Homossexualismo...certo ou errado?
Olá,
meu nome é Márcio, sou universitário, tenho 25 anos e
moro em Maringá-PR...quero falar sobre um aspecto de
minha vida: a HOMOSSEXUALIDADE.
Não é um assunto muito agradável para alguns, sabemos
que algo que foge dos
padrões HETEROSSEXUAIS ainda é visto com certo receio e
preconceito por
várias pessoas.

Muita
gente me pergunta: como você descobriu sua
HOMOSSEXUALIDADE?
Logo respondo que não foi de modo simples, pois definir
a sexualidade
é uma tarefa difícil, que deve ocorrer de forma natural
- sem que
haja uma forma pré-definida. Por exemplo, não há como
se escolher
ser gay, hetero, ou bissexual, isso ocorre por motivos
que vão
além da própria escolha. Afinal, se essas coisas
pudessem ser
escolhidas, acredito que todos
optariam por ser heterossexuais, seria muito mais fácil,
pois é a forma
de relacionamento dita como "correta" tanto
pela sociedade como por
muitas das religiões.

Assim,
desde o início de minha adolescência,
quando a sexualidade humana ainda está em formação, me
sentia diferente
dos outros meninos de minha idade.

Isso
me fazia sentir vergonha e
ao mesmo tempo medo de ser discriminado por eles e
principalmente
por minha família. Porém, como todo adolescente, sempre
gostava
de ficar "secando" as pessoas que eu achava
atraentes. Só que nunca
eu observava apenas as meninas

,
os meninos também me chamavam muita
atenção.

Só
que eu não entendia o porque daquele, até então,
"estranho"
desejo. Nunca tinha comentado isso com ninguém, sempre
tive apreensão
em contar para alguém e ser criticado depois. Guardei,
então, meu segredo
durante muito tempo.

Vivi,
nesse período, um sentimento de grande solidão, porque
sabia que não tinha ninguém ao meu lado, ninguém que
pudesse me
ajudar. Também, tinha muito receio de tentar "ficar"
alguém. Era como se
eu tivesse me fechado em meu pequeno mundo de desejos
misturados com medo.

Minha
primeira paixão foi por um colega de sala de aula. Na época,
eu tinha
16 anos, era muito jovem e inexperiente para saber o que
fazer...Jamais
contei para ele que o que eu realmente sentia, que para
mim era muito
mais do que um simples sentimento de amizade!!!!! Contudo,
aquela paixão

me
assustava muito, eu me questionava: o que está
acontecendo, por que
não sou "normal" como os outros meninos? Pelo
fato de minha família ser
extremamente religiosa, eu pensava que seria castigado
por Deus, que o
meu destino seria a condenação divina. Ah...eu como eu
chorava...e como
eu me auto castigava por tudo isso!!!!! Foi assim durante
muito tempo

...até
que algumas coisas começaram a mudar...
No primeiro ano de faculdade, conheci uma pessoa que
mudaria minha vida
drasticamente!!!!! Desde do primeiro dia na universidade,
a Renata
aproximou de mim, descobrimos
depois que tínhamos muitas afinidades...e
era então o início de uma verdadeira amizade. Após uma
longa análise,
descobri que a Renata seria a pessoa que eu daria o maior
presente que
alguém pode dar para outra pessoa, uma verdadeira prova
de amizade e de
confiança: falaria para ela tudo aquilo que sempre quis
falar para alguém,
mas tinha muito receio em confessar. Numa noite, num bar
próximo à
Universidade, criei coragem e confessei tudo...não sabia
muito bem
qual seria a reação dela. Para minha surpresa, ela me
disse: pode contar
comigo para qualquer coisa!!!

Estarei
com você, pois descobri que agora
tenho mais que um amigo, tenho alguém que confia em mim!!!!!
Choramos...
os dois juntos...ali mesmo...
Talvez por ser um pouco mais velha que eu, a Renata dizia
que eu tinha
que procurar conhecer um pouco mais sobre minha opção
sexual. Ela me fez
ver que eu não era o único do mundo, que qualquer
pessoa está sujeita a
esse tipo de coisa...que ser homossexual não é doença...
não é crime...
e que eu deveria me importar menos com que os outros vão
ou não falar.

Todavia, não fui influenciado de modo algum por ela,
ninguém transforma
ninguém em gay, bi, ou hetero... esse é um processo que
não pode ser
decidido por outras pessoas. Eu apenas comecei a mudar
meus pontos de
vista, precisava de alguém esclarecida como a Renata
para discutir isso
comigo. Eu já havia dado um grande passo em minha vida:
estava me
descobrindo...e principalmente, me aceitando!!!! O resto
foi
acontecendo normalmente...

Hoje,
estou convicto de que aqueles anos de sofrimento e de
medo
ficaram para trás. Tenho amigos gays, heteros e
bissexuais, sei que
essas pessoas não gostam de mim pela minha opção
sexual, ou pelo que
tenho...mas, sim pelo que sou em meu íntimo, pelo afeto
que temos em
comum, independente de cor, credo, sexo ou posição
social. Dois
sentimentos são a base para tudo isso: o respeito e a
sinceridade
mutua. De lá para cá, conheci muitas pessoas, mas, uma
atualmente
é a que eu posso dizer que é o dono de meu coração: o
Wellington.
Moramos juntos há algum tempo,
minha família sabe, e eu agora
realmente sei quem da minha família gosta
verdadeiramente de mim...
afinal, somente quem ama, aceita o outro como ele é!!!!
Aprendi
algo: quem quiser gostar de mim, tem que me aceitar do
modo que sou
... sem ficar me rotulando disso ou daquilo... Vivemos
num pais livre
, em que existe uma constituição que defende a
igualdade de direitos
e deveres entre os cidadãos, além da livre expressão.
Contudo ainda
há muito o que se fazer, a sociedade ainda está
carregada de preconceito
e de um estúpido
machismo. As pessoas insistem em rotular os outros...
como dizia
Cazuza:

te
chamam de ladrão, de bicha, maconheiro, transformam o
pais inteiro num puteiro... é bem isso!!!!
Dedico essa pequena história de vida ao Wellington, à
minha família
que tanto amo, aos meus amigos. Espero que sirva como um
pequeno exemplo de que a vida pode
ser mais simples quando existe respeito entre os seres
humanos.
Gostaria de finalizar esse "depoimento" com a
seguinte mensagem para
todos aqueles que são heteros, gays, bissexuais,
transexuais, negros,
mulheres, idosos, miseráveis, excluídos e aos que
sofrem qualquer tipo
de discriminação social:
QUE DEUS ABENÇOE O SENTIMENTO MAIS SAGRADO QUE PODE
HAVER ENTRE DUAS
ALMAS: O AMOR.
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