A Arte Final

 

Foi na manhã da primeira quinta feira do mês de novembro de 1995. Era um dia ensolarado, muito vivo, pássaros cantarolavam, os arbustos estavam verdinhos e tudo indicava que teríamos um dia igual a qualquer outro.

Meu filho, Juninho, com cinco anos de idade, brincava no quintal da nossa casa nova juntamente com seus dois coleguinhas, vizinhos recentes, Alexandre e Marcos, e a irmã caçula, Talita, que apesar de ter apenas um ano e oito meses, mostrava-se bastante atenta para com os outros companheiros.

Todos saudáveis, eu e minha esposa olhávamos aquelas crianças brincando pela pequena janela do quartinho de costura , que eu tinha mandado fazer para a Cecília, logo que compramos a casa.

O mundo estava praticamente em paz, alguns conflitos isolados no oriente médio, mas nada que dissesse respeito imediato ao nosso tranquilo país.

A situação econômica de nosso país havia melhorado, depois de longas batalhas. O novo presidente se dedicava ao máximo para a melhoria de seu povo, a estabilização econômica tão sonhada já era possível, minimizações das favelas, uma distribuição de renda aceitável e já tinha conseguido salvar 80% das crianças de rua através de implementações de planos emergenciais. Era o novo Brasil despontando, tanto comentado e desesperançado no passado.

Naquele dia eu ainda não havia começado a trabalhar pois me dedicava à manutenção de aparelhos eletrônicos na parte da manhã e nos períodos da tarde e da noite me dedicava à aulas de eletrônica em uma instituição de ensino.

Nessa manhã, deveria ser por volta das dez horas, quando os malditos japoneses invadiram nossos céus...

Eu ouvi primeiro o ronco dos motores, eram aviões sofisticados que ora funcionavam e pareciam estar invisíveis, ora ficavam de cor vermelha, tinham no bico uma ponta aguda, bem fina.

Quando pude vê-los momentaneamente, começou um bombardeio alarmante. Começamos a correr para dentro de nossas casas e a única coisa a fazer era rezar e esperar alguma resistência de nosso governo. Mas eu me perguntava:

-Como será que esses malditos tinham conseguido entrar em nosso território sem serem percebidos?

O objetivo deles era um só, arrasar, destruir nosso país igual aqo dia em que os americanos os destruíram para que assim se apossassem do nosso solo. Pois a população do Japão havia aumentado demasiadamente, seus recursos naturais haviam desaparecido há muito tempo e a crise econômica havia mexido com toda a política de seu país e adjacências. O governo poderia optar por outras saídas mas preferiu esta., nossas almas.

Não havia mais condições de se viver no Japão, a superpopulação existente e a educação de décadas corroboravam para o feito.

Logo vim a descobrir que o motivo pelo qual escolheram o Brasil era porque tinha um vasto território, uma fonte "inesgotável" de recursos naturais, diziam... - "Um governo de paz, mas um povo que não sabia dar valor ao que tinha...". Este era o pensamento que incentivava a nossa devastação pelos governantes do vermelho e branco.

Somente descobri tudo isso porquê, depois de dominado o sul do país, onde montaram uma gigantesca base, tomaram parcialmente nossos meios de comunicações e mostraram entrevistas dos militares japoneses em consenso com o governo do mesmo país.

Os americanos iniciaram o processo de auxílio ao nosso país mas como enfrentavam também dificuldades econômicas e na época investiam nas guerras contra o Iraque não podiam fazer mais que ceder alguns lançadores de mísseis altamente destrutivos, munições e treinamento intensivo aos nossos soldados. Isso não bastava e como era de se esperar o sangue banhava nosso chão...

Navios chegavam dia após dia, do oriente para o ocidente, trazendo consigo cargas de mentes felizes com a devastação de nosso território. Iniciava um ocupação massissa no sul do país.

O povo nacional agora reconhecia a sua impotência diante dessa fatalidade e se arrenpedia do país não ter investido no passado na mais alta concentração de tecnologia para sua defesa.

Os argumentos de políticos e de sociedades "protetoras" que antes se diziam desarmamentistas caía por terra. Imperava novamente a lei da selva, os mais fortes e espertos voltavam a dominar o território preferido. O caçador veio preparado para dizimar sua presa.

Ao longe se ouvia estrondos como os dos bons tempos em épocas de disputas futebolísticas. O barulho dos rojões da morte enfernizavam agora as mais puras mentes que outrora estiveram em puro estado de meditação. Por coincidência ou não muitos meditavam através de métodos orientais, alguns japoneses. Que ironia do destino. Porquê somente agora esses olhos fechados se mostram tão abertos em seu favor?

 

 

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