Considerações sobre a Mochila do Caminhante
Santiago de Compostela

Durante a caminhada a Santiago de Compostela se você estiver usando um equipamento inadequado ou se quiser levar a sua casa nas costas, isto pode lhe trazer complicações. Talvez uma tendinite o faça parar para um descanso forçado ou até mesmo interrompa o seu projeto de chegar em Santiago de Compostela. A escolha da mochila é um dos pontos importantes no seu projeto de caminhar até Lá.
Se você não tem experiência no assunto, sugiro que imprima este texto e leve-o quando for a uma loja. Examine as mochilas com calma, acompanhando as descrições apresentadas passo a passo.
Este texto é fruto de muitas observações realizadas em quatro Caminhos a Santiago, após observar os meus próprios erros e os de pessoas de vários países. Aproveite-o!
1 Generalidades
A mochila vai ser sua companheira durante todo o percurso. Quanto melhor a sua qualidade, melhor será a sua companhia. Você vai gastar algum dinheiro com passagem aérea, estadas, refeições e outros gastos eventuais. Assim, "não economize palitos em banquete" comprando um artigo sem qualidade. Evite as marcas baratas.
Na hora de comprar sua mochila é bom já estar sabendo de alguns
detalhes para não comprar um equipamento inadequado.
A primeira coisa a saber é distinguir uma mochila de caminhada de uma mochila de escalada. Muitas lojas só vendem artigos de escalada. Atenção!
A mochila utilizada para percorrer longas distâncias é diferente da utilizada em escaladas, embora à primeira vista as duas se pareçam iguais.
A mochila de caminhadas (Figura1) possui uma barrigueira larga e acolchoada além de uma estrutura rígida interna.
Para fazer o Caminho de Santiago, uma mochila com capacidade entre 45 e 50 litros é suficiente para acomodar todos os seus pertences. Volumes maiores podem "tentar" o caminhante a levar mais coisas do que são realmente necessárias.
Outros detalhes são mostrados mais adiante.
A mochila de escalada (Figura 2) possui como característica principal o
formato bem mais estreito na área da cintura para permitir que o escalador tenha
agilidade nos seus movimentos.
Também tem um cinto para firmá-la ao corpo, porém sem o compromisso de descarregar o peso nos quadris. Existem também alguns outros acessórios semelhantes aos da mochila de caminhada.
Não vamos nos estender mais, pois não é nosso objetivo descrever mochilas de escalada.
2 Outros Detalhes
2.1 A Barrigueira e a Estrutura Interna
A mochila deve possuir barrigueira a qual deve ser usada bem apertada na
região dos quadris. A Figura 3 mostra os detalhes.
Observe que ela é bem mais larga que um cinto comum e acolchoada, de forma que o contato com o corpo fique agradável, apesar de apertado.
Para que a barrigueira cumpra o seu papel de suportar o peso da mochila é preciso que exista uma estrutura rígida interna, na parte que fica em contato com as costas, de modo a permitir que seu peso seja jogado nos quadris ao invés de ser jogado nos ombros. Este recurso elimina o esforço sobre a musculatura dos ombros e do pescoço bem como protege a sua coluna vertebral. Ao final de um dia inteiro de caminhada isto faz uma diferença enorme.
Cuidado com os fabricantes inescrupulosos que enganam as pessoas inexperientes colocando a barrigueira mas omitindo a estrutura interna!
2.2 Ajuste Vertical das Alças
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A mochila deve possuir dispositivo de ajuste da distância das
alças (parte dos ombros) em relação à barrigueira (Figura 4). É preciso que o
comprimento seja adequado ao tamanho das suas costas (igual ou maior do que
as costas)- veja a seta vermelha. As alças, nos equipamentos de qualidade, saem do centro das costas da mochila, presas a uma tira que permite graduar os seus tamanhos (Figura 5). |
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2.3 Tiras de Regulagem do Tamanho das Alças
Interligam as extremidades das alças até dois pontos próximos à barrigueira. Também devem ser usadas justas para evitar que a mochila fique torta ou caisndo para trás.
2.4 Tiras de Aproximação

Caminhando em terreno horizontal ou em descidas, a mochila deve ficar
"colada" totalmente às costas. Quando se está em um trecho muito íngrime é
possível modificar esta situação de forma que o tronco do caminhante possa ficar
tombado para a frente, mas a mochila permaneça na posição vertical.
Para isso acontecer é preciso que existam tiras de regulagem da aproximação.
As tiras localizadas na parte superior das alças tem esta função. Puxe-as firmemente para que a sua mochila fique colada ao corpo ou afrouxe-as quando necessário.
2.5 Tiras Peitorais

Para que as alças dos ombros não fiquem saindo de posição, escorregando para fora dos ombros é preciso que existam duas tiras na região do peito, fechando-se na frente do corpo. As mulheres devem usá-las acima dos seios.
Este recurso mantem as alças na sua posição correta.
2.6 Ventilação
Alguns fabricantes utilizam um tecido especial, em forma de rede, forrando a
parte da mochila que fica em contato com as costas e também a parte interna das alças
dos ombros.
Este tecido faz com que exista uma boa ventilação entre o equipamento e o corpo, minimizando a sensação desagradável de estar-se muito suado e com algo grudado às costas. Não é um dispositivo essencial mas ajuda muito.
2.7 Usando a Mochila
Depois de totalmente pronta e ajustada, a sua mochila, em uso, deve ficar com
este aspecto, ideal para os trechos horizontais e os trechos de descida. Mochilas
transportadas "caindo para trás" provocam desequilíbrio ao andar e cansaço
desnecessário.
Evite usar objetos pendurados do lado de fora que fiquem balançando. Eles são fontes desnecessárias de cansaço.
Balanços provocam desequilíbrio, esforços laterais adicionais ao longo da caminhada. e, conseqüentemnte, seu cansaço no final do dia é maior.
Se a mochila tiver que crescer, que cresça dos ombros para cima. Evite as mochilas que crescem da cintura para baixo pois isso tira totalmente a sua agilidade na hora que é necessário abaixar-se para transpor um obstáculo.

Se a sua mochila depois de arrumada estiver folgada, com aspecto de que ainda cabem mais coisas, aperte as tiras laterais para compactá-la.
Isto faz com que a carga fique firme, sem objetos balançando internamente, e mais próxima do seu corpo.
Quanto mais próxima a carga estiver do seu corpo, menor será o seu cansaço ao final do dia (veja Figura 11).
Observe a Figura 11. Temos uma parede, duas hastes de tamanhos diferentes
presas à parede e pesos iguais aplicados na ponta das hastes.
Os esforços criados na parede, nos pontos de inserção das hastes vão ser diferentes. A haste de cima, por ser mais longa, provoca um esforço muito maior na parede do que a haste de baixo.
O mesmo acontece em relação à sua mochila, quando você coloca cargas afastadas das costas. Suas costas são a parede.
2.8 Fivelas e Tiras
As fivelas plásticas são construídas de forma tal que, numa determinada
posição, permitem que as tiras deslizem livremente e que, em outra posição, as travem.
É um recurso muito bem pensado. Descubra como funcionam pois não dá para explicar mais.
Lembre-se que existem fivelas na barrigueira, nas tiras peitorais, nas tiras de
aproximação, nas tiras de regulagem do tamanho das alças, nas tiras de compactação
laterais e no fechamento da mochila.
Um ponto importante a ser observado no ato da compra é se as tiras realmente deslizam com
facilidade dentro das fivelas.
Durante a caminhada há a necessidade de usar-se agasalhos e de retirá-los, com bastante
freqüência. Após cada mudança é conveniente regular-se a barrigueira e demais ajustes
da mochila. Em equipamentos de qualidade isto pode ser feito com extrema facilidade.
Em equipamentos produzidos por de fabricantes de terceira categoria estas tiras deslizam
com dificuldade (muitas vezes são ligeiramente mais largas do que as fivelas). Isto pode
transformar-se numa fonte de aborrecimentos.
2.9 O Calcanhar de Aquiles
O calcanhar de Aquiles da mochila é a fivela da barrigueira. Se ela se partir você terá que carregar o peso da carga totalmente nos ombros. Assim, para contornar este imprevisto, leve uma fivela sobressalente. É muito barata e não pesa nada pois é de plástico.
2.10 O Tecido e as Costuras
A mochila deve ser confeccionada em tecido leve e resistente à penetração de
água . Também deve ter boa resistência mecânica de forma que não se rasgue com
o peso da carga (em equipamentos de qualidade inferior isto acontece com freqüência). A
título de referência pode ser citada a "Cordura" uma fibra sintética da
Dupont, usada por muitos fabricantes europeus.
As costuras internas devem possuir um bom acabamento de forma que não fiquem se
desmanchando ou desfiando com o tempo. Verifique o seu aspecto no ato da compra.
Como os tecidos utilizados não são impermeáveis é necessário utilizar-se uma
proteção extra contra as intempéries.
2.11 A Proteção contra Chuva
A mochila deve ter uma capa de
proteção contra chuva, adequada ao seu tamanho.
Existe um elástico na borda da capa para permitir sua fixaçãoà mochila assim como tiras, que passam pelas costas da mochila (parte direita da Figura 12).
Alguns fabricantes não incluem as tiras. Isto pode causar problemas pois com o balanço do andar e o vento a capa tende a sair da posiçao ou soltar-se completamente. Evite estas marcas e não caia na conversa de vendedores que digam que as tiras são desnecessárias.
Se você for obrigado pelas circunstâncias a adquirir uma capa sem estas características, use-a amarrada à mochila com um fio de nailon.
2.12 A Mochila Ideal
A mochila ideal tem as seguintes características:
A mochila sugerida, depois de arrumada, tem aproximadamente este aspecto:

Agora o restante é com você. Boa sorte!
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