Vôos Livres
Cíntia García
Nada com a sensação
De voar sem direção
Girar ao sabor do vento
Ter livre expressão
dos segredos do ego
dos impulsos do coração Misturar
sabores
cores
e expressões
digitadas no papel,
impressas nas asas,
memórias naturais da vida.
Máscara
Rósea
Cíntia
García
As belas palavras da bela rosa
Não são mais que despetalamento
Róseo
vislumbre do céu azul
Suspiro de desejo ao vento
Num toque divino,
um espinho transforma-se em pétala
E outros constroem veredas
onde pés descalços caminham,
ruborizando o solo castanho.
Despetala
a rósea rosa
Mascarando
seu erro
com belas palavras
e beleza fascinante
Seduzindo
o ego do inocente colibrí.
Suas Mãos
Cíntia
García
Que louca poesia inspiraste-me
de então
Ao
desejar teus lábios e encontrar-me em tuas mãos.
Dentre
os escombros de uma pseudo-percepção
Tenho
vislumbrado o rumo,
em seus dedos,
do que sempre sonhei reviver.
Sozinha,
triste, arredia...
Procurava na mente plúmbea
Rebuscava
meu coração
Algo que trouxesse à minha natureza
a intensidade extraviada,
a sutileza marcante e
a companhia da tarde.
Algo que exalasse
um perfume de reencontro.
Procurei
em todos os versos,
em trovas e avessos,
arquétipos confusos,
em olhos,
olhos,
outros olhos.
Dispus de minha vontade
Aspirei
o pó dos livros,
o vazio dos tempos idos.
E, quando todos os meus sentidos
restavam amortecidos,
Eis que pouso os olhos da alma
sob suas mãos
E nelas, vejo-me sorrindo,
girando,
voando...
Seus
dedos parecem estranhar
a ingrata inquilina
a filha pródiga
que pensa inaugurar um novo lar
quando, em verdade,
nova era sua visão do mundo que a subjugava,
e,
do qual se libertara, enfim.
Tanto
Quanto
Cíntia
García
Quero ser grande!
Grande assim.
... Desse
mesmo tamanho
Tão extenso quanto o universo
Tão profundo quanto um olhar apaixonado
Tão tanto
quanto um canto.
Quero ser grande.
Do tamanho de um vôo
do condor
cortando o céu
com ares de liberdade
Tão profundo quanto o solo
que abriga a semente
nutrindo esperança.
Tão quanto quanto quiser
poderei ser
A mim basta voar e voar e voar.
Amor que
se vai
Cíntia
García
Eu queria ir
Não
pude ficar
Te
deixei levar
O meu coração
Pra você guardar
Pra sobreviver
Esse meu amor
Dentro de você
Eu tentei sorrir
Eu
quis lhe falar
Que nào fosse, não...
Só
se pra voltar!
Mas você ouviu
Sem
acreditar
Me deixou com Deus
Se
deixou aceitar
O desígnio dos covardes
A
estrada já trilhada
Previamente
pavimentada
Sempre
tão familiar
E eu não sabia
Era só a certeza
Já era a nossa história
Que
pedia pra passar
Resumiu a dádiva da eternidade
A
um breve momento
Preferiu chamar um grande amor
De
saudoso sentimento
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