TRISTEZA Chovia lá fora. E como sempre, as noites de chuva Fazem-me pensar. Devagar elas vão me deixando triste E meu rosto, como tudo lá fora se umedece. Quando há chuva lá fora, Também há chuva nos meus olhos. Não que eu não goste dela, No começo ela me acalma Deixa-me tranqüila, Com os sentimentos abertos a tudo que acontece. Mas essa tranqüilidade me apassiva, Antepõe-se aos meus movimentos. Então, torno-me alvo de suas mágoas, Objeto dos seus desencantos. Antes de cada uma dessas noites Eu prometo sair, Prometo estar lá fora. Mas elas me enganam Brotam inesperadamente dos dias Fazendo com que eu não possa fugir. Ana Mello |
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