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Impressões e Conclusões Pessoais
(escritas depois do quarto Caminho)
O Óbvio volta ao início
Cada pessoa vê o "Caminho" a partir dos seus pontos de vista. Isto é óbvio!
Entretanto muitos vão fazê-lo pensando que lhes acontecerão coisas semelhantes às lidas em relatos de outros peregrinos ou em romances de ficção. Vão para o "Caminho" cheios de expectativas.
Ter expectativas em relação ao "Caminho" é começar a estragá-Lo. Não ter expectativas contribui para que tudo o que aconteça seja "lucro".
As cidades, os vilarejos, as igrejas, os monumentos e as plantações sempre estarão lá, mas mesmo que você O faça mais de uma vez, suas vivências serão diferentes.
Vou registrar aqui um pouco daquilo que me recordo e do que posso compartilhar, mas lembre-se: muitas coisas que me aconteceram, podem não voltar a acontecer, nem mesmo comigo.
O Espelho volta ao início
A experiência do "Caminho" é um espelho, uma réplica de como me conduzo na vida. Aquilo que me acontece ou o que troco com outros peregrinos mostra o quanto estou "aberto" ou "fechado" para o novo.
O "Caminho" é um exercício de paciência e determinação. Nele a coisa mais comum é a mudança. Mudança de lugar, de cama, de clima, de companhias, de culinária regional, das condições de conforto, das maneiras de ser tratado e de humor. Eu ando, me canso, às vezes me alegro, às vezes me aborreço, às vezes durmo bem, às vezes durmo mal, pego vento, dias nublados, chuva, frio, neblina, sol forte, e um dia, afinal, chego a Santiago. Só aí então eu posso fazer uma primeira avaliação do que foi a minha jornada. Outras conclusões continuam aparecendo ao logo do tempo, até mesmo bem depois de eu já ter chegado em casa.
Lidar com o novo, com as alternâncias de todos os dias mostra-me que a vida não é uma coisa previsível, mas, apesar dos imprevistos, eu chego a Santiago. Não é preciso me desesperar quando os acontecimentos ocorrem de forma diferente do esperado.
O "Caminho" me mostra com clareza que algumas coisas estão sob meu controle e outras não, que alguns erros podem ser consertados e que outros não devem ser cometidos, pois se o forem, não terão conserto.
Observei que alguns peregrinos organizaram-se para fazê-Lo, outros foram "com a cara e a coragem" sem nenhum preparo, outros foram por motivos religiosos, outros por motivos esportivos, outros porque estava na moda, outros foram em busca de aperfeiçoamento, enfim, é o que se vê no cotidiano ao nosso redor em qualquer lugar do mundo. Encontra-se desde o livre pensador até o fanático religioso. Resumindo, tem "de tudo" no "Caminho".
Vale aqui transcrever um trecho de um poema antigo. El Camino de Santiago está abierto a toda suerte de caminantes, como lo estaba el antiguo Hospital de Roncesvalles del que leemos: "La puerta se abre a todos, enfermos y sanos; no solo a católicos, sin aun a paganos, a judíos, herejes ociosos y vanos; y mas brevemente, a buenos y profanos". Poema del siglo XII.
A Acolhida volta ao início
A atenção e o carinho das pessoas simples dos vilarejos, algumas pedindo para eu rezar por elas em Santiago me sensibilizava. Eu sentia que a acolhida dos habitantes era sincera.
A sensação de estar protegido pela população o tempo todo foi muito agradável. Poucas vezes errei o percurso, mas todas as vezes que isto aconteceu, alguém imediatamente me avisou. A situação mais significativa foi quando passei diante de um horta onde um homem trabalhava, só que ele estava bem distante de mim. Ao me ver ele gritou, perguntando se eu ia para Santiago e em seguida me fez um sinal indicando o rumo correto. Considero isso uma demonstração de carinho e me sinto gratificado.
Certa vez, quando dormi em Carrión de Los Condes choveu muito. No dia seguinte, já num local afastado da cidade, onde um certo riacho costumava transbordar, havia uma viatura da Guarda Nacional para eventualmente prestar ajuda aos peregrinos. Observei então que para transpor uma grande poça, onde se caminhava sobre pedras, os peregrinos idosos eram transportados pelos policiais.
Muitas vezes ganhei frutas de agricultores.
A Amizade e a Solidariedade volta ao início
Fiz amigos com os quais não troquei uma única palavra, pois não compreendia os seus idiomas. Mas sempre que nos encontrávamos os olhares indicavam que existia um vínculo de amizade.
Considero que nunca este "Caminho" foi tão importante como agora. Ele resgata o sentimento de fraternidade e o sentido da colaboração. É uma corrida onde todos ganham, todos sobem em um podium onde só há o primeiro lugar. Não há somente um vencedor, todos vencem.
A Simplicidade volta ao início
Andar, comer, beber, dormir, realizar a higiene pessoal e as necessidades fisiológicas, lavar roupa, conversar, pensar e sentir – apenas isso. A vida ao longo do "Caminho" é muito simples e isto faz com que o pensar e o sentir comecem a adquirir uma qualidade mais apurada. Percebo com clareza que a vida pode ser vivida de forma bem mais simples. A vida podia ser bem mais leve do que é. O "Caminho" permitiu que fossem repensados muitos valores.
A Dualidade Espectador versus Ator volta ao início
No cotidiano , nos momentos de folga do trabalho sou espectador a maior parte do tempo. No "Caminho" sou ator o tempo todo. Para a sociedade de consumo é interessante que eu seja apenas um consumidor. Para isso são investidas fortunas em propaganda. Lazer ficou associado ao consumo e à ociosidade. No "Caminho" eu ando, eu faço e não preciso consumir. Andar é a minha única tarefa e eu a realizo.
O Físico volta ao início
Sinto que a dualidade exata é "prazer" versus "esforço" e não "prazer" versus "desprazer". Quanto mais esforço eu faço, respeitando os limites do meu corpo, mais prazer eu tenho no final do dia.
O "Caminho" aviva o meu lado animal. A medida que o tempo passa e a caminhada se desenvolve, o meu corpo torna-se cada vez mais forte, a sensação de estar vivo fica mais e mais prazerosa e o meu poder pessoal aumenta na mesma proporção.
Os Limites do Corpo e os Limites Psicológicos volta ao início
Vi muita gente fazendo coisas que eu duvidaria que alguém fizesse. Vi um peregrino portador de uma paralisia em um dos lados do corpo caminhando com a ajuda de uma muleta canadense, vi pessoas obesas, cegos (guiados por amigos), pessoas muito idosas, senhoras com idade próxima aos sessenta anos e com uma estrutura bastante franzina além de pessoas com pouquíssimos recursos financeiros, enfim, indivíduos que tinham tudo para não realizar uma caminhada tão extenuante e dispendiosa como esta. A vontade deles estava bem acima de suas condições físicas e de suas limitações materiais. Todos estes peregrinos estavam andando e carregando seus pertences – sem se utilizar de carros de apoio.
Em geral a maioria das pessoas, assim como eu, trabalha ou funciona muito abaixo dos seus próprios limites pessoais. O "Caminho" acaba mostrando que os verdadeiros limites pessoais ainda estão muito distantes de serem atingidos, que posso fazer muito mais do que imagino.
Descobri que entre outras coisas, o "Caminho" é uma excelente terapia corporal.
O "Caminho" ensinou-me a lidar com os meus limites de resistência física. Resistência física é como dinheiro: eu não gasto, normalmente, o meu salário de uma única vez. Eu o administro para que ele possa durar 30 dias. A mesma coisa aprendi em relação à energia corporal – é preciso usá-la de forma inteligente para que eu possa alcançar meus objetivos diários. Às vezes uma dor sinalizava que um músculo estava querendo "pifar". Tinha então que parar, esperar um pouco e recomeçar a marcha de forma mais lenta e mais consciente. Também precisava ter em mente que no dia seguinte ia precisar continuar andando. Este "observar" e "saber lidar" com as condições físicas ajudava a desenvolver uma espécie de maestria em relação ao uso do corpo. O andar lento e atento, a paciência e as paradas constantes podem fazer a diferença entre o sucesso ou o fracasso de uma longa caminhada. Pegar carona nessas horas não fazia parte dos meus planos.
O Sentimento de Propriedade volta ao início
O "Caminho" mostrou-me com clareza que moro em cima de uma grande esfera e que posso caminhar sobre ela, posso ir para onde quiser, basta estar descansado e em boa forma. Sentia-me então como um dos donos do mundo. E para ser dono do mundo basta ter uma mochila, dois bastões, um bom par de botas, um pouco de dinheiro e disposição para andar.
O Estar Sozinho volta ao início
Neste ponto eu preciso sair um pouco do "Caminho" e dar um passo para o lado, falando da América do Sul. Os antigos povos dos Andes tinham como seu deus maior a Terra – a Pachamama. Pacha significa Terra e Mama, Mãe. Havia mais deuses como o sol (Inti), a lua (Quilla) e o dos rios (Mayu) e outros. Dentro da visão deles, se todas as coisas que sustentavam os homens vinham da terra – então ela era a fonte da vida. Aliás, este conceito é necessário ser ensinado de novo ao homem moderno, que pensa que a comida tem origem no supermercado. Assim, o homem comum daquela época apesar de não conhecer a palavra ecologia não desrespeitava o meio ambiente – o seu grande deus, o qual não estava distante, no céu, nem ele iria conhecê-lo somente depois da morte. O deus estava presente o tempo todo.
Retornando ao "Caminho": Andando, eu sentia isso que acabei de relatar em relação aos povos da antiguidade andina. Eu estava sempre em contato com a terra (eu a estava pisando o tempo todo), em contato com os raios de sol, em contato com o vento, estava perto das árvores e de outros vegetais, perto de alguns animais e outras manifestações da natureza. Mesmo que não houvesse nenhuma outra pessoa perto de mim eu não me sentia só, pois estava sempre cercado de muitos outros seres.
A Liberdade volta ao início
A sensação de liberdade e ausência de medo é uma das experiências mais gostosas que desfrutava ao longo do percurso. Para andar dependia somente de mim e das condições meteorológicas. A sensação de estar livre de problemas fazia-me às vezes questionar se eu estava "indo para ..." ou "fugindo de..."
A Companhia volta ao início
Uma convicção toma conta de mim. Caminhar tem que ser sozinho, desde que eu não precise ajudar ninguém. Nas paradas, nos bares ou nos refúgios eu posso conversar e me entrosar com as pessoas, mas durante a caminhada a coisa tem de ser feita a dois.
Você não deve estar entendendo bem – sozinho ou a dois? A frase está correta! Vou explicar melhor.
Depois de caminhar algumas horas, no meu próprio ritmo, gerando muita endorfina, sem ter bolhas nos pés nem nenhum outro complicador de ordem física, desfrutando plenamente o ato de caminhar, depois de tudo isso aparecia em mim um estado de harmonia muito grande e nenhum sentimento de medo. Quando esta harmonia se instalava em mim, sentia que não estava só, que havia uma Presença me envolvendo.
Uma pessoa precisa acreditar naquilo que ela não consegue ver ou sentir. Por exemplo, um cego necessita acreditar que um objeto tem uma determinada cor mas ele não precisa acreditar na sua mão – ele sente a própria mão; ela é uma realidade não uma crença. Acredita-se quando não se conhece. Quando se conhece, a coisa passa a fazer parte da nossa realidade e essa é a diferença entre "crer" e "saber". Para mim esta foi a experiência mais significante do "Caminho".
A Única Oração volta ao início
Depois de ter recebido vários presentes ao longo do "Caminho" constatei que a maior oração que existe resume-se em um única palavra – Obrigado!
Esse "Obrigado!" tem de sair do fundo do coração e não da boca para fora; deve ser a primeira palavra a ser pronunciada mentalmente ao se despertar e a também a última palavra a ser pensada ao se deitar para dormir. Começo a praticar isso sempre que me lembro.
Sugiro que antes de você pedir qualquer coisa ao Criador, faça antes um agradecimento por todas as coisas que já conseguiu ou desfrutou. Comece a agradecer, por exemplo, pelo trabalho de todas as pessoas que inventaram, projetaram e montaram o sistema de comunicação que você está utilizando agora para ler esta mensagem; agradeça às pessoas que construíram a cadeira que você se senta; agradeça às pessoas que construíram a caneta que você usa etc, etc, etc...
Depois de trinta ou quarenta anos agradecendo a todos os que, através do seu trabalho materializaram o amor divino e tornaram possíveis as suas atuais condições de conforto, então peça alguma coisa!
Algumas Constatações volta ao início
Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção foi a idade de um grande número de peregrinos. Eles são pessoas com mais de 60 anos e têm um desempenho muito melhor do que a maioria dos jovens. O conceito de idoso na Europa é muito diferente do que estou acostumado a ver aqui pelo Brasil.
Constatei muitas vezes a veracidade do dito esotérico: "Quando se está no caminho certo a existência conspira a nosso favor". Alguns pequenos milagres aconteceram como o de uma acolhida muito gentil e gratuita em Garlin, cidade do interior da França, onde o único hotel estava fechado. Milagres são presentes da Existência que acontecem muitas vezes no dia-a-dia, mas é preciso estar-se atento e ser agradecido para notá-los.
Já venho observando há algum tempo que crenças pessoais e referências internas são os dois sistemas a partir dos quais as pessoas funcionam. Percebi isto claramente dentro de mim e vi como o "Caminho" contribuiu para mudar estas crenças e referências.
O mundo é muito maior do que eu pensava e também o mundo é muito menor do que eu pensava.
Passei uma noite num avião, depois tomei outro avião, em seguida um táxi e finalmente outro táxi e enfim cheguei ao destino. Para começar o "Caminho" gastei dois dias inteiros de deslocamento – como é longe! Os meios de transporte rápidos, o telefone e a Internet criam em mim a sensação de que o mundo é muito pequeno. De qualquer cyber-café posso ler meus e-mails ou escrever para os meus amigos. De acordo com o momento o mundo é muito grande ou então é muito pequeno. São sensações opostas. Tudo é relativo!
O "Caminho" é um cenário no qual eu pude aprender muitas coisas, todavia o mais importante é que neste lugar eu também pude desaprender outras tantas – condicionamentos desnecessários, que só atrapalharam a minha vida.
Pude observar ao longo do "Caminho" que havia muita gente mais evoluída do que eu assim como o inverso. Isto não é nem motivo de orgulho nem de tristeza. É apenas a constatação de estar no pátio da grande Escola da Vida e ver que existem alunos mais adiantados e outros mais atrasados. Ser peregrino não significa ser santo.
Recuperei a capacidade física e psicológica de viajar a pé. Constatei que para viajar só preciso ter boas pernas e alguns equipamentos de proteção. Não é imprescindível possuir o carro do ano; melhor é ter as "pernas do ano".
A fonte está sempre lá. O que cada um traz depende do tamanho do seu balde.
No refúgio de Eirexe (Galícia) encontrei um texto bastante marcante, o qual transcrevo: "El Camino solo tiene sentido iniciático si con él se inicia una nueva vida".
Sensações volta ao início
Às vezes uma alegria muito grande tomava conta de mim sem nenhuma razão.
Muitas vezes sentia-me como se estivesse num filme, um filme histórico, principalmente quando via um povoado distante.
Ao final de cada etapa eu sempre sentia uma sensação de vitória que se repetia quando eu começava a ver chegarem aos refúgios as pessoas conhecidas, principalmente aquelas que estavam com algum tipo de problema físico.
Ultra Pessoais volta ao início
Senti que no "Caminho" a minha sensibilidade ficava muito aflorada. Da mesma forma que podia me emocionar vendo uma pedra ou um bicho, também me irritava profundamente por fatos que aqui, no cotidiano, talvez não me incomodassem.
No dia a dia, há pessoas com as quais consigo estabelecer instantaneamente uma comunicação fácil; tudo que precisa ser conversado, analisado ou discutido acontece de uma forma harmônica, cordial e rápida. Há outras entretanto com as quais tudo é difícil, até o simples ato de obter resposta à pergunta "que horas são?" é uma coisa complicada. A partir do "Caminho", onde isso também aconteceu, passei a dividir as pessoas em duas categorias, as "fáceis" e as "difíceis". Das difíceis quero distância!
Logo depois de ter realizado o primeiro "Caminho", com a sensibilidade ainda à flor da pele, quando assistia à ópera Don Quixote, em Madrid, ouvi uma frase que calou fundo dentro de mim (e ainda ecoa até hoje): "Ver as coisas como elas são". Esta frase entrou tão forte que durante muito tempo só pensava nela, tentando estabelecer correlações com o que estava acontecendo à minha volta. Foi um dos grandes ensinamentos do primeiro "Caminho".
Do quarto "Caminho" ficou uma frase que não sei ao certo se a ouvi ou se a criei: "Tudo é uma faca de dois gumes", ou seja tudo pode ter uma segunda interpretação, uma outra explicação – devo evitar julgar pelas aparências para não me arrepender depois.
O Julgar – Um Exemplo volta ao início
Vivenciei o quanto é prejudicial a prática de julgar as pessoas. Havia um peregrino que me causava uma certa irritação pelo seu comportamento nos refúgios; eu chegava até a externar a minha opinião sobre ele para as pessoas próximas. Eu o julgava silenciosamente sempre que o via, apesar de às vezes conversarmos amistosamente.
Já na Galícia, numa certa manhã chuvosa durante a caminhada, falei qualquer coisa com ele e naquele momento, olhando dentro dos seus olhos, senti o quanto era puro o seu coração. Eu não tinha o direito de julgá-lo mal pelo seu comportamento aparente.
O fato de eu ter sentido a verdadeira energia do seu coração causou-me uma sensação de arrependimento muito forte e me fez ver o quanto eu tinha estado errado. Foi pior do que ter tomado um soco na cara. Tudo isso aconteceu e ninguém ficou sabendo, nem ele, na sua inocência – na verdade essa era a palavra chave – ele tinha a pureza da inocência. Naquele momento eu chorei muito de arrependimento.
Erros volta ao início
Quando fiz o meu segundo "Caminho" procurei bater o meu recorde pessoal de velocidade. Ao chegar a Santiago de Compostela uma enorme frustração tomou conta de mim. Eu tinha deixado de desfrutar de muitas coisas. Foi uma espécie de ejaculação precoce.
Colocando o Pé na Realidade volta ao início
Uma correção a ser feita. Obanos é um povoado onde se juntam dois caminhos bastante conhecidos (o que vem de Roncesvalles e o que vem de Jaca). O encontro não se dá em Puente La Reina como dizem em geral os guias turísticos e os documentários das televisões. Acontece que Puente La Reina é uma cidade conhecida, tem história enquanto que Obanos é um vilarejo, lugar pequeno, sem força política. A bem da verdade deixo aqui o registro.
Alguns guias omitem alternativas de percurso, algumas das quais poderiam ser mais confortáveis para os peregrinos. Um exemplo é o trecho entre Virgem del Camino e Hospital de Órbigo que pode ser feito passando-se por Villar de Mazarife. Essas publicações muitas vezes também sugerem etapas que não são as melhores de ser realizadas. Para os peregrinos que estão fazendo o "Caminho" pela primeira vez isto é bastante prejudicial.
Hoje também há um aspecto político associado ao "Caminho". Percebe-se o "dedo" da União Européia ao longo de todo o percurso. Muitas placas de sinalização assim como obras de manutenção em alguns refúgios e algumas partes do "Caminho" são feitas com recursos da Organização. O papel do "Caminho" no processo de integração dos povos da Europa e do mundo é muito importante. Nele encontram-se pessoas de diferentes religiões e de todas as partes do planeta.
Após o Caminho volta ao início
Muitas vezes no cotidiano surpreendo-me revendo, de forma muito intensa, cenas do percurso. Nestes momentos sinto uma vontade muito grande de retornar. Este fenômeno é mais freqüente nos primeiros meses, logo após o término de um "Caminho".
Os Planos para o Futuro volta ao início
O último "Caminho" foi melhor que os anteriores e o próximo deverá ser ainda mais proveitoso. Há muito que aprender. Certa vez quando conversava com um grupo de senhoras de um vilarejo disse-lhes que já havia feito o "Caminho" mais de uma vez. Uma delas então falou que eu deveria ter muitos pecados. É, talvez! Mas o "Caminho" não é só para se pagar pecados. Ele é muito mais um lugar onde acontece uma grande relação de troca entre as pessoas, um lugar de transformação.
Niterói, 29 de dezembro de 2000
Luiz
Aqui
estão os principais ensinamentos adquiridos nestes quatro "Caminhos".
Espero que ler este registro lhe
tenha sido útil.
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