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 PROJETOS/ 2007

SOCIOLOGIA ATRAVÉS DA MÚSICA

(Aluno: Roberson Gonçalves Maturano)

Introdução

Como um projeto ligado ao SOCIOLOGIA ATRAVÉS DO CINEMA, um de seus principais objetivos é a interação entre a sociologia e a música do cotidiano.

A música permite trabalhar as idéias de forma muito concreta com dois elementos ainda estranhos ao mundo escolar: o conteúdo temático da música e seu estilo e o prazer. Nada melhor para promover a interdisciplinaridade do que um projeto de estudo e um projeto de trabalho. E estranho, sobretudo em escolas públicas, mas também em escolas privadas, que o projeto seja considerado uma atividade extracurricular, quando deveria ser parte integrante do currículo. Projeto é uma forma interessante de integrar disciplinas, porque significa resolver um problema real ou estudá-lo. Um projeto de reciclagem do lixo escolar, por exemplo, é interdisciplinar por sua própria natureza. Em torno dele articulam-se conhecimentos de política, de sociologia, de psicologia, de geologia, de geografia, de história, de biologia, de química e de física.

Justificativa

De modo geral, as escolas e outras instituições paralelas ou substitutivas delas têm grandes problemas para lidar com os diferentes gêneros e estilos musicais, o que faz com os sentidos, com corpo e com o prazer, daí a música virar simples lazer ou entra nas "festas" escolares como parte de uma obrigação e não forma de conhecimento. Ou seja, a Música como linguagem muitas vezes apenas tangencia os programas escolares e os projetos sociais cujos objetivos não vislumbram a questão do conhecimento específico nas áreas do conhecimento onde pode ser inserida.

A presença da música na escola servirá principalmente ao conhecimento, à percepção e à experimentação das diversas linguagens, suas possibilidades de produzir sentido estético e suas relações com o meio social em que estão inseridas. Música, dança, poesia, teatro e artes visuais são visões de mundo, formas de pensar, produzir e discutir idéias, sentidos e sensações no mundo.

Sabemos que a música tem de fato grandes possibilidades e pode contribuir para a formação daquilo que costuma ser chamado de "bom comportamento".

Para se ouvir música é necessário um tipo de disciplina, de concentração, de dedicação, envolvimento, participação coletiva, aproximação e respeito com o outro, elevação da auto-estima.

O conhecimento e a experimentação das linguagens da dança, da poesia, do teatro, das artes visuais e da música não existem no currículo para promover o "bom comportamento", mas sim para que os alunos tenham a oportunidade de criar, apreciar e contextualizar possibilidades que os livros e o discurso comum não alcançam.

A disciplina, a concentração, a dedicação, o envolvimento, a participação coletiva, a aproximação e respeito com o outro, a elevação da auto-estima e a responsabilidade pelos resultados estarão presentes somente se o professor e os alunos estiverem envolvidos em estudar e discutir o que ouviram. O ensino da Sociologia ocorrerá Paralelo ao ensino com a Música e o Cinema.

Objetivos

Por que ensinar Ciências Sociais?

O estudo das Ciências Sociais no Ensino Médio tem como objetivo mais geral introduzir o aluno nas principais questões conceituais e metodológicas das disciplinas de Sociologia, Antropologia e Política. O ponto de partida dessas ciências foi a reflexão sobre as mudanças nas condições sociais, econômicas e políticas advindas desde os séculos XVIII e XIX. Esse contexto de transformação repercutiu, significativamente, no processo de construção das grandes questões que foram tratadas pela Sociologia, pela Antropologia e pela Política, que se desenvolveram no século XIX, tentando impor seu discurso científico.

Parâmetros Curriculares Nacionais

Ensino Médio

Conteúdo:

A Sociologia de Émile Durkheim

Duração: 2 aulas

Conceitos:

1. Sociologia como Ciência; Os fatos Sociais como objeto da Sociologia; Da divisão Social do Trabalho; O suicídio como objeto sociológico

Atividades dos Alunos:

Organização das atividades:

1. Leitura do texto sobre Durkheim:

"O livro que Dukheim escreveu sobre o problema do suicídio está estreitamente ligado ao estudo da divisão do trabalho. Ele observa que o homem não se sente necessariamente mais feliz com sua sorte nas sociedades modernas, e registra, de passagem, o aumento do número dos suicídios, expressão e prova de certos traços, talvez patológicos, da organização atual da vida coletiva. Durkheim fala da "anomia", ausência ou desintegração das normas sociais, conceito que vai ter um papel predominante no estudo do suicídio. Passa em revista certos fenômenos, como as crises econômicas, a inadaptação dos trabalhadores as suas ocupações, a violência das reivindicações dos indivíduos com relação á coletividade."lha das músicas para contextualização com o texto:

a . Dança do Desempregado

b. Marvin

c. Admirável Gado Novo

d. Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)

e. Pedro Pedreiro

3. Após escolha da música os alunos vão cantar, depois se dividirão em grupos e escolherão partes da música que se encaixem no texto.

Os grupos apresentarão a sua interpretação através de um novo texto que pode ser paródia da música escolhida. Ou através de poemas, cartazes, etc.

4. Os trabalhos serão expostos nos murais e no corredor principal da Escola, divulgando, os Alunos, A Turma e a Sociologia.

a. Dança do Desempregado

por Gabriel O Pensador - publicado em 17/01/2007

Essa é a dança do desempregado

Quem ainda não dançou tá na hora de aprender

A nova dança do desempregado

Amanhã o dançarino pode ser você

E vai levando um pé na bunda vai

Vai pro olho da rua e não volta nunca mais

E vai saindo vai saindo sai

Com uma mão na frente e a outra atrás

E bota a mão no bolsinho (Não tem nada)

E bota a mão na carteira (Não tem nada)

E bota a mão no outro bolso (Não tem nada)

E vai abrindo a geladeira (Não tem nada)

Vai procurar mais um emprego (Não tem nada)

E olha nos classificados (Não tem nada)

E vai batendo o desespero (Não tem nada)

E vai ficar desempregado

Essa é a dança do desempregado

Quem ainda não dançou tá na hora de aprender

A nova dança do desempregado

Amanhã o dançarino pode ser você

E vai descendo vai descendo vai

E vai descendo até o Paraguai

E vai voltando vai voltando vai

"Muamba de primeira olhaí quem vai?"

E vai vendendo vai vendendo vai

Sobrevivendo feito camelô

E vai correndo vai correndo vai

O rapa tá chegando "olhaí sujô!"...

E vai rodando a bolsinha (Vai, vai!)

E vai tirando a calcinha (Vai, vai!)

E vai virando a bundinha (Vai, vai!)

E vai ganhando uma graninha

E vai vendendo o corpinho (Vai, vai!)

E vai ganhando o leitinho (Vai, vai!)

É o leitinho das crianças (Vai, vai!)

E vai entrando nessa dança

Essa é a dança do desempregado

Quem ainda não dançou tá na hora de aprender

A nova dança do desempregado

Amanhã o dançarino pode ser você

E bota a mão no bolsinho (Não tem nada)

E bota a mão na carteira (Não tem nada)

E não tem nada pra comer (Não tem nada)

E não tem nada a perder

E bota a mão no trinta e oito e vai devagarinho

E bota o ferro na cintura e vai no sapatinho

E vai roubar só uma vez, pra comprar feijão

E vai roubando, e vai roubando, e vai virar ladrão

E bota a mão na cabeça!! (É a polícia)

E joga a arma no chão

E bota as mãos nas algemas

E vai parar no camburão

E vai contando a sua história lá pro delegado

"E cala a boca vagabundo malandro safado"

E vai entrando e vai olhando o sol nascer quadrado

E vai dançando nessa dança do desempregado

Essa é a dança do desempregado

Quem ainda não dançou tá na hora de aprender

A nova dança do desempregado

Amanhã o dançarino pode ser você

 

b. Marvin

por Dunbar e Johnson (Versão: Sérgio Britto e Nando Re - publicado em 17/01/2007

Meu pai não tinha educação

Ainda me lembro, era um

grande coração

Ganhava a vida com muito suor

Mas mesmo assim não podia ser pior

Pouco dinheiro pra poder pagar

Todas as contas e despesas do lar

Mas Deus quis vê-lo no chão

Com as mãos levantadas pro céu

Implorando perdão

Chorei, meu pai disse: "Boa sorte",

Com a mão no meu ombro

Em seu leito de morte

Ele disse

"Marvin, agora é só você

E não vai adiantar

Chorar vai me fazer sofrer"

Três dias depois de morrer

Meu pai, eu queria saber

Mas não botava nem um pé na escola

Mamãe lembrava disso a toda hora

Todo dia antes do sol sair

Eu trabalhava sem me distrair

Às vezes acho que não vai dar pé

Eu queria fugir, mas onde eu estiver

Eu sei muito bem o que ele quis dizer

Meu pai, eu me lembro, não me deixa esquecer

Ele disse

"Marvin, a vida é pra valer

Eu fiz o meu melhor

E o seu destino eu sei de cor"

E então um dia uma forte chuva veio

E acabou com o trabalho de um ano inteiro

E aos treze anos de idade eu sentia

todo o peso do mundo em

minhas costas

Eu queria jogar mas perdi a aposta,

Trabalhava feito um burro nos campos

Só via carne se roubasse um frango

Meu pai cuidava de toda a família

Sem perceber segui a mesma trilha

Toda noite minha mãe orava

"Deus, era em nome da fome

que eu roubava"

Dez anos passaram, cresceram

meus irmãos

E os anjos levaram minha mãe

Pelas mãos

Chorei, meu pai disse: "Boa sorte"

Com a mão no meu ombro

Em seu leito de morte

"Marvin, agora é só você

E não vai adiantar

Chorar vai me fazer sofrer".

Marvin, a vida é pra valer

Eu fiz o meu melhor

E o seu destino eu sei de cor".s dias depois de morrer

Meu pai, eu queria saber

Mas não botava nem um pé na escola

Mamãe lembrava disso a toda hora

Todo dia antes do sol sair

Eu trabalhava sem me distrair

Às vezes acho que não vai dar pé

Eu queria fugir, mas onde eu estiver

Eu sei muito bem o que ele quis dizer

Meu pai, eu me lembro, não me deixa esquecer

Ele disse

"Marvin, a vida é pra valer

Eu fiz o meu melhor

E o seu destino eu sei de cor"

E então um dia uma forte chuva veio

E acabou com o trabalho de um ano inteiro

E aos treze anos de idade eu sentia

todo o peso do mundo em

minhas costas

Eu queria jogar mas perdi a aposta,

Trabalhava feito um burro nos campos

Só via carne se roubasse um frango

Meu pai cuidava de toda a família

Sem perceber segui a mesma trilha

Toda noite minha mãe orava

"Deus, era em nome da fome

que eu roubava"

Dez anos passaram, cresceram

meus irmãos

E os anjos levaram minha mãe

Pelas mãos

Chorei, meu pai disse: "Boa sorte"

Com a mão no meu ombro

Em seu leito de morte

"Marvin, agora é só você

E não vai adiantar

Chorar vai me fazer sofrer".

Marvin, a vida é pra valer

Eu fiz o meu melhor

E o seu destino eu sei de cor".

c. Admirável Gado Novo

por Zé Ramalho - publicado em 17/01/2007

Vocês que fazem parte dessa massa que passa nos projetos do futuro

É duro tanto ter que caminhar e dar muito mais do que receber

E ter que demonstrar sua coragem à margem do que possa parecer

E ver que toda essa engrenagem já sente a ferrugem te comer

Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

Lá fora faz um tempo confortável,

A vigilância cuida do normal

Os automóveis ouvem a notícia,

Os homens a publicam no jornal

E correm através da madrugada

A única velhice que chegou

Demoram-se na beira da estrada

E passam a contar o que sobrou

Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

O povo foge da ignorância

Apesar de viver tão perto dela

E sonham com melhores tempos idos,

contemplam essa vida numa cela

Esperam nova possibilidade

De verem esse mundo se acabar

A arca de Noé, o dirigível,

Não voam nem se pode flutuar

Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

d. Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)

por Gonzaguinha - publicado em 17/01/2007

Um homem também chora

Menina morena

Também deseja colo

palavras amenas

Precisa de carinho

Precisa de ternura

Precisa de um abraço

Da própria candura

Guerreiros são pessoas

São fortes, são frágeis

Guerreiros são meninos

Por dentro do peito

Precisam de um descanso

Precisam de um remanso

Precisam de um sono

Que os tornem perfeitos

É triste ver meu homem

Guerreiro menino

Com a barra do seu tempo

Por sobre seus ombros

Eu vejo que ele berra

Eu vejo que ele sangra

A dor que tem no peito

Pois ama e ama

Um homem se humilha

Se castram seus sonhos

Seu sonho é sua vida

E vida é trabalho

E sem o seu trabalho

O homem não tem honra

E sem a sua honra

Se morre, se mata

Não dá pra ser feliz...

Não dá pra ser feliz...

e. Músicas

Pedro Pedreiro

por Chico Buarque - publicado em 17/01/2007

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem

Manhã, parece, carece de esperar também

Para o bem de quem tem bem

De quem não tem vintém

Pedro pedreiro fica assim pensando

Assim pensando o tempo passa

E a gente vai ficando pra trás

Esperando, esperando, esperando

Esperando o sol

Esperando o trem

Esperando o aumento

Desde o ano passado

Para o mês que vem

 

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem

Manhã, parece, carece de esperar também

Para o bem de quem tem bem

De quem não tem vintém

Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande no bilhete pela federal

Todo mês

Esperando, esperando, esperando

Esperando o sol

Esperando o trem

Esperando aumento

Para o mês que vem

Esperando a festa

Esperando a sorte

E a mulher de Pedro

Está esperando um filho

Pra esperar também

 

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem

Manhã, parece, carece de esperar também

Para o bem de quem tem bem

De quem não tem vintém

Pedro pedreiro está esperando a morte

Ou esperando o dia de voltar pro Norte

Pedro não sabe mas talvez no fundo

Espera alguma coisa mais linda que o mundo

Maior do que o mar

Mas pra que sonhar

Se dá o desespero de esperar demais

Pedro pedreiro quer voltar atrás

Quer ser pedreiro pobre e nada mais

Sem ficar esperando, esperando, esperando

Esperando o sol

Esperando o trem

Esperando aumento para o mês que vem

Esperando um filho pra esperar também

Esperando a festa

Esperando a sorte

Esperando a morte

Esperando o norte

Esperando o dia de esperar ninguém

Esperando enfim nada mais além

Da esperança aflita, bendita, infinita

Do apito do trem

Pedro pedreiro pedreiro esperando

Pedro pedreiro pedreiro esperando

Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem

Que já vem, que já vem, que já vem (etc.)

 

Nicterói/2007

 

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