População do Rio acha que brasileiro
é racista
Para 93% dos entrevistados, problema é real
Ao contrário do que se costuma dizer, existe racismo no Brasil,
sim. Pesquisa realizada pelo Centro de Articulações de Populações
Marginalizadas (CEAP) registrou que 93% dos entrevistados no Estado do
Rio acreditam que o preconceito racial impera na sociedade, desmistificando
a idéia de que o brasileiro não é preconceituoso.
Mais de 80% concordaram que os negros têm menos oportunidades no
mercado de trabalho e 59% defenderam que o sistema educacional os discrimina.
O aposentado Ernani Ferrer de Oliveira, 50 anos, e sua mulher, Sonia
Maria de Oliveira, foram vítimas de racismo, há cerca de
um ano e oito meses: “Fomos xingados de macacos só porque pedimos
licença para entrar em casa”, lamentou Ernani. O caso ganhou vulto
depois que os dois entraram na Justiça contra o agressor e perderam
em 1ª instância. De acordo com a sentença dada pela 6ª
Vara Cível de Volta Redonda, “não há como generalizar
e agredir uma pessoa negra chamando-a de ‘macaco’, ou um homem calvo de
‘careca’, ou uma pessoa branca de ‘polaco’”. Ernani e Sonia Maria recorreram
da decisão, venceram em segunda instância e vão ser
receber 50 salários mínimos de indenização.
A pesquisa do CEAP foi realizada entre janeiro e abril deste ano e ouviu
1.172 moradores do Estado do Rio de Janeiro.
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