HISTÓRIA DO VIOLÃO
Se acredita que a história do violão começou há quase dois mil anos
antes de Cristo. Na antiga Babilônia arqueologistas encontraram
placas de barro com figuras seminuas tocando instrumentos musicais
, muitos deles similares ao violão atual(1900-1800 b.c.). Um exame
mais detalhado nos mostra que há diferenças significativas no corpo
e no braço. O fundo é sem sombra de dúvida chato, portanto sem
relação com o alaúde, de fundo côncavo. As cordas são pulsadas
pela mão direita, mas o número de cordas não é preciso mas em
algumas placas pelo menos duas cordas são visíveis. Indícios de
instrumentos similares ao violão foram encontrados em cidades
como Assíria , Susa e Luristan.
Já no Egito a única o único instrumento de cordas pulsadas era a
HARPA de formato côncavo que depois foi acrescentada de um
braço com trastes cuidadosamente marcados e cordas feitas de tripa
animal. Pouco tempo depois estas características se combinariam e
evoluiríam para um instrumento ainda mais próximo do violão.
Já na Roma antiga um outro instrumento totalmente de madeira surge
(30 bc-400 ad) . O tampo que antes era de couro cru ( semelhante
ao banjo) agora é de madeira e possui cinco buracos.É importante
frisar que nas catacumbas egipicias foram encontradas instrumentos
com leves curvas características do violão.
O primeiro instrumento de cordas europeu, de origem medieval data
de 300 anos depois de cristo, e possuía um corpo arredondado que
se interligava com um braço de comprimento considerável. Este tipo
de instrumento foi utilizado por muitos anos e foi o antepassado
provavelmente da teorba. Há tambérm a descrição de outro
instrumento datado da Dinastia Carolingian que pode ser de origem
tanto alemã como francesa.Este instrumento possuía formato
retangular e seu corpo era equivalente ao seu braço. Em ilustrações
pode se observar que na "mão " do instrumento ( de formato
arredondado) se encontravam de quatro e as vezes cinco tarrachas
de afinação, com um número de cordas equivalente. Este
instrumento manteve seu formato e suas definições até o século
quatorze.
Paralelamente à este instrumento, outro começou a se desenvolver.
Possuía leves curvas nas laterais do corpo tornando-o mais
anatômico e confortável. Descrições deste instrumento foram
encontradas em catedrais inglesas, espanholas e francesas datadas
do fim do século quatorze. Surgia então a guitarra.
É importante frisar que haviam distinções, como a guitarra Latina e a
guitarra Morisca. A guitarra Morisca , como o nome indica, tinha
origem Moura, devido a colonização da Espanha e da África do
Norte. Este instrumento possuía um corpo oval e o tampo possuía
vários furos ornamentados chamados de Rosetas. Era totalmente
remanescente do Alaúde, e dentro deste conceito uma série de
outros modelos, com diferentes números de cordas também existiam
.
Já a guitarra Latina , tinha as curvas nas laterais do corpo que
marcariam o desenho já quase definitivo do instrumento. A guitarra
latina ( assim como a Morisca ) gozavam de grande popularidade e
gosto na Europa Medieval. Essa popularidade se devia
principalmente a presença dos "Trovadores", músicos de natureza
nômade que com suas performances e constantes viagens
enriqueceram a cultura européia e impulsionaram a popularidade e
reconhecimento do instrumento.
Até a Idade Média as informações sobre a guitarra eram obtidas de
maneira indireta na sua maioria, através de afrescos, pinturas e
pequenas anotações da época. A partir do período Barroco, as
informações sobre instrumentos em geral e sobre música são muito
mais claras e precisas.
No século dezesseis a guitarra era denominada de três maneiras:
Vihuela na Espanha, Rizzio Gitarre na França e Guitarra Batente na
Itália.
N a Espanha um fenômeno interessante ocorreu. Enquanto o
Alaúde, instrumento de origem Moura e corpo oval, emergia em
toda europa como instrumento favorito da aristocracia, na Espanha
este instrumento estava intimamente ligado com a cultura Moura e
sua dominação opressiva. Entretanto a música escrita para o
instrumento era bastante apreciada. A guitarra na época possuía
apenas quatro cordas, diferente da maioria dos alaúdes do período
que possuíam cinco ou mais. Então o corpo do instrumento foi
aumentado e uma corda foi adicionada e sua afinação era a mesma
da antiga guitarra com exceção da terceira corda que era afinada
meio tom abaixo. Este instrumento viria então a ser conhecido como
a Vihuela. A Vihuela era apenas uma guitarra de dimensões maiores
e possuía seis cordas duplas feitas de tripa animal.
O primeiro Vihuelista a ter seus trabalhos publicados foi o Espanhol
Luis Milan, nascido em 1500. Em 1535 ele publicou Libro de
Música para Vihuela de Mano intitulado de "El Maestro". Este foi
seu trabalho mais importante.
Somente um exemplar da Vihuela chegou aos nossos tempos, e data
de 1700 aproximadamente. Este instrumento representa a Vihuela
em seu estágio final de desenvolvimento. Os trastes são de metal, as
curvas na lateral são bastante pronunciadas e o buraco do tampo é
oval. A popularidade do instrumento é evidente pela quantidade de
música que lhe foi escrita e que ainda é encontrada. A música para
vihuela em grande parte foi escrita em tablatura. Este sistema
consiste de seis linhas que representam cada corda do instrumento, e
onde em cada linha são colocados números indicando o traste onde
a nota deve ser tocada. Este sistema ainda é usado até hoje.
Apesar de Luis Milan Ter sido o primeiro a publicar suas obras para
o instrumento, ele não foi o único. Também Luis de Narvaés em
1538 e Alonso Mudarra em 1546 publicaram seus trabalhos. Estas
publicações são o auge da Vihuela na Renascença.
Outro instrumento que já se encontrava na Europa, mas que durante
a Renascença e o período Barroco não era tão utilizado foi a
guitarra Egípicia, que variava seu número de corsdas: de 3,4 e 5
cordas. A guitarra de cinco cordas era mais comum na Europa pós
idade-média.
Durante o século quinze o termo guitarra (chitarra na Itália e gitarre
na França) se referia a um instrumento de fundo ovalado que depois
se desenvolveria no bandolim, somente depois este instrumentos
seriam usados e considerados como integrantes do violão atual.
Em sua maioria, a guitarra possuía cordas duplas na europa medieval
e barroca. As afinações costumavam variar, sendo que na maior
parte da Europa se utilizava a afinação G,C,E,A . Na Espanha
haviam duas afinações de importância relevante. A primeira era G,D,
F#,B utilizada mais em música antiga do que no repertório atual do
instrumento. A Segunda era idêntica a afinação das quatro cordas
mais agudas do violão atual.
A primeira publicação a conter transcrições para guitarra de quatro
ordens foram as publicações de Alonso Mudarra, que incluíam
quatro Fantasias, uma Pavana e a Romanesca "Guardame las
Vacas". A Segunda publicação a conter, trabalhos para guitarra foi o
livro de Miguel de Fuenllana Orphelina Lyra, e o terceiro foi o livro
de Juan Carlos Arnat " La guitarra Espanhola y Vandola de Cinco
ordenes" que data de 1586.
Enquanto estes trabalhos eram publicados a popularidade da
guitarra crescia na França e Itália. Na Itália outra publicação foi
editada e se chamava Libro dce tabolatura de chitarra, de Paolo
Virchi. O número de publicações de guitarra cresia paralelamente ao
número de guitarristas.
Na França surgiram também publicações de guitarra, em 1551. A
partir deste ano até 1555 cinco publicações foram editadas em Paris
por Adrian Le Roy e Robert Ballard. Estes livros contém, Fantasias
e Danças como Branles e Galhardas, música para voz e violão, e
Chansons. As composições vinham de vários autores, o que prova
que uma verdadeira escola de guitarra existia na França do século
dezesseis. N a França dois nomes merecem destaque, Michael
Janusch e Michael Mulich.
Provavelmente existiu um número considerável de guitarristas que
infelizmente permanecerão anônimos, por que sua música nunca
atingiu os meios de impressão que na época eram controlados pela
igreja.
A guitarra de cinco cordas.
Na idade média a co-existência de instrumentos de três, quatro e
cinco cordas, era um fato de importância. A guitarra de quatro
cordas tinha muita popularidade no século quinze, porém no século
dezesseis a guitarra de cinco cordas assumiu posto de instrumento
predileto europeu. O primeiro indício de uma guiatrra de cinco
cordas foi uma gravura Italiana datada do século quinze. O
instrumento representado é pelo menos igual em tamanho em relação
ao seu semelhante moderno. A sua caixa sonora é um pouco maior
que a do violão moderno, e apresenta uma construção refinada que
chama a atenção, o que é característico de instrumentos de luthiers
italianos. A guitarra italiana possuía uma derivada chamada de
guitarra batente. O mesmo sendo observado na França com a Rizzio
guitar. N a Espanha o trabalho mais abrangente em torno da guitarra
foi publicado em 1586 em Barcelona. Escrito por Juan Carlos Amat,
contém novos métodos de como tocar a guitarra de cinco cordas, e
várias composições para o instrumento.
Concluindo, a guitarra de cinco cordas foi uma evolução natural da
guitatrra de quatro cordas. A afinação da guitarra de cinco cordas
era A-D-G-B-E, exatamente como o violão moderno. Desta
maneira a guitarra de cinco cordas desenvolveu-se e assumiu o
posto de principal instrumento de cordas pinçadas.
O século dezessete.
A nobreza européia, tornou o instrumento reconhecido e
indispensável. O número de compositores, instrumentistas e luthiers
cresceu de maneira vertiginosa. Uma melhoria nos métodos de
documntação fez com que o nome destes instrumentistas chegasse
até o nosso tempo .
É fato que o Rei Luís XIV da França tocou a guitarra e fez dele o
seu instrumento favorito. Ele tinha como professor um dos mais
renomados guitarristas do época, Robert de Visée(1650-1725).
Jean Batiste Lully também foi um grande compositor da época, que
também tocava e compunha para o instrumento. Neste período, é
importante ressaltar a influência germânica e do leste europeu. Na
Holanda o trabalho de Isabel Van Langenhouse é de grande valor,
assim como o de Heinrich Schutz (1585-1672) na Alemanha. No
leste europeu, a influência da guitarra italiana é marcante. A guitarra
batente serviu claramente como modelo para as guitarras produzidas
em Praga, e encontradas em pesquisas históricas.
Embora a guitarra na Espanha não fosse tão popular quanto na
Itália, devido a grande popularidade da vihuela, alguns trabalhos de
compositores espanhóis para a guitarra merecem destaque. Dentre
eles o trabalho de Gaspar Zans desperta grande interesse até os dias
de hoje. Zans estudou guitarra na Itália assim como orgão e teoria
musical. Tornou-se mestre de capela da corte em Nápoles. Ao
retornar à Espanha publicou três livros entre 1674 e 1697,
explicando detalhadamente questões como performance e
improvisação, e também detalhes sobre afinação. A afinação usada
por ele era A-D-G-B-E. No seu livro Zans também mostrava seu
trabalho como compositor, composto de danças e Passacalias.
A maioria das músicas estão em tablatura entretanto existem músicas
em notação moderna.
Outro compositor de destaque foi o Padre, compositor e músico de
corte Don Francisco de Guerau, que em seu livro Poema harmonico
compuesto de varias cifres por el temple de la guitarra espanhola,
mostra várias danças e Passacalias. Em seu livro se encontram várias
instruções técnicas de grande valor, como posicionamento das mãos
direita e esquerda. Em Portugal o guitarrista Doisi de Velasco se
destaca publicando seus livros primeiramente na Itália. Este fato
vivenciado também por outros compositores indica que a grande
popularidade da guitarra na Itália faz crer que uma maior aceitação
musical do instrumento se concretizava no país.
A Itália foi realmente o centro da música guitarrística no período
barroco. A popularidade do instrumento cresceu quando os músicos
italianos adotaram o sistema espanhol de execução, ou seja puxando
as cordas, em oposição ao rasgueado, onde se tocava várias cordas
do instrumento com movimentos de ataque a todas as cordas do
instrumento. Esta maneira de execução é remanescente da execução
da vihuela, ou guitarra espanhola como era chamada na Itália. Este
termo ainda é usado até hoje em todo o mundo para designação do
violão.
As dua maneiras de tocar coexistiram durante o século dezessete,
sendo que rasgueado era anotado através de cifras que indicavam o
acorde a ser atacado. Este modelo é usado até hoje para registro de
músicas populares ( não deixe de olhar a seção de música cifrada).
Um grande guitarrista italiano foi Francisco Corbeta. Ele excursionou
por toda a Europa, fazendo recitais e anotando músicas para o
instrumento.
No século dezoito, a Itália foi sem dúvida o centro guitarrístico da
europa, porém outro país começou a se destacar no painel musical
da guitarra neste período: Alemanha.
A Alemanha devido a presença de compositores como Bach , Johan
Pachelbel e outros que compuseram para o Alaúde, vivenciou um
grande crescimento no interesse por este instrumento. Porém o
Alaúde, devido ao rápido desenvolvimento da técnica envolvida em
sua execução, adquiriu uma estrutura muito complicada e chegou a
possuir 24 cordas. Claro, muitas delas vibravam apenas por
simpatia, gerando harmônicos. Devido a sua execução demasiado
complicada, vários músicos abandonaram o instrumento e adotaram
a guitarra. Varios compositores, dedicaram composições para o
instrumento, o que aumentou o interesse pela guitarra. Entre estes
compositores está o nome de Friedrich Baumbach, Johan Cristhiam
Franz e Joham Arnold. Outro aspecto marcante foi o uso da guitarra
em conjunto com outros instrumentos como guitarra e flauta, guitarra
e viola , guitarra e baixo.
É da Alemanha que se tem notícia da mais antiga publicação para
guitarra de seis cordas. De acordo com olivro, a afinação indicada
era D,A,D,F#,A,D. O instrumento ganhou popularidade e chegou a
países vizinhos, como Holanda, Bélgica e Dinamarca. É também
importante mencionar que a guitarra atingiu grande popularidade em
países do leste europeu como Tchekoslováquia e Russia. Jeamm
Batist Wanhall (1739-1831)compositor Russo escreveu para a
guitarra, que em 1780 vários construtores trabalharam no
instrumento criando vários outros, como violoinos Cellos e até
mesmo balalaikas.
Embora a guitarra já fosse um instrumento de corte, foi na frança
que este realmente ganhou a graça da nobreza. Em pinturas de Jeam
Batiste Pater vários jovens da nobreza são retratados tocando o
instrumento em poses de graça e deleite. Com a revolução francesa
o instrumento ganhou força com a população de um modo geral.
Somente no final do século dezoito a Espanha floresceu nas arte de
construção do instrumento ou de sua execução, provavelmente
devido a ainda grande popularidade da vihuela. Vários construtores
vindos da itália criaram instrumentos de qualidade. Entre eles Juan
Matabosch se faz notar. Ele construiu a primeira guitarra de
Fernado Sor, figura de grande importância para a guitarra.
Enquanto a popularidade da guitarra crescia na Espanha, na Itália o
instrumento entrava em declínio, mas ainda se mantinha em evidência
devido ao trabalho de compositores como Luigi Boccherini
(1746-1805). Boccherini excursionou por toda a europa como
violinista cellista e foi mestre de capela em Madri. Lá aprendeu a
tocar a guitarra e foi compositor do instrumento na Prússia onde
também foi mestre de capela. Compôs uma Sinfonia Concertante,
para guitarra , violino, oboé, cello e baixo. Esta peça ainda é muito
executada.
Nesta época é evidente um esforço no sentido de uma melhor
funcionalidade para o instrumento. As mudanças na sua construção e
execução fizeram-se sentir também no novo mundo, especialmnete
ma América do Sul. Argentina já possuia grandes compositores e
guitarristas, como Manuel Macia e Antonio Guerrero. A evolução
de maior importância na guitarra foi a adição da Sexta corda. Este
passo foi fruto do século dezoito, assim como a Quinta corda foi do
século dezessete. É importante frisar que não mais eram utilizadas
cordas duplas, mas sim cordas simples a partir do meio do século
dezoito. A roseta foi substituída por um buraco liberando a
sonoridade do instrumento, o corpo foi aumentado, trastes de metal
foram adicionados. A tablatura tornou-se obsoleta e começou-se a
escrever para o instrumento em notação tradicional, porém uma
oitava abaixo. Por este motivo dizemos que o violão é um
instrumento transpositor. Todas estas transformações fizeram com
que o instrumento no Século dezenove se torna-se muito popular em
toda a europa, e também na América.
Melhoras nos sistemas de transportes com ferrovias interligando
vários países, fizeram com que grandes oportunidades se abrissem, e
possibilitaram extensas turnês e intercâmbios de grandes
proporções. Viena se tornou então o novo centro musical do
instrumento e o maior expoente desta explosão foi Simon Molitor
(1766-1848). Simon compôs vários solos para o instrumento e
música de câmara. Outra grande figura de destaque foi Mauro
Giuliani, Italiano viveu muitos anos em Viena exercendo grande
influência como performer. Excursionou por toda a Europa
aumentando a aceitação da guitarra como instrumento sério e de
grande importância.
Franz Shubert (1797-1828) tocou e compôs para o instrumento.
Muito pobre para possuir um piano, utilizou o guitarra como meio de
composição. Escreveu várias canções para voz e violão e um belo
quarteto para flauta, guitarra, viola e cello. Outros italianos
influenciados por Giuliani, seguiram seu exemplo , entre eles Luigi
Legnanni (1790-77), e Mateo Bavilaqua.
Os maiores expoentes do período Romântico foram sem dúvida os
espanhóis Fernando Sor e Dionísio Aguado, e os italianos Fernando
Carulli e Mateo Carcassi ( assim como Giulianni já mencionado).
Afigura de maior destaque foi sem dúvida Fernando Sor. Sor foi um
grande virtuoso do instrumento. Nasceu em Barcelona em 1778 e
recebeu educação musical em um monastério de Montserrat. Aos
dezoito anos Sor escreveu uma Ópera: Telemachus on Calypsus
Isle, que chegou a ser produzida em Barcelona.
Sor então se mudou para a França em 1812, onde se apresentou e
encantou o público Francês. Estreiou em Londres em 1815, e foi o
primeiro e único guitarrista a tocar com a London Philarmonic
Society. Em 1817 estreiou seu Concerto para guitarra e cordas.
Em 1820 foi para a Alemanha e Russia, onde produziu três de seus
ballets. Em 1825 Sor compôs uma marcha funerária para o Czar
Alexander que havia morrido. Retornou então à França, onde
trabalhou incessantemente como compositor e professor.
Suas composições listam mais de 300, entre solos de guitarra e
óperas completas. Mas seu maior esforço foi seu método Méthode
de la guitarre de 1830, trabalho de mais de trinta anos de
experiência.
A Itália se mantinha como centro guitarrístico da Europa, expondo
sempre grandes virtuosos.
Fernando Carulli nasceu em Nápoles em 1770 e morreu em Paris
em 1841. Iniciou sua vida musical como cellista, porém depois se
dedicou exclusivamente à guitarra, tornando-se o maior virtuoso da
Itália na época. Ficou famoso na França tocando suas mais de 366
composições, e por seu método de guitarra utilizado até os dias de
hoje.
Mateo Carcassi (1792-1853) conterrâneo de Carulli, aprofundou a
técnica de Carulli, com o livro Método Completo para Guitarra, que
se tornou um dos livros mais utilizados em toda a Europa. Fez
recitais na Alemanha, Itália e Inglaterra, quando então estreiou na
França com grande sucesso.
Caso a parte é o de Nicollo Paganini (1782-1853), mais conhecido
como virtuoso do violino, era também extraordinário guitarrista.
Compôs muito para a guitarra solo e em conjunto com outros
instrumentos. Paganini foi um músico conhecido principalmente por
seu temperamento e egocentrismo. Devido a este detalhe de sua
personalidade, Paganini nunca aceitou o fato de não ser o melhor na
guitarra ( posto este ocupado por Giulianni), o que fez com que
Paganini apenas compusesse para a guitarra, mas não a tocasse
profissionalmente).
Um grande amigo de Paganini foi Zani de Ferranti (1800-1878),
virtuoso e compositor que foi realmente o primeiro a excursionar
pelos Estados Unidos com grande sucesso.
Napoleon Coste (1806-1883) também foi figura de destaque.
Morou muitos anos em Paris lá se socializando com músicos como
Sor, Aguado e outros, tocando intensivamente até que um acidente
lhe incapacitou uma das mão. Seu maior mérito foi estimular a
redescoberta da música Barroca.
Neste período podemos perceber uma intensa movimentação dos
músicos, o que levou a uma busca intensa dos luthiers em torno de
volume, durabilidade e sonoridade. Isto acarretou em novas
alterações no instrumento o aproximando muito mais do modelo que
usamos atualmente. Os construtores Germano Fabricatore e René
François foram dois que se destacaram como fabricantes.
A Espanha vivenciou o florescimento da cultura guitarrística no
século dezenove. O surgimento de vários virtuosos do instrumento
atesta isto, porém estes grandes músicos fizeram mais sucesso fora
da Espanha...
Dionísio Aguado (1784-1849) foi um importante guitarrista e
compositor. Seu trabalho pedagógico também foi de grande
importância e seu método para o instrumento ainda é utilizado.
Mas com certeza o músico de maior importância para a guitarra foi
Francisco Tárrega (1852-1909). Tárrega começou seus estudos de
guitarra aos oito anos de idade, e em seguida realizou estudos no
Conservatório de Madri onde posteriormente lecionou guitarra.
Realizou intenso trabalho de transcrições, redigindo mais de cem
trabalhos de autores diversos, como, Bach, Haendel, Mozart e
Shubert. Também compôs para o instrumento uma série de
Prelúdios, Estudos, Mazurcas e Valsas de caráter bastante técnico e
complexidade harmônica.
Tárrega montou toda uma série de compendios técnicos que
determinavam posicionamento das mão e dedos, posicionamento do
pé esquerdo sobre um apoio aproximando a guitarra do músico
melhorando a execução do instrumentista. Tárrega popularizou o
instrumento e estimulou compositores a escreverem peças para a
guitarra. Isaac Albêniz, Manuel de Falla e mais tarde Henrique
Granadoz , escreveram peças para o instrumento por serem
aficionados pelo instrumento attravés de uma influência direta ou
indireta de Tárrega.
Tárrega foi o primeiro a transcrever Astúrias, do piano para o
violão. Foi exatamente o trabalho de seus pupilos que concretizou
sua missão como músico.
Paralelo ao trabalho de Tarrega está o trabalho de Antonio Torres
(1817-1892). Este Luthier Espanhol realizou grandes mudanças, e
implantou novas idéias que se mostraram decisivas para o violão
moderno. Entre estas idéias esta a ênfase na madeira do tampo do
instrumento para o timbre. Estabeleceu o comprimento das cordas
em 65 cm, tamanho utilizado até hoje. Modificou também o tamanho
do braço: maior e mais grosso que outros instrumentos fabricados na
época e anteriormente. O violão de Torres era tão superior a tudo
realizado até o momento que o seu padrão modificou o modelos de
outros instrumentos na Espanha e eventualmente no mundo.
As idéias de Torres criaram toda uma escola de construtores de
violão, que deram continuidade ao seu trabalho. Dentre estes
construtores estavam a família Ramirez.
Neste período o violão já era um instrumento bastante popular.
Trazido pelos colonizadores Espanhóis no século dezesseis ( no
caso eram vihuelas), o instrumento ficou intimamente ligado e
arraigado na cultura popular da América, principalmente na América
do Sul.
No século vinte temos o violão no grau máximo de popularidade,
devido basicamenye a dois fatores.
O primeiro seria a ampliação dos meios de comunicação e de
informação que tornaram o violão assim como outros instrumentos
muito mais escutados e estudados.
O segundo motivo não é tão dramático mas muito importante. Com
o trabalho de Tárrega eTorres, o violão se encontrava pronto para a
sua realização plena, pronto para ser encarado como instrumento
sério como o piano e o violino.
Tarrega teve vários discípulos, mas o que obteve maior destaque foi
Miguel Lobet (1878-1937). Llobet fez concertos por toda a
Espanha, e tocou também na França, Inglaterra, Estados Unidos e
América do Sul, Alemanha, Suiça e em todos os centros culturais do
mundo ocidental.
Mas o mestre total do instrumento foi Andrés Segóvia (
1893-1987). Segóvia foi um amigo próximo de Miguel Llobet, mas
no violão foi um autodidata. Utilizou como base a técnica de
Tarrega, mas a modificou de acordo com o que achava correto. O
princípio básico de Segóvia era precisão total, principalmente da
mão direita. Excursionou mais que qualquer outro no mundo e
também tem como crédito Ter gravado praticamente todo o seu
repertório.
Também devemos dar atenção ao seu papel de estimulador de
compositores para o violão.
Entre estes compositores estão Manuel Ponce, Joaquim Rodrigo,
Mario Castelnovo Tedesco, Heitor Villa-lobos e Alexander Tasman.
Novamente são os pupilos que aprofundarão os conhecimentos do
mestre.
Segóvia teve grandes discípulos, destacando-se Alírio Diaz, Juliam
Bream, Turíbio Santos, John Wilians, e Abel Carlevaro.
Rodrigo Ribeiro Gonçalves
CENTRAL MUSICAL BRASILEIRA
GALERIA VISCONDE DE PAJÉ
(Terminal Central)
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6º Andar - Sala 601 - Centro
Campinas - SP - (19) 234 1751
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