A linguagem química das plantas

Como as plantas se comunicam com o meio em que vivem?

 

As células dos organismos vivos – plantas, bactérias, fungos, líquens, insetos e animais superiores – são verdadeiros laboratórios onde se realiza a síntese de uma enorme variedade de substâncias orgânicas, muitas das quais são de grande importância prática, não só para a humanidade como para a sobrevivência das próprias espécies que as fabricam. 

Nas plantas esse processo é surpreendente, pois elas partem de materiais extremamente simples, como água e dióxido de carbono, e usam a energia do sol para produzir carboidratos, no processo conhecido como fotossíntese. A partir dos carboidratos, uma série de reações metabólicas, conhecidas como “processos do metabolismo primário” leva à produção de outras substâncias simples, fabricadas pelas plantas com a introdução de nutrientes tirados do solo - nitrogênio, fósforo e sais minerais. Essas substâncias, que têm a função de promover os processos básicos da planta,  são os ácidos carboxílicos do ciclo do ácido cítrico (ciclo de Krebs); os cerca de vinte aminoácidos que constituem a maioria das proteínas; as graxas e lipídeos; e os açúcares comuns e seus derivados. São substâncias que existem em todas as plantas e constituem a matéria-prima de reações posteriores, catalizadas por enzimas e controladas geneticamente. São estas reações que levam à produção dos chamados compostos do metabolismo secundário das plantas. 

 

  

As plantas encontram-se fixas ao solo. Ao contrário dos animais, elas não podem correr, morder ou dar socos. Elas não rosnam, não gritam. As plantas não falam.  Como, então, as plantas se comunicam com o meio que as cerca?  Como elas conseguem livrar-se ou pelo menos controlar o excesso de ataques por parte de seus supostos “inimigos” – os insetos e outros herbívoros?  E que recursos utilizam as plantas para atrair os insetos ou outros animais responsáveis pela polinização das flores?

As plantas dispõem de uma linguagem, uma sinalização química. As interações planta-animal, assim como as interações planta-planta e planta-microrganismos são mediadas por substâncias químicas. Os compostos do metabolismo secundário eventualmente funcionam para as plantas como sinais por meio dos quais elas atraem ou repelem os seres que as rodeiam. Elas exalam substâncias que podem ser repelentes ou atraentes. Armazenam toxinas. E usam ainda outros recursos, como veremos mais adiante. Não só as plantas precisam se defender dos herbívoros, como muitas vezes têm de adaptar-se para enfrentar também condições climáticas hostis.