em São Paulo, no Grande ABC, mestre Valdenor dos Santos mostrou à todos o que era a capoeria regional. Hoje, seus ex-alunos, grandes mestres, continuam a divulgar a maior arte cultural nacional a nível de luta/dança.

Há mestres que não gostam de chamá-la de dança. Admitindo ou não, a capoeira é praticada, na maioria das vezes, ao rítmo de músicas e a ginga é um tipo de dança. Acompanha o rítmo do berimbau.

Hoje, mestre Badanai, da academia Benguela, faz um belo trabalho com crianças, jovens e adultos em sua academia. Ensina também em CEAR, mantido pela Prefeitura de Santo André e no SESI Prefeito Saladino. Possui alunos de todos os níveis e já formou vários mestres que levam seu nome à frente.

Mestre Badá, assim como é conhecido, foi campeão Paulista. É um mestre atencioso com seus alunos e suas aulas abrangem além de exercícios e os treinos de rotina, aulas de rítmo e toque de instrumentos com cantos, além da confecção dos mesmos.

Eu treinei capoeira com Mestre Joãozinho, na academia Paranauê. A primeira vez que fui treinar, fui levado pelas mãos da minha mãe, aos oito anos de idade. Treinei até os dezoito, com muita intensidade, participei de vários torneios e batizados. Depois continuei a treinar esporadicamente. Cheguei a auxiliar o mestre em suas aulas. Conheci, já nessa época, mestre Badá.

Enquanto eu seguia outros caminhos, mestre Badá persistia em seus treinos e hoje está aperfeiçoado. Tenho muito prazer em falar do Badá. Ele tem participado de campeonatos atuais, pertence à Federação de Capoeira e tem se dedicado junto aos seus alunos. Badá é gente que faz. Joãozinho é mestre que fez, e bem feito. Hoje Joãozinho é comerciante de peças de vime. Minha homenagem aos dois grandes mestres, Joãozinho e Badá.

Vlamir Belfante

 

 

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